(entra de sorriso rasgado, com uma garrafa na mão) – Caro doutor, como está? Trouxe-lhe este vinho que me mandaram agora de Celorico de Basto. Espero que goste.
– Obrigado, não precisava.
(a estender-se, descontraído, no divã) – Quem sabe talvez o ajude a soltar a língua. Ehehehe! Não é que me incomode fazer as despesas da conversa.
– Bem sabe que o meu papel aqui é sobretudo ouvi-lo.
– Pois, eu sei. Usa um método muito ortodoxo (prescrutando-o com o olhar)… às vezes pergunto-me se Freud, o seu mestre, merece todo esse crédito.
– Porque diz isso?
– Como sabe muitos consideram as suas teorias obsoletas. Além de que (remexe-se entusiasmado) como pessoa não era flor que se cheirasse.
(incomodado, o terapeuta ajeita os óculos, não responde)
– Diz-se que era um misógino empedernido e muito possessivo com a Anna, a filha mais nova (retorce-se no divã, para estabelecer contacto visual)
(aborrecido) – Na última sessão tínhamos deixado por analisar a sua reacção à moção de Passos Coelho.
– (inclina-se para a frente, de olhos arregalados) Numa escala de um a dez, dou-lhe zero!
– Está assim tão incomodado com o que ele disse?
– Incomodado, eu? Nada.
– Mas considera ou não que foi um ataque ad hominem?
– (risinho paternalista) Ó doutor, sabe lá o valor que um ataque ad hominem pode ter em política.
– Então se não ficou incomodado porque foi tão peremptório a desclassificar as palavras do Primeiro Ministro?
– Porque quando as avaliei foi como professor e comentador, não como putativo candidato à Presidência e na qualidade de professor e comentador só tenho a dizer que tacticamente aquela moção foi um desastre, (abre os olhos, estende os braços) não lembrava ao careca.
– Consegue alternar com uma extraordinária facilidade essas suas facetas de professor, comentador e político.
– Sim, é por causa do surf.
– Do surf?!
– É uma grande escola. Aprendemos a ter jogo de cintura para nos inclinarmos conforme sopra o vento.
(a provocá-lo) – Como fazem os cataventos.
– Lá está você! Não pode dar ouvidos a esta gente que está agora à frente do PSD. Se soubesse o que eu sei… (mira o terapeuta, com olhar conspícuo) Sei de umas histórias…
(o terapeuta olha o relógio)
– (levanta-se de um salto, pega no casaco) Venha daí.
– Como?
– Estar muito tempo no mesmo sítio faz-me nervoso miudinho, já sabe. (pega-lhe no braço) Esqueça lá a conversa mole da terapia que eu tenho umas tricas do melhor para lhe contar. Gosta de vichyssoise? Pago-lhe uma sopa.


Teresa vou repetir-me: esta série dava uma rábula de teatro fabulosa!
Já pensaste nisso? Pensa. Sei de quem poderia estar interessado…
Achas? Vamos ter que trocar umas ideias sobre o assunto 🙂
Excelente, magnifico.
….
Passos que se cuide e dê-lhe apoio imediato, senão!
De comentário a comentário até à Aula Magna!
” Este paciente é diabólico, vingativo e muito esperto!
Só quem não ouviu o ultimo bate-papo na TV… A alegria da sua partner é disso testemunha… ela toda sorrisinho, quando o Professor ataca o governo”
Teresa à presidência, Teresa à presidência, Teresa à presidência.