Penso rápido (15)


Pedro Correia,

Oiço de vez em quando dizer que determinado autor está “fora de moda”. Não considero isso depreciativo. Aprendi a ler com autores que hoje quase todos consideram foram de moda — de Miguel Torga a Jack London. E com muitos outros — de Adolfo Simões Müller a Júlio Dinis. E também com Agatha Christie e Rex Stout. E Maurice Leblanc, o criador de Arsène Lupin. E com as aventuras de capa-e-espada: Alexandre Dumas, Rafael Sabatini. Walter Scott. E Júlio Verne, claro. E alguma poesia, muita poesia: António Gedeão, Sidónio Muralha, José Gomes Ferreira. E com os Esteiros, de Soeiro Pereira Gomes. Vergílio Ferreira e a sua Manhã Submersa. Romeu Correia e os seus Bonecos de Luz. Erico Veríssimo com a sua Clarissa e sagas subsequentes. Alguns autores de quem ninguém já hoje fala. E a quem devo muito. Jamais os esquecerei.

16 comentários em “Penso rápido (15)”

  1. Devemos ser piquenos da mesma “criação”, como se dizia antigamente 🙂
    Acrescento Conan Doyle, Earl Stanley Gardner, Dashiell Hammet, Jorge Amado, Alves Redol, a grande Shopia…
    Podem estar démodés para muitos, mas são provavelmente aqueles que se releêm com mais prazer, uma e outra vez, sempre com novas descobertas a cada leitura.

    ( Nero Wolfe é o meu tipo de detective, aquele que não precisa que X marque o local) 🙂

    1. Nero Wolfe é um dos meus heróis literários. Um dia destes iniciarei aqui uma série sobre heróis literários. Tenho vários – o comissário Maigret é outro.
      Às vezes as ideias surgem assim mesmo, de uma troca de impressões numa caixa de comentários.

      1. O meu herói de sempre, aquele que é incontornável e que leio e releio vezes sem conta, não é propriamente da 6a arte, mas da 9a. É o half-blood de La Valletta, que navega mares, aventuras e fantasia. É uma paixão. :):):):)

  2. Há de facto autores que por uma razão qualquer (e serão inúmeras) caem numa espécie de esquecimento. E não se trata de todo de autores menores.

    Mas também há, é bom que se diga, quem os traga de novo à “luz”. É o seu caso, com este post, e é também o de Maria Alzira Seixo ( a melhor professora que tive na vida) que continua a valorizá-los. Ainda em Janeiro/Fevereiro tive a oportunidade e o privilégio de assistir a um interessante curso com ela, sobre um autor muito interessante e pouco conhecido: Mário Dionísio.
    Sei, também, e espero não estar a comentar nenhuma inconfidência, que lá para o Outono haverá outra iniciativa semelhante, noutro local e referente a outros nomes um pouco “esquecidos”.

  3. Já somos dois, Pedro.
    Aproveito para emendar um erro do meu comentário anterior: queria dizer “cometer”e não “comentar” uma inconfidência, claro.

    Quando as informações sobre o curso do Outono forem mais “oficiais”, faço-lhas chegar. Pode ser que lhe interessem (a si, ou a outros leitores do DO). Para já sei que inclui Raúl Brandão e posso adiantar que não é destinado a especialistas (género professores e pessoas ligadas às letras e à literatura) mas a toda a gente que goste de ler. E depois, ouvir falar MAS é um prazer inesgotável. 🙂

      1. “O meu próximo CICLO DE CONFERÊNCIAS no CCB já tem datas confirmadas: de 4 de Novembro a 9 de Dezembro, todas as TERÇAS-FEIRAS das 18 às 19 e 30. Programa será publicado na próxima Agenda Trimestral (fins de Set.) e versará a ficção portuguesa da viragem do séc. XIX-XX, incidindo nomeadamente em Teixeira-Gomes, Almada, Miguéis e Nemésio. Com os necessários ‘toques’ em Raul Brandão, Aquilino e outros. E Proust, é claro! E… e… e…!!! Querem vir?” (Maria Alzira Seixo)

        Pedro: Esta é a informação que a professora Maria Alzira Seixo pôs no FB e que lhe reencaminho. 🙂

        Beijinho

  4. Agora lembrei-me de um documentário que vi sobre Georges Simenon (acho que no canal Arte), dizendo que ele teve dificuldades em publicar a série Maigret, por tal tipo de escrita supostamente não estar na moda.

  5. Nunca como agora foi tão importante valorizar o que não está na moda quando falamos de literatura, nomeadamente da portuguesa, pois com os programas escolares já não se pode contar.

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