Em Março último, Cavaco Silva afirmava que havia limites para os sacríficios exigidos aos portugueses. Além dos limites aos sacríficios devia haver limites à paciência dos portugueses e ainda limites à distinta lata do primeiro ministro. E depois querem convencer-nos de que não há alternativa à austeridade. Esqueceram-se de um adjectivo possessivo de extrema importância. Não há alternativa à nossa austeridade, já que a vossa, senhores governantes, vai continuando a ser uma miragem. Tenham vergonha.
Limites
cronicasnofeminino,

Como é usual, Cavaco não vai dar nenhum sentido útil nem efeito prático às suas afirmações. Já nos habituou a isso há muito e não é agora que as coisas vão mudar. Quanto ao apelarmos ao bom senso do governo, penso que é o mesmo que pregar no deserto. E que tal irmos amanhã até à rua para ver se eles ouvem ou não ouvem qualquer coisa?
Isso sim, Luís, pode ser que nos ouçam na rua, se bem que o pessimismo que me tem assolado nos últimos tempos me diz que eles se fazem cegos e surdos, mudos não porque lá vão soltando umas palavras para manter o povo como a prima do Louçã: manso 🙂
Lata? 1º ministro? O actual?
Oh D. Leonor, ñ tarda nada, tem que procurar abrigo blogosferico (?) noutro lado…!
Claro, o actual! Aqui há liberdade de expressão. Somos todos diferentes e convivemos muito bem nessa diferença. Não é por acaso que o blogue se chama ‘Delito de Opinião’.
Para demonstrar que possui essa consciência ética de que é imperativo cortar nas despesas do estado e imprimir total equidade nos critérios de imposição de impostos extraordinários, de cortes de benefícios e na exigência dos esforços a pedir aos Portugueses; Cavaco Silva irá inaugurar hoje, pela noitinha, o edifício beneficiado, reabilitado, requalificado, remodelado e luxuosamente reequipado, da Cidadela de Cascais. Naquela antiga residência de Verão da família real, utilizado pela Rainha Maria Pia e seu filho Carlos I, irão funcionar numa ala, o museu da Presidência (mais um a consumir uma fatia do orçamento do estado), a ala nobre do palácio será reservada a residência oficial do Presidente da República e uma ala secundária a acomodar visitantes.
Eles são republicanos, juraram a constituição, a democracia, a defesa dos mais desfavorecidos, dos injustiçados, dos inferirorizados, mas… instalam-se em palácios, rodeiam-se de serviçais e oferecem luxuosos banquetes aos visitantes… o povo… paga os impostos que mantêm a equidade!
Estão-se nas tintas para quem os elegeu. Somos muito úteis na altura de pagar o que eles esbanjaram.
Não é justa a sua crítica: os governantes, sem morada na capital, devem ter direito a subsídio de renda de casa, ou coisa semelhante (ajudas de custo, p.ex.), em valor que compense o aumento de despesa, que uma situação destas acarreta. Quem não aceita isto, não sabe do que está falar.
Se, perante a Lei, assim se passa com todos os trabalhadores, por que havia de ser diferente quando estão eu causa governantes?
Como todos os trabalhadores? Pois aí é que bate o ponto. Os professores que sao colocados a centenas de quilómetros de casa têm algum subsídio? Se eu for trabalhar para uma outra instituição fora da minha residência pagam-me? A resposta é não. Os governantes e os deputados não podem ter um estatuto acima dos cidadãos quando se pedem tantos sacríficos. Foram feitos cortes nos ordenados, nos subsídios, corte-se aqui também. Não há dinheiro, é o que dizem, portanto se não há para uns, não há para todos.
Leonor: por lei, todos os trabalhadores que forem obrigados, pela entidade patronal, a irem trabalhar para fora do seu local de trabalho habitual, têm direito a serem ressarcidos de todas as despesas que isso acarreta. E não pode ser de outra forma, pense bem.
O que me está a dizer, no caso dos professores, é que alguns são colocados em escolas longe de casa. Então, esse será o seu local de trabalho. Mas, se mandarem um desses professores, em serviço, trabalhar para outro lado, no decorrer do contrato, ele terá direito a receber compensação paras as despesas que efectuar – transporte, alojamento e alimentação.
Não insista com a injustiça dos subsídios de alojamento para os governantes com morada longe de Lisboa. Isso não faria sentido. Até parece que só queria lisboetas no governo…
É claro que não queria apenas lisboetas no governo mas não posso admitir que numa altura de excepção onde são feitos cortes cegos haja alguns que estão acima da lei. Se se fazem sacrifícios que os façamos todos, sem excepção.
Não percebo a sua lógica. Está a falar-me de deslocações ao serviço de uma empresa ou instituição. Não é o caso.
Nem vergonha nem medo (das consequências dos actos tomados na vida daqueles que os elegeram).
Tiro ao alvo:
“Se, perante a Lei, assim se passa com todos os trabalhadores, por que havia de ser diferente quando estão eu causa governantes?”
Está a brincar ou entusiasmou-se no discurso/ditado.
Desculpe-me a rispidez mas certamente encontra-se a residir no estrangeiro para escrever em consciência uma blasfémia destas.
Ou então vive num Paìs das Maravilhas, obra ficcional dos seus afectos partidários.
Leonor: por lei, todos os trabalhadores que forem obrigados, pela entidade patronal, a irem trabalhar para fora do seu local de trabalho habitual, têm direito a serem ressarcidos de todas as despesas que isso acarreta. E não pode ser de outra forma, pense bem.
O que me está a dizer, no caso dos professores, é que alguns são colocados (admitidos) em escolas longe de casa. Então, esse será o seu local de trabalho. Mas, se mandarem, no decorrer do contrato, um desses professores, em serviço, trabalhar para outro lado, ele terá direito a receber compensação paras as despesas que efectuar – transporte, alojamento e alimentação.
Não insista com a injustiça dos subsídios de alojamento para os governantes com morada longe de Lisboa. Isso não faria sentido. Até parece que só queria lisboetas no governo…