A natureza das pessoas, aquilo que lhes é inato, devia ser a bondade. Porém, constato que não é bem assim. As pessoas são naturalmente más e de vez em quando resolvem ser boas. A maldade atrai maldade, além de que o caminho da maldade é muito mais fácil. Só há um caminho, o da verdade, o da bondade. Quem não anda neste caminho foi porque se afastou dele, porque fraquejou e encontrou nas trevas uma alternativa à luz.
Ouse nunca se afastar do caminho, escolha sempre a verdade.

Por desgraça é comum que as conversas preferidas sejam o desfilar dos azares e maleitas alheias, daí se extraindo mais descarada que envergonhadamente uma mal disfarçada satisfação. Alguém disse um dia que na nossa cultura para sermos felizes nem é preciso que a vida nos corra bem, basta que corra mal aos outros que nos rodeiam
É tão assim que até irrita.
Pois é precisamente o contrário, como simples animais mamíferos a bondade não é inata, esta arrogância de que até somos melhores do que os outros animais é, só por si, partir de uma premissa errada, basta olhar para a História dos seres humanos.
Aquilo que andamos sempre a tentar, é mudar a nossa própria natureza com uma película muito fina de civilidade. Aliás, usamos de tudo para que as pessoas não deixem vir ao de cima a sua própria natureza. A religião foi uma dessas maneiras, através do medo, conseguir que elas agissem de maneira diferente, no nosso caso, 10 mandamentos ou regras para não entrar no Inferno.
Como animais, claro que há pessoas diferentes de outras, ora a única coisa que nos faz diferentes é a energia positiva ou negativa, e a positiva não é nada de extraordinário, apenas equilíbrio… em vez de trevas e outros afins, pelo estudo das leis da física clássica e, mais recentemente, da física quântica vamos entendendo melhor o Universo… quanto às espécies que habitam a terra, tenho mais respeito por todas as outras do que pela nossa e, para abreviar, enquanto elas podem matar para sobreviver, nós, a espécie que se considera a mais… Tudo, mata por prazer, ou para obrigar os da mesma espécie a agir ou pensar da mesma maneira e, pior… não sabe parar de querer, numa constante orgia de consumismo, ganância, egoísmo e tomadas de poder.
Basta nascer em sítios diferentes para as regras mudarem, enquanto numas o suicídio é pecado, noutras pode ser um acto heroico, claro que aí há logo os que se consideram superiores… apenas uma diferente “capa de regras” que é colocada ao nascer.
Até olhando para uma espécie próxima da nossa, os chimpanzés, eles não desprezam os da mesma espécie por terem uma cor de pêlo diferente, nem precisam de leis escritas para sobreviver em conjunto, ao contrário de nós que estamos sempre prontos a discriminar, por qualquer motivo, e cada vez criamos mais leis e regras para conseguir, simplesmente, viver. Apesar de descendermos todos de um pequeno grupo que veio de África e até diria mais, somos feitos da mesma matéria de tudo o que existe no Universo, o que inclui as pedras que vê à beira do caminho, andamos sempre a arranjar pretextos para excluir e inferiorizar.
Esta criação humana das religiões, será apenas mais um motivo para andarmos a exterminar-nos mutuamente.
Agora o que considero ainda mais perigoso na nossa espécie (que como todas as outras, ao cimo da terra, acabam sempre por desaparecer) é a particularidade do cérebro humano acreditar em premissas falsas, desde que elas sejam repetidas muitas vezes e, ainda mais depressa, se for dita por uma pessoa que provoque o Efeito Halo, para não falar das outras 1001 maneiras de conseguir enganar o cérebro humano… coisa que bem pode abreviar a nossa existência na Terra, entregar a psicopatas o poder de comandar os nossos destinos.
Concordo com algumas coisas, mas denoto demasiado pessimismo, e até mesmo energia negativa em tudo o que refere. A espécie humana tem muitos defeitos, mas aconselho-a a fazer uma lista de todas as coisas boas que os humanos realizaram desde que há memória. Irá surpreender-se.
Só quem for muito jovem, viva dentro de bolhas protegidas, ou não olhar para além do horizonte do seu casulo, pode acreditar em contos de fadas.
Mesmo aqui pertinho, numa europa dita civilizada, neste momento já morreram mais de 5.000 pessoas na Ucrânia.
Neste preciso momento morrem crianças, de fome, bombardeadas, violadas, desprezadas pela sua própria espécie…
Não é energia negativa, é apenas não se ser cego perante uma realidade cruel em que os únicos culpados são os seres humanos. Fazemos o quê?
As estatísticas não melhoram, só aumentaram os grandes negócios que dizem ser criados para combater a pobreza.
-80% da humanidade vive com menos de US $10 por dia.
-Segundo a UNICEF, 22 mil crianças morrem por dia devido à pobreza.(faça as contas ao segundo)
-Estima-se que quase um terço das crianças dos países em desenvolvimento estejam abaixo do seu peso ou raquíticas
-No ano passado, cerca de 70 milhões de crianças em idade escolar primária, não estavam na escola.
-Quase um bilhão de pessoas comemoraram a chegada do século 21, sem ser capaz de ler um livro ou assinar o seu nome.
-Doenças evitáveis, como a malária, afligem quase 500 milhões de pessoas todos os anos.
-Há 2,2 bilhões de crianças no mundo, metade delas vive em extrema pobreza.
– Mais de 1 bilhão de pessoas, tem acesso inadequado à água e a 2,6 bilhões de falta saneamento básico e é, por isso, que 1,8 milhões de crianças morrem a cada ano, de diarreia.
-Um quarto da humanidade vive sem eletricidade.
– As SETE pessoas mais ricas do mundo ganham mais dinheiro do que os países mais pobres juntos (cerca de 567 milhões de pessoas).
– 0,14% da população mundial possuem mais de 80% da riqueza financeira privada do mundo. A grande maioria dos ricos tem conseguido evitar todos os rendimentos e impostos imobiliários, tanto por parte dos países em que foi investido ou de onde vem.
– Por cada $ 1 em ajuda que recebe um país em desenvolvimento, mais de $ 25 é gasto com o pagamento da dívida.
-Quanto mais pobre é o país, o mais provável é que os pagamentos da dívida estejam a ser extraídos diretamente das pessoas que não contraíram os empréstimos, nem recebido qualquer dinheiro.
-Anualmente, 8.000 milhões dólares americanos são gastos em cosméticos nos Estados Unidos, 11.000 milhões foram gastos em sorvete na União Europeia, 17.000 milhões dólares foram gastos em ração animal na Europa e nos EUA, 100 bilhões foram gastos em álcool na Europa, 400.000 milhões dólares foram gastos com drogas no mundo e 780.000.000.000 dólares foram gastos com as forças armadas em todo o mundo mas… só 13 bilhões foram gastos em saúde básica e nutrição para todos.
-Para solucionar quase todos os problemas do mundo bastaria que o mundo gastasse menos de 1% do que gasta em armas.
Se pensa que isto, com o tempo, vai ser solucionado, ando cá há mais de meio século e melhoras é coisa que não tem havido, pelo contrário, este ano andam literalmente a roubar terras que eram usadas para o sustento dos habitantes de aldeias em áfrica, mas que serão usadas para explorar matérias primas ou cultivar monoculturas que vão destruir o meio ambiente.
Só se pode ter a mesma opinião… se estivermos a olhar para as mesmas coisas.
E, já agora, estarmos a comunicar com as novas tecnologias, fazemos parte dos 30% sortudos a nível mundial que as pode usar.
Coisas boas?
A tecnologia está a avançar mais depressa do que as pessoas conseguem entender algumas das suas implicações e consequências futuras. E aqui… é melhor nem falar disso porque não lhe quero criar pesadelos 😉
Não me causa pesadelos, porque nada do que refere é novidade para mim. Não vivo em nenhum casulo e sou grata por tudo o que tenho. O problema é que há demasiadas listas negativas, mas quando faço o repto para que me apresente uma lista positiva não o consegue fazer. Ninguém o faz!
…se ninguém o faz… já será um bom motivo para começar a desconfiar que algo, de muito errado, se passa com a espécie humana… a partir daí… tem duas opções e, nem precisa tomar o comprimido azul ou vermelho como no filme The Matrix 😉 pode escolher, entre viver num mundo imaginário que é apenas a representação daquilo que desejaria que o mundo fosse ou então, escolher viver no mundo real, sem retoques nem pinturas e, provavelmente, poderá perguntar qual a vantagem… se podemos, ficar no nosso pequeno mundo, entretidos com pequenos detalhes para ir escapando a esse sofrimento. Para mim, a opção, apesar de dolorosa, é muito simples e, como tudo na vida, quando se quer fazer parte de qualquer solução tem de se olhar para todas as partes do problema e não evitar olhar para algumas delas. Seria a mesma coisa que um médico que queira tratar um doente, como não gosta de ver sangue, não olha para o braço decepado e, como o colesterol está bom, não sofre de doença crónica, não tem excesso de peso, tem uns lindos olhos azuis… mesmo que deseje muito curar o doente, não bastará dar-lhe um comprimido para as dores, aconselhar repouso e esperar que o mal passe… presumo que o coitado vá piorar 😉
O livre arbítrio permite-nos escolher caminhos distintos. Não julgue as pessoas porque não estão sempre a falar do que está mal no mundo, não pense que são sábios os que todos os dias comentam a crueldade do ser humano, porque a queixa e o lamento não são o mote de quem realmente faz algo para mudar as coisas para melhor, e há muita gente que o faz. Por último, não condene aqueles que vêem a vida com olhos de gratidão, não os julgue ignorantes ou protegidos. Se o mundo é assim tão cruel e escolhe lamentar-se a vida toda, de que lhe serve esta vida?
Eu não julgo as pessoas que não estão sempre a falar do que está mal no mundo, julgo as pessoas que estão sempre a falar no que está bem do mundo, é muito diferente 😉
Eu nem sequer tenho certezas sobre nada, a única coisa que tenho tentado transmitir é que a Joana também não deveria ter tantas certezas sobre tudo.
Como já percebi que nem sequer entende o que lhe quero transmitir e acaba por distorcer o que lhe quero dizer e prefere, comentários que apoiem e suportem o seu ponto de vista, opiniões e conselhos, como é dona do seu espaço, como despedida, permita-me só… que deixe, por aqui, apenas e só, umas frases de um dos meus autores preferidos. Há aquelas pessoas que conseguem dizer e explicar muito, em poucas palavras, coisa que eu admito não conseguir, seja explicar ou em poucas palavras 🙂
“In the world we live in, what we know and what we don’t know are like Siamese twins, inseparable, existing in a state of confusion.”
― Haruki Murakami, Sputnik Sweetheart
“If you really want to know something, you have to be willing to pay the price.”
― Haruki Murakami, After Dark
“Closing your eyes isn’t going to change anything.
Nothing’s going to disappear just because you can’t see what’s going on.
In fact, things will even be worse the next time you open your eyes.
That’s the kind of world we live in.
Keep your eyes wide open.
Only a coward closes his eyes.
Closing your eyes and plugging up your ears won’t make time stand still.”
― Haruki Murakami, Kafka on the Shore
“Hey, Mr. Nakata. Gramps. Fire! Flood! Earthquake! Revolution! Godzilla’s on the loose! Get up!”
― Haruki Murakami, Kafka on the Shore
E ainda vou arriscar responder-lhe à sua pergunta “de que lhe serve esta vida?”
Podia dar-lhe uma daquelas respostas pré-feitas … Aprender mas, só pela pergunta, vejo que não estamos no mesmo comprimento de onda.
Primeiro é preciso saber de que vida estamos a falar. Se for da sua ou da minha, será como falar dos quark (se fosse há uns anos falaria em átomos como sendo as partículas mais pequenas) se falarmos da vida dos seres humanos no seu conjunto, estarei a falar de algo diferente. Está tudo a correr mal, precisamente porque cada quark tem a mania que é superior, pensa que sabe e tem respostas para tudo… arrogância pura e simples e em vez de soluções só acrescenta problemas.
Imagine um corpo saudável em que uma célula… resolve ser maior ou melhor que as outras, o corpo tem um cancro instalado. O maior erro humano é ignorar que faz parte de um Todo, assim sendo, apenas perde tempo a justificar e a valorizar a sua própria existência… já não temos só um cancro… o pobre corpo (nós todos como um Todo) mal vai conseguir sobreviver…Se sobreviver. Pior… nesse Todo estão incluídos os mares, os rios, as plantas, os outros animais (tudo o que um quark humano não respeita porque os considera inferiores e, para seu uso exclusivo).
Reduzindo tudo à sua simplicidade, instintivamente, já temos gravado o que, nesta nossa existência, é certo ou errado, ninguém precisa de manual, o problema é andarem muitos a tentar fornecer os seus próprios manuais o que servirá, apenas, para lançar mais confusão ou, criar as condições ideais para uns poucos se aproveitarem.
Com a confusão instalada, uma coisa lhe posso garantir, a vida da grande maioria dos quark humanos é tudo… menos simples mas, não é por isso que eu não deixarei de tentar simplificar. Como faço parte do Todo não posso sequer pensar que sou livre de escolher alguma coisa, mas posso começar por limpar a minha vida de coisas como ideologias, religiões ou outros fundamentalismos humanos, até do consumismo desenfreado… sem ser preciso entrar noutros tipos de fundamentalismos, como de me tornar vegetariana (quando tenho dentes caninos), curiosamente, só vejo as pessoas saltitarem de uns para outros, sempre à espera que, por aí, vão resolver os problemas.
Quando me obrigam a ter que fazer opções entre “detalhes”… tento analisar as premissas existentes nesse momento e tentar optar pelo mal menor, não para mim mas para Todos. Aqui, nem é por ser “boazinha” ou cumprir regras de algum manual, apenas sei que, do bem do Todo, dependerá o meu.
Talvez por pensar assim, analiso as circunstâncias desse momento, e não voto sempre no mesmo Partido político 🙂
Eu não valorizo apenas quem concorda comigo, reflecte ou comenta, porque se assim fosse não me dava ao trabalhar de ler o que escreve e muito menos ainda de lhe responder.
Conforme lhe parece incomodar as pessoas que estão sempre a falar bem, a mim é as que estão sempre a falar mal.
Citações, por sinal de um grande autor, mas desvirtuadas de contexto não fazem sentido para a ideia que transmito, porque eu nunca disse em momento algum para se fugir da realidade, disse sim que olhar para dentro é uma forma de analisarmos melhor as nossas emoções.
Eu fico perdida no meio de tanta teoria e dissertação, talvez porque seja muito prática ou porque sei muito pouco. Nunca lhe disse que estava errada, são pontos de vista divergentes e eu respeito o seu.
Por último, se me procurar na blogosfera, saberá que também falo do que está mal. Porém, como todas as pessoas só sabem falar do que está mal e porque é preciso equilíbrio no mundo, esta rúbrica é dedicada a pensamentos positivos, daqueles que nos tornam pessoas menos amargas e de mal com a vida, sempre a criticar tudo e todos.
Estou a gostar desta sua série “Pensamento para hoje”. Podia depois juntar todos num .pdf para facilitar a consulta.
Ainda bem que está a gostar, fico muito contente. Explique-me melhor a sugestão que faz por email: joana.nave@sapo.pt. Obrigada.
Tentei mas obtive a resposta:
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joana.nave@sapo.pt
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550 A conta do destinatario encontra-se suspensa por inactividade (#5.2.1)
»
Pode tentar novamente por favor?
A isso chama a Teologia cristã “pecado original”.
É o princípio de tudo, o que marca de forma irrefutável a condição da espécie humana.
Ninguém nasce mau. A formação de carácter de cada um de nós tem muito a ver com o modo como fomos criados. Isto num princípio, naquela altura em que os pais eram os principais educadores e nos incutiam os princípios primordiais da vivência e convivência em sociedade.
Depois , somos nós, as nossas próprias pessoas quem decide a acção e o caminho.
Normalmente escolhemos o mais fácil exactamente por isso. Nem sempre o caminho mais fácil é o mais justo, o melhor ou o mais verdadeiro.
Acordar para a crueza da realidade, acordar para a verdade nem sempre é fácil, quando a ilusão do que temos sido nos acena constantemente com falsos fulgores.
Em querendo muito, mesmo devagar se vai ao longe; o peso de que nos libertamos é considerável e sem os sentidos embotados, podemos enfim ser pessoas livres.
Beijinho Joaninha 🙂
Sermos livres é a verdadeira felicidade.
Em todos nós existem sentimentos positivos, como a alegria, a amizade, a empatia, o amor, e negativos, como a raiva, a tristeza, a vergonha, o ciúme.
Muitas pessoas não têm consciência dos seus sentimentos negativos, reprimem-nos até ficarem «anestesiados», e projectam-nos nos outros- «os outros são maus».
Não devemos negar e ignorar os sentimentos tóxicos que nos habitam, mas sim ter consciência deles, desenvolvendo o conhecimento que temos de nós mesmos, com verdade, por muito que nos custe a admitir.
Isso permite-nos fazer a opção de não nos enredarmos nas nossas (e nas dos outros) emoções destrutivas, e dando mais atenção e valor aos sentimentos positivos (aos nossos e aos dos outros). Este processo dura toda a nossa vida, com altos e baixos e sem perfeccionismos.
Excelente reflexão. Assino por baixo.
Joaninha,
A Verdade é a conjugação de várias verdades. E no caminho da Verdade todos os temas devem ser abordados a propósito e a despropósito, sempre com o objectivo de construir tal Verdade.
É aqui que reside a edificação do reino. E esta edificação é feita pela “justiça, pela misericórdia e pela fidelidade”. (cf. Mt. 23, 23)
A construção da Verdade é em simultâneo a construção do reino: “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e Sua Justiça e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo”. (cf. Mt. 6, 24-34 e em particular Mt. 6, 33)
Na construção do reino a confrontação ocorre na exacta proporção daquela que existia entre Jesus e muitos fariseus, e não só, de sua época. Isto é, com aqueles que colonizavam a mente das pessoas na mira de adquirirem o poder.
Como tal, a edificação deste reino, que é terreno, assenta em três pressupostos de vital importância: O Anúncio, A Denúncia e O Acolhimento.
Ao ocultarmos a verdade ficaremos ciente que, tal como Jesus afirmou quando pretendiam calar seus discípulos, o seguinte ocorrerá: “Se eles se calarem gritarão as pedras”.
Joaninha, hoje em dia o que faz falta é evangelizar os cristãos. Para que os pagãos, ao observarem suas condutas, as dos cristãos, queiram conhecer quem os impulsiona a isto.
É uma boa perspectiva. E como sugere que se evangelizem os cristãos?
Para que não me esqueça, deixo aqui um apontamento sobre o que significa Evangelho: Boa Nova.
Após o baptismo de Jesus no Jordão dois dos discípulos de João, o baptista, seguiram Jesus.
Vendo isto Jesus pergunto-lhes: “Que buscais?”. Responderam com outra pergunta: “Mestre, onde moras?”.
Jesus disse: “Vinde ver”.
(cf. Jo 1, 38)
Viram e permaneceram com ele. Um deles era André, irmão de Simão.
Certamente que eles não viram nada de faustoso. Mas acontece que o grupo multiplicou-se porque na realidade Jesus falou de uma morada que se edifica no coração de cada um.
Em tudo diferente do culto do templo e da escravidão da lei. Sim, essa lei religiosa que não libertava e não permitia a reconciliação da pessoa consigo mesmo, com a sociedade e com a transcendência.
A morada que Jesus mostrou não dependia do puro e do impuro. Por este motivo essa Boa Nova consistia em proclamar a liberdade aos cativos, restaurar a vista aos cegos, libertar os oprimidos e anunciar aos pobres… (cf. Lc. 4, 19)
O oráculo que Jesus tinha lido na sinagoga não era de todo praticado no Israel de então. Na medida em que todos quantos estivessem nessa situação eram vistos como que se merecessem tal castigo de Deus. E não é por acaso que os discípulos de Jesus se espantam quando este lhes afirma que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha que um rico entrar no reino dos céus”. De tal forma se espantaram que perguntaram: “Quem se salvará, mestre!?”. Jesus respondeu: “A Deus nada é impossível”. O que também inclua nestes a proclamação da salvação.
A riqueza, em contraste à doença e pobreza, era considerada uma bênção do altíssimo na tradição judaica. Mas o problema não residia no facto desta poder ser abençoada. Ele residia no facto do contrário ser considerado uma espécie de maldição e castigo. Logo, criava-se uma espécie de proscritos.
Pretendo com esta introdução entrar na questão da Boa Nova. Se a Boa Nova for vista como que um seguimento da tradição, então, não existe novidade alguma. E a afirmação em Lucas 16,16 sobre “a lei e os profetas duraram até João. Desde então é anunciado o reino de Deus….” não produz efeito prático.
Quero com isto dizer-lhe que é necessário assumir a condição humana e os dons que lhe são característicos, onde se inclui o erro. É neste acolhimento da fragilidade humana que se produz o milagre da transformação e/ou Transfiguração.
Acontece que os cristãos vivem uma religiosidade de costumes e preceitos, conceitos e preconceitos. E é natural que se caia na histeria religiosa das devoções e obrigações sem compreender que a realização de Deus é o encontro com o Homem, fazendo neste encontro a residência (morada, como referi acima) do Humano e do Divino.
E é isto mesmo que Jesus nos revela por sua vida e morte, isto é, a divindade da vida e da morte.
Tem aqui o Anúncio, a Denúncia e o Acolhimento.
As aulas de teologia são interessantes, mas a mim pessoalmente não me trazem qualquer valor acrescentado.
Quando lhe perguntei como se poderá evangelizar os cristãos, não lhe pedi que me descrevesse os evangelhos, nem a doutrina, isso eu já sei, mas sim que me explicasse o que fazer na prática.
Penso que o que afasta os cristãos de Cristo é precisamente a dificuldade que têm em entender as escrituras, e a Igreja muitas vezes não torna esta mensagem mais clara.
Posto isto, o que fazer em acções concretas para que a conduta de um cristão seja um exemplo a seguir?
A pergunta que coloca no fim é diferente da que colocou inicialmente. E demonstrei-lhe que evangelizar é evangelizar, anunciar a Boa Nova. Coisa que os cristãos parecem saber, e muito, mas não fazem.
É daquele tipo de sabedoria que se sabe mas não se vive. E por isto mesmo no sermão das Bem-aventuranças pode ser lido: “Bem-aventurados sejam os pobres de espírito”. Ser pobre de espírito não é ser-se destituído de capacidades mentais. É esvaziar-se de si mesmo para que a acção do Espírito o encha dessa outra Sabedoria que nunca os doutores e os doutores da lei absorverão. (note que já estou a responder à sua última questão).
A espada que determina o esvaziamento de si mesmo é a Oração. E esta Oração tem uma fórmula simples em seu início:
Meu Deus e meu Pai, em nome de teu Filho,
peço-Te que me dês a graça de conhecer os meu pecados,
a energia pra me arrepender
e ao Força para me converter.
Estes são os princípios fundamentais desse AMOR que se busca, porque reconhecendo em nós a igualdade perante os outros mais facilmente perdoaremos e mais facilmente construiremos o reino.
Acontece, Joaninha, que esse saber que é apregoado por muitos não passa de um saber catoniano.
Gostei mais desta resposta, mais directa e concisa. Vamos então anunciar essa Boa Nova, vivendo de forma única e agradecendo a Deus o dom da vida, que é a maior preciosidade de qualquer ser humano.
No mundo animal existem sociedades fortemente hierárquicas, e aqueles que transgridem as regras são ferozmente punidos e mesmo banidos.
Os animais não são bons nem maus, são geneticamente programados e social e injustamente reduzidos a um papel na hierarquia. Pensemos na guerra do macho dominante pelo poder que, quando velho e enfraquecido, numa derradeira luta, acaba por sair vencido, e tem de ceder ao macho que o enfrentou, o seu lugar de domínio e poder sobre o grupo, sobre os alimentos e os privilégios, e sobre as fêmeas.
Só o ser humano tem a capacidade de se libertar dessa condição, embora as oportunidades de «libertação» não sejam iguais para todos.
O ser humano é capaz de prodígios maravilhosos, desde que esteja para aí virado…
Lembrei-me deste seu post quando li esta notícia sobre o CEO da Toshiba que faltou à verdade e se demitiu: http://www.bbc.com/news/world-asia-33606 323
Pelo menos admitiu que errou. Porque será que é tão raro os acusados admitirem que erraram em Portugal? Será porque o nosso sistema judicial quase só consegue dar algo por provado quando o acusado “confessa”?