Perder a Taça, empatar o jogo e ficar a ganhar


Rui Rocha,

 

Ao fim de nove partidas, nove, Mourinho encontrou o caminho. Nada de muito complicado, elaborado ou transcendente. Basta jogar futebol. E o futebol não se joga de autocarro. Foi por jogar de autocarro na 1ª mão que Mourinho perdeu a eliminatória. Mas hoje, tendo empatado no resultado, ganhou o jogo mais importante. O psicológico. Desta vez, dentro de campo. O Real Madrid mostrou que não deve nada ao Barcelona. Não se trata já de ser igual. Pode mesmo ser superior. Perdendo na Copa del Rey, Mourinho pode muito bem ter encontrado o combustível anímico indispensável para ganhar La Liga. É bom ter de volta o Special One. Retomando a via do futebol jogado, para ser o melhor do mundo falta-lhe apenas aprender a sorrir e a pôr de parte aquela cara de vinagre. Se lhe faltarem outros motivos, pode sempre rir-se da exibição vergonhosa do árbitro.

* publicado também aqui.

8 comentários em “Perder a Taça, empatar o jogo e ficar a ganhar”

  1. Rui,

    “na mouche “.
    Em http :/ ladosab.blogs.sapo.pt / também escrevi sobre o jogo desta noite.
    Quanto ao vinagre de Mourinho é uma postura que ele coloca para se defender e acima de tudo para defender a equipa.
    Dá gozo a forma como Mourinho ataca os jornalistas espanhóis. Por mim pode manter-se assim! Eu continuo a tirar o chapéu.

  2. Rui, o Mourinho nunca será simpático para os jornalistas.

    não respeita muito o seu trabalho e infelizmente tem razões para isso.

    não me lembro de uma campanha orquestrada com a que fizeram entre os dois jogos, na tentativa de “destruir” a sua equipa. até tentaram dividir a equipa, colocando portugueses contra espanhóis. sem saber deram-lhe novos trunfos, ajudaram-no a conhecer melhor o carácter de alguns dos seus jogadores.

    em relação aos jogos entre o Real e Barça, penso que o problema é mais de alguns jogadores (Pepe e Ronaldo incluidos), que parece terem medo do rival, que do Mourinho.

  3. José Mourinho já tinha encontrado o caminho nos dois jogos da supertaça, no início da época, em que o Barcelona esteve várias vezes encostado às cordas. Mas a derrota para o campeonato levou-o a optar novamente pela artilharia pesada de um meio-campo de blindados, na primeira mão da Taça. Não é que, como dizem alguns comentadores, Mourinho tenha de deixar de pensar como travar a equipa do Barcelona, mas que a melhor (não a única, como se viu nos jogos com o Inter) maneira de travar o Barcelona é pondo os jogadores mais criativos, mais rápidos e que podem causar verdadeiros estragos ao adversário. Um meio-campo com Alonso, Ozil e Kaká é música. Um meio-campo com Alonso, Lass e Pepe é barulho.

  4. Rui, preferia que identificasse a análise ao árbitro feita pela Marca – o jornal oficioso do Real Madrid – que decalca exactamente o que achei da arbitragem mas você não: não identifica, não valoriza, não evita deixar no ar que o “vergonhoso” da arbitragem prejudicou (está implícito) o RM e não que o protegeu, como o seu texto deixa entender ao fazer o sujeito e predicado do jogo.

    É mesmo de Calimero.

    Se quer ler a Marca, leia também o As, que prefiro, e perceberá que mesmos os jornais de Madrid sabem de futebol e não poupam os árbitros mesmo quando favorecem o RM. E é graças aos árbitros que o RM lidera a Liga e este Fernando Teixeira deu mais um exemplo há dois meses em Getafe.

    Agora, quando descobrir algum exemplo semelhante de pasquins lisbonenses denunciarem os favorecimentos ao desportivo e ao recreativo da capital dão-se alvíssaras.

    E poderia ajudá-lo a perceber melhor um pouco o jogo e a condicionante da arbitragem, sempre mais marcante no sul da Europa onde só os clubes das capitais normalmente dominam (excepto em Itália e que em Espanha o Barça muito bem combate de forma exemplar dentro do campo).

    1. Concordo totalmente, felizmente em Portugal temos o jornal “O Jogo” como garante de um jornalismo sério, isento e equidistante de todos os clubes.

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