INSUPORTÁVEL
Sobre o défice nas contas da Madeira que Alberto João Jardim foi conduzindo à socapa nestes últimos anos, já todos nós sabemos o que precisávamos de saber. Quanto ao insuportável défice democrático que o líder da maioria madeirense impôs há muito na região autónoma, era suposto que já fosse coisa caída no passado e coberta por um véu, para que se esquecesse. Puro engano. Veio agora à luz do dia que Jardim continua a cultivar os tiques pouco recomendáveis de sempre.
Perante a curta maioria obtida recentemente pelo PSD-Madeira no Parlamento regional, onde dispõe apenas de mais dois deputados do que a oposição, Jardim decidiu encontrar uma solução que lhe assegurasse a vitória nas votações de todas as suas iniciativas parlamentares. Simples: é arranjar maneira de que o voto de qualquer deputado passe a ter o valor numérico de todo o grupo parlamentar. (Pensando bem, nem se vislumbra qualquer utilidade na manutenção parlamentar dos deputados: cada partido deve passar a ter um só deputado com direito ao número de votos conquistados nas eleições.)
Com esse objectivo, adivinha-se o plano de Jardim: pôr os seus lacaios a escrever uma proposta naqueles termos para levar à Assembleia Regional e garantir que no dia da votação dessa proposta todos os 25 deputados do PSD-Madeira estariam presentes. Mesmo que nunca mais voltassem a ver-se presentes na totalidade, todas as propostas futuras passavam a estar no papo dos chicos-espertos.
Jardim, na senda habitual do défice democrático que plantou e senhor de conhecidos tiques absolutistas nas duas ilhas onde reina, promoveu desta vez uma trapaça: dono dos dados e das cartas do jogo, alterou as regras do jogo e ainda foi a jogo. Ganhou, claro.
Falta agora confirmar que Portugal é um Estado de direito com um regime democrático constitucionalmente consagrado. Não sei se vai caber ao Tribunal Constitucional, não sei se vai ser preciso alguém apresentar queixa e não sei se Jardim vai espumar pela boca. Nem quero saber.
Só sei que a história não vai acabar assim, com o insuportável défice democrático assente de pedra-e-cal na Madeira. A história não vai acabar assim, pois não?

Pk ñ? Qual é a novidade? Ñ acontece assim há quase 40 anos? Além disso não há 700 000 (??) func. publicos a k se pode cortar sempre no salário…!
Enquanto não me doer a garganta, garanto que o caso não vai ficar assim.
Aproveito para lhe dizer que este blogue não é um serviço de ‘sms’ e que, portanto, aqui se escreve com as letras todas que as palavras têm.
Ihhhh!Tem razão…minha culpa, minha tão grande culpa! È horrivel, realmente.Vou esforçar-me para que não se repita.
Combinado.
Eu já não tenho palavras para descrever ou criticar os nossos políticos… todas as palavras me parecem gastas ou brandas quando se trata de definir estes pulhas. Daqui para frente, lamentavelmente, acho que só à paulada.
É que é isso mesmo.
Não, João, concordo, não pode ficar assim. Seria a pura perversão das regras da democracia. Se bem entendi, ele pretende uma alteração ao regimento da assembleia, não é? Pois… mas a questão é que ainda há poderes legítimos acima de Jardim, que são exactamente os mesmos poderes superiores aos próprios eleitos para a assembleia. Se o voto legitimasse tudo, tudo, amanhã o voto até decidiria que não votássemos mais… Uma coisa dessas não vai passar, é impossível.
Acredito piamente que os dias gloriosos de Jardim entraram no princípio do fim. Precisamente quando ainda mal começou mais um mandato.