Penso rápido (65)


Pedro Correia,

Há uma contradição aparentemente insanável entre o que o Syriza  proclama e o que o Syriza faz. Enquanto proclama o desejo de manter a Grécia no euro (correspondendo aliás à opinião largamente maioritária no país, cerca de 74%) começa a fazer tudo, e em passo rápido, para que o país abandone o sistema monetário europeu com as primeiras medidas de carácter populista já anunciadas em ruptura com os compromissos assumidos ao receber o fundo de resgate (aumento do salário mínimo, electricidade gratuita para cerca de um milhão de pessoas, restituição do subsídio de Natal, abolição das taxas moderadoras, medicamentos gratuitos e passes de transportes também gratuitos para desempregados, renacionalizações de empresas privatizadas ou em fase de privatização, tudo envolvido num pacote que agravaria o défice orçamental grego em nove pontos percentuais).
A intenção, por enquanto inconfessável, parece evidente: apontar mais tarde o dedo acusador às instituições comunitárias, acusando-as de responsabilidade directa na ruptura da Grécia com o euro.
Tudo demasiado previsível. Estamos perante rudimentares aprendizes de Maquiavel. Só receio que o povo grego acabe por sofrer ainda mais com isto. E nós com ele.

0 comentários em “Penso rápido (65)”

    1. … ainda que o governo grego pareça dúbio com as afirmações, convenhamos que os “programas de ajuda” foram de uma curiosa clareza para a população grega.

      Acresce um detalhe curioso, um “draft” de Moscovici mostrado a Varoufakis, e que depois foi mudado em “pequenos detalhes”:
      http://www.keeptalkinggreece.com/2015/02/16/varoufakis-reveals-moscovici-gave-me-a-draft-i-could-have-signed/

      Dado o tipo de cambada, não me admiro que a ideia fosse que Varoufakis não notasse as modificações e assinasse na mesma.

    1. Acho muito pouco razoável que o novo governo da Grécia – cuja dívida pública ascende a 176% do PIB – se tenha apressado a anunciar ainda mais despesa pública, num valor orçado em 12 mil milhões de euros (ou seja, cerca de 6% do PIB grego), em medidas assistencialistas e desenvolvimentistas com dinheiro que manifestamente não tem.

      1. O PIB da Grécia contraiu 25% desde a implementação do programa da troika. A Grécia ajustou, e nenhum dos objectivos dos ajustes se materializou. A divida (em relação ao PIB) aumentou, claro. Neste momento o Governo Grego tem 4,5 % de superavit dos quais quer usar cerca de 3% para reanimar a economia e acudir à emergência social. É dinheiro que tem. O serviço da dívida é que fica para resolver com os 1,5% que sobram e é para isso que servem as negociações.

        1. Julgo que haverá espaço para as medidas de carácter assistencialista que o Governo grego anunciou (tratando-se, nesses casos, de um imperativo ético). Julgo também que há margem negocial para tornar o serviço da dívida ainda menos oneroso (sabendo nós que já hoje o é, em comparação com o sucedido em relação à Irlanda e a Portugal).
          Isto pressupõe, de qualquer modo, contrapartidas sérias do executivo Tsipras. Que não pode enganar a população com frases do género “a austeridade acabou”. Não basta falar claro. É também indispensável que o discurso se adeque à realidade.

        2. “O PIB da Grécia contraiu 25% desde a implementação do programa da troika.”

          Não. A contração foi maior. E ainda bem.

          O PIB da Grécia no auje do crédito chegou aos mais de 30000 euros per capita ultrapassando a Itália em riqueza.
          Hoje está pelos 20000 logo uma redução de 33%.

          A Grécia deve criar naturalmente riqueza para uns 19000 euros per capita não mais.

          Segundo você é mau um país ganhar proximo do seu real valor.
          Não admira. É populista.

  1. «Na reunião da semana passada em Bruxelas, Pier Carlo Padoan, o ministro das Finanças italiano, terá mesmo implorado a Varoufakis que moderasse a retórica, relatou o Wall Street Journal. “Este não é um exercício sobre o ‘dilema do prisioneiro’”, sublinhou Padoan, referindo-se a um problema da teoria dos jogos, que explica como, numa situação em que dois jogadores procuram apenas obter vantagem sobre o adversário em vez de cooperaram entre si, o resultado acaba por ser pior para ambos.»

    (Observador)

    Não me incomoda muito o sarilho em que os gregos pretendem voluntariamente mergulhar, por tal ser da sua exclusiva vontade, grave é justamente que, na falta de cooperação, o resultado será pior tanto para eles próprios como para toda a UE.

    1. A soberania grega está hoje, de facto, profundamente limitada. O país não reúne condições de financiamento fora do eixo FMI-BCE e qualquer denúncia unilateral dos compromissos assinados com aquelas entidades ameaçará a solvência do Estado grego.
      A coligação da esquerda radical com a direita radical pode refugiar-se na retórica patrioteira, habitual recurso da demagogia populista. Mas este nacionalismo exacerbado choca com a dura realidade: sem dinheiro, sobram as palavras. E nenhum povo se alimenta de retórica.

  2. È confrangedor ver os teóricos pensarem que eles têm um plano bem elaborado.
    Recordo-me de quando começou a constar que o Vale Azevedo era corrupto, as posições inflamadas dos defensores a justificarem com narrativas muito bem elaboradas. Com o preso 44 até eu ainda desconfiei que o CM e a bocas eram movidos por um maquiavelismo escondido.
    Aqui acredito que o que existe é mesmo uma incapacidade de governar com seriedade; a narrativa pode ser apaixonante para quem anseia por caminhos celestiais em que a austeridade é só uma miragem, e que se vai descobrir ainda melhor que o caminho que os 18 apóstolos burros percorrem; esperemos até que a agua esteja pelos gasganetes e o Judas ensine o caminho das pedras aos helénicos; não vai demorar um ai, com ou sem putin.

    1. A Rússia está a financiar diversos movimentos de cariz populista, de extrema-direita e extrema-esquerda, um pouco por toda a Europa. Financia – não é segredo – a Frente Nacional em França. E financia também os dois parceiros de coligação em Atenas: o Syriza e os “Gregos Independentes”.
      Não por acaso, deixámos de ouvir a extrema-esquerda criticar a FN. O modelo grego está a seduzir radicais de várias tendências. Resta ver quanto tempo irá durar.

      De qualquer modo, não me parece nada provável o arrastamento da Grécia para a órbita russa. Moscovo é um tigre de papel. A Standard & Poor’s acaba de atribuir o rótulo de “lixo”, nada invejável, às perspectivas económicas russas. Com a depreciação do rublo e a queda dos preços do petróleo, principal fonte de divisas do país, a Rússia vive o espectro da recessão. E tem a quinta dívida mais arriscada do planeta. O tempo não está para aventuras russófilas.

  3. Ainda vamos assistir um dia destes à santificação do Tsipras. O desespero faz com que as pessoas acreditem em utopias e lirismos. Fico admirado (ou não) como muita gente acredita nas promessas do Tsipras, como se elas fossem praticáveis com o mínimo de viabilidade. Mas enfim, cada um acredita no que quer. Cá eu prefiro acreditar no Pai Natal.

    1. O engenheiro Tsipras tem o descaramento de fazer promessas – nomeadamente ao anunciar o aumento da despesa pública em 12 mil milhões de euros – com o dinheiro dos outros. Sabe perfeitamente que não existe sequer dinheiro disponível em tesouraria para cumprir o que anunciou, tanto mais que o levantamento de depósitos bancários e a fuga de capitais têm-se processado a um ritmo contínuo.
      Em Atenas, por estes dias, vai-se abrindo uma vasta auto-estrada rumo à bancarrota. Algo que ainda não motivou a reflexão de algumas cândidas almas que por cá preferem dissertar sobre a fotogenia do novo primeiro-ministro grego e do “marxista errático” que assumiu a pasta das finanças.

  4. Todos podem vir a sofrer mas, como em tudo na vida, a extensão do sofrimento depende em larga medida de nós e do que fizermos para o contrariar.

    De qualquer modo se isso acontecer os primeiros a sofrer (refiro-me ao tempo e não ao modo) serão os gregos e não parece difícil imaginar que, passados os momentos de euforia acusadora e anti-europeia, comecem a manifestar-se as pessoas que sempre estiveram contra, mais as pessoas que se desiludiram entretanto a que se somarão as que começaram a ter mais problemas do que já tinham.
    Nessa altura o governo ou se demite ou põe a polícia na rua.

    É curioso verificar que desde que o governo grego disse que tinha um “plano B” que passaria pelos EUA, a Rússia e a China, o Sr. Obama nunca mais abriu a boca, o Sr. Putin passou a estar ocupado com outras coisas e os únicos que disseram algo foram os chineses e esse algo é que se deixassem de histórias e continuassem com as privatizações.

    Ficamos assim com o Sr. Varoufakis, cujo currículo é o de professor da “teoria de jogos” em várias universidades britânicas, na Austrália, na Grécia e nos EUA, consultor especialista de “teoria dos jogos” na Valve Corporation (ex-Valve Software) com sede em Washington e autor de vários livros sobre “teoria de jogos” que aqui deixo como sugestão:

    http://www.amazon.co.uk/s/ref=nb_sb_noss_1?url=search-alias%3Dstripbooks&field-keywords=varoufakis

    Destes só li o primeiro que é um e-book (mas já li mais que qualquer admirador recente dele).

    1. Propaganda à parte, o novo Governo de Atenas continua a dar provas de total desconhecimento dos mecanismos de funcionamento do sistema financeiro internacional. Não seria demasiado grave se a Grécia não tivesse – como tem – necessidade absoluta de financiamento imediato para despesas elementares do Estado, incluindo o pagamento de salários e pensões.

  5. Caro Pedro Correia, tivesse o senhor assistido com os próprios olhos, in loco, como eu assisti há relativamente pouco tempo, a mísera e gritante realidade social na Grécia, seguramente pararia um momento para reflectir, antes de dizer tais infelizes palavras. Sejamos sérios e honestos.

    1. A que palavras se refere?
      A Grécia dispõe, para pagar os empréstimos que contraiu livremente, das taxas de juros mais baixas do mercado internacional. E durante dez anos não pagará juros à Comissão Europeia nem ao Banco Central Europeu.
      Para repor esses empréstimos dispõe de prazos dilatadíssimos que não foram concedidos a mais nenhum outro Estado.
      A Grécia beneficiou de um inédito perdão de dívida – o maior de que há registo na história. Envolvendo mais de cem mil milhões de euros.
      Portugal – que contribuiu para o fundo de resgate grego nomeadamente através da Caixa Geral de Depósitos – viu-se prejudicado por esse perdão assumido em nome da “solidariedade europeia”, que em relação aos gregos tem funcionado em sentido único.
      Eu percebo que os gregos continuem a lamuriar-se: é do interesse deles proceder assim. Percebo muito pior que alguns portugueses – que nunca, nem de longe, foram tão favorecidos como eles – façam de conta que são gregos e assumam as dores deles.
      Que eu saiba, ninguém na Grécia alguma vez assumiu as nossas.

      1. Caro Sr. Pedro Correia,

        Apesar de vulgar, não deixa de ter graça o seu exercício de copy and past! Qualquer leitor atento da imprensa corrente, nacional ou estrangeira, encontra este e outros cardápios de argumentos acompanhados de números, gráficos ou estatísticas. Quer por parte dos “pró”, quer por parte dos “contra”! Para ambos os casos a minha atenção é diminuta, quando nenhuma. Habituei-me a vê-los a saltar de bancada para bancada. Veja-se, só a título de exemplo, o Dr. Vítor Gaspar, o Dr. Vítor Bento, ou mais recentemente, o Sr. Jean-Claude Juncker, que acaba de dizer, cito: “Pecámos contra a dignidade da Grécia e de Portugal”! Bonito! Mas bom, estes e os seus argumentos, tais como outros, valem o que valem! Não contribuo para esse peditório. Não participo nessa feira de vaidades.
        Antes de mais, o que nos traz à colação é, de certa forma, o tema da austeridade, intrinsecamente ligado à economia. Ora a Economia é uma ciência social, logo está para servir as pessoas. E são elas que me importam. Deixo os números e as estatísticas à saciedade de quem os quiser glosar.
        Porque gosto de pensar pela minha própria cabeça, e porque não tenho como referências os fazedores de opinião que pululam nas colunas dos jornais ou nos blogues, que mais parecem passerelles, vamos então ao que interessa.
        Uma vez que se deu ao trabalho de entrar pelos caminhos da História, teria sido um exemplo de honestidade intelectual da sua parte lembrar o Acordo de Londres de 1953, que concedeu um perdão de metade da dívida da Alemanha pós-guerra. Aí, a Grécia, um dos países que participou no perdão de 50% da dívida alemã, não foi um problema, pois, não? Ah, pois, foi solução! Quanto ao que se seguiu, as facilidades dadas à Alemanha para pagar (quase ad eterno!) aos credores, certamente o senhor saberá! Condições que agora a mesma se recusa a dar à Grécia! Falamos de um país que à época causou milhões de mortes, destruição, usurpação de bens (lembra-se do caso do “ouro nazi”?), praticou o conluio, a corrupção, a xenofobia e, claro está, o maior genocídio da história da humanidade. Danos irreparáveis. Obviamente nada que se compare ao que têm vindo a fazer aqueles “patifes” dos gregos! Essa gente com quem a Alemanha lucrou milhões com a venda de 3 submarinos, pouco se importando com as suas finanças. Ah, pois, na época a Germânia não tinha conhecimento!
        Sejamos sérios e chamemos os bois pelo nome. O cerne da crise da Grécia, tal como a de Portugal ou da Irlanda (para não falar daqueles que têm a espada de Dâmocles pendente por cima da cabeça) foi uma coisa chamada “economia de casino”, praticada (no passado e no presente) pelo sector mais obscurantista da sociedade: o mundo financeiro. Esta é a realidade: estamos a pagar a factura desse jogo.
        Envergonho-me de governos, como o nosso, que passeiam pelos palcos da União Europeia (essa entidade solidária!) curvados, de mão estendida, a bajular um senhor de cadeira de rodas e a sua chanceler, ou a participar em conferências de “alunos bem comportados”.
        Para terminar, e sem querer fazer juízos de valor acerca da sua pessoa (desde logo porque não o conheço, e também porque não é meu predicado), se para si, ver pessoas, que ainda há bem pouco faziam parte de uma classe média desafogada, a remexerem no lixo a fim de encontrarem algo para matar a sua fome e a dos seus, pessoas sem fundo de desemprego e sem acesso à saúde, como infelizmente tive a oportunidade de ver in loco, é um castigo bem merecido, então estamos entendidos. A minha ética e os meus valores humanistas são outros.

        Rui Duarte

        Nota: Já que teve a amabilidade de me endereçar um link, porque sou generoso, retribuo com dois, o primeiro do seu conhecido Paul Krugman e o segundo do actual ministro das finanças grego, esse perigoso “radical” do Yanis Varoufakis.
        http://www.nytimes.com/2015/02/16/opinion/paul-krugman-weimar-on-the-aegean.html?ref=topics
        http://jardimdasdelicias.blogs.sapo.pt/nao-e-altura-para-jogos-na-europa-734195

        1. Não sei a que ‘links’ se refere. Reli o que lhe escrevi, mais acima, e não vi qualquer citação ou transcrição feita por mim. Portanto não sei também o que quer dizer com essa do ‘copy-paste’. Nem aprecio essa linguagem “amaricana”. Gosto mais de expressões portuguesas, como corta-e-cola.
          Também gosto de reflectir sobre a crise grega na minha perspectiva de cidadão português. Você e outros parecem gregos. Eu não. Vejo, antes de mais nada, os interesses portugueses. E sei isto:
          – A Grécia opôs-se durante anos à integração de Portugal no espaço comunitário
          – A Grécia não investe um tostão em Portugal (ao contrário de muitos outros países europeus, como a Alemanha, a Holanda, França e Espanha)
          – Portugal participou no fundo de resgate grego com dinheiro (dos nossos impostos) muito avultado: nada menos de mil e cem milhões de euros. Ficaremos a arder com esse dinheiro se os gregos não honrarem os compromissos assumidos
          – A Grécia é o país europeu, de longe, com maior evasão fiscal
          – A Grécia viu descapitalizar nos últimos meses os seus fundos de pensões e a sua autoridade tributária num montante que já ascende a 76 mil milhões de euros, em grande parte irrecuperáveis
          Resumindo: na relação com a Grécia somos credores em larga medida. Nada devemos aos gregos: eles é que nos devem a nós.
          Não nos peçam para os ajudarmos mais ainda. Já receberam 240 mil milhões de euros em ajudas europeias, fora os fundos estruturais que têm recebido sem cessar desde 1981.
          É tempo de a Grécia se ajudar a si própria. E de se deixar de bravatas adolescentes: a soberania nacional não se proclama, pratica-se. E o Governo de um país endividado até ao tutano, sem verba disponível para elementares operações de tesouraria, com a banca descapitalizada e confrontado nas últimas semanas com uma sangria de capitais não pode fazer as promessas que o Syriza fez e não pode falar em “soberania nacional” como se tivesse dinheiro para fazer frente às despesas.
          Ou até pode. Mas ninguém o levará a sério.

          E tome lá agora um corta-e-cola. Ou antes: dois. Pode ser que ache útil:
          http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/como_a_grecia_pode_ficar_sem_dinheiro_no_estado_e_na_banca.html
          http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/como_a_grecia_pode_ficar_sem_dinheiro_no_estado_e_na_banca.html

    2. “…a mísera e gritante realidade social na Grécia…”

      Populismo vergonhoso.

      A Grécia é mais rica que nos anos 90.
      A Grécia tem 300 caças de combate incluíndo 150 F-16 que não funcionam a pedais.

      Sério e honesto você não tem nada. Diz você que a Grécia não consegue viver com 19-20000 euros ano per capita.

  6. Para perceber melhor a situação para qual os Gregos se manobraram com toda intenção, isso ainda durante largos anos, ter-se a que ter em conta os seguintes fatos simples:
    A capital da Grecia (Atenas), possui a maior densidade de Porsche Cayenne por km quadrado de cidade em toda europa (este e o tal verdadeiro penso rápido). Na Grecia os super-ricos donos de companhias de transportes marítimos, continuam a beneficiar de isenção de pagar impostos, desde 3 décadas. A corrupção continua no dia a dia conforme o seguinte: Um contribuinte Grego deve ao estado 10.000€ em impostos. O fiscal das finanças visita o contribuinte para executar os valores. O fiscal faz uma re-avaliacao dos impostos a pagar, corrigindo oficialmente o valor de imposto para 2000€. O contribuinte paga 4000€. 2000€ para saldar o novo imposto oficial, e 2000€ para o bolso do fiscal. Ficam ambos contentes, menos o estado que não percebe porque não entram impostos nos cofres.

    1. De fatos, como não sou alfaite, nada percebo. Mas eis alguns factos:
      – A Grécia martelou as contas do seu défice, mentindo descaradamente às instituições europeias
      – A Grécia faltou ao cumprimento das mais elementares obrigações que assumiu ao aderir ao sistema monetário europeu, nomeadamente no controlo das despesas públicas
      – A Grécia é ainda hoje recordista europeia na fuga aos impostos: cerca de 40% da população nunca pagou regularmente as suas obrigações fiscais
      – A Grécia vetou durante anos a entrada de Portugal e Espanha na CEE para receber mais e melhores fundos estruturais dos países do norte da Europa sem se sujeitar à concorrência
      – A Grécia foi durante largos anos o país da UE que batia qualquer outro, por larga medida, na reforma antecipada e por inteiro de pessoas pertencentes a dezenas de “profissões de risco”, incluindo padeiros, cabeleireiras e saxofonistas

      Podia continuar, mas fico-me por aqui. Julgo já ser suficiente para se perceber melhor como os gregos chegaram onde chegaram. Quem ouça certos “analistas” por cá fica sem perceber por que motivo a Grécia bateu no fundo. Ou melhor: fica com a ideia de que eles bateram no fundo por causa de nós, nunca por culpa própria.
      Mas os factos – não os fatos – desmentem essas teses. Basta encará-los com honestidade intelectual, por mais que custe.

    1. A dois passos da Europa. Enquanto por cá tantos continuam a esgrimir contra moinhos de vento, o inimigo que odeia tudo quanto tem a ver connosco espreita-nos já na outra margem do Mediterrâneo. Só por cegueira – incluindo cegueira ideológica – haverá quem não repare nisto.

  7. Os gregos optaram pela falência, a corrupção a gatunagem a vigarice e o calote, pois então que vivam com o produzem e não peçam mais “graveto” à Europa.

    1. Não creio que os gregos tenham optado por nada disso. A grande maioria da população só pretende encontrar uma solução para os problemas.
      Só que a Grécia tarda em ajudar-se a si própria. E o populismo demagógico não soluciona problema algum: agrava todos.

  8. Viva. Ao menos o comentario contivesse alguma novidade, ou aconselhasse aos gregos uma segunda ou quinta via, mas nao, e nada. Obviamente o povo grego só pode sofrer ainda ainda, pois se sofreu e sofre com a “ajuda”, bem pior , parece, será sem ajuda. O que doi, face á iminencia do desastre grego, é o Pedro correia nao só nao lhe ocorrer que os gregos tem ainda mais presente esse receio e ameaça, como nada ocorre ao Pedro , sobre eventuais trunfos nas maos dos gregos, e o Pedro nao especula. Espetaculo. Para o Pedro, os novos governantes nao passam de uns criancinhas a brincar ao governo. è o que temos

    1. “Desastre grego” é expressão sua. Mas parece ilibar os gregos desse desastre. A culpa é sempre dos outros, como nas narrativas infantis.
      O problema é que essa narrativa não condiz com a realidade.
      Pelo contrário, os gregos beneficiaram já de um enorme perdão de dívida (superior a cem mil milhões de euros), pagam os juros mais baixos e a mais longo prazo do espaço comunitário e estão até isentos de taxa de juro nos primeiros dez anos de reposição do empréstimo à Comissão Europeia e ao Banco Central Europeu.
      Apesar disso continuam, no entanto, a ser recordistas europeus em fuga aos impostos e em greves gerais.
      Nós, portugueses, contribuímos para o fundo de resgate grego. Convém não esquecer. Eu contribuo. Você (presumo) também.

  9. Ou são coerentes com o que prometeram ou não vale a pena haver eleições. Afinal, o homem quando nasce, é para pagar os erros dos seus políticos ou é para viver com dignidade? A UE não protege os seus cidadãos, oprime-os, castiga-os, como se fossem os povos os culpados e não, os seus governantes. Castiguem quem geriu mal, a banca e todos aqueles que enriquecem à custa da escravidão e também a UE e o BCE que mandavam dinheiro e incentivava ao gasto e agora exigem. O dinheiro existe mais que nunca, está é mal distribuído. Se a Grécia apontar o dedo, fá-lo com todo o direito porque sabem que eles e nós também, não temos como pagar a dívida, como eles querem. Dignidade exige-se e essa dignidade, anda pelas ruas da amargura.

    1. 1. “Ou são coerentes com o que prometeram ou não vale a pena haver eleições.” Certo. Há eleições nos 28 países da UE. A esmagadora maioria desses eleitores não quer dar nem mais um cêntimo para os cofres gregos. Já basta. Um eleitor do Syriza – que, recorde-se, vale apenas 36% dos sufrágios gregos – não tem mais direitos do que qualquer outro eleitor do espaço comunitário. Nem consegue fazer impor os pontos de vista aos outros gritando mais alto, fugindo mais aos impostos ou fazendo mais greves gerais.

      2. E a propósito de promessas eleitorais. O novo Governo grego acaba de pôr algumas na gaveta. Esqueceu-se do anterior grito de guerra, emitido na noite de 25 de Janeiro: «A austeridade terminou!»
      Nada mais errado. A austeridade continua. Atenas acaba de solicitar o prolongamento do programa de assistência, recua na anunciada intenção de subir o salário mínimo em 28% e mete na gaveta a reivindicação sobre um perdão parcial da dívida.

      1. O governo grego é obrigado a pôr algumas na gaveta porque na UE não há pessoas com um pingo de vergonha, há carrascos que não recuam em nada, mas o povo se morrer à fome tudo bem. Atenas tem de dar ao seu povo dignidade que é o que falta, nesta CEE transformada numa UE, onde reina tudo, menos o humanismo. Já lhe ocorreu perguntar ao presidente o Eurogrupo, o porquê da dívida da Holanda nunca mais rebentar? Foi o próprio que o disse que seria uma catástrofe quando rebentasse. Alguém devolveu, tudo que o roubaram ao gregos e que anda exposto por esse mundo fora? Já alguém perguntou à UE porque razão a Irlanda tem um salário mínimo de 1500€ e podem ter esse direito ninguém os impede? Nada disto interessa, interessa, é martirizar os povos que não têm culpa dos desgovernos dos seus países. Os governantes é que têm de ser castigados e não os povos, cujos países não têm como pagar o impossível. A austeridade foi tão grande que levou ao suicídio, à desgraça, à fome, ao desespero e vamos carregar, mais, na mesma tecla. A isso chama-se matar em silêncio e devagarinho. Nós, nunca devíamos abrir a boca porque somos outros que não temos onde cair mortos, armados em valente e todos bons. Chega! Que haja alguém que grite bem alto que esta UE precisa de união e não de separação.

        1. “Suicídio, desgraça, fome, desespero.”
          Cenário de um filme de terror.
          Capaz de comover as pedras da calçada mas que tem o ligeiro inconveniente de não se ajustar à realidade.

          A Grécia entrou em 1981 na então Comunidade Económica Europeia. Recebe fundos estruturais há 34 anos. Em montantes anuais correspondentes a 3%/4% do seu PIB.
          Só desde 2010 recebeu 240 mil milhões de euros a juros muito baixos e com prazos dilatadíssimos de reembolso.

          Em 2012 a Grécia viu ser-lhe perdoada uma parte significativa da dívida (bancos, incluindo a nossa CGD, seguradoras, fundos de pensões), correspondente a 105 mil milhões de euros.
          A maior reestruturação de dívida de que há registo histórico.

          A Grécia tem um rendimento anual disponível ‘per capita’ de 20 mil dólares. Superior ao da Hungria, da Polónia, da República Checa e dos estados bálticos.

          Lamento, mas eu não choro pelos gregos.

          1. Vê-se que pela réplica que fez que ainda não está a par das notícias de hoje. Eu também soube agora, das declarações do Presidente da UE e vejo que há sintonia com o que escrevi. Lamento que não chore pelos gregos, oxalá que os outros chorem pelos gregos, pelos portugueses e por todos os amordaçados.

          2. Estou a par das notícias de hoje, sim.
            Eis algumas:
            http://www.theguardian.com/business/2015/feb/19/greece-requests-eurozone-loan-extension
            http://internacional.elpais.com/internacional/2015/02/19/actualidad/1424339269_115000.html
            http://www.ft.com/intl/cms/s/29c9a90a-b824-11e4-b6a5-00144feab7de,Authorised=false.html?_i_location=http%3A%2F%2Fwww.ft.com%2Fcms%2Fs%2F0%2F29c9a90a-b824-11e4-b6a5-00144feab7de.html%3Fsiteedition%3Dintl&siteedition=intl&_i_referer=http%3A%2F%2Fwww.ft.com%2Fhome%2Feurope#axzz3SDEPyHij
            http://www.theguardian.com/business/economics-blog/2015/feb/19/greece-runs-up-the-austerity-white-flag-in-brussels

          3. Óptimo, é bom que esteja. Não respondeu à questão do presidente do Eurogrupo, em relação à dívida do seu país. Enquanto nós, humanos, olhamos o outro, como mais uns que por sinal, são como nós e não queremos o bem desse povo, mostra o nosso egoísmo que em nada, abona o ser humano. Chega de Alemanha , chega de exploração dos povos do sul. Se querem castigar, castiguem os governantes e não o povo que esse não tem culpa de nada.

          4. Já que se interessa por estas questões, recomendo-lhe que não esteja só atento à Grécia. Repare também no que por estes dias vai acontecendo em França. O Governo socialista, nomeado e acarinhado pelo Presidente Hollande, prepara-se para aprovar um pacote de duras medidas de flexibilidade que inclji a liberalização dos despedimentos e um vasto programa de privatização de empresas nacionalizadas. Tudo para cumprir o Pacto Orçamental, que prevê um limite de 3% para o défice público.
            Um governo de esquerda e um presidente de esquerda.
            Só falta serem acusados também de perigosos neoliberais…

          5. Interesso-me pelo bem e dignidade das sociedades, não me interesso por políticos que se deixam ir atrás dos super ricos. A Holanda que pague também o que deve. Chega de corruptos e nós que somos um país de pobres, estamos ao lado dos ricos porquê? Haja dignidade e clarividência que há tão pouca ou nenhuma. Temos um governo de gente vendida e depois é a vergonha que ouvi hoje em que o ex presidente da UE, nunca falava da Troika. Nacionalidade desse grande homem português Durão Barroso. Ficamos sempre bem nas fotos. Defenderei sempre os pobres e os oprimidos……..

          6. Cumprimento-o por defender os pobres e oprimidos. É importante sermos solidários com quem de facto precisa do nosso gesto fraterno. Mas sugiro-lhe outros destinatários. Os gregos, com 20 mil dólares de rendimento anual ‘per capita’, estão muito longe desse padrão.

  10. Por uma vez na vida, era bom olhar-mos para a vergonha do nosso Portugal antes de tecer qualquer comentário.
    Somos uns pobrezinhos mas gostamos sempre de mostrar o lado : ” Madre Teresa de Calcuta”.
    A Grécia é pobre, é corrupta, não tem excrúpulos, é mentirosa, é egoista e é arrogante. Plenamente de acordo. E nós ? Sim, e nós que somos exactamente o mesmo ou piores ainda ?
    Procurem se estiverem na disposição claro, o comentário da ranhosa da Câmara de Lisboa, em video, sobre o alagamento de um café em Alcântara devido ás cheias em Lisboa.
    Não temos nada, não somos ninguem, mas para ficar bem na fotografia pagamos tudo com o sacrificio dos outros. Não sei se me fiz entender.
    E Portugal é melhor que a Grécia ?

  11. Ó Pedro Correia (desculpe dirigir-me assim),

    Nunca vi tanta asneira por letra teclada em todos os seus comentários/resposta a este seu post.

    Pare um bocadinho para pensar ou a sua credibilidade como comentador será avaliada pela Standard & Poors como lixo tóxico escrito.

    O Putin anda a financiar os movimentos extremistas na Grécia e em França.
    Tem de se distanciar um pouco do espírito de taxista/barbeiro/comentador-do-observador para evitar cair nestas pérolas de indigência intelectual.

    Pode custar-lhe muito (e aos outros defensores da austeridade-custe-o-que-custar) mas a situação política na Grécia mudou! Mas mudou mesmo. Ao ponto de levar anteriores responsáveis do Eurogrupo (refiro-me a Juncker) a declararem “(…) pecámos contra a dignidade dos povos (…)” referindo-se ao programa da troika implementado na Grécia, em Portugal e muitas vezes na Irlanda.

    Curioso mesmo é o papel de mais-papista-que-o-papa desempenhado pela inteligentsia neo-liberal nacional sobre um assunto que diz respeito, antes de tudo, à Grécia. Virá (breve) o tempo em que ficarão a falar sozinhos, pois até a voz do dono temperará o seu discurso a bem da estabilidade da zona euro.

    1. Deixe os chavões de lado e abra os olhos para a realidade, Makiavel.

      E o que nos diz a realidade?

      Confrontado agora com uma dramática contagem decrescente face à insolvência (fatalidade grega…), e com a banca grega ligada à máquina (isto é, dependente de uma remessa de emergência do BCE), o novo executivo de Atenas acaba de fazer tábua rasa de algumas das mais emblemáticas promessas eleitorais. De uma assentada solicita a extensão do programa de assistência, mete na gaveta o anunciado aumento do salário mínimo e deixa de reivindicar o perdão parcial da dívida.

      Eu sei que a realidade é incómoda. Mas de vez em quando convém olhar para ela.

      1. —- Início da mensagem reencaminhada —-
        De: Carlos Nÿfffffffffffffffff3brega<‘cfbns98@yahoo.com’>
        Data: 19/02/2015, 17:09:02
        Para: noreply@blogs.sapo.pt<‘noreply@blogs.sapo.pt’>
        Assunto: Re: Delito de Opinião – Novo comentário
        Deixe a cartilha neo-liberal e analise a realidade com seriedade intelectual.
        Uma negociação é feita de ajustes e cedências.
        É curioso que destaque as cedências (ainda por confirmar) por parte do governo grego e ignore por completo a cedência que é a crítica feita por Juncker à actuação da troika nos países intervencionados. Curioso é também aparecerem nos media apenas as cedências da parte grega.
        “Fazer tábua rasa de algumas das promessas eleitorais mais emblemáticas”. Para além do facto de algumas dessas promessas nem sequer terem sido proferidas pelos próprios, antes apresentadas pelos seus adversários como sinais do apocalipse que aí viria (passou nos media a ideia de saída do euro como uma reivindicação do Syriza, as actuais negociações desmentem-no), é curioso que considere essas cedências como derrotas do governo grego e não como um processo negocial normal. E omita o facto do pedido de extensão do programa de assistência ter sido solicitado com outras condições, ainda em negociação. Na omissão de pormenores é que se vê a seriedade da análise.
        Assistimos a este facto curioso que é tentarem obrigar um país a permancer numa união monetária em condições que esse país já rejeitou em eleições.
        Em matéria de brincadeira de crianças, não sei quem é mais irresponsável: se a Grécia a não querer ficar no Euro nas condições que lhe impõem, se a Alemanha a deixar que a Grécia saia.
        A realidade é, de facto, incómoda. O falhanço do programa da troika na Grécia entra pelos olhos a dentro de quem não sofre de cegueira tecnocrática. Como explicar que um partido apelidado de radical tenha ganho as eleições? Resposta: degradação social e económica extrema, como comprovam as estatísticas.

        1. Espero sinceramente que o senhor Juncker não seja o seu novo herói. As lágrimas de crocodilo que ele hoje veio chorar, vestindo momentaneamente a pele de “polícia bom”, não podem fazer esquecer que, enquanto presidente do Eurogrupo, ele foi solidário a 100% e conivente activo com as políticas traçadas pelo triunvirato – FMI, BCE e Comissão Europeia – para a Grécia, Irlanda e Portugal.
          Mais: enquanto primeiro-ministro do Luxemburgo, ele foi também conivente com inaceitáveis práticas de evasão fiscal por parte das maiores multinacionais a operar no continente europeu. Não pode ser o herói de ninguém, diga ele agora o que disser – tarde e a más horas.

          1. Não dispare em todas as direcções para esconder as falhas do seu argumentário. A melhor maneira de não falar de um assunto é falar de muitos. E a técnica da crítica ad hominem para desacreditar quem emite uma opinião (falo de Juncker, claro) é muito velha e só revela fraqueza de quem a faz.
            Não tenho heróis, muito menos o sr. Juncker. Apenas referi um facto da maior relevância para demonstrar a viragem (chame-lhe cedência, o que quiser) existente em parte das instituições europeias, e que o seu comentário ignorou por completo. Aliás, esta declaração está na ordem do dia do comentário político, tendo já merecido uma declaração do porta-voz do amanuense português de Schauble; mas a si o que lhe interessa é comentar as “cedências” do governo grego ao espírito “o que tem que ser tem muita força”. Escolhas…

          2. Não disparei em todas as direcções, você é que o fez antes. Eu concentrei-me no perfil do senhor Juncker, aliás convocado por si para este debate. Não fui eu que o chamei: foi você. Esquecendo que, enquanto presidente do Eurogrupo, ele foi conivente com tudo quanto diz rejeitar agora.
            Juncker que por sinal até agora era diabolizado por quase toda a esquerda europeia e hoje, por ter chorado umas lágrimas de crocodilo, já é levado em andor pelos mesmos que o diabolizavam. Isto mostra bem a crise de heróis de que padece o imaginário europeu.

          3. Isto está a parecer um diálogo de surdos. Ou não percebe ou não quer perceber. Por convocar o sr. Juncker não quer dizer que passe a ser um herói. Apenas serve como exemplificativo da viragem (ou cedência, chame-lhe o que quiser) por parte de uma das partes da negociação com a Grécia, e que você, olimpicamente, ignorou em detrimento da sobrevalorizada e aguardada cedência por parte da Grécia, no seu texto inicial.
            A sua resposta foi um conjunto de considerações sobre a honorabilidade do declarante, levantamento de suspeitas sobre fugas ao fisco, etc… Enfim, disparou para todo o lado e falou de tudo, desviando-se do assunto, convenientemente.
            É neste contexto que eu refiro as declarações de Juncker, que causaram um visível mal estar junto do porta-voz do governo português, conhecido peão-de-brega de Merckle/Schauble. Ainda hei-de ver a vergonha de representantes do governo português assumirem posições já abandonadas pelos seus mentores ideológicos alemães, após chegarem a um acordo com a Grécia. O apoio acrítico vai dar nisso, certamente.

          4. Isto está a virar conversa da treta.
            Também sou português e europeu. Quanto a fobias a povos, a única que vi aqui nestes comentários veio da sua parte em relação aos gregos, com generalizações à la Rodrigues dos Santos. Deve ser isso a que se refere quando se afirma europeu.
            Enfim, a sua opinião inicial foi manifestamente ultrapassada pelos acontecimentos recentes. O governo grego chegou a acordo com o eurogrupo. Se acha que as declarações de Juncker não tiveram nada a ver com este desfecho, sugiro que se dedique a comentar outros assuntos, por manifesta inépcia nesta matéria.

          5. De que planeta acaba você de desembarcar?
            A economia grega ganha quatro meses de respiração assistida, num momento em que fica bem evidente que não consegue subsistir com autonomia.
            Pelo meio, várias promessas eleitorais do Syriza são arquivadas:
            – Fim do programa de assistência financeira;
            – Conferência europeia para a supressão parcial da dívida;
            – Dívida remanescente indexada à taxa do crescimento económico;
            – Moratória para o serviço da dívida;
            – Reposição do salário mínimo;
            – Electricidade grátis para 300 mil famílias;
            – Aumento do investimento público em 4 mil milhões de euros;
            – Exigência à Alemanha do pagamento de indemnizações de guerra.

            Só ontem, sexta-feira, voaram dos bancos gregos mil milhões de euros em depósitos.
            Confrontado com gravíssimos problemas de tesouraria e com a quebra acentuada das receitas fiscais, sem acesso a financiamento externo autónomo, o executivo de Atenas cedeu a todas as exigências da Alemanha, apesar das bravatas para consumo propagandístico.

            E agora?
            A Grécia tem um prazo de 72 horas para apresentar um plano de novas medidas de contenção financeira que deverá merecer o aval do Banco Central Europeu, da Comissão Europeia e do Fundo Monetário Internacional. E vai ter que governar com o memorando assinado em 2012 pela antiga coligação governamental.

            O que dizia o Syriza antes das eleições?
            Que com eles no governo os credores deixavam de ditar as regras, nomeadamente quanto à exigência do ajustamento orçamental.
            Nada mudou de essencial.
            Se isto é “soberania nacional”, como a extrema-esquerda e a extrema-direita grega reivindicavam na campanha eleitoral, vou ali e volto já…

            Isto são factos.
            Prejudicam a retórica ideológica? Lamento. Mas os factos têm uma força imparável – superior a toda a retórica.

          6. Vejo que esteve presente nas negociações, tal o nível de detalhe das condições do acordo que diz saber. Não me diga que estou dialogando com o assessor da ministra-amestrada das finanças portuguesa?
            No comentário não vale mentir…

  12. Eis o típico discurso tomado emprestado dos fazedores de opinião ao serviço dos interesses dos mercados e dos governos lacaios! Insisto: conheça a realidade grega no terreno… reflicta e depois fale! Se quiser!

    1. Conheço a Grécia.

      Membro da Europa comunitária desde 1981, a Grécia fez sempre parte do problema e não da solução. Basta reflectir neste simples facto: um país que contribui apenas com cerca de 2% do PIB da União Europeia tem ocupado, mais do que nenhum outro, as manchetes da imprensa mundial sempre por maus motivos.
      Não nos últimos meses, mas nos últimos anos. Longos anos já.

      A Grécia mentiu sobre o défice das contas públicas aos parceiros comunitários. Quando o socialista Papandreu venceu as legislativas de Outubro de 2009 verificou que o défice real, herdado do governo conservador da Nova Democracia, ascendia aos 12,7%: nada tinha a ver com os 6% comunicados oficialmente a Bruxelas.

      O país entrou em pré-bancarrota.
      Em absoluto estado de necessidade, contratualizou dois empréstimos de emergência, negociados por Atenas em condições muito precárias com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional. Em Maio de 2010 e em Outubro de 2011. Para o envio de 240 mil milhões de euros aos gregos, a troco de um brutal plano de austeridade.

      O país passou a fazer parte da solução? Não. Continuou a ser parte do problema.
      Sem fazer as reformas indispensáveis no sistema tributário e no chamado “Estado social” – inesgotável sorvedouro de recursos públicos.
      Em 2012, quando o fundo de pensões IKA – entidade responsável pelo pagamento das pensões de reforma gregas – decidiu fazer um censo entre os seus beneficiários verificou que tinha ocorrido um extraordinário aumento do número de “mortos” face ao período homólogo anterior: mais 34 mil em cinco meses. Destes, 32 mil eram falsos óbitos.
      Esquemas montados para sacar dinheiro ao falido Estado grego. Isto é, às entidades credoras. Isto é, a todos nós.

      A Grécia, não esqueçamos, detém o lamentável recorde europeu de evasão fiscal:
      http://www.telegraph.co.uk/finance/financialcrisis/8585593/Greece-loses-15bn-a-year-to-tax-evasion.html

      Conheço a Grécia. E sei que ninguém conseguirá ajudar os gregos se eles não começarem por ajudar-se a si próprios.

  13. Ainda sobre a Grécia e porque não me entendeu no ultimo comentário…..

    O decálogo de Abraham Lincoln

    Você não pode criar prosperidade desalentando a Iniciativa Própria.

    Você não pode fortalecer ao débil, enfraquecendo o forte.

    Você não pode ajudar os pequenos, esmagando os grandes.

    Você não pode ajudar o pobre, destruindo o rico.

    Você não pode elevar o salário, pressionando a quem paga o salário.

    Você não pode resolver seus problemas enquanto gasta mais do que ganha.

    Você não pode promover a fraternidade da humanidade, admitindo e incitando o ódio de classes.

    Você não pode garantir uma adequada segurança com dinheiro emprestado.

    Você não pode formar o caráter e o valor do homem lhe tirando sua independência (liberdade) e iniciativa.

    Você não pode ajudar aos homens permanentemente, realizando por eles o que eles podem e devem fazer por si mesmos.

    Leia mais em: O decálogo de Abraham Lincoln – Metamorfose Digital http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=3214#ixzz3SCuDo4ZP

    Tal como a Grécia, também nós deveriamos fazer as coisas por nós mesmos.
    Eles não conseguiram tapar mais pois o tecido ficou curto e quanto a nós o tempo o dirá.
    Ou o Sr. acha que o nosso défice é verdadeiro ?

    1. Respeito a sua opinião. Sobretudo quando está alicerçada no pensamento do grande Abraham Lincoln, o melhor presidente americano de todos os tempos.
      Apesar de eu preferir uma tradução do pensamento dele em português de Portugal.

  14. Parece-me que o herói da semana é este senhor:

    http://www.independent.co.uk/news/world/europe/juncker-rides-out-more-luxleaks-revelations-9916459.html

    http://www.euractiv.com/sections/eu-priorities-2020/juncker-admits-he-weakened-luxleaks-310704

    Está a ser esperto, contando com o facto de muita gente só querer ouvir o que gosta, se vier de alguém que ainda há tempos criticavam é igual.

    Nota- O “Decálogo de Abraham Lincoln” não é dele.
    Foi escrito pelo reverendo William J.H. Boetcker, um presbiteriano norte-americano de origem alemã(1873-1962), que o publicou em 1916.
    Isso não o torna menos respeitável e justo, claro.

    1. À medida que os dias passam, aumentam as probabilidades de a Grécia abandonar o sistema monetário europeu. O anunciado aumento da despesa pública contrariando o estipulado no programa de assistência financeira em Atenas funciona como ‘cocktail’ perfeito da implosão do euro no país.
      O executivo Tsipras caminha sobre uma camada de gelo fino. Sabe que o país está à beira de esgotar as reservas financeiras. Sabe que as dívidas fiscais e à segurança social têm aumentado exponencialmente nos últimos meses, tendo já ultrapassado os 70 mil milhões de euros.
      Falta ver se recua ou se afunda. É difícil vislumbrar uma terceira hipótese.

  15. Acabo de ver a grande reportagem da SIC e é comovente ver, como cumprimos as ordens da Troika, esquecendo a pobreza humana ou seja reduzindo o outro à infelicidade total. Era bom que este filme fosse passado no parlamento Europeu, para verem o que é a miséria num país que cumpriu as ordens duma Troika desumana que pôs as pessoas na miséria e não pagou dívida nenhuma. Bem Haja Juncker que acordaste tarde, mas vale mais tarde que nunca.

    1. Espero sinceramente que o senhor Juncker não seja o seu novo herói. As lágrimas de crocodilo que ele hoje veio chorar, vestindo momentaneamente a pele de “polícia bom”, não podem fazer esquecer que, enquanto presidente do Eurogrupo, ele foi solidário a 100% e conivente activo com as políticas traçadas pelo triunvirato – FMI, BCE e Comissão Europeia – para a Grécia, Irlanda e Portugal. Mais: enquanto primeiro-ministro do Luxemburgo, ele foi também conivente com inaceitáveis práticas de evasão fiscal por parte das maiores multinacionais a operar no continente europeu. Não pode ser o herói de ninguém, diga ele agora o que disser – tarde e a más horas.

      1. Ele próprio fez referência que enquanto presidente do Eurogrupo falhou. Aqui não há heróis, mas podem haver salvadores dos desfavorecidos e se os houver estarei com eles. Com o nosso governo garanto-lhe não estarei porque já mostrou, por A+B que de política, macro e micro economia nada sabem. São uns falhados à procura do poleiro no BCE, FMI, UE, dos grandes grupos económicos e depois, quando lá chegam, é só asneiras. Lembro-me, como se fosse hoje de Victor Gaspar dar a mão à palmatória, dizendo que tinha errado nas medidas que implementou por isso se demitia. O engraçado de tudo isto, é que hoje, ao contrário de ontem, os que falham, são premiados. Victor Gaspar, pelo seu falhanço, foi premiado com um lugar no FMI com 23000€. Isto é fantástico.

  16. Citando-me: “É natural que a electricidade seja cortada a clientes que não paguem, dado que a electricidade não é gratuita. Mas já não é natural que 300.000 famílias gregas não tenham dinheiro para pagar a conta de electricidade, não é certamente assim que se consegue aumentar a competitividade de um país. É vergonhoso que se tenha chegado a esta situação e este é mais um indício da natureza errada das políticas aplicadas na Grécia.” Bem razão tem o Juncker ao dizer que se atentou contra a dignidade dos Gregos, dos Portugueses e muitas vezes dos Irlandeses.

    1. Confirma-se que Juncker é o herói do dia.
      O defeito será porventura meu, mas julgo que o presidente da Comissão Europeia nada disse em desabono das políticas de austeridade ou da consolidação das finanças públicas, nem carpiu mágoas sobre o sofrimento dos gregos: limitou-se a aludir à pretensa ilegitimidade formal da ‘troika’ nos processos de intervenção na Grécia, Irlanda e Portugal. Porque a ‘troika’ era composta por funcionários da CE, do FMI e do BCE, carecendo portanto de relevância política e de autoridade democrática face aos governos eleitos nos três países.
      Descobriu isto com cinco anos de atraso. Caso para dizer, no mínimo, que é pessoa de reflexos lentos.

      1. Vale mais ter reflexos lentos do que nunca os ter, é assim que funciona o ser humano que reflecte e não de homens que fazem asneiras, atrás de asneiras e dizem que nunca erram. Destes, é que temos de ter muito cuidado porque estes é que são os perigosos. Jucker foi claro quando disse que as medidas implementadas fizeram sofrer os países intervencionados. No meio de tudo isto é haver gente que diz que tem de ser assim e não pensam que não se podem martirizar seres humanos porque os que os governaram só faziam asneiras em conluio com UE, BCE. A UE incentivou ao gasto e não viu, se havia ou não hipótese, de um dia, aquele dinheiro ser pago? Eles jamais estarão isentos de culpa, coniventes e incentivaram aos gastos.

        1. Fica bem a Juncker, este ‘mea culpa’. Pena não ter dito nada contra os técnicos da ‘troika’ quando era presidente do Eurogrupo.
          O problema dos défices orçamentais não é técnico, é político. Foram políticos irresponsáveis que esvaziaram os cofres públicos como se não houvesse amanhã e colocaram os respectivos países à beira da bancarrota.

          1. Certíssimo, foram os políticos que arruinaram os países e não os cidadãos, disse bem. Castiguem os políticos que destruíram, o que não era deles. É que isto, dos políticos destruírem, fazerem tudo enquanto lá estão, para terem um bom futuro e o povo pagar o que eles destruíram, não pode continuar. Erraram paguem pelos erros que fizeram.

          2. Isso não são castigos. Quando estão lá, para se governarem a eles e deixarem o país na miséria, merecem castigos a valer. Prisão se for caso disso.

          3. Na política, em democracia, o primeiro castigo é o do voto que se rejeita. Isso compete aos eleitores. O resto compete aos tribunais.

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