Por culpa do post do Pedro Correia lembrei-me deste poema, espantosamente dito por certo diseur acidental, cá muito meu.
Hemingway tinha razão: Paris, os verdes anos, o arrojo de conhecer e de quebrar, nunca torcer. A comoção da liberdade, o calor do idealismo, a coragem do excesso (essa aptidão imprescindível para agarrar a vida pelos cornos, com as duas mãos, até cada um lhe chamar sua). E, claro, pois… a alegria da festa, para sempre.
Com Apolinnaire no prato (outro culpado). Sem contradição e desde então para sempre, também.
Sous le pont Mirabeau coule la Seine
Et nos amours
Faut-il qu’il m’en souvienne
La joie venait toujours après la peine
Vienne la nuit sonne l’heure
Les jours s’en vont je demeure
Les mains dans les mains restons face à face
Tandis que sous
Le pont de nos bras passe
Des éternels regards l’onde si lasse
Vienne la nuit sonne l’heure
Les jours s’en vont je demeure
L’amour s’en va comme cette eau courante
L’amour s’en va
Comme la vie est lente
Et comme l’Espérance est violente
Vienne la nuit sonne l’heure
Les jours s’en vont je demeure
Passent les jours et passent les semaines
Ni temps passé
Ni les amours reviennent
Sous le pont Mirabeau coule la Seine
Vienne la nuit sonne l’heure
Les jours s’en vont je demeure

Olá Laura Ramos.
Há uns anos fui surpreendida nesta pont Mirabeau pela Sophie Auster – essa mesma, filha de Paul Auster, num cd cujas letras foram seleccionadas, e mesmo tratadas pelo pai que traduziu e recriou poemas neste álbum de apresentação da filha.
Talvez conheça. Deixo-lhe um link para o caso de não conhecer. http://www.youtube.com/watch?v=ZZi8P1-YI DI&playnext=1&list=PL40EC6A0B1AB602FD
Não conhecia mesmo, obrigada pelo link, Eugénia. Aqui temos a prova de que Apolinnaire é mesmo para sempre. E a recriação da Sophie Auster não traiu o sentimento dominante de suspensão, lassidão, espera, que há neste poema (e não é uma ‘canção deseperada’).
Que bela ideia, Laura. Há um reduto de cultura francófona que resiste (e bem) neste blogue.
Não me provoques… que eu perco os pruridos e desato a abrir os meus arquivos 🙂
Faz isso, Laura! Até proponho que “Lado B” se transforme num título de uma nova série à disposição das memórias dos francófonos do Delito. O que acham? 😉
Neste caso o “Lado B” tinha a ver com o reverso da “festa”: cara e coroa: Hemingway de um lado, Apolinnaire do outro. 🙂
Mas também pode ser o “lado B” referente a um disco antigo de vinyl, Laura. Aquela faixa menos ouvida, mas muitas vezes a melhor.
E aqui era mesmo o vinyl, o lado B, 33’… mas neste caso também o lado não festeiro: a chamada ressaca. Portanto, olha se eu era capaz de passar a chamar regularmente ressacados aos francófonos / francófilos numa série 🙂 🙂
Pronto, I rest my case… 🙂