Políticos no divã – 2


Teresa Ribeiro,

– Continua a ter dificuldades em dormir?

– Em adormecer, já não tenho. Desde que passei a ler os meus discursos, como o sr doutor recomendou, pego no sono com bastante facilidade. O problema são os pesadelos.

– (cofiando a barba) Então os pesadelos voltaram…

– (com a voz embargada e o queixo a tremer) É verdade, sr. doutor 

– Lembra-se desses sonhos?

– Ultimamente é sempre o mesmo, o que me deixa ainda mais nervoso.

– Descreva-mo sem omitir os detalhes.

– Vejo uma fonte e eu a caminhar descalço, pela verdura. De repente… (alarga o nó da gravata enquanto sente o sangue a latejar-lhe nas frontes) De repente… aparece o António Costa (procura em vão o olhar solidário do terapeuta) muito risonho. Dá-me uma pancadinha nas costas e diz-me algo que nunca se conclui porque a meio eu acordo, todo suado.

– Consegue recordar-se do começo da frase?

– Sim, ele diz “vai formoso e não…” (engole, afina a voz) É nesta parte que eu acordo a transpirar. 

4 comentários em “Políticos no divã – 2”

  1. Nada como uma linda fábula cor-de-rosa para acabar com os medos de barulhos de passos que arrastam correntes e de portas que batem. Para tentar acabar com os pesadelos eu recomendo-lhe um copito de maduro antes de apagar a luz e que deixe a televisão ligada, baixinho, na RTP memória.

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