Pequena anedota (verídica) sobre um certo traço da índole alemã


enlil,

Gerhard Richter, “Mustangs”, 1964

 

Talvez porque o tráfego do aeroporto de Frankfurt seja dos mais intensos e extenuantes da Europa, os controladores aéreos têm fama de arrogantes e impacientes. Depois de conduzirem os pilotos durante a fase de aterragem, limitam-se a informar qual é a porta para onde devem dirigir o avião, presumindo que sabem a sua localização e como hão-de lá chegar, prescindindo de fornecer mais orientações.

Uma vez sucedeu este diálogo entre a torre de controlo e um 747 da British Airways (BA):

[estas conversas são convencionalmente em inglês em toda a parte, mas faz-se aqui uma tradução nada técnica e muito leiga]

BA – Frankfurt, já desobstruímos a pista de aterragem.

Torre – BA, circule até à porta Alpha Um-Sete.

O avião saíu do taxiway [zona de circulação da pista] e parou.

Torre – BA, não sabe para onde deve ir?

BA – Por favor aguarde torre, estou a verificar a localização da porta.

Torre (denotando ríspida altivez) – BA, nunca esteve em Frankfurt?

BA (voz calma) – Sim, estive aqui duas vezes em 1944, mas estava escuro… e não aterrei.

10 comentários em “Pequena anedota (verídica) sobre um certo traço da índole alemã”

  1. Está muito bom.
    Que aterragens como as de 1944 … e no escuro não se repitam. Já não estou assim tão confiante, mas eu sou pouco optimista.

  2. O que é bom são aos dinheiros alemães do QREN.
    E se não tivermos QREN eles passam a xenófobos e quiçá pior…

      1. Sim. E a história é uma boa resposta como já foi dito, típico british understatment. Agora acho extranho é que não achem humilhante/arrogante também receber dinheiro alemão.

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