É espantoso verificar como se injuria e difama o mensageiro enquanto se apregoa a necessidade de respeitar o bom nome e a presunção de inocência dos arguidos, sejam eles quem forem. Sobretudo quando essa incongruência é assumida por pessoas que noutros casos, com outras cores políticas, fizeram tábua-rasa dos mesmos princípios que agora juram honrar e defender. Sobretudo quando essa incongruência é assumida por pessoas que noutros casos, com outras cores políticas, invocaram como alicerces das suas certezas alguns dos órgãos de informação que então citavam como veículos idóneos e agora – só agora – acusam de violar segredos de justiça.
Tais pessoas concebem a verdade como um conceito de geometria variável: diz-me que trincheira ocupas, dir-te-ei quem és.

É a visão do mundo a preto e branco, os maus contra os bons, os nossos contra os deles.
Parece que a maioria das pessoas deixou de pensar ou apenas pretende fazer um balanço contabilístico dos erros e virtudes alheias, ancorado em simples preconceitos. A Verdade, essa “não interessa nem ao menino Jesus”: a culpa é sempre dos outros.
Pois, Diogo. Eis Sartre revisitado: «O Inferno são os outros».