Pensamentos à frente de uma bica


Paulo Sousa,

O PS que Sócrates re-inventou, e que continua a ser zelado pelos seus herdeiros, só existe enquanto continuar a conseguir fazer ao país o mesmo que já fez ao PCP e BE. Estes últimos já entenderam que apenas podiam sobreviver se o lancetassem da sua existência. O país, e parte do PSD, ainda não.

56 comentários em “Pensamentos à frente de uma bica”

  1. Diz bem, parte do PSD ainda não percebeu porque a outra parte do PSD percebeu, e bem, quando me roubou o 13° mês e quando me roubou 3,5% no vencimento. E só queria que visse o ar de satisfação deles ao aplicar as medidas estúpidas em dobro.

      1. Pois, por acaso eu já era nascido, e segundo consta tinha havido uma reunião com o Passos, onde foi explicado o pré acordo entre a Alemanha e Portugal.
        Gostaria também de lembrar o facto da esquerda se ter aliado à direita para chumbar o orçamento.
        E já agora também gostaria de lembrar o contributo inestimável de Cavaco Silva na formação de governos sérios e estáveis.
        Paulo Sousa, há podres tanto no PS como no PSD, e nos outros é igual. Todos têm telhados de vidro, pretender enaltecer uns em detrimento dos outros é pura fantasia.
        Como diz o velho ditado, vergonha não é roubar, vergonha é ser apanhado, e o Sócrates teve azar foi apanhado, porque os outros andam aí à solta e roubaram tanto ou mais que ele.

        1. E o país continua estagnado, porque o PS luta por manter as suas clientelas. Os mais novos que emigrem, e os pobres que se lixem enquanto esperam por vaga no IPO. Esse e o humanismo dos votantes no PS, BE e PCP.

          1. Lá está você com a lengalenga do país estagnado. Diga lá, neste contexto quem é que fazia melhor?
            Era o PSD a gamar aos pobres para injectar nos bancos e meter nas off-shores?
            Está a esquecer a manifestação ” que se lixe a troika” que até o Cavaco tremeu? E tudo porque o Passos quis fazer a austeridade em dobro?
            Ou acha que a folha de Excel do Gaspar é que ia tirar o país da estagnação?
            Ó Paulo Sousa seja sério e diga lá o que é que se pode fazer de reformas com metade do país a puxar para um lado e metade do país a puxar para o outro?

          2. Não é metade, é mais de metade a querer que tudo fique na mesma, e que conseguem fingir que não sabem que ficar na mesma coloca-nos a caminho da próxima Troika. Sem as reformas o destino será o mesmo, é uma questão de tempo. Entretanto os jovens saem e o último que feche a porta.

          3. Todos iguais sem excepção, apenas muda a retórica e no fim todos amém. Todos sem excepção concordaram e concordam com as políticas covid sem nunca se dignarem a questionar o mínimo que fosse e sempre aceitaram a narrativa oficial, como se a medicina fosse uma ciência exacta que não é nem nunca será. Sabemos que cientistas de topo mundial disseram não, a tudo que circula como verdade absoluta, mas nenhum os questionou… Mais grave ainda é o PSD ter a iniciativa de querer mudar a constituição não para nosso bem
            . Todos iguais e o mais vergonhoso é não temos um único partido do lado da verdade e todos se encobrem uns aos outros. Nenhum presta, todos iguais…

          1. Pois, só que para se fazerem reformas estruturais é preciso uma maioria de 2/3 e sem o entendimento entre o PS e o PSD, isso é para esquecer.

    1. Caro Carlos Sousa,
      Trabalhou esse 13° mês?
      Sempre a pedinchar, sempre a mendigar, quando será que as pessoas se apercebem que o dinheiro resulta do esforço e do trabalho.
      Há um provérbio africano que diz: “quem não trabuca não manduca’.

      1. Pedro Oliveira, por enquanto ainda vivemos num país livre e democrático, e como tal existem leis de trabalho e contratos colectivos de trabalho. Tanto uns como outros têm de ser respeitados, não estamos numa república das bananas.
        O 13° mês é meu por contrato, e eu quando fiz o contrato com a minha entidade patronal, vendi a minha força de trabalho, não estou em saldo. Portanto só tinham de cumprir o contrato que assinaram comigo, mais nada.

        1. Os que pagaram a austeridade com desemprego, que se lixem, até porque são os mesmos que tem de esperar por vaga para o IPO. Os da ADSE não querem saber disso para nada.

          1. Mas quando é que você introduz aí na narrativa o dinheiro que os barões gamaram?
            Já reparou que foi na austeridade que os ricos ficaram mais ricos e os pobres ficaram mais pobres?

        2. Infelizmente os tribunais são mais do mesmo. Não produzem nada, são lentos e caros. Para cúmulo dos cúmulos este PS como governo deu aumentos de 700€ mensais aos senhores magistrados para nada fazerem. O incrível é que ninguém se indignou com este aumento porque somos todos nós que lhes pagamos e pasme-se, o PCP até concordou. Quando é para dar aumentos a quem trabalha nunca há e até cortam. Pobre de quem tem de recorrer aos tribunais, por isso meu caro nunca mande ninguém recorrer à justiça porque a justiça neste país é lenta, medíocre e inacessível à maioria dos cidadãos, mas mande os políticos cumprirem, o que prometeram em campanha eleitoral que nunca cumprem.

          e mesmo assim este governo deu aumentos de 700€ mensais aos senhores magistrados para não fazerem nada mesmo…

          1. E você a insistir nas reformas de fundo.
            Diga lá a sério, no contexto actual quais são os partidos que você entende que podem fazer as reformas de fundo para melhorar a vida dos portugueses? Ou prefere continuar a desconversar?

          2. Desconversar é ter estado na iminência de não receber ordenado, e continuar fingir que quer rasgar as vestes por lhe terem feito alguns cortes. O que dirão os que ficaram sem emprego? E não têm ADSE? E não vivem nos grandes centros urbanos, onde os passes sociais foram dramaticamente reduzidos, enquanto no resto do país se pagam dos combustíveis mais caros da Europa. É estar-se pouco marimbando para que um quinto dos portugueses viva na pobreza e por isso é queixar-se de barriga cheia.
            Sobre que partidos podem fazer as reformas necessárias digo-lhe, e na linha do texto inicial, que quem aspire por reformas, não pode votar PS, porque o PS apenas está motivado a garantir o imobilismo, até à próxima falência.

          3. É engraçado, uma pessoa de direita que defende o capitalismo como solução para o país, acusar um trabalhador de se queixar de barriga cheia.
            É verdade que não trabalho nas estufas em Odemira, cujas condições de trabalho são a matriz dos empresários deste país.
            Já reparou que somos o país europeu cujos empresários têm o nível de escolaridade mais baixo?
            Mas na linha do texto inicial, se você excluir o PS, vai fazer as reformas com quem, e como?

          4. Deixe lá, em contrapartida os trabalhadores são os que têm a escolaridade mais alta.

          5. Os beneficiários da ADSE, no activo e aposentados, descontam mensalmente 3.5%.

          6. Sei assinar o meu nome, e sei também que a vida dentro de uma bolha estanque é a melhor maneira de achar que se detém a verdade, a única.

  2. Qual é parte do PSD que não quer reformas ?
    Foi aquela que disse que queria uma factura discriminada de uma das ultimas injecções de capital no banco bom ?

    WW

    1. O PSD nunca quiz reformas. A Direita fala de reformas porque precisa de algo para ganhar votos. É verbo de encher. Basicamente limitam-se a seguir o que UE diz que se deve fazer.
      “São bons alunos”, mas mais de 20 anos depois ainda não aprenderam nada…
      Quando vão para o Governo as únicas reformas que fazem é aumentar impostos, inventar novos impostos e aumentar o poder do Estado. Direita Socialista portanto…

      1. Não se lembrará mas o PSD fez muitas reformas que transformaram o país.
        Se o PSD estivesse há tanto tempo no poder como o PS teria tantos ou mais vícios que este, mas como não teve tanto tempo, não tem um currículo tão negro.

        1. Deve estar esquecido do cavaquismo. Duas vezes 1° ministro e duas presidências. No fim desse maravilhoso reinado, o businão na ponte devia ter sido o agradecimento pelas reformas que fez.

          1. Isso do buzinão foi uma manifestação popular (na altura ainda não existiam os “orgânicos”) por causa dos preços dos combustíveis, certo? Agora não há disso, mesmo com todas as subidas devemos estar bem abaixo desses valores históricos.
            Para ser justos, no tempo do Cavaco não existia emigração forçada, honra lhe seja feita. Só combustíveis caros.

        2. Os vícios não são problema, as ideias são.
          As únicas reformas que lembro que PSD fez foi nos anos 80. E isso porque a CEE queria, excepto talvez a das TV e jornais livres até porque o Expresso-Grupo Balsemão na altura era PSD. Num pequeno espasmo nos anos 80 o PSD Cavaquista foi modernidade mas já no fim da década tinha acabado o gás.
          Este regime socialista tem como grande obra destruir capital e espirito de criar que já não é grande num país da inveja. Tudo o que é criado é para taxar, punir quem se mexe e faz. O PSD ajudou a isso, não tanto como o PS, não tanto como o PCP ou o Bloco mas ajudou. Como resultado Portugal está exangue.

  3. 100% de acordo consigo Paulo (aliás, como de costume).
    Lembro-me de um discurso de um dirigente da IL ( Cotrim de Figueiredo, acho) em que se afirmava que somos tão miseráveis enquanto povo que tantos de nós se contentavam com as migalhinhas oferecidas pela esquerda. Um aumentozinho de 2% na pensão, mais 10 euros por mês no salário, menos uma hora de trabalho por dia… Vender a pátria e o futuro dos mais novos por um prato de lentilhas.
    Eu tenho visto cada vez mais jovens qualificados (e não qualificados) a sair do país. Estão na casa dos 30 e não se conseguem aguentar fora da casa dos pais com os ordenados que auferem. É simplesmente assustador.
    As reformas são urgentes.

    1. É doentio ver tanta gente que do alto do seu (deles) estatuto de patrícios muitos níveis acima dos plebeus, e que vive dentro de uma bolha revestida a direitos adquiridos e imbuída de um misto de egoísmo classista e desprezo pelos que consideram abaixo de si (deles).
      Mudar de rumo é dar esperança aos mais novos e é urgente.

      1. Paulo, os funcionários públicos recebem, no geral, salários muito baixos. Mas sabem com o que contam, e assim vão fazendo as suas vidinhas sem rasgo nem ambição. Trabalhando melhor ou pior, fazendo mais ou menos, com brio ou com a falta dele, o ganho é o mesmo. Têm más chefias, incompetentes e muitas vezes malcriadas, mas podem contar com algumas benesses importantes como a ADSE, que lhes permite escapar às garras do SNS, além de um cálculo mais favorável dos anos de trabalho para fins de reforma. Vão-se aguentando, ano após ano, à espera daqueles 10 euros a mais ao fim do mês. Já nem sequer podem sonhar com as progressões automáticas. Apenas sonham com o dia da reforma. Na realidade é tudo muito triste.
        E o que para mim é mais assustador é ver a ineficiência brutal deste monstro que é a administração pública, com chefias impreparadas, burocracia interminável e funcionários desmotivados. Esta triste realidade é bem visível na incapacidade de uma instituição como o SNS tem de cumprir com um simples calendário de vacinação na ausência de um comando externo.

        1. Vida de F P é triste. Conheço (parte) aquele mundo, e há gente com muitos anos a ganhar misérias. Os processos de avaliação são uma tanga.
          Mas não é assim tão diferente da vida de muitos privados, trabalhadores com qualificações. A diferença é que perante a insatisfação, os FP vêm para a rua reivindicar, os privados fazem-se à vida. Não conheço muitos FP que tenham trocado essa vida de sacrifício por uma vida de nababo no sector privado.

        2. Não tenho os FP como o centro do problema. Também andam desmotivados. Quando Paulo Macedo esteve à frente das Finanças passaram algumas notícias da atenção que ele dava às queixas internas e preocupava-se me resolve-las, exactamente para ter as equipas motivadas. Isso faz muito mais diferença do que simplesmente regar os problemas com dinheiro. Falta reorganizar e reorientar os serviços, de forma a que todos possam fazer parte de uma nova dinâmica. A esquerda situacionista e imobilista gosta de alimentar o facciosismo de por uns contra outros de forma a melhor fazer-se ouvir. O PS dá-se muito bem com isso e o meu texto é também sobre essa dinâmica perversa.

  4. Reformas e ausência delas, mas ainda não vi propostas. Por isso aqui vai a minha proposta.

    a) reformar o sistema eleitoral de modo as que as listas sejam abertas e portanto
    b) mudar o regime, que apenas sobrevive à custa de listas fechadas
    c) acabar com o CEJ e com todas as carreiras das magistraturas, de modo que
    d) passe a haver eleições para procuradores distritais
    e) aos cargos de juiz, apenas acessíveis por concurso, só possam concorrer advogados com mais de 15 anos de trabalho em advocacia e/ou procuradorias distritais
    f) ilegalizar todas as sociedades secretas que, já que o são, passam também a ser clandestinas
    g) eliminar os défices orçamentais através da variação dos salários dos servidores públicos,
    h) abolindo também as designações funcionários públicos e função pública
    h) eliminar progressões automáticas nos serviços públicos
    i) eliminar todas as mordomias dos deputados: subsídios de renda de casa, assessores, etc.
    j) testes obrigatórios e eliminatórios de inteligência a candidatos a deputados e vereadores

    E podia continuar, que a minha lista é extensa. Mas acho que já lancei bastante lenha na fogueira. Obviamente apenas para me queimar e por isso vai anónimo.

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