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RIO CÉRTIMA
Nascente: junto à povoação de Ponte de Viadores, na freguesia de Casal Comba, Mealhada
Foz: Rio Águeda, na freguesia de Requeixo, concelho de Aveiro
Extensão: cerca de 45 km
«Os agregados populacionais constituíram-se normalmente perto do rio, do riacho ou outro tipo de lençol de água, que, no caso vertente de Oiã, (freguesia) a rodeava, a norte pela lagoa do Pano e, a nascente, parte pela Pateira de Fermentelos e parte pelo Rio Cértima, onde abundava por entre nenúfares e bunho a mais diversa fauna piscícola e onde, depois, já no século XVIII, se estenderam ao sol de Abril a Setembro as praias de arroz, que, em muitos casos, sobrelevavam o rendimento da própria vinha.»
Amor Pires Mota, Oiã – Terras e Gentes

Não conheço, nunca pisei o chão das margens desse rio, mas estas imagens encheram-me a alma de uma placidez apaziguadora.
Até me lembrei de Hilda Hilst e deste seu poema:
Se te pareço nocturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse
Escapar de tua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Olhei-te. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento…
É lindo, pois é, Mr. Correia?
É sim, Maria Antonieta. Muito obrigado por mais este contributo poético.