De pé em frente a um palanque vazio. Perguntas de eleitores que divagam e se repetem antes de chegarem ao ponto de interrogação. Vídeos e musiquinhas com letras tão profundas quanto aforismos de telenovela. Deslocação do entrevistado para vários pontos do cenário, sem justificação aparente, de que resultam problemas com a iluminação. Bloqueio da imagem do entrevistado por colocação do entrevistador diante da câmara. Acompanhamento do entrevistado «à saída», com mais uma pergunta e uma resposta a meio do caminho, em posição totalmente forçada. Questões extra no cenário habitual dos noticiários, antecedidas da transmissão da entrada do entrevistado no estúdio e da colocação do microfone na sua roupa. Cumprimentos pouco naturais para aqui, despedidas artificiais para ali.
Só me conseguia lembrar do gestor do canal televisivo na série Borgen que insistia em transformar as entrevistas e os debates políticos em espectáculos. Com uma diferença: na ficção dinamarquesa, alguém tinha o bom senso de recusar o ridículo; na realidade portuguesa, ele é abraçado entusiasticamente.


ambiente muito alberto,
principalmente atrás
Acho que foi mais Alberto à frente. Da câmara.
Alguém está com o emprego em risco.
Assim não cumpre os objectivos dos patrões!
Eh… Importa-se de desenvolver a ideia?
Sabe quem são os donos da TVI?
Procure saber, talvez depois entenda.
Ah, OK. Fiquei na dúvida se a crítica era para mim. Há quem ache que o Passos me paga.
Resumindo e concluindo: Passos Coelho não respondeu ao que não lhe interessava, não havendo quase contraditório, mentiu descaradamente e só não viu quem não quis. Musiquinhas perfeitamente adaptadas à realidade, mais luz, menos luz, mais ou menos cumprimentos, não interessa, o que interessa, o que interessa, é que ele continua sempre, a iludir os menos incautos.
“Iludir os menos incautos” é bom. Excelente, mesmo.
Este não deve saber o que quer dizer incauto.
in·cau·to
(latim incautus, -a, -um)
adjectivo
1. Que não tem cautela ou prudência. = DESPREVENIDO, IMPRUDENTE ≠ CAUTO, CAUTELOSO
2. Que é inocente e sem malícia. = CRENTE, INGÉNUO
“incauto”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/incauto
De novo: “Iludir os menos ingénuos” é bom. Excelente, mesmo. Porque, evidentemente, os mais ingénuos não se deixam iludir.
Incauto, desacautelado, descuidado, irreflectido, seja o que quiser. Se não houvessem, tantos, não tínhamos mais do mesmo. Só pode haver uma razão e a razão, só pode ser esta porque se for outra, tanto pior.
Este não engana: é o das vírgulas. E do “houvessem”.
Pois claro eu também acho. Não é que quando a coisa não interessa dão-lhe com vírgulas e lições de português. Têm toda a razão eu nunca ponho vírgulas. Era o que faltava temos que poupar.
Iludir os menos incautos interessa imenso.
Não há a menor noção da dignidade do cargo, de protocolo. Mentalidade rafeira e invertida da dignidade da representação do Estado — então o chefe de governo queda-se em pé ante jornalista e figurantes sentados?!! sso-civilizacional-882392
Um país esquecido de si e acabado.
http://biclaranja.blogs.sapo.pt/o-regre
O modelo do primeiro-ministro em pé defronte do entrevistador e do público sentados não me incomoda por aí além. Para além de ser usado há muito nos países anglo-saxónicos, transmite a ideia de um exame, de uma prestação de contas, que, para um PM ou para um candidato ao cargo, faz algum sentido. Pessoalmente, incomoda-me mais a falta de coerência, a colagem forçada de momentos, numa tentativa para evitar a monotonia, que, no fim de contas, só torna tudo artificial – e, presumo, desconfortável tanto para entrevistado como até para entrevistador.
É a chamada televisão em movimento. Gostei de duas coisas. (1) Passos a dizer “eu chego-me para trás para ficar mais iluminado” e (2) a última pergunta, enquanto José Alberto Carvalho acompanhava o PM à saída, ter sido feita com o cenário do programa da Fátima Lopes em fundo…
Sim, deve ser televisão em movimento. Tanto que um dia destes alguém tropeça.
E também gostei desses dois momentos.
E um moderador ou mordedor que começou logo por querer chamar as atenções para si próprio. Com tais jornalistas de tristes figuras nem precisamos de políticos. JACsofone .
Pois. Eu falhei os primeiros minutos da entrevista. Quando escrevi o texto, nem me tinha apercebido disso.
E um ex-dirigente do Bloco de Esquerda que se apresenta como “trabalhador de call center licenciado”.
E um jornalista estagiário da TVI24 que se queixa (em directo, na TVI24) dos estágios profissionais.
Exacto.
http://oinsurgente.org/2015/07/25/a-ent revista-a-pedro-passos-coelho-na-tvi/
Ainda assim, chamam-lhe jornalismo.
Ao menos, podiam ter aprendido com quem percebe de espectáculo:
https://www.youtube.com/watch?v=93LhNOEn cxE