Oiço de vez em quando dizer que determinado autor está “fora de moda”. Não considero isso depreciativo. Aprendi a ler com autores que hoje quase todos consideram foram de moda — de Miguel Torga a Jack London. E com muitos outros — de Adolfo Simões Müller a Júlio Dinis. E também com Agatha Christie e Rex Stout. E Maurice Leblanc, o criador de Arsène Lupin. E com as aventuras de capa-e-espada: Alexandre Dumas, Rafael Sabatini. Walter Scott. E Júlio Verne, claro. E alguma poesia, muita poesia: António Gedeão, Sidónio Muralha, José Gomes Ferreira. E com os Esteiros, de Soeiro Pereira Gomes. Vergílio Ferreira e a sua Manhã Submersa. Romeu Correia e os seus Bonecos de Luz. Erico Veríssimo com a sua Clarissa e sagas subsequentes. Alguns autores de quem ninguém já hoje fala. E a quem devo muito. Jamais os esquecerei.
Penso rápido (15)
Pedro Correia,

Devemos ser piquenos da mesma “criação”, como se dizia antigamente 🙂
Acrescento Conan Doyle, Earl Stanley Gardner, Dashiell Hammet, Jorge Amado, Alves Redol, a grande Shopia…
Podem estar démodés para muitos, mas são provavelmente aqueles que se releêm com mais prazer, uma e outra vez, sempre com novas descobertas a cada leitura.
( Nero Wolfe é o meu tipo de detective, aquele que não precisa que X marque o local) 🙂
Nero Wolfe é um dos meus heróis literários. Um dia destes iniciarei aqui uma série sobre heróis literários. Tenho vários – o comissário Maigret é outro.
Às vezes as ideias surgem assim mesmo, de uma troca de impressões numa caixa de comentários.
O meu herói de sempre, aquele que é incontornável e que leio e releio vezes sem conta, não é propriamente da 6a arte, mas da 9a. É o half-blood de La Valletta, que navega mares, aventuras e fantasia. É uma paixão. :):):):)
Esse é outro dos meus heróis – Corto Moltese, que sempre vi como um ‘Lord Jim’, de Conrad.
Há de facto autores que por uma razão qualquer (e serão inúmeras) caem numa espécie de esquecimento. E não se trata de todo de autores menores.
Mas também há, é bom que se diga, quem os traga de novo à “luz”. É o seu caso, com este post, e é também o de Maria Alzira Seixo ( a melhor professora que tive na vida) que continua a valorizá-los. Ainda em Janeiro/Fevereiro tive a oportunidade e o privilégio de assistir a um interessante curso com ela, sobre um autor muito interessante e pouco conhecido: Mário Dionísio.
Sei, também, e espero não estar a comentar nenhuma inconfidência, que lá para o Outono haverá outra iniciativa semelhante, noutro local e referente a outros nomes um pouco “esquecidos”.
Gostei de saber, Isabel. A minha homenagem a Maria Alzira Seixo, professora e escritora que muito admiro e muito prezo.
Já somos dois, Pedro.
Aproveito para emendar um erro do meu comentário anterior: queria dizer “cometer”e não “comentar” uma inconfidência, claro.
Quando as informações sobre o curso do Outono forem mais “oficiais”, faço-lhas chegar. Pode ser que lhe interessem (a si, ou a outros leitores do DO). Para já sei que inclui Raúl Brandão e posso adiantar que não é destinado a especialistas (género professores e pessoas ligadas às letras e à literatura) mas a toda a gente que goste de ler. E depois, ouvir falar MAS é um prazer inesgotável. 🙂
Interessa-me, sim. E agradeço-lhe desde já, Isabel.
“O meu próximo CICLO DE CONFERÊNCIAS no CCB já tem datas confirmadas: de 4 de Novembro a 9 de Dezembro, todas as TERÇAS-FEIRAS das 18 às 19 e 30. Programa será publicado na próxima Agenda Trimestral (fins de Set.) e versará a ficção portuguesa da viragem do séc. XIX-XX, incidindo nomeadamente em Teixeira-Gomes, Almada, Miguéis e Nemésio. Com os necessários ‘toques’ em Raul Brandão, Aquilino e outros. E Proust, é claro! E… e… e…!!! Querem vir?” (Maria Alzira Seixo)
Pedro: Esta é a informação que a professora Maria Alzira Seixo pôs no FB e que lhe reencaminho. 🙂
Beijinho
Muito obrigado, Isabel. Já pus na minha agenda.
Agora lembrei-me de um documentário que vi sobre Georges Simenon (acho que no canal Arte), dizendo que ele teve dificuldades em publicar a série Maigret, por tal tipo de escrita supostamente não estar na moda.
Afinal, nada mais intemporal. E quase tão inseparável da paisagem de Paris como Sherlock Holmes em relação a Londres.
As modas são todas “pensos rápidos”, caem num instante.
Isso mesmo, Alice, isso mesmo.
Nunca como agora foi tão importante valorizar o que não está na moda quando falamos de literatura, nomeadamente da portuguesa, pois com os programas escolares já não se pode contar.
Está na moda não estar na moda, Teresa. Pelo menos para mim sempre foi assim.