Penso rápido (17)


Pedro Correia,

Não sei se já repararam: há uma enorme quantidade de expressões que persistimos em utilizar no nosso dia-a-dia à revelia do seu significado literal. Expressões como “fazer a barba” (“desfazer” seria a fórmula correcta), “pôr a mesa” (que está “posta” há muito tempo pelo marceneiro) ou “fazer a cama” (idem, aspas). Adoptámo-las e já não conseguimos passar sem elas. Todas as línguas – e a língua portuguesa não é excepção – têm imensos alçapões. Mas isto faz parte integrante do seu encanto. Alguns puristas não entendem isto. Pior para eles: fazem a cama onde se deitam.

8 comentários em “Penso rápido (17)”

  1. E já agora “despoletar” que se utiliza com sentido contrário do seu significado. Se se tira a espoleta a uma granada nada acontece, não explode. Despoletar uma crise deveria significar abafá-la.

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