
«Não há nada que nos pareça tão inútil como as nossas cóleras, quando as evocamos tempos depois.»
Ferreira de Castro, A Missão (1954), p. 116
Ed. Publicações Europa-América, 1971. Colecção Livros de Bolso Europa-América, n.º 5

«Não há nada que nos pareça tão inútil como as nossas cóleras, quando as evocamos tempos depois.»
Ferreira de Castro, A Missão (1954), p. 116
Ed. Publicações Europa-América, 1971. Colecção Livros de Bolso Europa-América, n.º 5
Como diria um querido amigo a vingança tarda mas não falha, tudo faz sentido quando sentido há.
Sobretudo quando uma pessoa está com fome (porque já não come há muito tempo), fica irritadiça e encoleriza-se facilmente.
Pouco depois, quando já tem a barriga cheia, percebe quão fútil a cólera foi.
Verdade tão verdadinha!
Tanta verdade em tão poucas palavras!
Devíamos ter sempre esta frase nas nossas cabeças…
Neste ano de 1971, nesta Colecção de Livros de Bolso da Europa-América, apareceu a publicação do “O Valente Soldado Chveik”, de Jaroslav Hasek.
Provavelmente, tal como eu, haverá quem se lembre de muita gente, em Lisboa, estar parada na rua, dentro dos transportes públicos, nos cafés a rir a gargalhadas enquanto lia este livro.
Até o Luciano, parado junto do “Pirata”, nos Restauradores, desatou a rir de tal forma que um pide/legionário/bufo, conhecido frequentador do “Café Avis” , ao lado, lhe sacou o livro das mãos com ‘ó pá, que livro é esse?’.
Estávamos na hora de almoço e ficamos à espero que o tipo lesse umas páginas, devolvendo com um ’tábem’ a aguentar uma gargalhada.
(Estávamos no tempo que era preciso cuidado com leituras dos livros do Vilhena.)