
Há uma coisa que me parece evidente depois de comparar o jogo da nossa selecção com o das outras equipas no Mundial. É que, com a excepção de Éder, os nossos jogadores não correm, parecendo andar apenas a passear pelo campo, razão pela qual só fazem passes longos. Ora, a velocidade do jogo é absolutamente essencial para se fazer qualquer resultado positivo no Mundial. Havia um treinador que dizia que antes de tudo queria jogadores que corressem e só depois que soubessem jogar futebol. Aqui o que sucede é que se um jogador português começar a correr, fica logo lesionado. Nem sequer ficamos a saber que futebol ele afinal joga.
É por isso que a responsabilidade de tudo isto está essencialmente na escolha dos jogadores feita por Paulo Bento. Efectivamente, ao optar por nomes consagrados, mas em fim de carreira, Paulo Bento conseguiu ter a selecção mais idosa do Mundial e manifestamente sem condição física para disputar os jogos. Alguma vez pode ser normal que um país, no seu jogo inicial do Mundial, perca logo três jogadores por lesão? E já se pensou nos custos, e não apenas desportivos, que isto implicou para o país?
O que espanta, no entanto, é que ninguém assuma a responsabilidade disto. Há uns anos o Brasil foi trucidado na final do campeonato do mundo de 1998 pela França, porque Ronaldo foi posto a jogar depois de ter tido convulsões na noite anterior. Obviamente nada fez em campo, parecendo completamente perdido, acabando o Brasil a perder por 3-0. Constou que só tinha jogado porque havia um patrocinador que tinha ameaçado cancelar o patrocínio se ele não jogasse. Todo o Brasil exigiu naturalmente que as responsabilidades fossem apuradas. Aqui o que recebemos é esta mensagem a pedir para os portugueses continuarem a acreditar na selecção. Qual selecção?
