Poema do jornal


Pedro Correia,
O fato ainda não acabou de acontecer
e já a mão nervosa do repórter
o transforma em notícia.
O marido está matando a mulher.
A mulher ensangüentada grita.
Ladrões arrombam o cofre.
A polícia dissolve o meeting.
A pena escreve.

Vem da sala de linotipos a doce música mecânica.

Carlos Drummond de Andrade



3 comentários em “Poema do jornal”

  1. O fato ainda não acabou de coser
    E já a mão nervosa do Assis
    O transforma em notícia.
    O Lelo está espancando o Seguro
    O Seguro enxovalhado grita.
    Ratos arrombam o cofre
    A polícia dissolve a campanha
    O computas navega.

    Vem da sala dos ratos a feroz música vangelis.

    Carlos Alfacinha do Largo do Rato

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