Penso rápido (24)


Pedro Correia,

Paradoxos do progresso: hoje em dia, um miúdo de seis anos já domina os rudimentos de um computador mas é incapaz de algumas das mais simples operações manuais – atar os cordões de um sapato, por exemplo. Muitas crianças estão totalmente à vontade perante um teclado digital, mas revelam dificuldades crescentes na escrita manual: a caligrafia vai-se deteriorando à medida que a máquina impera. Um adolescente japonês gaba-se de só ter amigos virtuais e de namorar há dois anos com uma jovem que apenas conhece via computador. E já chegou ao ponto de confessar que nem pretende conhecê-la pessoalmente para não estragar uma relação que considera “perfeita”.

Ganhamos certamente muito com este predomínio da técnica sobre o homem. Mas devemos deixar que seja ela a servir-nos em vez de nos deixarmos escravizar e desumanizar por ela.

6 comentários em “Penso rápido (24)”

  1. Absolutamente. É raro encontrar uma criança ( até mesmo um universitário) com uma caligrafia razoável e que saiba a tabuada. É tão normal usar-se uma calculadora, que a saber a tabuada é coisa retrógrada, só para velhos. Tenho duas filhas formadas. Garanto que nenhuma delas responde de imediato, à pergunta ” 8 x 7 = ?” … É o progresso.
    Não deve vir longe o dia em que até as gravidezes serão perfeitas e virtuais.

  2. Espere para quando inserir um cartão de memória atrás da orelha, os seus olhos tiverem um chip que ajude a ver à noite – não será permitido guiar de noite sem ele – e ao chegar a sente ao computador no site da clínica que vai fabricar o seu filho com as suas especificações preferidas, tirando os genes que poderão dar problemas, escolhendo a cor dos olhos…

  3. aqui devemos olhar para metodos de formação de jovens(escuteiros) e para sociedades mais desenvolvidas que incorporam nos habitos de aprendizagem informalou formal aspectospraticos dodia a dia como encontrar moradas numa cidade, descobrir arvores, animais… na natureza, fazer caminhadas regulares todos os meses ou semanas : não custa aprender com alemaes ou suecos que já o fazem há anos e raciocinar se de tão “modernos” que queremos ser não estamos a saloiar demais. Claro que omainstream vai levar-nos para o que lhes interessa : consumir claro e as arvores e o saber informal não rende -para elesclaro.
    Mas existem outros ver e querer -ex: um passeio de fim de semanana Finlandia pela floresta chega a reuinir 10 mil pessoas – nos país que tem mais computadores ou internet que nós.

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