Penso rápido (13)


Pedro Correia,

Entramos num restaurante, jantamos sempre com ruído: há “música de fundo” ou o som intrusivo emanado de um enorme televisor.

Andamos na rua: os ruídos multiplicam-se.

Andamos num transporte público: novamente a “música de fundo” ou um aviso sonoro ou o telemóvel estridente que toca ao nosso lado, logo seguido de uma conversa ainda mais estridente.

Entramos num elevador – e lá está ela, a música que não nos larga. E já nem falo na televisão, que berra a cada intervalo publicitário, ou de certos blogues, que nos convidam a entrar a troco de mais barulho.

Vivemos submergidos pelo ruído. Num tempo em que o silêncio se tornou um dos bens mais escassos. Não tenho a menor dúvida: muitos dos problemas contemporâneos resolviam-se com curas periódicas de silêncio. Um antigo e apetecível e ansiado silêncio.

12 comentários em “Penso rápido (13)”

  1. Caro Pedro Correia,

    Encadeando no seu “penso” anterior, o silêncio é mau porque convida a pensar e reflectir. E nos dias de hoje o que vale é agir, ser “proactivo”, fazer – mesmo que seja nada e estéril. Pensar é perda de tempo e perder tempo é perder dinheiro, ergo pensar é perder dinheiro. E o défice não perdoa…

  2. Que boa maneira de nos trazer à realidade dos dias, sem os “ruídos estridentes” da má prestação da nossa selecção, da guerrilha do PS, do aumento ou não dos impostos e quejandos, que minam os dias cinzentos, dum verão que também nos perece intervencionado pela troika.
    Parabéns, Pedro.
    Continue neste registo, porque alguém tem de nos chamar à realidade, tem que sinalizar, tem que apontar o caminho, porque já lá não vamos com as macacadas dalguns programas, onde, ate à exaustão, nos convidam a ligar para o 760, tal, tal. Comportamo-nos, ao ligar, como burro com uma cenoura à frente do nariz!
    Chega!

  3. É que nem na praia! Campo, campo!
    E daí…
    É que o silêncio convida à reflexão.
    E se um homem se põe a pensar…
    https://www.youtube.com/watch?v=Io_RidA1mlI
    O ruído é fundamental para ajudar as pessoas a não pensarem na p. da vida.
    Bem basta à noite, quando a gente se deita para dormir e a cabeça começa a dar voltas.
    Para isso há dois remédios: comprimidos ou televisão…

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