A ideia de que algumas mulheres preferem os homens mais velhos para se sentirem protegidas, para mim sempre tresandou a "engenharia psicológica" de macho. O próprio Freud não escapou a esta fantasia e logo tratou de a caucionar com as suas teorias edipianas aplicadas a mocinhas em idade casadoira: o que elas procuram, dizia ele, é um pai, que substitua o papel que o biológico teve na sua infância.
Os mesmos que repudiam com alarde as "ultrapassadíssimas" teorias do criador da Psicanálise, frequentemente revêem-se nesta. Ou não fosse a ideia de proteger a eterna fragilidade feminina irresistìvel e ainda mais irresistível a sensação de poder que tal imagética lhes desperta.
Com capa vermelha, botinhas a condizer e um S no peito cheio de pelinhos sal e pimenta da meia idade, nunca os intrépidos resgatadores de donzelas da massa informe do mercado sentimental se interrogam sobre outras razões que poderão levar algumas miúdas a escolher para parceiro homens com o dobro da sua idade.
Há dias, uma amiga que se casou com um homem 20 anos mais velho, resumiu-me a coisa da seguinte forma: Quando eles são mais velhos tratam-nos nas palminhas, têm a preocupação constante de nos agradar para que nunca nos sintamos descompensadas pela diferença de idades. Os que são da nossa idade não se esforçam. Não nos tratam como princesas, tratam-nos como iguais. Nunca os temos na mão.


ehehe Teresa! Está embrulhado, de laço feito, e devolvido .. (risos)
;))
Hum…
Hum…
(gargalhada)
E o contrário? É uma mamã que procuram?
Há até quem diga, Tozé Canaveira, que uma mãe é no fundo o que todos procuram…
Eu sabia que era essa a resposta.
Será então legitimo pensar que essas mulheres, com homens mais novos, querem um filhote para cuidar.
É isso?
Ou isso ou um elixir da juventude (e aí comportam-se como os homens que procuram mulheres muito mais novas).
Ora toma! Há gente para tudo e é muito bem feito para os engenheiros psicológicos ou psicólogos engenhocas ou …
Para meu sossego: idade à parte, a sua amiga gosta, pelo menos um bocadinho, do marido?
:))
Eh!eh! Gosta do serviço, o que já é um começo.
Hum…
João, Pedro e Mike: Eu sei que há verdades que magoam, mas também não é preciso gemer 🙂
Teresa, não é de dor. (gargalhada)
Teresa, a sua amiga é que sabe… é mais ou menos o que pensamos das mulheres bonitas e das menos bonitas (que não as há feias): as menos bonitas tratam-nos sempre nas palminhas, ao contrário das mais bonitas, e nós ficamos a ganhar.
Caro homem mais velho: considero que essa é uma contrapartida justa e que ainda por cima tem por mérito desencalhar as feias :))
Ainda bem que concorda, Teresa. Apesar de, e ainda bem, haver excepções que confirmam a regra. :)))
(Sou o Mike) ;D
Pois, pois, Mike. Aposto que todos os homens mais velhos se consideram excepção (eh!eh!eh!)
Quem diz a verdade não merece castigo…
Prefiro sempre ser tratada como igual. Sempre me fizeram imensa confusão relações onde um domina o outro, acho até um bocado triste.
Já me disseram que essa é uma pretensão irrealista, que as relações amorosas são sempre relações de poder. Concordo que na maioria dos casos serão, mas tal como tu também acredito nas relações igualitárias (onde, naturalmente, também se fazem cedências, mas de parte a parte). Também acho que é triste para o que se deixa dominar. E para o outro acaba, creio eu, por não ser muito estimulante. Além de que a desigualdade nas relações compromete o respeito pelo outro e isso é letal.
Eu continuo a acreditar que os dois devem estar exactamente no mesmo patamar. Detestaria dominar e ser dominada por alguém. Fazer cedências é normal e não o considero uma questão de poder. Até me parece um bocado estranho quando numa relação se fala nas cedências. Se elas surgirem naturalmente como parte do processo de adaptação nem precisam ser mencionadas, porque são mais um ajuste do que uma perda. Mas concordo e sei que há pessoas que gostam do poder e de dominar o outro. Tratem-se, é o que recomendo.
Estou contigo, mas receio que o modelo clássico seja o dessa detestável relação de poder.
“Dos pés à cabeça
Estou sintonizada para o amor
Porque é isso a minha vida
E nada mais.
Assim é a minha natureza
Que hei-de fazer
Apenas posso amar
E nada mais.
Os homens esvoaçam à minha volta
Como as traças à volta da luz
Ese se queimarem,
-bem, não tenho culpa!”
MARLENE DIETRICH em o «Anjo Azul»
A personagem da Marlene neste filme deve ser o pesadelo de todos os machões (à excepção dos que secretamente gostam de levar com uma chibatinha).
Teresa
Gostei sobretudo da tag “embrulhem”.
Sem querer provocar… mas numa relação de iguais não há atenções, mimos?
Pois é, os homens mais velhos valorizam esse pormenor. Os da nossa geração são mais distraídos, precisavam de uma “inspiraçãozinha”, de ler uns livros, sei lá…
Só estou aqui a defender que as atenções e os mimos não estragam a igualdade, só lhe dão alegria e inspiração.
Ana
Sem dúvida, Ana. Mas essas atenções exigem trabalho, dedicação e eles às vezes são tão preguiçosos…
“As mulheres podem escolher, e é nisso que reside a sua infinita superioridade sobre o homem: cada uma delas pode escolher entre a forma de vida de um homem e a de uma criatura de luxo, estupida e parasita-escolhem, praticamente todas, a segunda modalidade.”
Quem escreveu isto foi uma MULHER- Esther Vilar.