Poder


Teresa Ribeiro,

A ideia de que algumas mulheres preferem os homens mais velhos para se sentirem protegidas, para mim sempre tresandou a "engenharia psicológica" de macho. O próprio Freud não escapou a esta  fantasia e logo tratou de a caucionar com as suas teorias edipianas aplicadas a mocinhas em idade casadoira: o que elas procuram, dizia ele, é um pai, que substitua o papel que o biológico teve na sua infância.

Os mesmos que repudiam com alarde as "ultrapassadíssimas" teorias do criador da Psicanálise, frequentemente revêem-se nesta. Ou não fosse a ideia de proteger a eterna fragilidade feminina irresistìvel e ainda mais irresistível a sensação de poder que tal imagética lhes desperta.

Com capa vermelha, botinhas a condizer e um S no peito cheio de pelinhos sal e pimenta da meia idade, nunca os intrépidos resgatadores de donzelas da massa informe do mercado sentimental se interrogam sobre outras razões que poderão levar algumas miúdas a escolher para parceiro homens com o dobro da sua idade.

Há dias, uma amiga que se casou com um homem 20 anos mais velho, resumiu-me a coisa da seguinte forma: Quando eles são mais velhos tratam-nos nas palminhas, têm a preocupação constante de nos agradar para que nunca nos sintamos descompensadas pela diferença de idades. Os que são da nossa idade não se esforçam. Não nos tratam como princesas, tratam-nos como iguais. Nunca os temos na mão.

27 comentários em “Poder”

      1. Eu sabia que era essa a resposta.
        Será então legitimo pensar que essas mulheres, com homens mais novos, querem um filhote para cuidar.
        É isso?

  1. Ora toma! Há gente para tudo e é muito bem feito para os engenheiros psicológicos ou psicólogos engenhocas ou …

    Para meu sossego: idade à parte, a sua amiga gosta, pelo menos um bocadinho, do marido?

    :))

  2. Teresa, a sua amiga é que sabe… é mais ou menos o que pensamos das mulheres bonitas e das menos bonitas (que não as há feias): as menos bonitas tratam-nos sempre nas palminhas, ao contrário das mais bonitas, e nós ficamos a ganhar.

      1. Ainda bem que concorda, Teresa. Apesar de, e ainda bem, haver excepções que confirmam a regra. :)))
        (Sou o Mike) ;D

    1. Já me disseram que essa é uma pretensão irrealista, que as relações amorosas são sempre relações de poder. Concordo que na maioria dos casos serão, mas tal como tu também acredito nas relações igualitárias (onde, naturalmente, também se fazem cedências, mas de parte a parte). Também acho que é triste para o que se deixa dominar. E para o outro acaba, creio eu, por não ser muito estimulante. Além de que a desigualdade nas relações compromete o respeito pelo outro e isso é letal.

      1. Eu continuo a acreditar que os dois devem estar exactamente no mesmo patamar. Detestaria dominar e ser dominada por alguém. Fazer cedências é normal e não o considero uma questão de poder. Até me parece um bocado estranho quando numa relação se fala nas cedências. Se elas surgirem naturalmente como parte do processo de adaptação nem precisam ser mencionadas, porque são mais um ajuste do que uma perda. Mas concordo e sei que há pessoas que gostam do poder e de dominar o outro. Tratem-se, é o que recomendo.

  3. “Dos pés à cabeça
    Estou sintonizada para o amor
    Porque é isso a minha vida
    E nada mais.
    Assim é a minha natureza
    Que hei-de fazer
    Apenas posso amar
    E nada mais.
    Os homens esvoaçam à minha volta
    Como as traças à volta da luz
    Ese se queimarem,
    -bem, não tenho culpa!”

    MARLENE DIETRICH em o «Anjo Azul»

  4. Teresa

    Gostei sobretudo da tag “embrulhem”.

    Sem querer provocar… mas numa relação de iguais não há atenções, mimos?
    Pois é, os homens mais velhos valorizam esse pormenor. Os da nossa geração são mais distraídos, precisavam de uma “inspiraçãozinha”, de ler uns livros, sei lá…
    Só estou aqui a defender que as atenções e os mimos não estragam a igualdade, só lhe dão alegria e inspiração.
    Ana

  5. “As mulheres podem escolher, e é nisso que reside a sua infinita superioridade sobre o homem: cada uma delas pode escolher entre a forma de vida de um homem e a de uma criatura de luxo, estupida e parasita-escolhem, praticamente todas, a segunda modalidade.”

    Quem escreveu isto foi uma MULHER- Esther Vilar.

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