Há um ror de anos que me entretenho a, à medida que vou vendo as notícias do dia, comentar no Facebook para ilustração da minha bolha. Há gente que com despudor discorda sistematicamente de mim e outra, asizada, que pelo contrário nos textinhos quase sempre reconhece a razão que os permeia.
O algoritmo que a escumalha infecta que governa aquela rede desenhou tende a não ir na minha bola. Tanto que há uns meses o meu “mural” e o acervo de fotografias e palavreado de mais de seis anos sumiu e fui obrigado a criar um “perfil” novo. Os americanos e as suas invencionices são como as mulheres: não se pode passar sem elas mas, às vezes, fica difícil aturá-las.
O estúpido deve julgar que sou trumpista, negacionista e fascista, coisas que, se fosse, assumiria desassombradamente; e guarda a sua benevolência para bidénicos, covidiotas, progressistas (a maneira edulcorada de dizer comunas) e, sobretudo, marias-vão-com-as-outras. O método para evitar chocar com ele é, tal como se fazia com os coronéis da censura da Velha Senhora, dizer as coisas com circunlóquios que eles não percebiam. Mas às vezes esqueço-me. E hoje, a falar de um texto (Estado social (10)) de um professor doutor de Coimbra meu Deus, que sigo há anos para o efeito de lhe cascar no asneirol, a benemérita rede classificou o meu post, singelo e curto como se quer, de “conteúdos sensíveis”. Conteúdo sensível, é? Então não se pode perder. E antes que o apaguem fica aqui:
O esquerdismo é uma praga que corrói os fundamentos de uma sociedade sã, e pior se se apresentar embrulhado em argumentos de aparente bom senso. O imposto sobre as sucessões (que este empáfio diz que foi extinto mas não foi) consiste nisto: a riqueza que sobra depois de pagos todos os impostos no percurso que a ela levou não pode ser deixada aos herdeiros sem que a comunidade, qual abutre, vá lá comer a sua parte, cuja quantidade é arbitrária. Este gatuno (EH um gatuno, roubar para dar aos outros não é menos roubo por isso) chega a achar natural que, para pagar o imposto, se tenha de vender uma parte do herdado. A mais deletéria praga económica dos nossos dias é o marxismo reciclado em fiscalidade predatória e igualitarista.

Boa noite, J M Graça
Antes de escrever o que pensa, que é liberdade sua e da sua única responsabilidade, deve pensar o que escreve, esvaziando-o de ofensas gratuitas e de insultos dispensáveis. De resto, não concordando com o que sustenta, daria para um debate sério. Assim não.
Zé Onofre
Ao contrário do que parece pensar, escrevo o que penso, e como penso bastante o que lhe parecem insultos gratuitos são apenas expedientes retóricos para acentuar um ponto de vista. Não espero que isso seja, para muitos, aceite a essa luz, mas escrever para agradar é apenas uma forma de falta de integridade. O que chama “debate sério” consiste o mais das vezes num exercício pomposo e maçador em que os intervenientes não se dão conta, quase nunca, de que estão a partir de pontos de vista diferentes, e portanto jamais poderão chegar às mesmas conclusões. Cavaco Silva terá dito algures que duas pessoas sérias com a mesma formação e dispondo da mesma informação chegam às mesmas conclusões. Dizia muitas tolices, o pobre homem.
Fica um mundo muito pobre, aquele em que cada um se mantém na sua convicção a insultar os que não concordam com ele.
A verdade é que não dá para ser democrata com quem não respeita os princípios mais básicos da liberdade e a vai progressivamente abolindo. Acho muito bem que se se insulte as esquerdas e os seus praticantes.
Os democratas são os que têm a minha opinião, todos os outros devem ser insultados e silenciados porque só dizem disparates.
Ora aí está uma cartilha democrática que o Kim JongUn não se importaria de seguir.
Lá está, vocês criam logo equívocos e paralelismos assustadores e o mundo está assim, em suspenso, menos livre, por causa dos vossos julgamentos-relâmpago.
Ninguém falou em silenciar ninguém. Era mesmo chamar-lhes nomes, tipo minha besta, seu estúpido e por aí fora.
Confirme, por favor: já apagaram? É que se o não fizeram devem andar muito distraídos.
Mas eu – espécie de irredutível gaulês, daquela aldeia que sabemos (e não por meu mérito, antes por demérito terceiro – sendo certo que sinceramente o felicito por abnegadamente se sujeitar aos critérios censores daquela gente) – resisto a ter “conta” nesse local infecto, ainda que sabendo que em muito me privo nos meus interesses – só posso felicitá-lo pela sua (é assim que se diz na novilíngua, não é?) resiliência.
Não, que eu saiba ainda não. E como ninguém ligou pevas a coisa, salvo se alguém reclamar, passa. Amanhã há mais.
Pois, eles têm isto na mão. O povinho gosta de açaime. Ainda que não se saiba verdadeiramente por quê e para quê, mas açaime. Isso e nivelar por baixo. Nada como um chefe que nos dispense dessa maçada de pensar e da trabalheira de progredir.
Você faz um texto polémico e depois não quer que a gente discorde despudoradamente.
Há fortunas e fortunas e há heranças e heranças, não podemos generalizar.
É tão injusto cobrar impostos numa herança honesta como é injusto não os cobrar numa fortuna feita de forma desonesta. Para não falar das fortunas que são feitas à custa dos bens que são roubados a outros ( alguns governantes e familiares por exemplo).
Se todos pagassem e houvesse um verdadeiro combate à corrupção provavelmente a carga fiscal seria muito mais justa.
Isto não tem nada a ver com esquerda e direita, tem a ver com a natureza do ser humano. Em pleno século XXI já quase não faz sentido falar em esquerda e direita. A forma de trabalho mudou e o acesso ao capital também.
Se há uma assimetria gritante no pagamento de impostos também há uma assimetria gritante na distribuição da riqueza.
Portanto, se não pode alterar o sistema, é melhor pagar e não bufar.
Por partes: i) Em muitos anos devo ter apagado meia dúzia de comentários, em milhares, e apenas quando foram meramente reles, sem nenhuma espécie de argumento. Logo, eu não quero nem deixo de querer, nada tenho a opor a que as pessoas expilam disparates; ii) Podemos generalizar: não há fortunas desonestas, salvo se a desonestidade for provada. O legislador não pode presumir que a fortuna, se existe, é necessariamente de origem desonesta, devendo portanto ser pilhada; iii) Se todos pagarem mais o Estado gasta mais – não há limites para a capacidade do Estado em torrar fundos; iv) As fortunas que são feitas com bens roubados são um problema de direito penal, não de direito fiscal. E mesmo que haja porventura muitos casos daí não decorre que deva pagar o justo pelo pecador; v) O ser humano é o mesmo há cerca de 200.000 anos (até mais, segundo alguns estudiosos), e seguramente desde que há registos de comportamento, isto é, História em sentido estrito. A esquerda e direita existem hoje com diferenças em relação às que existiam aquando da Revolução Francesa e em todos os momentos desde então, mas não desapareceram. A fiscalidade demencial, por exemplo, hoje, é de esquerda; e a contenção das despesas públicas de direita; vi) A assimetria gritante na distribuição da riqueza não precisa de ser corrigida. O que precisa de correcção são os abusos que em nome dessa suposta injustiça se cometem, com ganho nulo porque o mecanismo de criação de riqueza é, com frequência, estrangulado no processo; vii) “Bufar” não seria exactamente o verbo que escolheria para descrever o que faço, mas serve: os sistemas alteram-se pelas ideias e pela constatação de que um certo conjunto de soluções está a falhar. Do que as pessoas só se podem dar conta se alguém “bufar”; viii) Como é normal, não partimos dos mesmos pressupostos e isso inquina qualquer entendimento: o Amigo acha a desigualdade económica um mal, e a igualdade um bem; e eu acho a desigualdade económica um bem e a igualdade económica uma violência.
Há um velho ditado que diz que vergonha não é roubar, vergonha é ser apanhado.
Eu não me expliquei bem. Eu não disse que concordava com a igualdade económica. O que eu disse foi que a corrupção está instalada a nível global e isso é o suficiente para que a distribuição da riqueza se faça de forma assimétrica e provoque esse tipo de contestação. Porque assim como você se queixa de pagar impostos excessivos há quem se queixe de ter sido espoliado por quem diz que paga impostos excessivos.
progressistas (a maneira edulcorada de dizer comunas)
Eu sou progressista – porque sou a favor do progresso e contra as tradições – mas não sou comunista nem nada que se pareça.
Antes de mais, desconhecia o termo “bidénicos” e considerei-o uma magnífica aquisição para o meu léxico.
Ainda assim venho em desacordo com o teor do postal. Muito prezo o Algoritmo, o qual me permite frequentar a rede social FB sem ser importunado com imensa tralha que me desinteressa, concentrando-me no tipo de tralha mais a meu jeito. Quando por vezes me ocorre a soberba de ser “O Algoritmo de mim mesmo” vou à opção “publicações mais recentes”, mais alheia aos ditâmes robóticos, e vejo a sucessão de publicações de pessoas que menos ou nada interagem comigo – e que por isso não me aparecem automaticamente. E raramente encontro coisas que me interessem, por vezes apenas umas publicações de antigas ligações-FB que por uma razão ou outra se foram apartando do meu convívio facebuquesco. Clico um laique ou outro, um comentário talvez, e elas regressam ao núcleo das publicações que vejo automaticamente. Arrazoado este que me serve apenas para fundamentar esta minha opinião de que a culpa de tais sensibilidades extremas, até voluntarismos silenciadores, não é de quaisquer insuportáveis americanos – é mesmo de patrícios de coração censor. Que logo acorrem a “denunciar” quaisquer “afrontas” aos seus.
Enfim, gabo ainda a paciência para seguir os ditos dos socratistas. As minhas úlceras impedem-me de tais tarefas.
Gosto de frequentar murais (e blogues) de gente de esquerda e chanfrados sortidos e divirto-me largo com o exercício difícil de, sem trair o que realmente penso, andar por lá a incomodá-los sem que todavia se sintam ofendidos. Isto implica que o palavreado não seja exactamente da mesma cepa do que uso quando estou aqui ou no meu mural. Até agora, e que saiba, fui apenas excluído três vezes, e logo por mulheres (uma que já não aguentava os meus “sarcasmos”, outra por eu ser “machista” e a terceira por ter insinuado que ela talvez não soubesse guiar e, suponho, por nunca lhe ter dito o tão linda que era). Destas, de uma era verdadeiramente amigo (e ainda sou, unilateralmente – gosto dela, que não me pode ver), outra é uma senhora, que estimo, do Bloco, e a terceira é uma idiota vaidosa. Olha eu, que tenho assumidamente dois pesos e duas medidas: qualquer mulher pode asneirar contando com a minha compreensão; e, se tiver dois palmos de cara, até acho o asneirol sexy. Já vês que somos muito diferentes. Não só não me incomoda nada ler tolices como me fazem falta.
Realmente nós somos muito diferentes no sentido em que eu, quando for grande, quero ser como o José Meireles Graça. Pois, por enquanto, nesta minha meninice eu não me atrevo a botar em público sobre o belo sexo, perdão, sobre o género feminino, aquilo que aqui (em postal e comentário) é explicitado. Sensações que muito são minhas, mas que só às paredes confesso.
(Quanto a bloqueios internéticos sofridos, denúncias devidas a más práticas minhas, que me lembre de ter tido percepção, também me vieram de senhoras. Uma que conheço, visita de casa até, em tempos mesmo co-bloguista, explicitamente devido a ser eu um tétrico “machista” – atrevi-me a discordar que Moedas fosse um machista infecto devido a ter menorizado a relevância de Monica Belluci na imagem internacional de Lisboa -, um caso que me parece típico de uma senhora deslumbrada consigo mesma. E de algumas outras, três ou quatro, por razões ideológicas outras, pois oriundas de Moçambique e considerando-me um perigoso comunista, paladino do anti-colonialismo e avesso ao império português em curso)
Quanto a quem vou lendo no eixo blogs/FB – desde há muitos anos que o vou dizendo, o meu blog preferido é o Antologia do Esquecimento, cujo autor, o hmbf, é um tipo do PCP (o blog é fundamentalmente sobre literatura, mas abrange outros assuntos e também vai metendo opinião política). Mas também desde há muito que deixei de ler socratistas (para meu sossego) e os palafreneiros do Bloco. Tal como também deixara de ler os furibundos liberalistas, que eram (e devem continuar a ser – ainda que hoje mais redondos na IL ou mais descomplexados no CHEGA) um verdadeiro massacre
Também penso que o esquerdismo está uma praga. Porém a direita anda uma peste. A matéria sucessória é debate para tesos, porque os gajos ricos, como eu, que gostam de ostentar a riqueza, não se importam de pagar para receber algum e muito mais do que pagam.
Possíveis justificações para a ladroagem:
Se neste país um defunto pode ser eleitor, porque é que não pode continuar a ser um contribuinte?
Pensavam que o subsídio de funeral era gratuito? Subsídio com imposto se paga!
O Estado não pilha, o Estado é herdeiro legítimo e tem direito ao seu quinhão. O Estado é mesmo o big brother.
A família é como a cooperativa, pá: a tua herança é de todos, pá!
É preciso salvar o SNS! Não deixem desmantelar o Estado Social! Defendam a Democracia!
Para os não-avisados: se o defunto tiver conta bancária na CGD, as Finanças contam com a prestimosa colaboração do banco para bloquear o acesso aos fundos em depósito enquanto não for emitido comprovativo do imposto saldado.
É verdade. E após pagar uma taxa de mais de 200 euros por conta – que acaba por ser outro imposto. O IS não é pago entre pais e filhos, nos restantes sim. Curiosamente não existe imposto sucessório (IS) se o herdeiro for um partido. O IS é um esbulho. Um amigo meu, professor do ensino secundário, teve de vender a moradia que herdou de uma tia, na foz do Douro, para pagar o imposto. Ao invés da moradia ficou com um T2 no Porto. Hoje brinca dizendo que foi uma sorte, caso contrário como poderia suportar o imi e a sua sobretaxa? Em Portugal, os partidos cuidam para que nos mantenhamos no sítio: pobres ou remediados.
Catarina Silva
Boa noite, Nuno
Algumas interrogações.
1ª – Por que é que quem discorda é despudorado (“despudor discorda”] e é “Asizada” quem concorda?
2ª – Por que é que quem discorda é “Escumalha infecta”?
3ª – Porque é que é “estúpido quem o julga trumpista?”
4ª – Porque é que ser progressista é uma “maneira edulcorada de dizer »comuna»”?
5ª – “Cascar no asneirol” – porque é que chama asneirol ao pensamento diferente do seu?
Penso que poderia usar termos “não agressivos” para contradizer os que perante uma mesmo Problema, encontram uma solução diferente da sua.
Tem o seu modo de pensar, deve exprimi-lo. Quem o lê pode ou não concordar. Quem não concorda, tem o direito de não concordar e de expor os seus pontos de vista, o que não tem é o direito de usar linguagem agressiva.
Bom ano
Zé Onofre
Não sei quem é o Nuno a quem se dirige, que seria suposto responder a perguntas que aparentemente me são dirigidas. Se bem que o Nuno talvez estivesse mais qualificado para responder porque a tais perguntas, se tem necessidade de as formular, não é possível responder porque as respostas lhe provocariam o mesmo tipo de incompreensão. Mas vá lá, ao menos respondo a uma observação com uma informação: quando diz “não tem é o direito de usar linguagem agressiva”, esclareço que tenho o direito de usar a linguagem que entendo adequada. Mas dou-lhe, com generosidade, o direito de não ler. Não faltam autores açucarados, na blogosfera e fora dela.
Um gajo contribui em vivo, é bom que contribua depois de morto. Até porque se acreditamos no Além, significa que podemos continuar a contribuir.
Um dos meus impostos favoritos é o selo. Quando recebo os meus gordos juros bancários, depois do Estado sacar os seus cêntimos, ver o Selo por cima é top.
A provocação é forte mas ainda não é desta que me convençe a aderir ao FB..