Poesia


Maria Dulce Fernandes,

beijo-crianca.jpg

 

Nas palavras da ínclita Florbela Espanca, ser poeta é ser mais alto, é ser maior. Ler poesia é acariciar a alma, é ter a percepção duma realidade doce e sofrida, negra e tantas vezes trágica. É tomar como nossa a sensibilidade daquele que segura a pena e apoderarmo-nos dos seus sentimentos e, nem que seja por breves instantes, entrar-lhe na pele, sentir-lhe o amargo da boca ou a doçura dos lábios. É viver naquele momento a ilusão daquela vida.

Tendo as nove musas a mesma filiação, dissociar a poesia da música é como amputar um membro, até porque todo o ritmo da poesia é musical. A música tem o dom de elevar a vida. Tudo o que respira reage e se rege pelo som.

Quantas vezes por dia, sem um livro na mão, conseguimos declamar um poema maravilhoso dum poeta maior, apenas em cantando uma canção? 
Homens e mulheres mais altos, maiores, esses quase desconhecidos que escreveram e escrevem palavras mágicas, que soberbamente musicadas são hinos inesquecíveis, homens e mulheres que escrevem poesia admiravelmente e que raramente são cantados como poetas.

Há-os aos milhares, brilhantes, geniais, mas sempre, sempre num plano secundário, porque além da máquina social que nos vende a ideia do músico e da sua obra, a poderosa audição transmite-nos os acordes mais intensamente do que as palavras, muito embora sejam as palavras que movem o mundo.

 

(Imagens Google)

6 comentários em “Poesia”

  1. pelos meus 20 escrevia puezia; agora só leio.
    numa férias grandes eu e colega que morava a 200km de distância escrevemos a história trágico-marítima em versos pouco recomendáveis
    «a um canto da nau António Pigafetta …»
    não posso dizer o resto.

    um Amigo leu esta quadra dedicada à política portuguesa
    ‘ a minha nau sem governo
    foi às Indias, ao Brasil.
    a minha nau sem governo
    naufrágios tem mais de mil ‘

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *