Penso rápido (5)


Pedro Correia,

Os heróis de ontem são os vilões de hoje. Os mesmos que há 48 horas endeusavam até à náusea a equipa portuguesa apressam-se a figurar na primeira fila do apedrejamento aos ídolos de véspera. É um velho desporto nacional, a que as redes sociais conferem nova e mais ruidosa dimensão: vergastar quem está na mó de baixo. Pepe, vítima de um aparente curto-circuito nos neurónios, simulou agredir um adversário no chão. De repente, eis Portugal transformado num país de Pepes.

10 comentários em “Penso rápido (5)”

  1. O que separa o bestial da besta, sempre foram décimas de milímetro e milésimos de segundo… e depois” É costume em Portugal, comer e dizer mal”. Se Portugal tivesse ganho, o Pepe era o Maximus Decimus Meridius , o davidiano que desancou o Teutão …

  2. Nao é desporto nacional Pedro. Ou é-o na medida em que o futebol também o é. Há 4 anos os holandeses andaram a cantar loas à sua selecção. Não ligavam a quem lhes dizia que, eficaz que fosse, o estilo de andar a dar pontapés a tudo o que se mexia não era das coisas mais bonitas. Quando perderam a final apesar dos pontapés logo se atearam as fogueiras para queimar os hereges que tinham ousado atraiçoar o “estilo holandês”. A conversa é a mesma em todo o lado é tão antiga como a humanidade.

    1. Sim, João. Fazes bem em relativizar: temos sempre a tendência de considerar que certos fenómenos só por cá ocorrem, o que não é verdade. O futebol potencia muita irracionalidade – em qualquer quadrante.

  3. O abandonar de atitudes inteligentes talvez se tenha dado antes, quando se considerou que 11 personagens a chutar uma bola era, não só uma causa nacional, mas a única causa nacional.
    Estou um bocado farto de algo que trouxe ao mundo Blatter, “fruta de dormir”, “cabeçadas do Pepe” e “apitos dourados”.

  4. Hoje concordo. E, por mau que tenha sido o jogo que a selecção fez, é difícil tanta desgraça acontecer num único jogo.

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