
Em Junho do ano passado, com o País assolado pela pandemia e o futebol sem público nas bancadas apos três meses de paralisação total, o Governo lembrou-se de tirar da cartola o chamado «cartão do adepto». Coisa para armar ao modernaço, apanhando boleia do ar do tempo. Pretendia-se “combater a violência nos recintos desportivos” – quando eles estavam mais vazios que nunca – e travar «o racismo, a xenofobia e a intolerância».
Belos princípios, péssima maneira de legislar. Na bolha do gabinete do secretário de Estado do Desporto, manifestamente incompetente para exercer tal função.
A portaria de João Paulo Rebelo, como sabemos, não serviu para nada. Nenhum adepto passou cartão ao tal «cartão do adepto», mera tontice burocrática condenada ao fracasso desde o vagido inicial. De tal maneira que acaba de falecer, envergonhadamente, em estado virginal. Revogado na Assembleia da República, por proposta da Iniciativa Liberal, sem sequer um voto a defendê-lo no hemiciclo.
Finou-se com a tenra idade de 16 meses de existência virtual. Estava escrito nas estrelas, logo no primeiro dia, que só podia mesmo terminar assim.

Tem razão foi uma ideia muito estúpida a do cartão do adepto. Se eles queriam acabar com “o racismo, a xenofobia e a intolerância ” porque é que não incluíram o cartão do adepto no certificado de vacinação? Só tinham era de aumentar o período de validade, deixava de ser de seis meses e passava a ser por época.
Ou então fazer como na Áustria, pôr a polícia à procura dos não adeptos, e quem fosse apanhado ficava em prisão domiciliária e proibido de ver jogos na televisão.
Nenhum adepto passou cartão ao tal «cartão do adepto»
“foram emitidos até hoje 2.949 cartões do adepto e registados 111 promotores de eventos”
sem sequer um voto a defendê-lo no hemiciclo
É verdade. Mas com muitas, muitas abstenções. Dos dois principais partidos. Uma maioria qualificada da Assembleia absteve-se. Curiosa lei esta, em que tanta gente se abstém.
É preciso justificar o crescimento da burocracia. Mas quando o povo não é obrigado pela violencia da lei não funciona…
O que também devia “falecer” é a carreira política desse secreta´rio de estado do desporto…
ontem assisti a parte dum jogo de futebol
com vários aleijadinhos e um perú oferecido pelo guarda-redes
Ninguém pergunta como isso do cartão do adepto passa em votação parlamentar e meia dúzia de meses depois vai à viola sem um voto a favor?
Ridículo. É a mania do Estado meter o bedelho em tudo para reprimir a sociedade civil e criar uma sociedade de gente meio-escrava e presas ao seu próprio atraso atávico. Agora até as “afeições” clubísticas — e qualquer dia as outras, todas as que possam ser associadas ao NIF —seriam controladas pelo Estado. Não há sequer maneira de contabilizar quão pobre e estúpida é esta gente. Uma bosta de gente que mais valia não existir.