Política-(mau)espectáculo


escafandro,

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De pé em frente a um palanque vazio. Perguntas de eleitores que divagam e se repetem antes de chegarem ao ponto de interrogação. Vídeos e musiquinhas com letras tão profundas quanto aforismos de telenovela. Deslocação do entrevistado para vários pontos do cenário, sem justificação aparente, de que resultam problemas com a iluminação. Bloqueio da imagem do entrevistado por colocação do entrevistador diante da câmara. Acompanhamento do entrevistado «à saída», com mais uma pergunta e uma resposta a meio do caminho, em posição totalmente forçada. Questões extra no cenário habitual dos noticiários, antecedidas da transmissão da entrada do entrevistado no estúdio e da colocação do microfone na sua roupa. Cumprimentos pouco naturais para aqui, despedidas artificiais para ali.

Só me conseguia lembrar do gestor do canal televisivo na série Borgen que insistia em transformar as entrevistas e os debates políticos em espectáculos. Com uma diferença: na ficção dinamarquesa, alguém tinha o bom senso de recusar o ridículo; na realidade portuguesa, ele é abraçado entusiasticamente.

 

(Imagem recolhida no site da TVI24.)

0 comentários em “Política-(mau)espectáculo”

  1. Resumindo e concluindo: Passos Coelho não respondeu ao que não lhe interessava, não havendo quase contraditório, mentiu descaradamente e só não viu quem não quis. Musiquinhas perfeitamente adaptadas à realidade, mais luz, menos luz, mais ou menos cumprimentos, não interessa, o que interessa, o que interessa, é que ele continua sempre, a iludir os menos incautos.

        1. in·cau·to
          (latim incautus, -a, -um)
          adjectivo
          1. Que não tem cautela ou prudência. = DESPREVENIDO, IMPRUDENTE ≠ CAUTO, CAUTELOSO
          2. Que é inocente e sem malícia. = CRENTE, INGÉNUO
          “incauto”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/incauto

          De novo: “Iludir os menos ingénuos” é bom. Excelente, mesmo. Porque, evidentemente, os mais ingénuos não se deixam iludir.

        2. Incauto, desacautelado, descuidado, irreflectido, seja o que quiser. Se não houvessem, tantos, não tínhamos mais do mesmo. Só pode haver uma razão e a razão, só pode ser esta porque se for outra, tanto pior.

          1. Pois claro eu também acho. Não é que quando a coisa não interessa dão-lhe com vírgulas e lições de português. Têm toda a razão eu nunca ponho vírgulas. Era o que faltava temos que poupar.

    1. O modelo do primeiro-ministro em pé defronte do entrevistador e do público sentados não me incomoda por aí além. Para além de ser usado há muito nos países anglo-saxónicos, transmite a ideia de um exame, de uma prestação de contas, que, para um PM ou para um candidato ao cargo, faz algum sentido. Pessoalmente, incomoda-me mais a falta de coerência, a colagem forçada de momentos, numa tentativa para evitar a monotonia, que, no fim de contas, só torna tudo artificial – e, presumo, desconfortável tanto para entrevistado como até para entrevistador.

  2. É a chamada televisão em movimento. Gostei de duas coisas. (1) Passos a dizer “eu chego-me para trás para ficar mais iluminado” e (2) a última pergunta, enquanto José Alberto Carvalho acompanhava o PM à saída, ter sido feita com o cenário do programa da Fátima Lopes em fundo…

  3. E um moderador ou mordedor que começou logo por querer chamar as atenções para si próprio. Com tais jornalistas de tristes figuras nem precisamos de políticos. JACsofone .

  4. E um ex-dirigente do Bloco de Esquerda que se apresenta como “trabalhador de call center licenciado”.

    E um jornalista estagiário da TVI24 que se queixa (em directo, na TVI24) dos estágios profissionais.

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