Pergunta do dia


Adolfo Mesquita Nunes,

Por que razão as iluminações de Natal em Lisboa omitem toda e qualquer evocação natalícia, como se o Natal não fosse a celebração do nascimento de Jesus e se bastasse com umas luzes adaptáveis a qualquer arraial popular?

33 comentários em “Pergunta do dia”

  1. Porque o dia 25 de Dezembro foi uma data festiva aproveitada pela religião católica para impor ao mundo o nascimento do seu messias? Não sei, mas por mim, que não acredito que Jesus nasceu a 25 de Dezembro rodeado de brancos em pleno médio oriente, está óptimo assim.

      1. Realmente, das duas, uma: ou se acredita no Natal e a iluminação deverá ser a condizer; ou não se acredita e, então, não há razões para se gastarem dinheiros públicos. “Luzes adaptáveis a qualquer arraial popular” não fazem sentido nesta época, a pergunta é oportuna.

      2. Caro Adolfo, o Natal é talvez a época mais especial do ano, por isso, sim, acho bem que se gaste dinheiro em alguma iluminação. Isto porque o Natal já deixou há muito de ser uma celebração católica, é uma celebração de todos, de paz, de família. É a altura em que todos rumam a casa para estar com os seus, mas não é a altura (é, aliás, cada vez menos) em que se cantam os parabéns ao menino Jesus e se vai à missa do galo.

        1. Pode não ser para si; para mim, e para milhões, será sempre o nascimento de Cristo (é por isso que se chama Natal). Por isso, não faz qualquer sentido dizer que deixou de ser uma “celebração católica”. Que eu saiba, não surgiu nenhum decreto a decidir isso, até porque já não estamos na 1ª república. E já agora, Cristo é o Messias para os cristãos em especial, não só para os católicos. Falar em religião católica é extrememente redutor.

          1. Faltou-me ali uma palavra: “exclusivamente”. Cada vez mais pessoas se afastam da religião, mas o Natal não deixa de ser festejado. Logo, cada vez mais o Natal é visto por mais pessoas como uma festa de família, sem qualquer conotação com figuras religiosas. Esta será a tendência, cada vez mais.
            Quanto ao católico, cristão, etc., desconheço as diferenças, o assunto desinteressa-me no geral, mas agradeço a correcção.

  2. Porque o NATAL é, todos os anos um folclore nojento e economicista que deixa de lado, bem de lado, a essência da festa e do espírito. É triste mas é essa a realidade que vivemos.

  3. Queria o menino Jesus por essas ruas fora, a entrar-nos pelos olhos dentro e sem que dele pudéssemos fugir, como foi na altura daquela praga dos cartazes do «foi o pai que ensinou», era? Olhe, já bastam os trapos vermelho-dourado (ao mesmo nível estético do famoso quadro do menino com a lágrima no olho) que se exibem nalgumas janelas da cidade.

    1. Sendo o Natal, precisamente o nascimento de Jesus, não vejo como possa decidir-se gastar dinheiro público em iluminações de Natal destinadas a ocultar o motivo da celebração. Não me parece, digamos para facilitar, consequente.

      1. Errado, O Natal «não é precisamente o nascimento de Jesus». Não nego que tb possa ser visto assim, mas eu, que venho de uma família alargada de ateus e de agnósticos que há três geraçãos o celebra, entendo-o mais como uma época que encerra uma pluralidade de valores, entre os quais alguns que tb são cristãos. Seguramente que os cristãos, se desejarem celebrar o nascimento do menino jesus, o podem e o devem fazer. Impingi-lo aos outros à conta do erário público, so to speak, é que já não. Quanto mais não seja porque há outros símbolos (vide árvore de natal, vide cor e luz nas ruas, vide pai natal) que são bem mais consensuais.

        1. Discordo. O Natal é de facto o nascimento de Jesus. Que o significado do mesmo tenha sido alargado para celebrar a família, ou qualquer outra coisa, não deve ser o bastante para esquecer de onde vem o Natal.
          Eu não pedi, antes pelo contrário, que o erário público celebrasse o Natal. Nem o Menino Jesus.

          1. Concordemos então em discordar:

            “(…)Por que razão as iluminações de Natal em Lisboa omitem toda e qualquer evocação natalícia, como se o Natal não fosse a celebração do nascimento de Jesus e se bastasse com umas luzes adaptáveis a qualquer arraial popular?(…)”

            “(…)Sendo o Natal, precisamente o nascimento de Jesus, não vejo como possa decidir-se gastar dinheiro público em iluminações de Natal destinadas a ocultar o motivo da celebração. Não me parece, digamos para facilitar, consequente.(…)”

            Palavras suas meu caro, não minhas. Não me diga que a actual crise económica exige que dinheiros públicos não sejam averbados na iluminação das cidades e vilas, precisamente na quadra natalícia? É isso que devo depreender das suas palavras, que devemos passar o natal às escuras?

            Caramba, porque não podemos concordar o suficiente para dizermos frontalmente e sem grudges que o natal é uma época de paz entre os homens e as mulheres de boa vontade?

            Please smile, it is almost ‘Xmas 🙂

          2. Nas frases citadas, ou em quaisquer outras, não encontra a apologia do dinheiro público gasto nas iluminações de Natal.
            Está apenas o espanto de se tomar essa decisão e, inconsequentemente, se retirar qualquer alusão natalícia.
            Sem o dinheiro público deixaria de haver iluminações de Natal, é isso que depreendo das suas palavras. Teriam sido séculos de escuridão. Em Lisboa, por exemplo, só teríamos iluminações de Natal de há uns para cá. Se as pessoas querem iluminações de Natal, porque não tratam elas disso, através de associações, por exemplo?

          1. É, meu caro Remédios? Como chegou a uma conclusão tão brilhante? A sério, estou espantado com a sua (in)capacidade dedutiva. Extrapola da sua experiência para a dos outros ou é meramente tonto? Nenhuma das duas? Okey, vou assumir que tinha bebido no momento em que assim a verbalizou. Mas tenha calma, relaxe, não se esqueça de que precisa de poupar esse fígado; poupá-lo bem, para lhe dar uso menos espúrio e bem mais proficiente na noite da “celebração”.

  4. Adolfo, o Natal celebra-se em casa. As pessoas, na rua, querem é luzinhas, e se as pessoas querem, faz bem a câmara em dar-lhes. Essa sua queixa é igual àquela que fazem muitos sobre o Pai Natal. Todos os anos também há alguém que se queixa de o Menino Jesus ter sido substituído pelo Pai Natal, porque nada tem a ver com o criistianismo, porque é um culto pagão, ou foi inventado pela coca-cola, etc. Eu, quando era criança, era o menino Jesus que dava as prendinhas. Agora, visto-me de pai natal para dar prendas aos meus filhos. E então? A propósito, já fiscalizou bem as ruas, a ver se não há nenhum senhor de barbas brancas pendurado? 😉

    1. Bom, se as iluminações de natal são só isso, e se apenas têm por objectivo ajudar ao comércio, não sei porque haveremos de as pagar – os comerciantes podem organizar-se para o efeito.
      E já dou de barato essa do pai natal: este ano nem pais natais há. 🙂

      1. Não, eu não quero acredito que o Adolfo pensasse que as decorações de natal eram uma forma de manifestação religiosa 🙂 Adolfo, eu não acho mal nenhum que paguemos as decorações. As luzes alegram as ruas, toda a gente gosta (bem, quase toda). Nunca reparou que era esse o objectivo? E ainda que fosse só para ajudar o comércio (obviamente que também é), ainda assim não acharia mal. Mas não se preocupe, que por esse país fora, as câmaras gastam cada vez menos com iluminação de natal. Eu acho triste, mas enfim. Mas não me disse o que acha do Pai Natal. E já se vestiu de Pai Natal, ou não?

  5. Interessante analisar o seguinte:
    Se aparecerem símbolos cristãos nas ruas associados à festa do Natal, é uma imposição dos católicos (porque não de todos os cristãos?).
    Se apagarem todas as marcas das suas origens, logo da cultura tradicional, já é considerado como um sinal da tolerância absoluta inquestionável…
    Conclusão: a tolerância no Natal só tem um sentido, retirar as marcas cristãs da tradição…

    1. Retirando as marcas cristãs, o Natal deixa de ser Natal. O melhor seria então que as famílias cristãs continuassem a festejar o nascimento de Jesus na intimidade. E, se há necessidade de animar o comércio nesta altura, com luzes de qualquer arraial, dêem-lhe outro nome. A “Festa das Prendas”, por exemplo, ou “a-última-oportunidade-de-gastar-dinheiro-antes-que-o-ano-acabe”.

      1. Pela mesma lógica, a Cristina é contra o camamento homossexual? Ou admite-o desde que se chame outra coisa qualquer?

        Mas mude-se então. Tal como o Natal se apropriou da festa do Solstício de Inverno, bem anterior ao Natal. Se já foi mudada uma vez, não vejo problema. Cada vez menos o Natal é visto com conotações religiosas. Garantidamente. Mas estão no vosso direito de lutar contra isso e reclamar porque as iluminações de Natal não têm anjinhos e outras criaturas nascidas da imaginação de alguém muito inteligente para a época.

        1. A Ana entende-me mal.

          Primeiro, eu sou a favor do casamento homossexual e sou a favor de que casais homossexuais adoptem crianças, já chega e sobra de crianças maltratadas em famílias “normais”. Se um casal homossexual está em condições de proporcionar uma vida feliz a uma criança, sou a favor e apoio em qualquer circunstância.

          Quanto ao Natal, vamos ver se nos entendemos:
          A palavra Natal, vem de Natividade, Nascimento, usada para assinalar o nascimento de Cristo. Não está em causa eu ser católica, muçulmana, ou mesmo avessa a qualquer tipo de religião. Se se fala em Natal e se se festeja o Natal, é isso que se festeja. Se a Ana prefere festejar o Solstício de Inverno, festeje, se não lhe apetece festejar nada, não festeje!

          Até lhe digo, eu pouco festejo o Natal. Não faço compras extraordinárias, era o que mais me faltava, andar nesse stress… Não me reúno com a família porque moro na Alemanha e não estou para viajar numa altura em que os aeroportos e as estações estão a abarrotar (este ano, até está tudo entupido por causa do tempo invernoso). Dou prendas a duas ou três pessoas (não mais!), não tenho presépio, nem árvore de Natal. Tenho, sim, alguma decoração alusiva ao tema, como um arranjo com azevinho, onde ponho algumas velas.

          Eu não estou a defender o Natal tradicional, cheio de anjinhos e de cantigas mais ou menos melosas, nem sequer como aletria, nem arroz-doce. Eu só acho o seguinte: se a Câmara de Lisboa festeja oficialmente o Natal e se resolve pôr iluminação na rua por causa disso, então devia ser iluminação de Natal e, não, de um arraial qualquer!!!

    2. nem mais.
      e qualquer dia essa coisa de o Natal ser a festa da família (o primeiro passo para o Natal deixar de ser Natal sem ofender ninguém) também vai pelos ares, não vá a coisa ser intolerante para quem não tem ou não quer ter família.

  6. Perguntas bem, Adolfo, e vou ensaiar uma resposta que pode servir para alguns comentários anteriores.

    Quando a Igreja decidiu consagrar uma data para o nascimento de Jesus, não o fez por que a soubesse, pois não está documentada, mas também não o fez por acaso.

    A data foi escolhida para se integrar na celebração do solstício de Inverno, que vem desde tempos muito remotos e foi adoptada pelas mais variadas crenças e culturas, celebrações essas que normalmente apelam à paz, ao recolhimento em família, etc., desde que o mundo é mundo.

    Ao fazê-lo, a Igreja achou (e bem) que seria entendida com maior facilidade e melhor seria espalhada e recebida a Sua mensagem. E esta é que é a história da data do Seu nascimento. Celebramo-la nós, cuja cultura é de base profundamente cristã, e acaba por celebrá-la todo ou quase todo o mundo, pela influência ocidental, pela influência europeia, pela influência dos povos que partiram ao encontro das demais culturas.

    Só muito recentemente se insinuou (deturpando a tradição de S. Nicolau) o Pai Natal, figura mercantilista imposta pelo ‘marketing’ norte-americano. É com isto que hoje nos deixamos embalar, perdendo as raízes que nos caracterizavam. Se é para ser assim, se é para continuar assim, vou ali e venho já. Só que o Natal, por muitas voltas que o mundo dê, é o nascimento de Jesus, creia-se ou não Nele.

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