A ralé


jpt,

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De quando em vez vejo esta magnífica ilustração. Se há coisa em que sou progressista (crente no Iluminismo) é no assunto das tatuagens: tenho compreensão sociológica para com as velhas inscrições nos braços masculinos (“Amor de mãe, Guiné 1970-1973” ou similar) e pelos quadrados de pequenos cinco pontos nas costas da mão. Por toda a restante ralé tatuada tenho um profundo nojo – já demencial após 3 anos e tal de Lisboa oriental, na qual abundam trogloditas deste tipo. Em dias aprazíveis sonho com o seu extermínio. Nos mais aziagos planeio-o.

Mas esta ilustração, magnífica, repito-o, ainda me arranca um sorriso. Antevejo 2036, a ralé rugosa, cheia de papadas e pregas, os “desenhos” “identitários” descaídos, ainda mais imunda do que agora. Nós, “peles-lisas”, evitando-os. Com asco.

133 comentários em “A ralé”

    1. Pois… A questão é que o voto um tatuado – desses de agora, tatuados integrais ou quase – vale tanto como o meu. E eles são muitos, os “tatuados integrais ou quase”. O que autoriza o meu mais firme pessimismo, quanto ao que aí virá, num prazo de não muitos anos.

      Para si, certamente, um futuro risonho.

      Costa

      1. Para alguém que assina com “Costa”, não tem nem metade da integridade do outro. Você é um adepto de ideologias anti-democráticas e como tal recomendo-lhe que emigre para a Rússia, a Coreia do Norte, a Arábia Saudita ou um país semelhante. Não merece viver em democracia!

        1. Sendo a do outro Costa nula, imagino em que conta você me tem… Mas tanto melhor: ser assim tomado por coisas como você é sinal de minha decência.

          Costa

        2. Começo a suspeitar de que a tinta penetra na pele e afecta as funções mais básicas do raciocínio lógico-dedutivo.

          1. Ó “V.”, não venha falar em raciocínio lógico que você escreve cada disparate…

          2. Ó “V.”, não venha falar em raciocínio lógico que você escreve cada disparate…

            Parece-me uma tese interessante — ora dá lá um exemplo

      2. Costa, aquilo que levanta dá pano para mangas – e deu, na história portuguesa. Nisto do sufrágio “universal” quem deve votar? Quem é economicamente autónomo, quem é dotado de conhecimentos suficientes para o livre-arbítrio, quem tem capacidade racional? Vivemos hoje sobre o dogma da omnipresença da racionalidade, da “universalidade” eleitoral – que é falsa, mas enfim.

        Uma coisa interessante é tentar analisar os comportamentos políticos – para além de ir à tv dizer bem do PS. Por exemplo, entre os 40 por cento que não votam quantos são tatuados? Ou, melhor perguntado, qual a percentagem de tatuados que não vota? E a resposta a isso será capaz de minorar a sua (justificada) jeremíada.

        1. Nisto do sufrágio “universal” quem deve votar? Deverá ser com base no IRS, conforme o escalão? Os do quinto escalão deverão ter mais votos que os do primeiro escalão? Ter-se mais dinheiro implica ser-se mais livre no seu “livre arbítrio “? Ter-se mais conhecimento técnico implica terem-se mais conhecimentos políticos?
          A um desempregado deve ser-lhe retirado o Direito de votar? E só o Direito de Votar? Porque não outros? E os que herdam grandes fortunas, que pagam impostos, mas cujo único empreendimento conhecido é serem “filhos de”? Deverão votar?….

          O Direito de Votar não é universal. Ele depende da idade e da ausência de perturbações psíquicas.

          1. a história portuguesa das revoluções liberais de 1820 em diante até 1975 é a da restrição progressiva, pelos motivos a que aludi (e outros, que historiadores poderão esmiuçar), do direito ao voto.
            E claro que um tipo pode resmungar “os tatuados não deviam ter direito a voto” ou coisas assim (como no postal, exterminá-los). Acho que as pessoas levam isto tudo muito a sério …

        2. Se não gostam do sufrágio universal porque não emigram para um país em que não haja sufrágio universal?

          1. Ó jpt, você tem cá uma moral para chamar aos outros de “limitados intelectualmente”… Já leu o que escreve?

        3. Onde nos levava o tema, meu caro… Basta-me saber que na sacrossanta primeira república – peça sagrada da liturgia dominante – o direito de voto foi severamente limitado face ao vigente em Outubro de 1910. E, na historiografia que interessa, isso até estará muito bem.

          Os tatuados de hoje, largamente brutos e estúpidos, acham mal a monarquia porque sim (a mais sólida das fundamentações) e festejam uma república imposta na base de um regicídio, num país em paz e gozando de liberdade de imprensa (que os “empastelamentos” posteriores, entre outro mimos, cuidariam de destruir). Invoque-se a sua venalidade, o nepotismo, o que seja; e compare-se com o que temos.

          Que nos resta que não seja a jeremíada? Você até (re)emigra…

          Espero continuar a lê-lo.

          Costa

          1. O próprio Buiça está nesta caixa de comentários, acho que a defender as tatuagens, não percebi bem, mas veio do inferno para botar. (Na monarquia de XIX tb se fartaram de cortar no direito ao voto)

          2. Não se preocupe com o Buiça que ele morreu há 110 anos após ter prestado serviços excepcionais à pátria. Já você quando se trata de assassinar a inteligência humana…

          3. No seu caso é mais a inteligência anónima … (vá lá, é segunda-feira, suspendi a devida “inteligência animal”)

  1. O mal de qualquer coisa é torná-la um exagero e todo o exagero cansa. Perde a piada. As tatuagens são um exemplo.

    1. E depois há comentários como esse. Aposto que foi um homofóbico a fazê-lo. E com fetiches muito estranhos.

    1. Se não gosta de liberdade individual pode emigrar para países como a Arábia Saudita ou a Coreia do Norte.

  2. caro jpt,

    um antropólogo (foi a ideia que me permaneceu da sua profissão, depois de o ler no anterior blogue) deveria revelar algo mais de contenção com este tipo de paleio.

    cresci com um pai tatuado, marinheiro de guerra, tatuado em vários portos do mundo com augas aportáveis. Todas, sem excepção, muito belas. Morreu com um cancro, metastizado há anos, após inúteis sessões de quimio e radioterapia. Musculado, as tatuagens intactas.

    percebo onde quis chegar, mas o meu pai viajou mais longe, e até tinha vergonha das ditas, tendo passado os últimos anos de vida sem usar camisas de manga curta…

    passados 25 anos após a sua morte, as tatuagens dele trazem-me ainda um sorriso: o menino que saiu da aldeia, muito cedo, onde apascentava o gado após a escola, até se afirmar (só também…) com as suas tatuagens.

    ___________
    a minha bela e inteligente filha de 23 anos tem 5 tatuagens, eu não tenciono ter nenhuma, mas temas existem que me causam urticária.

    só isto, jpt…

    1. Alexandra G. V. levanta várias questões: a primeira é a insuficiência do curto texto (escrito de rajada como quase todos os postais de blog que faço – aliás este foi mesmo um postal de FB, os quais ainda menos cuido) – de facto quando aludi à tradição das tatuagens por caminhos biográficos específicos (a tropa colonial, os ex-prisioneiros) devia ter-me lembrado dos marinheiros. Não só por ser leitor de romances que eles protagonizavam, quantas vezes tatuados (especialmente nos rijos tempos dos veleiros). Mas também por ter dois irmãos marinheiros, homens de mares percorridos (ainda que não tatuados). Passou-me.
      A segunda coisa é o facto de invocar a minha condição de antropólogo para conter “este tipo de paleio”. Como se ser antropólogo me obrigue a apreciar as derivas sociais, por si só. Como antropólogo abomino os meus colegas, as outras pessoas das ciências sociais, os cidadãos bem-pensantes e os que se enchem de cuidados no que dizem por causa dos “sentimentos” alheios – mas depois são anti-semitas no invocar da “cabala” ou gozam com a morte de milhões de africanos ao brincarem com a “melga”. O depurar das opiniões não nos obriga a estancar os juízos. Eu abomino este raulmeirelismo português, esta palhaçada identitarista, esta cloaca intelectual. Posso ser marceneiro, médico, misturador, montador de elevador, músico. Ou antropólogo.
      A terceira coisa é o que refere sobre o Senhor seu pai. Que se incomodava com as tatuagens, passados que tinham sido os momentos em que as considerou fundamentais ou interessantes. Que as tenha feito no curso de uma biografia profissional muito específica e de grande inter-socialização é compreensível. Que a malha periurbana de hoje as façam para simular uma “densidade” existencial, francamente … As pessoas são livres de fazer o que lhes apetece? No livre-arbítrio que não colida com os dos outros? Sim. A sua filha é livre de se tatuar? Sim. Mas eu sou igualmente livre de ter um profundo nojo pelo acto. E desrespeito pela atitude intelectual. E nada na minha profissão, no legado intelectual que transporta ou na deontologia obsta a isso. Eu diria mesmo, só me convoca a isso. A não ser que seja como os racistas, que metem @ para não usar o “género” gramatical, gemem pelo “racismo de estado” contra os “afrodescendentes” mas riem-se do que alude a milhões de mortos em África.
      Cumprimentos.

      1. “raulmeirelismo português“

        Ahahahah. Curiosamente o único tipo em que aquilo tudo, desde as âncoras ao penteado à Sioux, tem piada. Fabuloso sincretismo.

      2. Em grande forma, caro JPT!
        Palavras como punhos!
        Eu sempre apreciei a escrita desassombrada que é dita ao ritmo da bigorna enquanto o ferro ainda está quente (e que vale também ali para a alexandra g)! Pode não parecer mas vivemos num tempo em que, ao contrário do que se poderia pensar, se começa a querer resgatar a verdade, sem ornamentos de disfarce.
        E, por isso, uma crescente, e inquietante, impaciência! Ouvem-se ruidosos desabafos de…já dei!! Um clamor aos Deuses para que o salvem dos sonhos que outros têm para si e para os seus!!
        Nós vivemos num tempo em que não nos compete inventar palavras novas, mas em que apenas nos compete inventar novas maneiras de dizer as mesmas palavras, como dizia o Almada!!
        O caro JPT parece-me pertencer mais a este tempo do que o que a sua idade poderia fazer presumir!
        E perdoe-me este meu devaneio!!
        Um bem haja,

    2. Agora censura-se o outro com base em coisas tão fortuitas como a história emocional de cada um — é isso que um antropólogo diria.

      1. os antropólogos são capazes de dizer tudo – até de reduzir a história intelectual à história emocional -, já dizia um não-antropólogo anything goes

        1. E não é isso verdadeiro? Desde Filon de Alexandria a história progride através da produção de instituições sociais e culturais que obviem aquilo que é considerado, emocionalmente/sentimentalmente, injusto. Qualquer progresso visa a conquista de um Bem que apenas o pode ser assim considerado numa avaliação emocional, sob pressupostos não racionais. A emoção conduz o pensamento racional a produzir materialmente a sua vontade. O Bem e o Mal partem aprioristicamente de um julgamento sentimental /emocional. Os sentimentos maiores como a honra, a coragem, vingam não por avaliações racionais, mas sim emocionais.

          “Decisions are emotional, not logical”

          António Damásio

          PS: Gay = Light-hearted and carefree

          1. a “minha” História é um bocado diferente – e mostra-se logo nisto das tatuagens, raio de Bem que procuram

          2. Jpt, uns usam tatuagens como forma de destaque da massa anónima. Outros usam o vestuário com idêntico propósito. Outros o carro. Outros um nome.

            O jpt é como o poema:

            Do not go gentle into that good night, de
            Dylan Thomas.

            Do not go gentle into that good night,
            Old age should burn and rave at close of day;
            Rage, rage against the dying of the light.

            Though wise men at their end know dark is right,
            Because their words had forked no lightning they
            Do not go gentle into that good night.

            Good men, the last wave by, crying how bright
            Their frail deeds might have danced in a green bay,
            Rage, rage against the dying of the light.

            Wild men who caught and sang the sun in flight,
            And learn, too late, they grieved it on its way,
            Do not go gentle into that good night.

            Grave men, near death, who see with blinding sight
            Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
            Rage, rage against the dying of the light.

            And you, my father, there on the sad height,
            Curse, bless, me now with your fierce tears, I pray.
            Do not go gentle into that good night.
            Rage, rage against the dying of the light.

  3. É normalmente em temas como este do como os outros deviam viver as suas vidas que os extremos (da direita, da esquerda) se tocam.
    Que raio tenho eu a ver se o outro se pinta mais ou menos…?
    Quem não entende que a riqueza do planeta está na diversidade acaba a casar com a prima. E Darwin agradece.
    Cumps
    Buiça

          1. Era amor, ‘mor!
            Muintamor, é o que é preciso. Pra nóis todos!

            O meu adorado feitiozinho de canil foi avisado de que estávamos ali por um coisinho, para eu mapaixonar por vosmicê. Mapa, ’tá a ver, não está, Querido?
            Enviei-lhe as coordenadas duamor.
            Pertantes…

            – Beijo-te!
            – Beijos!
            – I’m in love… E tu, Jean Pierre, anda cá filho, és o feliz destinatário! Jetaime!
            – Não sejas mau pramim, Oooh, ohhh, partesme o coeur, rapaz!

            Agora a sério, jpt, seu escriba do demónio, é um gosto lê-lo.

            (ria-se, sff, rir é sempre o melhor remédio)

          2. Já percebi, é uma mensagem para o João Pedro (também gostei do postal Bloco Imutável, concordo)

          3. Ah, seu insensível, bruto, mau!

            Mas goxti à mêma! Toma-te!



            P.S. Uma santa viagem lá pradonde vai. Fico aqui à espera dos textos acidérrimos sobre os de Carnide.

          4. Obrigado pelos votos. E sim, serei um activo correspondente das andanças do Carnide na Liga Europa.

      1. Ora essa, o que faz falta é mais guerra. Senão a canalha começa a querer matar o vizinho por não gostar de como se pinta!
        Cumps
        Buiça

  4. ’tá bem, jpt, cumprimentos (esqueci-me de dizer que era, papai, um homem deveras culto, mesmo com aquela cena da namorada em cada porto: e fez ele muito bem, a minha mãe não era ciumenta, preservou a sua memória, o gajo que aportava, namorava e estudava: vi as fotos e só não li as cartas por respeito, ela manteve tudo até morrer, em Fevereiro).

    não gosto da sua antroporesposta.

    apraz-me ter percebido, aqui na bloga – mundo tão pequenino – que conhece o António Cabrita, um dos primeiros namorados da minha irmã, que ainda conheci, vivendo ainda em Almada,.

    ____________
    p.s. – não sei o que é o fb.

    ____________
    p.p.s. – o meu pai não era um Senhor, mas era tão formidável na Matemática, em feitor de quinta, quando percebeu que poderia ficar rico em pouco tempo: pirou-se, no tempo exacto, quando percebeu que poderia tornar-se um ladrão com a máxima facilidade.

    ___________
    p.p.p.s. – o meu tatuado metastizado trouxe para Portugal livros e revistas que hoje ainda fariam revirar os olhos a muita gente: nudismo, ciência, psicologia, etc.

    1. O Cabrita, que eu saiba, não tem tatuagens. É um bom tipo mas deixou de blogar, agora está no FB (vá lá, deixe-se de coisas). Não gosta da antroporesposta? Lamento. Eu gosto, saiu-me uma boa rajada.
      Boa memória a do seu pai. É bom quando assim é.

      1. não, jpt, não vou, ao face-base-de-camuflagem.

        obrigada pela cousa da memória 😀

        _______
        p.s. – ficou claro, espero, que adoro uma cena de porrada inocente, até por adorar ‘porrada’ ::)

          1. yes she does, como já se tinha suspeitado : )

            Almada, anos 80. Creio que ainda nos vimos, tinha o Pedro uma franja solta (tenho uma excelente memória fotográfica).

            Também me recordo do nome da grande – ainda hoje – amiga da minha mana, mas creio que é melhor pensarmos todos em músicas que afastem estas temperaturas do demo.

            Anyone? 🙂

          2. O mano grande está bem, o mano mais novo também, mas não se terão cruzado pelas ruas (que ainda hoje detesto) de Almada: chama-se Luís Miguel 🙂

            ____
            “Isto” lembra-me as conversas aqui na vila: costumo dizer que basta meia hora para que os interlocutores descubram que são família, tudo primos.

          3. Ainda há dias lá estive, a percorrer aquelas ruas, onde não ia há vários anos. Que profunda decepção: cidade feia, suja, maltratada. Excepto na zona do castelo, quase deserta – nem turistas lá vão, apesar de se ver dali o mais belo panorama de Lisboa.
            Enfim, quase tudo para esquecer. Mas das pessoas não esqueço. E lembro-me bem dos seus manos TQ e S, claro: fazíamos parte do mesmo grupo e fomos colegas de liceu. Mantenho aliás contacto com várias pessoas desse tempo e dessa tribo – até com professores.
            São curiosas, estas linhas que parecem paralelas mas têm afinal pontos de convergência. Neste caso o fio da memória desenrolou-se pela sua episódica referência ao Cabrita – quem diria?

          4. se o António Cabrita (tão esguio, à época, mas já um intelectual de vinha velha, que nesta família as mulheres saber ver 🙂 alguma vez ler esta linhas aqui trocadas, duvido seriamente que se recorde de mim (a minha mana terá sido algo de mais, digamos, inesquecível: continua linda, inteligente, guerreira :).

            eu continuarei a recordá-lo por uma situação: teria eu 16 anos e disse-lhe (lembro-me exactamente do lugar: a paragem de autocarros, naquela rotunda com fontanário) que queria entrar no conservatório e fazer o curso de realização de cinema, desconhecendo a vida dele. Ofereceu-me, de imediato, apoio para a entrevista, a preparação (não seria necessário, eu tinha paleio – à jpt 😀 – média (que não interessaria muito) e uma vontade férrea.

            não fui, o conservatório fechou naquele ano para remodelação curricular e o meu pai considerou, de resto, que o curso não me traria futuro… (ironia das ironias, tivera entrado e teria terminado no tempo das tv privadas… o Cabrita tornou-se jornalista, professor, tantos etc.)

            Almada: dói-me ainda pelo suicídio do irmão da minha melhor amiga, lá no que resta da fortaleza altaneira. O Guerreiro…

            ___________
            p.s. – devo confessar que nunca o gramei, Pedro, sempre me pareceu de uma arrogância e de uma elevação desmedidas. Dada a minha educação e os contextos e as pessoas, espero que isto tenha passado, até por ser mais dada às Imprecisões, lugar maior para a ausência de certezas e trilho para as mudanças 🙂

          5. Mas você conhece-me?
            Ter-me-á visto uma vez ou duas…
            Era uma catraia à época. Aliás, eras uma catraia. Assim está mais correcta a forma verbal.

          6. que agressivo!
            creio que ficou claro que nos teremos cruzado duas, máx. 3 vezes, sempre por conta da presença da minha irmã e da sua amiga.
            uma catraia, seja, de 15/16 anos. O Pedro, em contrapartida, era o dono da fortaleza, certo?
            comporte-se, que não o tratei de forma incorrecta.

          7. de Almeida

            _________
            elidir do meu nome aquilo que o torna especial (para mim) é como escrever contato, por exemplo.

            ________
            boas férias, Pedro Correia, e não perca a chave da fortaleza pelos areais

          8. Alexandra vou copiar isto e mandar ao bom do Cabrita, a ver se ele cora (a referência ao esguio Cabrita deve dar para algum sorriso)

          9. Alexandra desculpe lá meter-me no meio do vosso enleio (a história da minha vida, só me quiseram para amigo) mas a gente não precisa destes ajustes décadas depois Eu, por exemplo, muito piorei desde a juventude. Mas o Pedro (pagas o próximo uísque), ao qual conheço há poucos anos, está hoje em dia fesprovido da aludida “franja solta” e é algo como o “ultimo dos cavalheiros”. Para quê tamanha agressão capilar? E sim, catraia é dos termos mais carinhosos que há (Pedro, para mim Jameson)

          10. jpt,
            please don’t, o António Cabrita terá francamente mais que ler, escrever (sempre críptico), educar (tem uma ninhada de mulheres lindas) e li algures que anda mais pelo face do book. 🙂

            o que lá vai, lá vai, serve somente para estas trocas de impressões, como o futuro não passa de mais do mesmo.

            ___________
            quanto ao Pedro Correia, convenhamos, mui embirra comigo, quando se proporciona, mas é mútuo e daí não vem mal nenhum ao futuro das espécies (ok, eu embirro mais com ele 🙂

            eu sou uma senhora-gaja, so what?

            __________
            para mim é um tinto encorpado, um fundo de bagas silvestres, aroma algures entre o frutado e o amadeirado, num copo digno do nome 😀

          11. Ok nada como uns copos para apagar velhas mágoas Para mim, porque está um bocado de calor, água do Castelo sff

          12. agora, sem antropologia (impossível, eu sei, jpt 🙂

            – bebi hoje aprox, 3,5l de água (a minha média, mesmo no no Inverno, anda pelos 2L) e infusões e só saí de casa às 20h30 para um (err) copo com um a amiga e um casal de brasucas recém -chegado (quase 4 meses):

            Basta de tanta água! Puta que pariu as ervas (sorry for my french)

            ___________
            Que raios bebem vs em Moçambique? 🙂

            ___________
            (o Pedro Correia também era esguio – éramos todos 🙂 – for the record, mas “tinha a mania”, folgo em saber que mudou 😀

            abraço amigo, posso, jpt?

          13. lá em Moçambique bebe-se o que se pode Eu, em termos de produtos locais, muito aprecio a mineral água Vumba

            Por cá saúdo a melhor água do mundo, a Luso, claro. E as Pedras Salgadas. E a artificiosa Castelo, pujante companhia do uísque, uma peça literária.

            (isto em miúdos e jovens havia os que tinham a mania que eram bons e os que tinham a mania que eram maus – pela troca de comentários dá-me a sensação que a Alexandra jogava então neste “team”. Depois crescemos e vê-se que não é bem assim, que de facto é tudo uma boa mediocridade. E não vale a pena remexer nesses tempos – já ouviu alguém num reencontro tipo estes invectivar o outro “éh pá, quando eras miúdo tinhas a mania que eras uma merda?”. E havia tantos assim, e eram tão chatos e tão infundamentados como os de rumo diferente? Mas é mais “simpática” a humildadezinha …

            pronto, fico-me com a água do luso e vou arranjar outro assunto para chatear os tatuados

          14. não percebi nada, jpt,

            mas devo dizer que fui uma menina absolutamente comandada por um pai militar e fumei o primeiro cigarro já em Coimbra (pelos 19 anos, 1 ano após a chegada) e saía à noite e na Clep(sidra), antro nocturno de todollos vícios, pedia leite, em copo frio,o que muito divertia a malta do balcão (inicialmente, pensavam que brincava, mas a minha fuça séria levou-os a mudar de atitude e, sim no dia seguinte, tinha o meu leite frio).

            se há coisa que nunca me assistiu foi a pose, a cena da má da fita, a embirração pela embirração, etc.
            sou um animal mui social, respeito as diferenças, desde que não venham com a brochura das evangelizações, todas elas.

            parece-lhe que uma fedelha sai de casa aos 18 por “dá cá aquela palha”, sabendo que arrisca uma série de consequências graves? eu saí, mas quem deveria ter saído era ele.

            o jpt parece-me bem mais volúvel 🙂

            ___________
            p.s. – não gosto de me alongar, mas nada tenho contra o Pedro Correia (creio que está, com ele, em modo protector, por amizade, respeito, cohecimento mútuo, amizade, o que é altamente elegível no relacionamento entre pessoas), só uma embirração de, como ele refere, e tudo ok, “então catraia”…

          15. Falando sério? eu não estou em modo protector do Pedro Correia (o tipo não precisa disso). Tentei de modo sorridente proteger o meu postal, e o ambiente do que nele corria: achei a sua atitude perfeitamente parva. Ou acenava ao (re)conhecimento ou deixava seguir. Vir para aqui, num registo público, resmungar uma irritação epidérmica (o puto Correia não lhe faz mal nenhum, você não está aqui numa de metoo) por causa das coisas de há 35 ou 40 anos é de uma estupidez mal-criada muito ressabiada. Problemas seus, com leite frio ou uísque quente, isso é-me indifernte,

            volúvel, eu? O nosso diálogo morreu aqui. Nem em puto, com mais vigor, tinha paciência para gajas parvas, quando mais agora, com tanta preguiça fálica. “Vá, põe-te a andar” … é o que se exige, vai chatear quem te queira comer.

          16. certo, percebeu tudo às avessas, mas que se lixe e, claro, vou pôr-me a andar, como pensava que já estava a fazer…

            p.s. – essa do “quem te queira comer”é tão bera de tradicional: uma espécie de machismo encapotado, do pior que há e sem encaixe nenhm nesta “matéria”. De resto, assunto meu que, de parva, não tenho nada 🙂

          17. mau, estava eu aqui a encetar uma “bela amizade” e aparece o chefe de turma, fico logo posto à parte …

          18. Agora já ficamos a saber onde a D. Alexandra G escreve as suas “impressões”, além de o fazer nos blogs, das colegas de “bloga”. Há dias que nos correm bem. Este, já está ganho.
            Muito grata, Jpt!

  5. Interessantes os comentários deste post. Parece que agora a moda é concordar com a diferença, até parece que todos temos de gostar de tatuagens.
    Ora se a liberdade individual confere o direito a cada um pintar-se como bem entender, também dá direito ao autor a expressar o seu “nojo”. Cada vez mais tenho a certeza que hoje em dia a originalidade está em ser-se conservador, a manada é altamente progressista.

    1. Ninguém o obrigou a gostar de tatuagens. Se não gosta, é simples: não olha. Há muita gente feia (e que, muito hipocritamente, tem um ódio às pessoas que fazem tatuagens) mas eu não ando a fazer publicações em blogs a queixar-me da existência de pessoas feias.

      1. Sou feio? Ok, não vou negar. E somos nós os feios que não gostamos de tatuados.
        Sabe do que não gosto mesmo, sendo assim feio. É de gente um bocado obtusa que comenta (faz publicações em blogs) sem assinar com o nome. É como uma tatuagem a dizer “boçal”.

          1. Vou tentar explicar-lhe como se fosse muito burro: no meu corpo mando eu. Se eu quero usar tatuagens, uso. Se não quero, não uso. Se os senhores estivessem tão preocupados com as guerras ou a fome no mundo como estão preocupado com o facto de haver pessoas que fazem o que querem com os seus corpos, o mundo seria um lugar bem melhor. Gente mesquinha sem mais nada que fazer!

          2. repito o que muito digo, há tanto comentador anónimo embrutecido …

            (como você não perceberá, de certeza, a resposta eu traduzo: fique com o seu corpo, que não preciso dele. Eu fico com o direito ao nojo pelas inscrições que você mete nele. E preocupe-se com as guerras e coisas assim e não com o meu legítimo asco)

  6. Eu cá não gosto de tatuagens, em geral. Há uma ou outra que não me incomoda particularmente, mas é das coisas que, não me repelindo, me deixam no mínimo indiferente.

    Por outro lado há muitas outras coisas que me incomodam, lacinhos em vez de gravatas (ou pior, lenços encostados ao pescoço à barão de viamonte), cachecóis quando está calor, fatos completamente brancos em homens (nem sei porquê), chapéus colocados na diagonal em mulheres ou bonés na lateral em homens (melhor, bonés que não sejam colocados como bonés), calças a descair tanto que revelam a marca da roupa interior, pessoas a fumar perto de mim (e detesto-o com todas as fibras do meus ser se estiver constipado), miúdos a gritar esganiçadamente (excepto os meus, claro está, cujos gritos são música melhor que a de Mozart elevada a Bach), massapão (como se pode comer aquilo?), azeitonas (com grande pena minha…), gruas numa paisagem urbana, etc e tal (tenho mais coisas que fazer esta década que elencar uma lista exaustiva).

    Apesar disso, o teu post termina com uma alusão que me faz lembrar uma anedota (que me coibo de contar aqui) mas que termina com a comparação entre “Wendy” e “Welcome to Jamaica, have a nice Holiday”…

    Sei que o comentário foi inútil e nem sei porque o iniciei, mas já que me dei ao trabalho, deixo-o ficar

    1. Assim não vale, anedota aludida, anedota contada …

      Eu gosto, moderamente, de azeitonas. E fumo, para mal dos meus pecados, Quanto ao resto nunca percebi porque não se gosta de fatos brancos, de linho de preferência, que são uma delícia, e muito distintos

      Mas posso dizer uma coisa, experiência feita, empiria pura (e até porque me aludiram à profissão nesta caixa de comentários): os filhos dos tatuados guincham mais do que os dos não-tatuados. E os pais-tatuados gostam mais dos guinchos das crias do que os pais-humanos.

    2. Tendo a concordar com quase tudo, João, mas logo no início há os laços, e assim já não posso dizer que estou “inteiramente de acordo” (também discordo em parte dos lenços ao pescoço porque também tive a minha fase deles, mas deve fazer parte da modelação do carácter).

  7. As tatuagens deviam dar um estudo interessante. Compreendo-as como uma marca tribal, nas tribos, sejam Zulus ou mafiosos russos (mas essas têm de ser merecidas, não são decorativas).
    As pessoas que conheço com tatuagens começaram com a firme intenção de fazer apenas uma, estava na moda, e era muito à frente. A maior parte tem tatuagens já por todo o lado, sem estética nenhuma, e sem sentido, tipo uma cobra ao lado dum Pokemon, uma passagem da Bíblia e um menu de restaurante chinês. Parece uma compulsão. É uma confusão. Só muito raramente vejo uma bonita.
    Talvez seja uma questão cultural. Os heróis dos nossos tempos já não são poetas, inventores, guerreiros, são futebolistas analfabetos, estrelas da pop à beira da overdose, e actores que não distinguem fama de glória.
    Talvez seja moda, como as calças rotas ou cabeleiras em arco-íris, ou barbas. Só que tatuagens e piercings e silicones não são facilmente reversíveis. Se calhar é por essa irreversibilidade que são tão intolerantes com quem critica.

    1. Os heróis de ontem eram Gladiadores e por vezes até cavalos, como o Bucéfalo.

      Prefiro os que se querem destacar pelas tatuagens do que os outros que o tentam fazer pela marca da viatura e que na auto-estrada não me largam a traseira. Ou aos outros que todos empertigados se convencem que a gravata é um atestado de denominação de origem protegida.

        1. Jpt, desculpe as minhas brejeirices. Acredite que sou do mais civilizado que existe. Daqueles que remoem, de noite, o dia.

          1. eu desculpo as brejeirices alheias (as próprias às vezes não) Mas o seu comentário anterior estava cheio de contradições … – a assinatura, aquilo da auto-estrada, o raio das gravatas, enfim … mas o direito à incoerência é sagrado

  8. Este blog vai de mal a pior. Agora até o facto de haver gente que usa tatuagens incomoda? Mas em que século é que vivem mesmo? Eu metia-os era a todos num país autoritário onde são proibidas as tatuagens.

    1. Essa mania de se ofenderem com tudo superficialmente. É mesmo à millennial. É o que dá andarem a fazer colagens e a pintar por números até ao 12º ano.

  9. Ainda tem sorte, espere pelo homem biónico com um iphone fazendo parte do braço. Um microfone inserido perto do lábio, orelhas modificadas para ouvir melhor, cara afunilada para poder olhar para os lados como as aves…

    1. “espere”? Já aí está … basta andar de metro, os trogloditas a atravancarem o trânsito curvados, a verem o ecrã que lhes é palma das mãos.

  10. Dificilmente percebo o que leva a muitos (excepto em situações já enumeradas atrás, como memórias da guerra ou do mar) a fazer tatuagens ou piercings. Esteticamente é mau, não serve para nada, com o passar do tempo tende a deteriorar-se na pele, a imposição daquilo é dolorosa e ainda se paga couro e cabelo. E há aqueles que as têm por todo o corpo, o que já pressupõe masoquismo. Há realmente modas muito estranhas.

  11. Meu caro jpt, só agora vi este teu postal, espero não vir a destempo.
    Sem querer cercear a quota de embirrações a que cada um tem direito, julgar com base na aparência (inata ou adquirida, intencional ou casual) é um mau princípio por duas razões. Primeiro, como diz o velho adágio, quem vê caras não vê corações – concederás que da presença de tinta na pele não se pode inferir qualquer característica comportamental nociva a terceiros ou qualquer insuficiência intelectual. Segundo, e mais importante, o precedente que abre. Se a moda pega a seguir são os gordos. Ao contrário de um tatuado, um gordo estorva – no metro, no comboio, no autocarro, no avião. Mais a mais, os gordos saem caro. Só em diabetes e problemas cardíacos é um rombo no orçamento do Serviço Nacional de Saúde, pago por todos nós. E, claro, depois dos gordos a mira aponta-se aos velhos (aberto o precedente, um gordo velho não se safa nem com intervenção papal).
    Por isso, meu caro, deixa a virulência e amplia a consciência. Senta-te à mesa com alguém tatuado – não o chames de “troglodita” nem de “ralé”, que é capaz de não gostar –, tomem um café e falem. Troquem ideias, leituras e viagens. Talvez te surpreenda pela positiva. Talvez encontres alguém que, como tu, andou de mochila às costas pela África Oriental. A sugestão que aqui te deixo é a sério. Se quiseres, convido eu.

    1. Eu agradeço a boa vontade explícita do comentário. Mas que julgas tu que tenho feito durante os últimos 4 anos. Eu vivo no meio deles, oiço-lhes os ululares, as onomatopeias, as flatulencias, vejo-lhes os esgares, sofro-lhes às crias. Isto que escrevo sobre a tribo Ralé não é um preconceito, é fruto da reflexão e da empírica, a dita observação participante. Haverá algum(ns) destes trogloditas que indiciam traços evolutivos, de ascensão à humanidade? Acredito, afinal somos primos primatas, a evolução é generalizada, a confluência porventura um destino

      1. Bom, fica feito o convite – com genuíno gosto – para que vejas que eu, membro da tribo, consigo articular mais do que onomatopeias e monossílabos, além de ser capaz de usar talheres. Não nego a minha condição de primata, mas já desci da árvore. Estás convidado para, in loco, e com o intuito de ampliar o teu trabalho empírico, veres que alguns de nós vivemos com um módico de urbanidade. Um abraço sincero, meu caro jpt.

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