Ler a Bíblia não é apenas uma questão de fé: é também um acto de exigência cultural. Toda a nossa cultura está impregnada dela. Na música, na pintura, na escultura, na arquitectura, no teatro, no cinema, na linguagem, no imaginário, em referências de toda a ordem. A obra que fundou a civilização do Livro.
E, dentro da Bíblia, destaca-se o Novo Testamento. Porque Jesus introduz uma fractura civilizacional. Com noções inequívocas sobre a conduta individual e colectiva, sobre nós, sobre os outros, sobre a vida e a morte, sobre a dignidade do ser humano.
Há um antes e depois de Cristo: nada ficou na mesma depois dele.
É uma obra que nos narra a história da libertação humana. O livro dos livros. Que levou um escritor de génio como Dostoievski a escrever: «Se for preciso escolher entre Cristo e a verdade, escolho Cristo.»
Feliz Páscoa.

O livro dos livros!
Feliz Páscoa.
Verdade. Agradeço e retribuo os votos de feliz Páscoa.
Há muitas obras literárias que precedem AS Bíblias. Um exemplo: Épico de Gilgamesh, da Suméria, 2100 A.E.C (= 4100 anos de idade, mais do dobro do Novo Testamento). Conta a estória da grande inundação do Mundo, onde o deus lá da zona instrui o Utnapishtim a construir um barco para si, para a sua família, e seus animais. Esta estória era tão popular que, quando um grupo de imigrantes de Canaan por lá passaram num tal de “exílio”, escreveram-na no seu “Livro do Génesis” do “Velho Testamento” (aka na Torah do Talmude, i.e. a Bíblia Hebraica), e obviamente mudaram o nome para um dos da sua tribo: Noé.
O acto de exigência cultural não é ler estes livros de ficção religiosa, mas sim ler livros cietíficos, com lógica, com decência. Dos temas da Bíblia Hebraica, faz-se um conjunto de fazer competição ao Mein Kampf: nacionalismo, racismo e xenofobia, apelos à violência, misoginia, opressão, belicismo e crimes de guerra, limpeza étnica, e genocídio. De facto a inventada “israel” moderna segue esses ensinamentos à risca. Daí o próprio Einstein e Arendt terem comparado esse projecto colonial com a Alemanha Nazi logo em 1949, apenas 2 anos após as linhas no mapa terem sido desenhadas ao calha por porcos imperialistas Anglo-Americanos.
Quanto à citação do Dostoievsky, é puro fanatismo. Leia-se a sua obra, mas dispense-se esta estupidez. Se “for preciso escolher entre Cristo e a verdade, escolho Cristo”, então significa que o fanático religioso escolhe a mentira em que acredita, pois ficou cego, deixou de usar a lógica, ficou com o raciocínio neutralizado pela lavagem cerebral do “Mein Kampf” israelita, aka o Talmude.
Por fim, factualmente o Novo Testamente não tem nada a ver com um homem chamado Jesus, que já estava morto há muitas décadas quando finalmente uns ALEGADOS discípulos e seguidores dos discípulos começaram a escrever coisas sobre a vida desse HOMEM.
Portanto o Novo Testamento não é de Jesus. É um diz-que-disse escrito décadas mais tarde, por vezes por anónimos, e com versões diferentes da tornada oficial pelo Vaticano.
Por exemplo, os pergaminhos mais antigos têm versões contraditórias, ao ponto de uns falarem do PROFETA que MORREU, enquanto outros, de data semelhante, falam do CRISTO que RESSUSCITOU. Daí que durante cerca de 300 anos, no Cristianismo inicial, havia a divisão entre os da Trindade e os do Arianismo. Para resolver as coisas de uma vez por todas, um imperador tresloucado mandou fazer um concílio, decidiu-se que a versão da Trindade é que era boa, e ai de quem continuasse a defender a versão do Jesus homem profeta, pois acabava preso, torturado, assassinado, e empalado.
Neste ponto, resta-me citar-vos: “noções inequívocas sobre a conduta individual e colectiva, sobre nós, sobre os outros, sobre todas as coisas, sobre a vida e a morte, sobre a dignidade humana”. De facto…
Nos Testamentos, acima de tudo no Hebraico mas também no Cristão, está lá preto no branco coisas que se sabe hoje que são mentira, reveladoras de total ignorância, coisas escritas com más intenções, e alarvidades. Por exemplo:
– que um homem gay é uma “abominação” e que deve ser condenado à morte;
– que uma menina após a primeira menstruação (aos 12 ou 13 anos) já está em idade para casar com um homem adulto;
– que o Sol é uma coisa “especial”, DIFERENTE das estrelas;
– que o certo é cometer genocídio de crianças e bebés inocentes, para castigar um faraó, cujo alegado crime (escravatura dos israelitas) nem sequer é corroborado pela arqueologia;
– que a mulher deve obedecer ao marido;
– que se devem destruir templos religiosos de outras religiões, ou até mesmo de diferentes denominações que difiram da nossa dentro desta religião. Destruir os templos e perseguir e matar os seus crentes;
– que o tal de Jesus (NT) é o anunciado no AT, pois é “descendente” de David, apesar de José não ser seu pai, pois a Maria era virgem…
– que a Terra só tem 6 mil e tal anos, e que dá para estabelecer uma linha lineológica desde Maria até Adão e Eva. E tudo “bate certo”, o Moisés apenas precisa de ter várias centenas de anos;
– que os israelitas são “escolhidos” por Yahweh (“deus”), mesmo apesar de se saber que isso era uma afirmação comum no Politeísmo de Canaan. Ex: Moabitas “escolhidos” por Chemosh.
Etc.
Já é altura da humanidade evoluir.
Páscoa feliz para si também.
Caro Victor Pereira…
O seu comentário é interessante.
Não concordo com o segundo parágrafo, sobre Israel.
Existem umas imprecisões.
P. S.: Gostei do uso de “A. E. C.” (Antes da Era Contemporânea).
Também se pode usar “A. P.” (Antes do Presente).
Cumprimentos.
João Barros da Costa
A. P. (com pontinhos) é excelente acrónimo para si e o seu compincha: Almas Penadas.
Jesus volta. Não desce numa nuvem com trombetas, porque o espaço aéreo está saturado de drones da Amazon e o 5G interfere na mística. Ele aparece no Martim Moniz, de sandálias, e a primeira coisa que lhe acontece é ser multado pela Polícia Municipal por “venda ambulante de esperança” sem licença da autarquia.
Jesus tenta explicar a cena da dignidade humana. Azar o dele. No segundo em que diz “os últimos serão os primeiros”, é imediatamente bloqueado pelo algoritmo do Instagram por “discurso de ódio contra o empreendedorismo e a meritocracia”.
Jesus tenta o clássico milagre da comida. Mas estamos em 2026.
“Este pão tem glúten?” perguntam uns.
“O peixe é de aquicultura intensiva?” gritam outros.
“E a pegada de carbono deste vinho feito à martelada?” a preocupação é geral.
Jesus suspira. Tenta explicar que a libertação é espiritual, e a malta responde que a única libertação que interessa é a do IRS. Ele acaba no tribunal da Relação, acusado de não passar fatura com número de contribuinte nos milagres.
Jesus tenta curar um cego no Metro de Lisboa, mas o cego recusa porque prefere manter a pensão de invalidez. Além disso, a Ordem dos Médicos abre-lhe um processo disciplinar por exercício ilegal da profissão.
E aquela frase do Dostoievski? “Se for preciso escolher entre Cristo e a verdade, escolho Cristo.” Pois bem, hoje em dia, a malta já nem escolhe Cristo nem a verdade. A malta quer é ter Wi-Fi.
Jesus, diz: “Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem”.
E o Pai responde pelo WhatsApp: “Eu sei, Filho. Eu vi o histórico de navegação deles. Estão mesmo desorientados. Vou pedir à tua Mãe para rezar por eles.”
Feliz Páscoa para todos os Delituosos. Cuidado com o colesterol e que o borrego seja tenro, porque a realidade é dura.
Ergo um copo de Tapada do Chaves à sua saúde e à da restante tribo deliciosa nesta última Páscoa verde-sapo.
Só gostava de saber a quem é que você ergue o copo do Pera Manca?
Eu acho que o Pedro nunca divulgará, aqui, a quem é que ergue o copo de Pêra-Manca… (Pois é verdade, não resisti, caro Pedro…
)
Ou, então, também pode acontecer que o Pedro não veja nada de especial no Pêra-Manca, o que até acontece com alguma frequência…
Aliás, se o Pêra- Manca estiver para o Pedro como o perfume Chanel nº 5 está para mim, será coisa para experimentar uma vez e nunca mais…
Enfim, gostos são cenas muito discutíveis e subjectivas e tanto faz que sejam vinhos, perfumes ou outra coisa qualquer… 
Minha cara Paula Dias,
Agradeço o esforço de reflexão, mas comparar o Pêra-Manca ao Chanel nº 5 é de uma ingenuidade tão fofa que quase me faz esquecer que estamos a falar de substâncias que entram no corpo por orifícios consideravelmente distintos. O Chanel nº 5 é um cheiro estático. O Pêra-Manca é um ecossistema. Se não gosta do perfume, o problema é do seu nariz; se o Pedro não gostar do vinho, o problema é da colheita, do solo, do clima ou do facto de a vida ser uma sucessão de desilusões engarrafadas.
Portanto, Paula, comparar um líquido que se põe por fora para disfarçar o cheiro a humanidade com um néctar que se bebe para suportar a referida humanidade é, no mínimo, um exercício de optimismo sensorial.
Ergamos nós um copo, preferencialmente com algo que não saia de um vaporizador.
Não tem que agradecer, caro Carlos. Não fiz esforço nenhum para reflectir, aliás eu reflicto naturalmente e sobre qualquer assunto…
Apelidarem-me de “ingénua fofa” é de um enternecimento que me faz até esquecer que o Carlos depreciou o meu nariz, por acaso, detentor de um apuradíssimo olfacto…
Mas, e já agora, pergunto-lhe: Porque é que o meu nariz há-de ter algum problema, por não gostar de Chanel nº 5? Porque é que o problema não há-de estar num perfume que se mostra incapaz de me seduzir e cativar?
E mais ainda: Parece que a malta que estuda o cérebro assegura que o olfacto é o único sentido capaz de evocar emoções e memórias, logo haverá certos aromas que gozam dessa prerrogativa. O Chanel nº 5 não me suscita qualquer sensação positiva, nem me desperta qualquer memória, boa ou má, e a culpa é do meu nariz?
Acho que o caríssimo deveria rever essa sua convicção acerca de certos narizes alheios…
Por outro lado, caro Carlos, não se esqueça que o processo de conceber e de produzir um vinho e um perfume até são bastante parecidos, pelo que não será assim tão descabido “comparar um líquido que se põe por fora para disfarçar o cheiro a humanidade com um néctar que se bebe para suportar a referida humanidade”…
Ambas as situações requerem a presença de um ou mais “alquimistas sensoriais”, para se conseguir alcançar um produto final capaz de seduzir as mais diversas naturezas humanas…
Confesso que tenho uma certa “panca” por perfumes, mas nunca me ocorreria ingerir algum deles… Portanto, sim, “ergamos nós um copo, preferencialmente com algo que não saia de um vaporizador”…
Bebamos, caro Carlos! Em honra dos “alquimistas” que conseguem seduzir-nos e cativar-nos com certos “néctares dos Deuses”, mas também com inesquecíveis fragrâncias.
(Alerta para a presença de algum sarcasmo e ironia).
Bebamos, sim. Em honra dos “alquimistas sensoriais”. Mas de preferência em silêncio, só para não estragar o bouquet.
Com certeza, Carlos, bebamos em silêncio.
Mas não se esqueça de que o silêncio também fala… Às vezes, até grita… Só é preciso quem o queira ouvir…
Por aqui foi um Fedelho, um verde tinto de Ponte da Barca e que por razões longas de explicar é querido na família.
Bem sei que isso de acompanhar uma robusta carne no forno com um verde, ainda que tinto, será para muitos irredimível blasfémia. Mas depois do repugnante absurdo escrito acima, por um tal Pereira – tudo serve para vomitar anti-semitismo e espezinhar o cristianismo -, é falta perfeitamente relevável.
Um tranquilo, tanto quanto possível feliz e esperançoso, domingo de Páscoa.
Subscrevo a escolha, caro Costa: um verde tinto acompanha lindamente as carnes assadas mais pesadotas e apuradas; e a acompanhar sardinha assada é im-ba-tí-vel. Sardinha assada só com verde tinto, é um dogma, eheheh.
Faltaram as malgas…
Falta sempre qualquer coisa… Eu não me ajeito com malgas, tendo a babar-me; mas num púcaro de barro vidrado não digo que não, realça o “piquinho”.
Bebamos!
diferença abismal entre a vida dos países onde predominam Cristãos e a lástima dos outros
Cada um sabe de si. Eu não troco esta parcela do globo por nenhuma outra. Mais procurada que nunca – por algum motivo será.
idem, ibidem …
” Se for preciso escolher entre Cristo e a verdade, escolho Cristo.»”
Isto é uma opinião de certa forma leviana, pois a verdade deve ser o pilar da vida humana e penso que Cristo também pensava assim.
Um homem que mente com quantos dentes tem na boca só pode ser um emissário do diabo bem pior que uma língua de trapos. Por isso, escolher Cristo é antes de mais olhar para a verdade em si mesma reflectida em si próprio.
Não é por acaso que o pinóquio era feito de madeira.
Boa Páscoa.
Obrigado. Retribuo com gosto os seus amáveis votos.
Sendo que Cristo disse “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, a escolha de Dostoievski era na realidade entre duas verdades, ou, melhor dizendo, entre dois conceitos de verdade.
Quando se fala sobre a Bíblia e, no momento presente, sobre tudo o que está associado à Páscoa, lembro-me quase sempre do desespero de Jesus crucificado, pouco tempo antes de sucumbir à morte, expresso desta forma:
– “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”
Esta é, de resto, para mim, a frase mais tocante e assombrosa de toda a Bíblia…
Quem, ao longo da vida, nunca se sentiu abandonado, desesperado, desiludido com aquele(s) em quem acreditava profundamente? E não, não estou a falar somente em sentido religioso ou em crenças religiosas…
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/3 97202.html
Confesso, Pedro, que não estava à espera disto… E também confesso que me arrepiei…
Na verdade, mas com o devido respeito, em 2009, eu “estava a milhas” do DELITO e, portanto, hoje, não imaginaria que a opinião do Pedro sobre este assunto fosse tão parecida com a minha…
Sinto-me acompanhada e isso é uma sensação muito boa. Sem pretensiosismos bacocos, diria até que esta sensação será oposta à de Jesus, naquele momento…
Obrigada, Pedro.
Ora cá está outra coincidência ‐- chamemos-lhe assim à falta de melhor termo. Talvez não muito surpreendente.
Repito o que em 2009 escrevi em resposta a uma querida leitora:
Jesus ousou experimentar a condição humana — e nenhum deus foi tão grande exactamente por causa disso.
“Jesus ousou experimentar a condição humana — e nenhum deus foi tão grande exactamente por causa disso.”
Subscrevo inteiramente. E é essa proximidade de Jesus à condição humana que, de certa forma, faz dele “um como nós”. E isso faz toda a diferença…