Ponto de ordem à mesa


Rui Rocha,

Ora então: aqueles que exerceram relevantíssimas responsabilidades políticas e faltaram às comemorações do 25 de Abril quando Passos Coelho era primeiro-ministro não deviam ter faltado; o PS, o PCP e o BE não deviam ter aprovado um voto de pesar pela morte de alguém que esteve 50 anos no poder sem legitimação eleitoral e que quando se afastou o entregou ao seu irmão, tendo privado o seu povo da liberdade e tendo nas mãos o sangue e o sofrimento de milhares; o PSD não devia ter optado pela abstenção quanto a esse voto de pesar nem deveria ter imposto disciplina de voto; os deputados do Bloco deviam ter-se levantado para receber o Chefe de Estado de um país democrático sobretudo depois de na véspera terem manifestado o seu pesar pela morte de um torcionário; o PSD não devia ter faltado às comemorações do 1º de Dezembro. Teria sido melhor se todos fossem um bocadinho mais crescidos e mais democratas. Mas não nos enganemos: por condenável que seja, a gravidade de faltar a uma comemoração não é a mesma que resulta de manifestar solidariedade com o percurso político de um tirano.

11 comentários em “Ponto de ordem à mesa”

  1. Representantes de partidos dá nisto. Ficamos a saber o que, e como, pensam Passos Coelho e Catarina Martins. Os restantes figurantes continuam atentos e venerandos.

  2. Não são partidos, são quadrilhas.
    Mal, pèssimamente, copiados do que se faz “lá fora”.
    Bípedes simiescos que se reunem na “Grande Tenda do Faustino”, ali a S.Bento, macaqueando o que imaginam ser um parlamento.

  3. Acho que o PSD esteve muito bem em não comparecer ás comemorações do 1o. Dezembro – quanto mais não seja, pela continuação das descortesias com que foram tratados pelos outros interlocutores instuticionais – o presidente Marcelo prossegue a sua faida contra Passos Coelho, o Xuxa Costa e o beto xuxa em vestes d’Alcaide repetem as bazofias das ‘simbologias’ do dito feriado para se legitimarem e legitimarem “narrativas” que mascaram os tempos de bacoca farsa que se vivem e para a qual eles activamente se empenham com suas pantominas. Nada é mais triste do que andar a invocar a história para recitar aquelas vacuidades ou usa-las para achincalhar um líder partidario do momento.

    Ainda para mais, e apesar dos contorcionismos dos registos de imagens nas tvs, a ouvir tão altos dignatários estiveram meia duzia de transeuntes, por nesga superando os jornalistas ou émulos de tais, ‘ocupados’ na cobertura, isto provavelmente porque o turismo galopante fez pausa nestes idos de Dezembro.
    E penso que tal falta de chá do comum cidadão para se aglomerarar em multidão ocorre , não por falta de orgulho na Restauração e na identidade lusa que tal orgulho incorpora, antes por pudor de andar a gastar esse brio na pantominas deste ‘beau monde’ que anda no ‘rapar de tacho’ de um país falido que insiste em pavonear-se como se fosse aristocracia de Brideshead (com Passos Coelho a recusar polidamente o papel de Charles Ryder).

  4. E já agora que estamos em matéria de deveres: o Snr Rui Rocha devia estar calado. O problema é que a maior parte das pessoas não cumpre os seus deveres. E é bom, reconheço, ter um dever e não o cumprir.

  5. Pelo menos o Bloco é o único partido que nas reuniões de condomínio condena o regime democrático de Angola. Os que moram à direita é vê -los caladinhos ou dizerem que não ouvem a gritaria que por lá anda. O Hélder Amaral e o Rui Machete, da subcave que o digam. Quando foi para vender a REN viu -se quem o Governo de direita preferiu aos alemães. Os grandes democratas e respeitadores dos direitos humanos do Império de Meio, vulgo chineses, ou manchus.

  6. A 30 de Dezembro cortam-se transito, come-se e bebe-se em banquetes de luxo, contemplam-se Mirós com devoção e lacrimejos… selfia-se tudo com paixão…. tudo isto para receber sua majestade o Rei de Espanha..

    20 em 20… como se diz por cá!

    No dia seguinte: Enquanto o povo se empanturra de castanhas e água-pé , só uma tribuna plena de “patriotas” festeja o despejo de suas majestades!

    Da festarola as TVs e os médias, só ilustraram como realce a histórica frase : “O Governo anterior não devia ter acabado com feriado”

    0 em 20 … como diz por cá!

    0 em 20 … como se diz por cá.

  7. concordo . Mas o que alegraria mais as opiniões era não confundir alhos com bugalhos : má educação não tem nada a ver com politica, mesmo que protagonizada por políticos ou esganiçadas.
    A independecia do país parece-me a causa de termos um rendimento médio quase metade do resto da Ibéria, mas tem legitimada sempre portanto respeita-se e aldraba-se o dono a vontade do burro.
    Um ditador não tem lado, que o digam as suas vitimas; mas os credos como todos sabem não tem moral, para alem dos seus dogmas.

  8. Ao Bloco tenho de agradecer: imposto sobre imóveis de luxo, nenhuma família ficar sem a sua casa de residência, em caso de dívida ao fisco, descontos para a ss, no caso dos recibos verdes, serem proporcionais ao efectivamente ganho, tarifa social de electricidade, manuais escolares gratuitos no 1 ciclo para famílias carenciadas, etc. Quanto ao resto dos Reis e rainhas pouco me diz. Penso ter “de” no nome, mas acredito ter sido uma tentativa de arrebatamento paterno ao destino

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *