Penso rápido (64)


Pedro Correia,

Já li mil textos a profetizar o desmembramento da União Europeia e a derrocada do euro. Enquanto esses textos se sucediam a um ritmo imparável, a União Europeia alargava-se continuamente (passando de 12 países em 1986 para os 28 actuais). A mais recente adesão foi a da Croácia, em 2013. E o euro ia conquistando terreno: já nesta segunda década do século XXI passou a circular oficialmente nos estados bálticos (Estónia, Letónia, Lituânia).
Nenhum estado-membro, por decisão soberana, decidiu abandonar a UE. Pelo contrário, quase metade dos países comunitários (13 em 28) aderiu de 2004 para cá. E vários outros já bateram à porta, aguardando resposta favorável: Turquia, Montenegro, Macedónia, Islândia, Albânia e Sérvia.
Nenhum deles, vá-se lá saber porquê, deu ouvidos aos profetas da desgraça.

0 comentários em “Penso rápido (64)”

  1. Este seu rápido pensamento, Pedro, só vem demonstrar o que temos vindo a discutir ali mais abaixo.
    Significa isto que a sobrevivência desta Europa, e da Alemanha em particular, só ocorre pela extensão desta mesma Europa e nunca numa manobra de isolamento.

  2. Têm de ler, por lá, a carta dos 32, e até ficam com as perninhas a tremer.

    “Não temos dúvidas de que a Europa vive uma situação difícil, pelas tensões militares na sua periferia e pelos efeitos devastadores de políticas recessivas que geraram desemprego massivo, o aumento do peso das dívidas soberanas e deflação, abalando assim os alicerces de muitas democracias.”

    Gostei especialmente do “massivo”.

    1. Enquanto esses 32 simpatizantes do Syriza escreviam mais uma cartinha, a banca grega perdia mais uns milhões. Já perdeu 6,4 mil milhões do seu valor em bolsa desde a eleição de 25 de Janeiro.
      Por vezes convém sublinhar o óbvio já que andamos tão entretidos a comentar a espuma.

  3. Vá lá perguntar aos islandeses se ainda querem entrar… O governo islandês decidiu suspender o pedido em 2013, e remeteu qualquer evolução futura para um referendo que ninguém, pelos vistos. tem pressa de fazer.

    E os turcos também já pareceram mais entusiásticos, não?

    Pedro Correia, uma coisa é a ideia e o ideal de uma Europa unida, outra é a forma como essa união tem sido gerida e como afectou aquilo que de facto interessa: a vida das pessoas. A união, de facto. Especialmente quando a proverbial merda acertou na ventoínha.

    1. Caro L. Rodrigues, paremos um instante para pensar. Se a Islândia não entrar perdem mais os islandeses ou perde a UE?
      Julgo que a resposta é óbvia.
      Quanto à Turquia, eles bem quiseram mas não reuniam condições. Podem agora dizer que já não querem mas a verdade é que foram rejeitados. E bem.

      1. Caro Pedro Correia,
        Pare para pensar, e vá ver qual foi a resposta Islandesa à crise financeira, e qual a que estariam obrigados com as nossas troikas e laroikas.

        E já agora, como reagiu a economia Islandesa e a nossa.

        1. Caro L. Rodrigues. Parei para pensar e concluí o mesmo: prefiro fazer parte da Europa comunitária mesmo que seja politicamente correcto dizer mal da UE. Não me apetece ser islandês.

          1. Está a fazer-me lembrar um dos escribas do Blasfémias que há uns anos dizia que mesmo que o liberalismo deixasse toda a gente na miséria, seria sempre superior, porque tinha no centro o valor supremo da liberdade. (Ou coisa parecida)

          2. Isso é um disparate, não faz o menor sentido. Mas de que “miséria” estamos a falar? Da Grécia, com rendimento ‘per capita’ de 18 mil dólares?

          3. Não seja tão literal.

            Defender que um liberalismo que causa miséria (por hipótese) é superior porque preserva a liberdade, é ignorar que a miséria é uma prisão.

            Da mesma forma, defender a UE que temos, porque assim não andamos à estalada, é ignorar que é esta classe dirigente e esta ordem Europeia que anda a alimentar nacionalismos e separatismos com as suas decisões insensatas.

            O problema não está na ideia de UE, mas naquilo em que se tornou, com os sucessivos tratados e a moeda única mal parida. É por isso que um Europeísta convicto como eu tem de ser crítico.

          4. Um europeísta convicto tem de ser crítico, sim. O espírito crítico faz parte da cultura europeia. Mas a crítica deve ser feita, acima de tudo, aos populismos identitários, aos nacionalismos extremistas, à cultura xenófoba em ascensão, ao egoísmo separatista transformado em bandeira política. Tudo isto representa um enorme retrocesso na Europa. Por desenterrar os piores fantasmas da História do continente, escrita em letras de sangue ao longo do último milénio.
            A UE, agora tão criticada, foi um dique contra estes extremismos que vão despontando um pouco por toda a parte impulsionando “lideranças carismáticas” e “homens providenciais”.
            Se isto continua, não tardaremos muito a sentir saudades das actuais lideranças sem carisma que tomam assento no Conselho Europeu, em Bruxelas.

  4. Os factos que apresenta são irrefutáveis; mas diria que uma boa definição de História é precisamente a inabilidade de cada época para dar ouvidos aos profetas da desgraça. Quantas tragédias só no século XX se podiam ter evitado se algumas pessoas tivessem, pelo menos, entretido por momentos a possibilidade de estes adivinhos estarem certos, em vez de se entrincheirarem nas suas certezas.

    Só porque países continuam a querer entrar para a UE não significa que não haja problemas dentro dela, pode apenas significar que são demasiado cegos para verem o que se aproxima. Só porque ninguém abandona o euro não quer dizer que funcione, pode apenas significar que é demasiado tarde para o fazer e as consequências seriam piores. O facto de as nações agora estarem sequestradas dentro destas redes de relações, sem hipótese de fuga, é em si um indício do problema. As relações deviam ser consensuais e reversíveis; o que hoje há é a relação do escravo que pode escolher servir o mestre e subsistir, ou fugir a meio da noite sem saber o que lhe acontecerá na manhã seguinte. Isso não me parece uma escolha saudável, espiritualmente falando.

    1. Caro Miguel:
      Ninguém diz que não existem problemas dentro da UE. A questão no entanto deve colocar-se, como sempre em política, no campo das alternativas.
      A UE – nunca é de mais sublinhar – é uma das raras experiências bem sucedidas ao longo de mil anos de política europeia quase sempre desastrosa, infestada de morticínios de toda a espécie e das guerras mais sangrentas de que há memória.
      Eu prefiro ver Angela Merkel e François Hollande lado a lado, falando em uníssono, tentando poupar a Ucrânia aos horrores da guerra do que ver Paris e Berlim em guerra como aconteceu durante tantos anos (1870-71, 1914-18, 1939-45, por exemplo). Esse é o espírito da UE no seu melhor. Isso é o que eu valorizo. Porque nunca devemos ficar indiferentes às lições da história que regressam sempre para nos sobressaltar.

      Os profetas da desgraça tendem a diabolizar quem está próximo, mesmo que seja um irrepreensível democrata, e a condescender com quem se encontra mais distante, mesmo que seja um comprovado tirano.
      Recordo que entre os notáveis detractores de Churchill durante a década de 30 – em que alertou os britânicos para a necessidade de rearmar o Reino Unido – destacaram-se John Maynard Keynes e Bertrand Russell. O primeiro, já com Hitler no poder, justificou perante a opinião pública em Londres a atitude dos alemães, apontando o dedo acusador ao Tratado de Versalhes, que procurou impor uma “paz cartaginense” a Berlim. Russell, um pacifista de sempre, preferiu traçar cenários de horror no caso de um suposto ataque nazi à capital britânica: “Bastam 50 bombardeiros de gás para envenenar Londres inteira”, declarou em 1934.
      Estes intelectuais prepararam o terreno para a “paz com honra” assinada por Neville Chamberlain com Hitler em Munique, 11 meses antes do início da II Guerra Mundial. “Teremos a desonra – e a guerra”, advertiu Churchill na altura. Cheio de razão antes de tempo.

      1. Estadista de grande visão, Churchill nem sempre foi compreendido e foi bastas vezes detractado.
        O tempo provou que teve quase sempre razão e quase nunca se enganou.
        E estou plenamente de acordo com este penso Rápido e ainda mais com esta resposta.
        BFS

        1. A grande visão dele cegou em 1954, quando pediu aos EUA para conduzirem um golpe de estado na democracia iraniana, para protegerem os interesses da empresa hoje em dia conhecida como BP; no lugar de um primeiro-ministro democrata e laico colocaram um Xá despótico que deixou a população a viver na miséria enquanto vendia os recursos do país aos estrangeiros, ao desbarato; tão insuportável se tornou a situação, que em 1979 uma revolução islâmica fundamentalista – num país que costumava ser pró-ocidental e progressista até 1954 – o derrubou e instituiu uma teocracia que impera até hoje. Os iranianos ainda hoje sofrem da grande visão do Senhor Liberdade

          Ei, mas o gajo combateu o cabrão do Hitler, não é, por isso está tudo perdoado! Protege-se uma democracia, lixa-se outra; restaura-se a ordem na Europa, deixa-se o Médio Oriente de pantanas durante 60 anos; yin e yang , certo?

      2. Engraçado, quando mencionei que se devia ouvir mais vezes os profetas da desgraça, tinha em mente precisamente os avisos de Churchill. A história deu razão a essa Cassandra.

        Ainda é demasiado cedo para sabermos quem terá razão neste assunto da austeridade europeia, mas pelos factos que tenho à minha disposição, extrapolo que acabará por se dar razão, talvez não a todas, mas a várias das previsões destes profetas. Mas não nos aferremos demasiado a certezas por agora; vamos esperar pelos livros de história que se escreverão daqui a 30 anos. Até lá tudo isto é conversa da chacha.

        Já agora, acho que é demasiado duro para com Keynes e Russell . O bom filósofo, como muitos então, ainda tinha viva a memória da mortandade de 14/18; muitas dessas pessoas viviam, por assim dizer, num trauma de negação; ninguém queria conceber a hipótese de uma nova guerra, e era melhor fingir que o problema de Hitler se resolveria sozinho se o ignorassem. H.G . Wells foi outro que acreditou nessa ilusão, e por isso foi bem criticado pelo sempre arguto Orwell . Como o admirador que é, já deve conhecer o ensaio:

        http:/ orwell.ru library reviews wells english /e_whws

        Eu tento olhar para Russell com tolerância; acho que o sentimento dele foi bastante normal dento do comportamento humano.

        Quanto ao Keynes , bem, a forma como os Aliados trataram a Alemanha após 1945 prova, implicitamente, que o Tratado de Versalhes foi um fiasco. Desta vez tiveram a boa ideia de não sobrecarregar um país demolido, moralmente abatido, com dívidas e imposições; em vez disso perdoaram as dívidas, injectaram dinheiro na economia, reconstruíram o país, mostraram aos cidadãos uma alternativa ao comunismo, acolheram-nos no mundo moderno em vez de os ostracizarem com recriminações emitidas do pódio do vencedor. Basicamente, fizeram o oposto do que se fez com o Tratado, de forma a garantirem que a Alemanha não voltaria a ter as condições para criar outro lunático que seduziria a população com radicalismos. É quase como um reflexo do que se passa na Europa de momento. Talvez o erro de Keynes tenha sido denunciar a paz cartaginense nos anos 30, em vez de em 1919. Mas foi preciso ver na prática os erros dela para se perceber porque não devia ser repetida. Por isso acho que o economista também merece alguma tolerância, e talvez mais reflexão nos tempos hodiernos.

        1. Só para dizer que li os seus comentários e que concordo com eles pois argumentou e bem !

          É obvio para quem sabe o que passa e tem uma atitude isenta perante os FACTOS, que ou a situação actual muda na Europa ou a Europa como a conhecemos até á bem pouco tempo será mudada por ela, restando saber se quem defende o actual estado pantanoso e ao mesmo tempo radical estará disposto a lutar (na acepção ) da palavra por ele.

          É obvio que quando os Países são pisados e as suas populações tratadas como seres inferiores surjam vias redentoras (nesses Países) de que o Siryza é um exemplo mas Soft , em França há um exemplo diferente (a FN ), na Grécia existe a Aurora Dourada, Inglaterra sempre teve um pé fora, em Espanha temos o Podemos, a Hungria é hoje um estado governado por nacionalista hard-core (para dizer o mínimo).

          Os métodos usados apenas tem servido para a Banca Internacional limpar os balanços e alguns Estados da UE atingirem níveis de crescimento e independência económica nunca antes sonhados e porem-se em bicos de pés para competirem sozinhos no mercado mundial tentando manter-se na linha da frente servindo-se dos fracos (na Europa) para ficarem ainda mais fortes.

          É obvio que se não forem traçados novos caminhos (mais justos / mais solidários) menos radicais temo por um futuro próximo ainda pior que o actual presente.

          1. E no entanto todos os dias vem gente de fora da Europa em demanda dos níveis mínimos de prosperidade que lhes possam ser proporcionados por este continente em que vivemos.
            Ainda hoje surgiu a notícia de mais de dois mil pessoas oriundas da Líbia e que aportaram em Itália num barco com lotação mais que esgotada.

        2. Veio muito a propósito essa sua chamada de atenção para a polémica Wells/Orwell. O primeiro, tão visionário na sua ficção, revelava uma espantosa miopia política. O segundo, pelo contrário, acertou sempre no essencial. Sabia ver à distância, como é próprio dos grandes pensadores.

  5. Curiosamente ninguém neste jardim à beira-mar plantado se parece ter dado conta de que o euro tem vindo progressivamente a ocupar o lugar do dólar (ou
    pelo menos a equiparar-se a ele) em muitos países onde aquele sempre foi a “moeda forte” e não a local.

    Em África, na Ásia ou na América Latina paga-se hoje com euros como se paga com dólares.

    Não é assim por acaso que os EUA andem a tentar acordos financeiros e comerciais de longo prazo com a UE pois, para além dos problemas internos que atravessam e de estarem vada vez mais “obrigados” a comprar coisas aos chineses (*), ainda se vêm confrontados com esta progressiva falta de confiança no dólar.

    Mas para o perceber tem que se ír mais longe do que a leitaria da esquina
    (ainda as há ou agora é tudo “milk shop”?).

    Quanto à Islândia, citada acima.
    A Islândia viveu essencialmente da pesca até 1990 e do crédito e da banca depois disso, muita gente lá ía meter o dinheiro, uma “Suiça” de 2ª.
    Entretanto atravessou a crise que atravessou por causa disso mesmo – da qual ainda não saíu, basta lá ír – e houve muitas histórias mal contadas aí pelos nossos jornais, como continua a haver.
    A indústria recompôs-se muito mas vive essencialmente de 2 sectores.

    No entanto a Islândia é um exemplo que fica bem mas que vale o que vale.
    A Islândia tem 320 mil habitantes e portanto mais 12% que o Arquipélago da Madeira e mais 30% que o Arquipélago dos Açores e recebe 600 mil turistas por ano, compará-lo com qualquer outro país da UE só é respeitável desde que se respeitem as proporções.

    Também podíamos receber uns 20 milhões de turistas e a Espanha uns 90 milhões, ajudava às contas e justificava a manutenção de muito emprego.

    Se para além deste aspecto específico nos lembrarmos (ou fôrmos estudar) que os seus principais parceiros comerciais e “turísticos” são a Grã-Bretanha e os países nórdicos, por razões óbvias, talvez seja mais fácil de compreender por que é que preferem estar “livres” da UE mas continuarem agarrados à GB, claro.

    Repito: basta lá ír, ponham “cheap flights Lisbon-Reykjavik” na pesquisa do Google.

    (*) A China tinha em Setembro do ano passado 10% da dívida pública americana e mais de 20% da dívida pública nas mãos de estrangeiros.
    Não sei bem como é que uma situação destas seria tratada entre nós, onde os chineses comprarem uma empresa privada é um crime de lesa-pátria, mas imagino que deixaria muita gentepor aí engasgada.

    1. É como diz: a escala populacional da Islândia torna-a irrelevante nesta discussão. Governar um país de 300 mil pessoas ou um país de três (ou dez ou cinquenta) milhões são realidades incomparáveis.

  6. Em tempo.

    Só um artigozinho, que a malta cansa-se depressa se fôr muita coisa.

    O artigo é de 11 de Dezembro de 2008, quando os acontecimentos estavam frescos e portanto não dava ainda para virmos contar aqui as histórias que hoje nos convém contar, contando com a memória curta dos outros:

    http://www.economist.com/node/12762027

  7. Tem razão, Pedro.
    Montes de textos profetizavam o desmembramento, e outros tantos a estabilidade e crescimento na zona euro.
    O facto de criticar apenas uns, porque o desmembramento não se deu, não acrescenta um ponto ao crescimento e estabilidade.

    Se falamos ainda disto, é porque a situação não melhorou um chavo na periferia, e todos os coristas da ” Europa dos amanhãs que cantam”, andam a repetir o mesmo refrão desde 2010.

    O euro está ligado à máquina, e vai-se confrontar com a urna.
    A primeira urna a falar foi a grega, vão seguir-se outras.

    Quanto aos novos países aderentes, da zona da Grande Prússia, convém não esquecer que o pedido de entrada da Lituânia, desde 2006, veio agora alterar o sistema de votação no euro-grupo.

    1. Caro da Maia: os profetas da desgraça sucedem-se aos magotes nas tribunas televisivas e nas colunas dos jornais. É uma questão de mercado. Fazer previsões catastróficas dá melhores cotações na bolsa da opinião públicada – logo, origina ‘cachets’ mais generoso.
      Há um ano, por cá, profetizavam a “espiral recessiva”. Ou o “segundo resgate”. Ou mesmo um ‘default’ português a originar o colapso do euro, como num castelo de cartas. A realidade vai-se encarregando de os desmentir, mas jamais alguém espere deles um ‘mea culpa’.
      Pelo contrário, deles esperaremos sempre aquele brado final de Kurtz n’ O Coração das Trevas: «O Horror! O Horror!»
      Não é que pensem assim. Mas sabem que rende indubitavelmente mais.

  8. O Syriza tinha um sonho: chegar ao governo e, com a arrogância própria dos brutos, atirar com metade da dívida pela janela.

    Não aconteceu: se a Europa tivesse vergado a espinha a este ‘ultimato’, mil syrizas floresciam por aí – no Norte e no Sul, prontos a marchar pela cartilha do radicalismo ‘nacionalista’. Em vez disso, o sr. Tsipras e o ministro Varoufakis passaram à chantagem: sem dinheiro, a Grécia seria tomada por nazis; sem dinheiro, a Grécia arrastaria Portugal para fora do euro; sem dinheiro, a Rússia passaria a tomar chá em Atenas; sem dinheiro, nós rebentamos com tudo e depois não se queixem.

    Se Pedro Passos Coelho tolerasse esta conversa delinquente, isso não seria apenas uma capitulação de carácter. Seria uma traição aos portugueses, obrigados a pagar o tipo de benesses que eles não tiveram nestes quatro anos de chumbo. Solidariedade não é imbecilidade.

    (Com a devida vénia a João Pereira Coutinho)

  9. A islândia viu a moeda desvalorizar 50 %. Essa desvalorização fez com que salários, pensőes e preços diminuissem apesar de subirem em coroas islandesas. Diminuiram face ao exterior, e que dependentes eles são de produtos do exterior.
    Essa desvalorização de preços corrigiu os desiquilibrios existentes no mercado de trabalho quase imediatamente.
    O problema da austeridade em Espanha Grécia e Portugal, é que o mercado de trabalho continua muito rígido assim como os salários e preços (a última subida do salário minimo em Portugal criou imediatamente desemprego e reverteu uma descida considerável do mesmo)
    Como é muito dificil passar a receber menos “Euros” (as pessoas não aceitam) desvaloriza-se a moeda e os idiotas já não lhe chamam austeridade. O resultado é exactamente o mesmo (aliás é pior) mas assim os idiotas não chateiam não gritam nem fazem manifestações. Comem menos mas nem dão conta.
    Se tivessem deixado os salários ajustarem, hoje não teríamos desemprego e a gritaria já teria acabado.
    O maior erro do Passos foi esse (além do Moreira da Silva). Agora vai para eleições a meio do ajustamento.

    1. Muito bem.

      Lembro-me bem de quando chegava ao fim do ano com o meu vencimento a comprar 80% ou menos do que comprava no princípio, com 3 filhos pequenos para criar.

      Mas pelos vistos os “idiotas” que já cá andavam nesses tempos não tiveram esses
      “ligeiros” problemas ou tornaram-se política e socialmente tão hipócritas que se
      enganam alegremente a si próprios (e a outros idiotas).

      Portanto e apenas para “refrescar” a memória:

      http://estatisticasenumeros.economiafinancas.com/2010/01/taxa-de-inflacao-em-portugal-1977-2009/

    2. Eu ando a ouvir falar que o mercado laboral em Portugal é demasiado rígido há anos; ainda gostava de saber o que falta fazer para finalmente ficar adequado. Não me lembro do despedimento daqueles 120 trabalhadores da PT ter gerado quaisquer dificuldades; eu hei-de saber, fui um deles; só bastou chegar ao call-center e disseram-me para esperar que iam ter uma conversa comigo noutra sala; dez minutos mais tarde já estava fora do prédio. Isso ainda não é flexível demais para si? Já praticamente não há efectivos, tudo agora é a contrato mensalmente renovado; ao fim de 3 anos o trabalhador, para não se tornar efectivo, é despedido, fica em casa uns tempos e depois é chamado para assinar novo contrato; é tão descarado que mete nojo. Os jovens, ante estas condições de pura chantagem, já não se juntam aos sindicatos, que apenas durarão enquanto houver uns quanto efectivos; aposto que isso o deixará muito feliz. Daqui a alguns anos ninguém poderá fazer greve ou reivindicar seja o que for porque no mês seguinte a empresa pode decidir não renovar o contrato, por mero despeito. Depois há a praga dos recibos verdes. E quase tudo hoje em dia é mediado através de Empresas de Trabalho Temporário, que ganham mais do que os próprios trabalhadores que recrutam. Os salários são uma piada; o meu pai, operário fabril sem liceu terminado, no mesmo emprego desde 1980, ganha mais do que hoje se quer pagar a um engenheiro. Isto faz sentido? Há estágios e empregos parcial ou quase totalmente financiados pelo estado; as empresas têm trabalho gratuito pago pela segurança social.

      A sério, o que falta fazer, ou roubar, ao mercado laboral para que ele por fim se torne esse milagre que de um dia para o outro resolverá todos os problemas de emprego e salários em Portugal? E entretanto, em que é que isso vai resolver, por exemplo, o problema da factura eléctrica, que é um dos maiores gastos que empresas têm, superior até ao dos salários? Ainda estamos todos à espera para ver as vantagens tão propaladas da privatização da EDP e da liberalização do mercado da energia; onde está toda essa famosa competição que ia levar ao abaixamento de tarifas? E em que é que mexer no código laboral vai resolver o problema de as maiores empresas usarem todas as lacunas legais existentes para pagarem impostos lá fora? Isso mesmo, vamos poupar uns míseros cêntimos nos salários baixos, enquanto milhões escapam ao fisco! Eis uma economia saudável a funcionar! E em que é acabar com efectivos vai levar a mudanças de mentalidade de directores e gestores, que em tempos de crise continuam a comprar carros de luxo, e a tratar mal os clientes, como acontece na empresa do meu pai, de momento a atravessar riscos de falência? A sério, todo o problema se resume ao inflexível mercado laboral que está mais do que flexibilizado?

      Neste país os trabalhadores poderiam xurdir 12 horas diárias gratuitas, comparticipadas pelo Estado, e continuaria sempre a haver alguém a queixar-se das leis rígidas, da dificuldade de despedir, e dos salários astronómicos. Devia ter vergonha, Jorge Gaspar; ou então simplesmente nunca deve ter trabalhado neste país nos último dez anos, pois não faz a menor ideia do que fala.

      1. E é essa falência de algum tipo de segurança no trabalho que está a matar a economia na medida em que se as pessoas não têm segurança, não fazem projectos a médio prazo (comprar um carro, uma casa, investir em acções) ter um filho, casar-se, está tudo no limbo a ver no que dá.

        Qualquer pessoa minimamente racional se tiver trabalho, limita-se ao mínimo indispensável para sobreviver, o maior desvario económico que fará será beber uma cervejas ao Sábado á noite compradas na loja de conveniência mais próxima.

        Claro que existe uma imensa minoria (talvez 100 mil assalariados e respectivos dependentes) que podem ir ver as 50 sombras de Gray- por marcação, ou ir ao Meo Sudoeste ou a Londres no fim de semana.

        A grande maioria dos dependentes dos restantes assalariados, vive da caridade dos Pais, que pagam a roupa, a Universidade, a comida. mas esses sabem o que os espera , NADA – nem hipótese de emigração já têm pois até o mercado externo está a ficar saturado e são muitos poucos que têm capacidade económica e não só (conhecimentos de línguas e afins) para aguentarem 2/3 semanas á procura de trabalho num País que não conhecem.

        É obvio (pelo menos para mim) que destruiu-se muito e o que se fez irá ruir como um castelo de areia e sim aí a “verdadeira esquerda” irá tomar conta da situação e depois ainda será pior, sendo o exemplo mais flagrante a Venezuela e o Brasil. O Brasil só não o é (por enquanto) porque descobriu Petróleo e tinha como o explorar, pois eu ainda sou do tempo em que era noticia no telejornal da RTP que milhares de toneladas de café tinham sido deitadas ao Atlantico.

        Obviamente em Portugal, nada acontecerá, continuará tudo a ver no que dá pois só essa cultura explica que o anterior regime só tenha caído de Podre embora tenha sido essa “estabilidade de 48 anos” que permitiu endireitar as contas publicas, não participar na 2ª Guerra Mundial e a partir da década de 50 começar a desenvolver Portugal (muito lentamente, mas solidamente) com base no crescimento europeu da altura.

        Em 40 anos Portugal teve 3 BANCARROTAS o que é sinónimo de que algo de muito grave se passa na nossa democracia e na deficiente formação que é dada nas escolas e que com estes tempos negros que se vivem, ainda vai piorar mais, se a sociedade Portuguesa sempre foi atrasada e cheia de chico espertos, ainda vai ser pior pois os exemplos que vêem de cima só o estimulam.

        Em relação á atitude de passos coelho e cavaco silva para com o novo governo grego, mostra uma tremenda falta de sentido de estado e respeito para com outro povo, poderia discordar sim mas tê-lo feito de um modo elevado mas em face dos exemplos internos talvez fosse de esperar, embora até eu tenha ficado surpreendido pela arrogância demonstrada e pelos argumentos usados.

        Estamos mal entregues, fomos bem levados (alguns merecem-no) pois acreditaram no 44 em 2009, contra a profeta da desgraça da altura, outros decidiram meter a cabeça na areia mas os piores são que jogam em todos os tabuleiros e infelizmente para a sociedade portuguesa são muitos.
        E o que é grave é que se 44 tem vencido em 2011, a narrativa seria a mesma ou pior.

        E o pior ainda está para vir, ou levamos com mais 4 anos de passos e muchachos ou com 4 anos de Costa que será igual ou talvez pior que passos pois é socialista e a ver pelas taxas e governação de Lisboa só augura o pior, além de que trás todas as viúvas do 44 agarradas a ele e respectivos interesses.

  10. Apesar de todos os contratempos na Islândia, eles não precisam da UE para nada. Bastam-se a si próprios. Pequeninos, gelados, mas bem orientados, tudo certinho. Quem lá vai, vê que ali tudo funciona, como deve ser e quando assim não é, são tão rápidos, como certeiros, a tratar do assunto.

    1. Deve ter sido por isso que diz na última frase que aconteceu lá o que não aconteceu em mais sítio nenhum e durou de 2003 a 2012…

      Agora que aquilo esteja a levar uma grande volta é que o João Nuno poderia ter contado aqui, já que lá viu isso tudo, seria útil a sua informação.

      Tal como está parece desconhecer que a Islândia está na EEA (European Economic Area) e como tal e por inerência no Mercado Único Europeu.

      E que é nesse mercado que trabalha:

      http://atlas.media.mit.edu/profile/country/isl/

      Boa noite para si

      Nota- A Noruega também está na EEA.

      1. Não vi pobreza, não vi mendicidade, vi que todos viviam bem. Vi e constatei e por mais que diga que eu não sei o que o digo, é a realidade. Se não se acredita, vá e veja, com os próprios olhos porque isto, de se falar porque pertence a isto ou aquilo porque o site tal fiz ou aquilo, não é nada. É lá, no sítio, vendo e perguntando e aí, somos informados, tal qual é a realidade. Gostei do que vi e de como vivem, só não gostei do clima, ao qual jamais me adaptaria. Quem errou lá pagou, pelos erros.

        1. Agradeço que se dê ao trabalho de – se não fôr muita maçada para si – reler o que eu escrevi e me dizer o que é que eu pus em causa no que diz para além do “…tudo funciona, como deve ser e quando assim não é, são tão rápidos, como certeiros, a tratar do assunto.”
          É que se não percebe a contradição dessa sua afirmação com os factos históricos recentes, então …

          Por mais que eu diga que o senhor não sabe o que diz?
          Por mais?
          Mas eu nunca disse isso!

          A Irlanda fez muita asneira e saíu dela e eu tentei dar-lhe informações complementares que permitissem esclarecer a sua afirmação (repito: “sua afirmação”) de que não precisava da UE para nada, o que não é de todo verdade dado que a maior parte do que compra e vende é no âmbito do mercado único europeu a que pertence (nem abriu o link, está visto).

          Por isso lhe pus o link e é um link exclusivamente “técnico”, não há ali um único juízo de valor.

          E vem dizer-me que a Irlanda pertencer a esta ou aquela instituição comunitária e que o que vem num site exclusivamente “técnico” consultado em todo o mundo são coisas que “não interessam para nada” porque o senhor foi lá, viu e informou-se.
          Está a gozar, não está?

          Sabe o que é que não interessa para nada?
          É não se poder falar aqui de situações bem documentadas como esta sem aparecer alguém com opiniões pessoais baseadas numas conversas que diz ter tido não sei com quem, não sei onde e não sei quando.

          Dito de outro modo: é apresentar raciocínios e responderem com generalidades bem pensantes, quando um raciocínio é afinal fácil de rebater com outro raciocínio (mas obriga a raciocinar,claro!), podendo então ser complementado com a experiência pessoal.

          Note que eu não duvido que tenha tido as conversas todas e mais algumas.
          Mas permita-me pôr reservas aos seus entusiasmos que os factos não confirmam
          (tenho aí o link da pobreza lá mas não lho ponho aqui, nem pensar).

          Já agora.
          Quem é que lhe disse que eu não conheço a Irlanda e não conheço bem alguns irlandeses?

          Boa noite para si

          1. Eu falo-lhe da Islândia e o meu caro fala-me da Irlanda!…. rmg considera-se um expert em tudo. Já reparou que está sempre a contrapor com todos, dizendo-se o mais culto e o mais documentado. Não duvido que o seja, mas não lhe ficava nada mal aceitar as opiniões dos outros. A modéstia fica bem a todos. Tem de ler com mais atenção é que depois dá nisto. ISLÂNDIA

          2. Mas não estamos a falar da Islândia desde ontem?
            Ou lá porque eu me enganei no nome do país a conversa fica a zeros (não , não me desculpo com a semelhança dos nomes, foi mesmo distracção minha e, claro, foi um erro meu).

            Acha normal pegar por uma troca de nomes que todos nós fazemos no dia-a-dia e que se desfaz no momento?
            Como aqui não dá para isso toca de fazer queixinhas à Sôtôra e lá vem o “aquele menino enganou-se, aquele menino enganou-se, não estudou a lição, não é Irlanda,é Islândia”.

            Já reparou que não me responde a nada de nada excepto com a crítica de que estou sempre a contrapôr os outros?
            E depois, não posso?
            E eles não me contrapõem a mim, estão proíbidos?
            E Você porque é que não me contrapõe no que eu escrevi em vez de se pôr com infantilidades de que eu me considero expert em tudo?

            Vê-me intervir em tudo? Não vê, decerto.
            Aliàs aparecem aqui assuntos a que estive ligado profissionalmente (e ainda estou) e nunca intervenho nesses, estaria numa posição de vantagem sempre.
            Mesmo nos comentários sobre música, assunto em que sou mais expert que nos outros (odeio falsas modéstias que escondem outras coisas…) limito-me a algumas notas de apoio ao esforço do Pedro Correia.

            Quando intervenho e levanta discussão vê-me fugir do debate de ideias?
            E onde é que eu disse uma única vez que era culto?
            Se um gajo tiver alguma cultura demonstra-o pelo que escreve e pelas trocas de ideias que tiver, alguém que chegue aqui a dizer que é culto apenas é ridículo.

            E se estiver errado há aqui comentadores suficientemente cultos para me mostrarem que eu sou uma besta analfabeta.

            Incomoda-o assim tanto que eu intervenha aqui e ali, discordando por vezes?
            Não é para isso que existe uma caixa de comentários, parte integrante do blogue e fonte de informações em muitos casos úteis para os milhares que aqui vêm ler-nos?
            Quem não gostar passa à frente que é o que eu também faço.

            Eu chamei-lhe a atenção para o que considerei uma incongruência e diz-me “fui lá e vi”.
            Pronto, isso não se discute.
            E sendo como diz porque é que a Islândia se meteu na maior alhada (proporcional ao tamanho do país) já vista e levaram anos e anos a saír dela depois do FMI e um grupo de países nórdicos terem lá metido umas boas massas ?
            Aí podia dizer-me “como fui lá e vi, fiquei a saber ainda que…” e então tínhamos tido aqui uma conversa útil, mesmo que só tivesse falado com apoiantes do actual governo teria decerto o bom senso de perceber onde acabava a clubite deles e começava a realidade a que assistia.

            O mais documentado em quê se a minha internet é igual à dos outros todos?
            Qualquer pateta que saiba utilizar minímamente a internet encontra toda a informação de que precisa lá, basta pôr na pesquisa do Google umas palavras chave relativas ao assunto que procura, quantas mais melhor para apertar a malha da procura e nos primeiros 20 ou 30 sites que aparecem estão lá 2 ou 3 que nos interessam logo.
            Até os meus netos adolescentes, alunos banais , fazem isso nas calmas.

            Acha que aqueles que eu aqui contrapus ao longo dos tempos precisam que o João Nuno os defenda?

            Na sua opinião eu terei tomado de assalto aqui o DO e está tudo sequestrado por tanto conhecimento e sabedoria concentrados numa pessoa só?

            Ou lá porque V. gosta mais das opiniões que eu contraponho que das minhas
            (o que é mais que normal, se todos pensássemos da mesma maneira nem valia a pena perder tempo a vir cá) resolveu vir dar conselhos paternais?

            Os únicos comentadores com quem me viu aqui ter debates mais acirrados são pessoas que respeito pelo raciocínio e pela cultura, que leio com prazer mesmo quando discordo frequentemente deles (já lhes disse isto a eles mais de uma vez) e que neste momento não contraponho nem me contrapõem porque todos nós temos momentos menos felizes e eu acho que isso se passou entre mim e eles ou entre eles e mim, não sei por que ordem nem é essa a ideia.

            Eu aceito a opinião de toda a gente, tanto assim que respondo a toda a gente e muitas vezes até esgoto os 4300 caracteres que cada caixinha destas nos dá mas aceitar a opinião não é concordar com ela e até estive mais de 6 meses afastado daqui porque um momento menos feliz de preocupações com pessoas muitíssimo próximas me tornou mais impaciente e receei ser malcriado com alguém.

            Boa noite

          3. O senhor escreve Irlanda consecutivamente e depois diz-me que fala da Islândia? A Islândia também não está imune aos corruptos, como nenhum país o está, mas lá foram castigados, aqui é o que se vê e sabemos. Fizeram coisa feia, mas resolveram a situação, sem por a população a pagar os erros dos corruptores e dos corrompidos. Falei-lhe do que vi e constatei, se quiser acreditar, acredita, se não quiser, tudo bem. Sabe que infelizmente cada qual faz a estatística que quer e na maior parte das vezes, não passam de ilusão pura, para enganarem o povinho e nesse aspecto, estou farto de ver que nem tudo o que dizem corresponde à realidade, por isso mesmo, hoje, se posso, vou ver se é ou não verdade. Aqui, foi o que fiz, tinha curiosidade de conhecer o país e fui, ver e constatar. Basta olhar para nós e segundo o governo, Portugal, está no bom caminho e é ver, o bem que nós estamos a ficar, basta ir à rua e mendiga-se nos caixotes do lixo. Por isso, lhe digo, se tenho oportunidade vou ver e constatar se é ou não real o que dizem. Foi isso que fiz e vi que o que dizem cá, não é o que se passa lá.

          4. “O senhor escreve Irlanda consecutivamente e depois diz-me que fala da Islândia?”

            E ele a dar-lhe e a burra a fugir.
            O senhor bebe?
            Acusa os outros de se armarem em “espertos” e não sai do registo do “chico-esperto”?
            Pois eu não reconheci que me enganei, o que qualquer pessoa medianamente inteligente terá percebido logo quanto mais a pessoa com quem eu estava a falar?

            Escrevi-lhe, voltei a escrever-lhe, acabei a escrever-lhe hoje às 4 da manhã um comentário de 4298 caracteres (dizía lá que já só faltavam 2), a única coisa que tem para me trazer é um comentário digno da caixa de comentários de um tablóide manhoso.

            Por isso não me espanta que não goste dos meus comentários, tenho por hábito criticar os que vêm com a conversa de que isto é tudo uma trampa e que são os que habitualmente mais contribuíram, por acção ou inacção, para que isto tudo seja uma trampa.
            Só que para si a culpa é dos outros, para os que não fazem nada a culpa é sempre dos outros, se não fizeram nada como é que podem ter culpa?

            Ora para mim a culpa é antes de mais minha e já expliquei aqui mais de uma vez porque penso assim, não leu tivesse lido.

            Sabe por que é que lá foram castigados?
            Porque se não fossem não tinham lá entrado os 5.1 mil milhões que o FMI (2.1) e um consórcio de outros países (3.0) lá meteram, tão simples como isso (está tudo na net, é só pôr “Iceland”, “Islande” ou “Islândia”, como vê só não está informado e documentado quem prefere não se maçar muito).

            Sabe que a Islândia não se recusou nunca a pagar dívidas nenhumas do país, como por cá foi tão apregoado, mas apenas a reembolsar os pequenos aforradores britânicos e holandeses que tinham metido dinheiro no LANDSBANKI em agências fora do país?
            E que essas dívidas aos pequenos aforradores britânicos foram pagas pelo governo britânico e as as dívidas aos pequenos aforradores holandeses foram pagas pelo governo holandês porque, como é evidente, os interesses deles na Islândia não eram compatíveis com uma crise diplomática suscitada pela perda de todas as economias de milhares de cidadãos desses países que eram remediados mas não eram ricos?

            Anda na rua, a pé, 5 ou 6 horas por dia como eu nos 15 dias por mês que passo em Lisboa?
            Vive num bairro de gente muito envelhecida e muito modesta?
            Conhece pessoalmente, de falar mesmo todos os dias, algum pobre mesmo pobre?

            Mendiga-se nos caixotes?
            Sabe o que é mendigar?
            Você mendiga nos caixotes nos intervalos de usar a internet para dizer banalidades que ouviu nos telejornais?
            Faz alguma coisa para ajudar quem mendiga nos caixotes a deixar de mendigar?
            Ou acha que isso não é consigo e usa o “que é que eu posso fazer”?
            Pois pode muita coisa, lhe garanto.

            Como não está interessado no meu estilo de conversa digo-lhe o que dizía o António Silva nos filmes dos anos 40/50:
            “Pois passe V.Exa. muito bem”.

        2. Afinal sempre leva o link:

          http://grapevine.is/news/2014/10/28/child-poverty-in-iceland-tripled-2008-2012/

          Como já vi que visitar sites não é consigo, “desça” a página e comece a ler a partir do título e do sub-título, que a seguir indico:

          “Child Poverty In Iceland Tripled 2008-2012
          The most dramatic growth of child poverty in rich countries, according to UNICEF”

          Nota – Espero que confie na UNICEF.

  11. Miguel, toda a gente conhece alguém que trabalha de borla, que tem uma licenciatura mas recebe o salário minimo ou que trabalha 20 horas por dia, eu felizmente nunca conheci esses casos. Deve ser por viver no subúrbio. Se vivesse no centro concerteza conheceria esses casos.
    Amigo Miguel, ser idiota não é achar que o salário devia ser maior, ser idiota é criticar A por fazer uma coisa e elogiar B por fazer a mesma coisa.
    Na islândia houve uma desvalorização superior a 50 % na moeda. Em janeiro de 2007 cada euro valia 80 coroas e em janeiro de 2010 cada euro valia 180 coroas. Hoje em dia o euro vale 150 coroas.
    A quebra salarial na Islândia para todos os cidadãos foi superior a 30 por cento. Ou seja, uma familia que vivia com 1500 X passou a viver com 1000 unidades X. Comparado com isto a austeridade em Portugal foi uma bricandeira de crianças como dizia o vosso herói.
    Os idiotas acham que os islandeses fizeram muito bem por passarem a viver com menos 30%, mas criticam Portugal por ter feito cortes ainda que menores. Se isto não é ser idiota. Eu sei que a culpa não é só vossa, é também das escolas onde andaram.
    Vamos falar da rigidez laboral: Quem como eu, sabe que o mercado se ajusta pela lei universal da procura e da oferta sabe que quando a procura é bastante superior á oferta ou o inverso, algo está a impedir o mercado de se ajustar.
    Eu não preciso de saber o que se está a passar na Venezuela. Basta ver as imagens de filas para entrar nos supermecados para saber que algo está a impedir o mercado de se ajustar. Tal e qual como em Portugal, Espanha e Grécia com o mercado de trabalho. Se deixarem o mercado de trabalho ajustar, o desemprego acaba num espaço de 2 anos.
    O salário minimo cria desemprego, seja em Portugal seja na Grécia (estatisticamente cria desemprego a partir de uma determinada percentagem do salário médio ). É pena que assim seja amigo Miguel. Ninguém ficaria mais contente que eu se o Tsipras aumentasse o salário minimo para 3 biliões de euros e isso não afectasse o mercado de trabalho. O problema é que aumentando para 700 e tal como prometido voltará a aumentar a taxa de desemprego. Mas não me culpe a mim Miguel, a culpa não é minha, é a realidade que tem destas coisas.
    O amigo Miguel e outros que por aí andam são como aqueles africanos que culpavam os médicos por estarem a contaminá-los com Ébola quando os médicos estavam a tentar salvá-los e a tentar que a doença nāo se propagasse. Andam muitos economistas por aí que sabem bem como se resolvia facilmente esta crise. O problema tal como os médicos que lutaram contra o ébola é que por vezes á nossa frente temos idiotas.

    1. Então mas a Alemanha também tem salário mínimo (que é o triplo do Português) e não consta que por lá tenha aumentado o desemprego, nem com a vaga de emigrantes que tem recebido e que acolhe de braços abertos porque deles precisa para manter a sua produtividade em alta.

      Ou o Reino Unido

      Ou a Bélgica , ou a Holanda

      Mas na Alemanha existem 3 milhões de assalariados que estão no limiar de pobreza.

      Com que então diz o senhor que o desemprego acabava em 2 anos, já lá vão 3 desde que a nova legislação laboral entrou em vigor e só vi o desemprego a aumentar que neste momento deve rondar a casa dos 18% reais e não os números martelados que o governo bota cá para fora e só não é maior devido á emigração.

      Claro que a minha noção de emprego talvez seja diferente da sua (pode ser isso) mas para mim um emprego pressupõe uma relação laboral duradoura (6 meses vá) com descontos para a segurança social do trabalhador e da empresa, 40 horas de trabalho semanais (mínimo – eu sempre fiz mais e não era porque fosse mau trabalhador, as especificidades do trabalho assim o exigiam) e que permite ao trabalhador prover as necessidades básicas durante todo esse tempo (no mínimo ) pois poupar para o futuro seria o ideal)

      Mas claro trabalha um dia e já não conta para as estatísticas, (de desemprego) está inscrito á força num curso, já não conta também, está a trabalhar de modo forçado para o estado (sem qualquer regalia) também não conta, está a fazer um estágio não remunerado numa empresa com apoio do estado ou NÃO (também não conta), já acabou o subsidio (também não conta).

      A penúltima vez que me desloquei ao centro de emprego da minha área foi me dito na cara que lá (eu ou outro) por estar inscrito posso não contar como desempregado, aliás estava colocado na categoria 2 e a senhora passou-me para a 3 (sejam lá o que forem).

      Da ultima vez fui convocado (eu e mais 35) para uma oferta que NÃO EXISTIA no portal do IEFP e para a qual o técnico de emprego não compareceu, somente lá estavam os representantes da empresa ( a famosa Barclay Card ) e que tinham passado a manhã toda naquelas “dinâmicas” como lhe chamaram.

      Mas estávamos na Europa do Pedro Correia, essa coisa maravilhosa que “criou” o conflito na Ucrânia, que destruiu a Líbia , que apoiou a destruição do Iraque e levou ao surgimento de um fanatismo Islâmico exacerbado na área em que dia sim dia não, há atentados suicidas com dezenas de mortos (centenas de MH17 POR ANO), que armou o embrião do ISIS na Siria ou que não conseguiu mobilizar apoios para a Itália continuar a socorrer os desgraçados que morrem ás centenas no Mediterrâneo.

      Ou que se dividiu na guerra dos Balcãs entre franceses que “apoiavam” os sérvios e alemães que “apoiavam” os croatas e que transformou agora o Kosovo num proto estado.

      Que permite planeamento fiscal (fuga aos impostos) de empresas em favor de uns estados ( Irlanda, Holanda, Luxemburgo) contra outros.

      Isto é tudo muito bonito para quem tá na mó de cima (eu se estivesse também gostaria TALVEZ de manter meu status quo) mas felizmente não SOU um robô, tenho capacidade para PENSAR e INTERPRETAR A INFORMAÇÃO QUE É “dada” e a FORMA com é dada, a net , os fóruns, os blogues e a informação em geral que é difundida (ás toneladas e não editada ou “editada”) têm de ser bem escrutinadas e temos de nos abstrair um pouco para não cairmos em logros e banha da cobra.

  12. Isto das pessoas saberem muito bem tudo o que está errado no mundo inteiro e precisa de ser emendado mas não fazerem a mais pequena ideia do que está errado no seu próprio mundo e portanto não o emendarem …

  13. William eu escrevi isto :
    “O salário minimo cria desemprego, seja em Portugal seja na Grécia (estatisticamente cria desemprego a partir de uma determinada percentagem do salário médio )”

    Ou seja o desemprego criado pelo salário minimo depende do valor deste sobre o valor do salário médio, e face ao salario médio, o salário minimo em Portugal, Espanha e Grécia é superior ao salário minimo na Alemanha, EUA, Luxemburgo Irelanda Reino Unido, etc. Percebeu?

    William nunca ninguém lhe disse, mas digo lhe eu: Ninguém tem a obrigação de lhe dar emprego, nem ninguém tem a obrigaçāo de establecer um contrato consigo para a vida toda.
    Esse não é um direito teu se pensas que é estás enganado. William ninguém te deve nada.
    Tu tens o direito de escolher o mecânico que queres, o carro que queres , a casa de queres, a comida que queres os produtos que queres ( dentro do teu orçamento). Não podes obrigar outros a contratarem-te, porque senão, os outros também têm o direito de exigir o mesmo.
    Se queres contratos vitalícios, talvez também o teu mecânico queira, o stand onde compraste o carro queira, a empresa de telecomunicações com quem tens contrato queira, o restaurante onde fores queira.
    Se pensas que não tens nada a ver com eles e que pagas os serviços que fornecem tens toda a razão, mas os outros, os empregadores acham exactamente o mesmo.
    William tu não deves nada a ninguém mas também ninguém te deve nada a ti. Se os empregadores são pessoas más que exploram os empregados podes sempre tornar-te empregador ou trabalhares por conta própria. Vá lá William, não me digas que não tens capacidade para isso

    1. Não, não tenho capacidade para ser empreendedor embora uma vez tivesse avançado do meu bolso a fabulosa quantia de 2500 euros para um meu ex-patrão pagar dividas ao fisco que lhe penhorou as contas da empresa e se assim não tivesse feito a empresa fechava e eu ficava logo no desemprego e não recebia nada.

      Meu caro ao contrário do que você pensa, são essa relações duradouras que elenca acima que fazem uma sociedade progredir e as empresas evoluírem, eu no meu trabalho sentia a obrigação de fidelizar o cliente, além de como consumidor também sou fiel (até ao dia) a prestadores de serviços e /ou empresas.

      Claro que ninguém tem a obrigação de me dar trabalho, ninguém é obrigado a isso, eu concorro se for escolhido muito bem, se não for concorro a outro, simples, é o que tenho feito.

      Você fala num emprego para a vida (eu digo 6 meses), quanto ao facto de ser empreendedor fiz contas e cheguei á conclusão que mais valia não fazer nada e ver no que isto dá, joguei pelo seguro e apesar de isso me ter custado muito, de certeza foi mais seguro do que me ter empenhado até aos cabelos junto de um banco e agora tenho a real certeza que fiz bem e olhe quando faltar a comida recorro á caridade, sem problema nenhum porque tenho tecto e também tenho muitos cobertores cá em casa para mitigar o frio.

      Abraços e volte sempre que já começam a faltar as munições desse lado, o que significa que o medo está mesmo a mudar de lado.

      P.S. – Simpatizo com Pacheco Pereira e com a Dr.ª Ferreira Leite que como se sabe são perigosos esquerdistas .

  14. “Você fala num emprego para a vida (eu digo 6 meses), quanto ao facto de ser empreendedor fiz contas e cheguei á conclusão que mais valia não fazer nada e ver no que isto dá, joguei pelo seguro e apesar de isso me ter custado muito, de certeza foi mais seguro do que me ter empenhado até aos cabelos junto de um banco e agora tenho a real certeza que fiz bem”

    O amigo William até fez as contas e percebeu que ser empregador ou ser empreendedor não é uma brincadeira, mas depois dá a entender que o problema é de outros empregadores que concerteza nāo lidarāo com os mesmos problemas.

    Quanto a MFL e PP: A mim não me interessa a pessoa, interessa-me o argumento, interessa-me o raciocínio.
    A esquerda está sempre á espera que alguém de direita venha dizer o que eles esperam ouvir e aí deixam de ser fascistas reaccionários e passam a ser umas jóias de pessoas.
    Além do mais, a Manuela e o Pacheco sāo keynesianos e sendo assim não compreendeeam nada do que se passou em Portugal nos últimos 20 anos.

    1. Agradeço o facto de me dar razão :

      “Quanto a MFL e PP: A mim não me interessa a pessoa, interessa-me o argumento, interessa-me o raciocínio”

      Quanto aos empreendedores, olhe como lhe dei o exemplo da conta ao fisco que ajudei a pagar, vou dar-lhe outro e de borla.

      O meu antigo empregador alegando as condições económicas do País (isto em Setembro de 2011) despediu-me por extinção do posto de trabalho, passados 8 meses criou uma empresa no papel e contratou um funcionário ao abrigo do programa de apoios á contratação de pessoas com idade até 30 anos e entretanto que o País até está melhor abriu AGORA mais uma dependência a 5 horas de viagem de casa quando aquela onde eu estava só estava a 2h e mesmo assim ele queixava-se que 2h era muito apesar de só vir cá (onde eu estava) de mês a mês ou menos pois sabia (felizmente) que tinha um funcionário em quem podia confiar.

      Obviamente o meu caso não é isolado e haverá muitos mais e piores, eu considero-me apesar de tudo um tipo cheio de sorte.

      P.S. Já que não pode chamar esquerdistas ao PP e a MFL chama-lhes Keynesianos , com certeza o senhor não sabe INTERPRETAR os textos que lê, nem ver as ACÇÕES PASSADAS das pessoas em causa, mas essa incapacidade é comum a muita gente, sobretudo aquela que está (agora) na crista da onda…..

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *