Ponto de ordem


Pedro Correia,

Um conselho de administração não pode interferir  no conteúdo editorial de um órgão de comunicação social. É isto que está fundamentalmente em causa no caso TVI.

12 comentários em “Ponto de ordem”

  1. Admito que seja ilegal, Pedro, mas na realidade não é isso que tem estado em causa. O que ouvi dos líderes partidários (embora em diferentes matizes) e de alguns precipitados , foi acusarem o governo de estar metido nisto e ter “obrigado” a Prisa a tomar a decisão. E isso, creio ter ficado demonstrado que é mentira, caso contrário, não teriam exibido a peça. Que, aliás, não tem nada de extraordinário e estava bastante mal enjorcada.
    Agiu mal a PRISA? Concerteza que sim. Bastava terem mudado de “pivot” e manter o brinquedo da MMG no ar e tudo seria legal. Ou então, como muito bem disse o MBR na SIC, demitiam primeiro a direcção de informação, nomeavam outro e estava o assunto arrumado.
    Concordarás, também, certamente, que o spot de promoção era um nojo e envergonha qualquer jornalista.
    Só mais uma pergunta: por que razão não se demitiu JEM quando MRS foi despedido por Paes do Amaral? Por que razão não achou qu aquilo era uma ingerência no conteúdo editorial? Dizer que MRS era um colaborador, não colhe…

    1. “E isso, creio ter ficado demonstrado que é mentira, caso contrário, não teriam exibido a peça.”

      Carlos, isso fica demonstrado quando a TVI, dia 11, 18 e 25 de Setembro, no Jornal Nacional de Sexta-Feira, insistir com o caso Freeport tal como fazia MMG. Mas parece que dos motivos económicos inicialmente apontados (que não faziam o mínimo sentido) já passamos para a necessidade de uma homogeneização da informação, o que, a não ser que a administração da TVI esteja a pensar replicar o modelo de sexta-feira aos restantes dias, significa tornar o jornal de sexta igual ao dos outros dias da semana.

    2. Carlos: creio que o meu ponto ficou bem expresso. Estou a falar do que aconteceu agora na TVI, não do que aconteceu há cinco anos. Ou há dez ou vinte ou trinta. Falo de uma situação concreta. E estou em total sintonia com o Sindicato dos Jornalistas, que – recordo – acaba de sublinhar que o fim do Jornal Nacional representa “uma ingerência ilegítima e completamente inaceitável da administração na esfera da competência exclusivamente reservada à direcção de informação” que provoca “indignação e repulsa”.
      Não se podia ser mais claro. É uma questão de princípio, da qual não devemos abdicar. Neste caso e em nenhum outro similar que suceda no futuro.

  2. Lá poder pode. Tanto pode que interferiu. De resto, eu acho que uma administração de uma empresa de comunicaçõa social privada tem todo o direito de querer um determinado rumo para a empresa e de afastar quem não quer seguir esse rumo. Não houve, aliás interferência no conteúdo editorial, apenas se afastou uma espécie de jornalista que tinha transformado um Jornal de TV num tempo de antena à revelia da empresa.

    1. Escrevi, obviamente, ‘não pode’ no sentido de ‘não deve’: qualquer acto da administração fora do seu espaço legal de actuação é passível de impugnação.
      A sua fé de que não houve interferência no conteúdo editorial contrasta com a opinião da Direcção de Informação da TVI demissinária, das chefias também demissionárias, dos editores igualmente demissionários em bloco e da esmagadora maioria dos jornalistas. No fundo, como já aqui escrevi, houve uma golpada na TVI – apesar de ser um projecto que liderava o mercado desde 2000.
      Foi bem significativo que tivessem que ir buscar à pressa uma profissional em início de carreira, que exerce o jornalismo há poucos meses, para apresentar o Jornal da Noite: todos os habituais pivôs da estação, dignamente, recusaram desempenhar essa tarefa.
      As interferências no conteúdo editorial não tardarão a sentir-se dentro de poucos dias, assim que assentar a actual poeira. De uma coisa tenho a certeza: jamais voltaremos a ouvir Sócrates queixar-se da TVI. Pode ser que isso a reconforte a si. A mim não.

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