«Nervous Greeks will probably pull as much cash as capital controls allow from their accounts. The banks are expected to run out of cash by the middle of the week, if not sooner, and are in such a fragile state that a collapse cannot be far off. Collapse would probably mean the issuance of a national currency to make depositors whole, and that, in turn, might mean the beginning of the end of Greece’s euro membership.»
The Economist
«No a la política del Gobierno griego de coalición entre la mayoría de izquierda radical y la minoría de derecha más radical aún, unidas por el pegamento del nacionalismo más o menos antieuropeo. Desde que entraron, el país ha retrocedido en todas los parámetros previstos. (…) La petición de voto ha sido una apelación al patriotismo, al rechazo de la humillación, al orgullo de la soberanía herida. La culpa es integra del otro. Como dice Le Pen, el pueblo griego ha votado contra la oligarquía. ¿O no ha sido Le Pen? Los socios están obligados a respetar la decisión de los griegos, pero nadie puede obligarles a hacerlo contra los deseos o intereses de los ciudadanos que representan. Si repitieran la experiencia griega consultando en referéndum a sus ciudadanos, todos sabemos que no habría ningún tipo de acuerdo.»
Felipe González, El País
Estimates of how much untaxed Greek cash is stashed in Swiss banks varies widely, from between 2.0 billion to $200 billion euros…
Como diria um dos nossos leitores mais assíduos, “a Suíça é o país mais democrático da Europa”.
González tem muito que aprender com o nosso Costa: «Vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir na mesma linha.»
Gonzalez traça a matriz do pensamento da esquerda moderada europeia – a esquerda que soube erguer seis séculos de paz e prosperidade na Europa, de parceria com a direita moderada. Uma voz de bom-senso contra os devaneios nacionalistas de verniz esquerdista do engenheiro Tsipras.
A ser verdade o que Felipe González diz (e provavelmente é) quer dizer que a construção da Europa por via democrática, isto é com o assentimento explícito dos seu cidadãos, é impossível. Sendo impossível é muito provável que num futuro, mais ou menos longínquo, voltem as guerras devastadoras. Concluir-se-á que os cidadãos europeus não quiseram pagar para resolver a crise da Grécia a fim de, mais tarde, se envolverem numa guerra cujo preço foi muito, muito mais elevado. Ou seja preferiu-se evitar um pequeno sacrifício no imediato para dar origem a um muito maior mas muito mais afastado no tempo e, claro, os que evitaram o sacrifício não serão as mesmas pessoas que se envolveram nas guerras mas sim os netos ou bisnetos daquelas. Estou a tentar adivinhar (imitando a maioria dos comentadores profissionais coisa que não sou) mas vale a pena (pretensão minha) pensar nisto. Note-se que muita gente para obter ganhos imediatos justifica dizendo que está a evitar males para os vindouros (geralmente isto é só paleio). Nada disto tem qualquer valor, são só pensamentos meus.
Por mais vezes que seja necessário, voltarei a repetir perante leitores que insistem em fechar os olhos perante a realidade.
A “Europa” – isto é, os contribuintes europeus – proporcionou à Grécia 30 anos de ajudas financeiras em fundos estruturais, equivalentes a 3% do PIB anual do país. Em 2010 e 2012 enviou um auxílio de emergência no valor de 240 mil milhões de euros. E Atenas já viu perdoado quase metade do montante desta dívida – toda aquela que correspondia a entidades privadas.
Os gregos comprometeram-se, a troco deste auxílio de emergência, a fazer reformas estruturais no país que nunca foram feitas. A administração pública grega é tão ineficiente como nunca. A máquina tributária é tão anquilosada como sempre foi. Os montantes de evasão fiscal são gigantescos: a Grécia é o país com mais fuga aos impostos na Europa. É o país europeu com maior proporção de funcionários públicos e militares por habitante. É o país da Europa onde as pessoas se aposentam mais cedo, em termos médios, e onde existem mais “profissões de risco” que dão acesso à pensão de reforma integral.
Tudo pago não pelos contribuintes gregos, mas pelos contribuintes dos restantes 27 países da Europa – em especial os outros 18 da zona euro.
Tsipras quer convencer a opinião pública grega de que poderá perpetuar tudo isto. Mas é mentira. Porque esse tempo acabou na Grécia – dentro ou fora do sistema monetário europeu, dentro ou fora da União Europeia. Porque ninguém mais financiará a espiral despesista grega. Nem europeus, nem americanos, nem russos, nem chineses.
E não vale a pena acenar com a chantagem da “guerra”. Porque guerra a sério despontaria na Europa com a proliferação de movimentos nacionalistas identitários, de matriz xenófoba, que fizessem da frase “não pagamos aos gregos” um cavalo de batalha contra os governos moderados da União Europeia.
Tsipras bem gostaria de soltar esses demónios: não por acaso, Marine Le Pen é a sua admiradora número um na cena internacional. Mas está condenado ao insucesso.
Como também não sou comentadora profissional, a questão de dizer “Nada disto tem qualquer valor, são só pensamentos meus”, incomodou-me, pois só pensar nos assuntos, já é, só por si, muito importante porque, infelizmente, há muitas pessoas que não pensam nada, sobre nada, o que faz com que possam, mais facilmente “emprenhar pelos ouvidos” (ultimamente tenho usado muito esta expressão mas, como não sou profissional… posso lol )
Percebo-a. E subscrevo as suas palavras, linha por linha.
Bem, eu farto-me de pensar e até de falar. Duvido que isso tenha grande influência, acho que ninguém me liga. Para falar verdade escrevi aquela frase por modéstia. Se calhar nem se justifica a modéstia uma vez que ninguém sabe quem eu sou e mesmo pusesse aqui o nome não me conheceriam.
Apareça sempre. Todas as opiniões, à partida, merecem o mesmo respeito e a mesma consideração. Concordemos ou discordemos.
Felipe Gonzalez, que está a braços com as divisões em seu país, isto é, com a ruptura provocada quer pelos socialistas quer pela direita que vem da linha de Aznar, só pode escrever o que escreve por causa da inspiração que resulta do seu meio ambiente mais próximo.
Aliás, Rajoy que vai na mesma linha de pensamento fá-lo pelos mesmos motivos.
Portanto, o ditado português reflecte perfeitamente a situação: Não se pode ser juíz em causa própria.
Já a notícia do Economist, é mais um devaneio a somar a tantos outros que será desmistificado pelos resultados futuros. O BCE mantém a linha de liquidez à banca grega em 88 mil milhões de euro.
Ao menos aqui não há “devaneio nenhum”. É a realidade pura e simples: cia-tsipras-pede-7-mil-milhoes-de-urg-nc ia?seccao=Mundo_i
http://ionline.pt/artigo/401029/gre
Se as palavras e a demagogia gerassem riqueza, a Grécia tinha todas as dívidas saldadas. E em vez de ser um país devedor, era credor.
Pedro,
já respondi a isso ali no seu post mais abaixo e deixei-lhe agora uma outra resposta.
Esse dinheiro vai aparecer.
E deixo também aqui a resposta parcial: o Pedro quer transformar a vitória do Não numa derrota na arena do Eurogrupo. Mas isso não vai acontecer.
Às vezes chego a desejar que os vossos maus cenários se concretizem, só para que saibais depois o quanto isso vos irá doer. Não estivessem inocentes em causa e eu pediria isso. Mas peço a vossa conversão, sabendo que sofrereis na mesma durante esta ocorrência. Só que será para vosso bem.
Você deve estar a imaginar o Maná bíblico a descer dos céus em Atenas como forma infalível de resolução da dramática crise financeira grega. Você e Tsipras (Varoufakis já se pôs na alheta). Após chamar “assassinos” aos credores e selar com eles um acordo que logo a seguir rasga para convocar um inútil referendo plebiscitário destinado a colar os cacos da desagregação interna, lá volta o expoente máximo da extrema-esquerda europeia (aplaudido pela extrema-direita) de mão estendida, exigindo “taco” sem contrapartidas, com o novo ministro a garatujar umas frases numas folhas de papel do hotel.
Parece um filme delicodoce das produções Walt Disney – com o príncipe encantado, a bela adormecida, a bruxa má e a maçã envenenada. Aplaudir este filme é dizer muito – não de Tsipras mas de quem aplaude.
Aqui tem o filme delicodoce:
https://www.youtube.com/watch?v=pHt8QguI QNA
Obrigado. Tenho para a troca: 503955
http://www.bbc.com/news/world-europe-33
“Não se pode ser juíz em causa própria.”
Resumindo os sindicatos não podem defender os trabalhadores só as associações de desempregados, só um rico pode falar em nome dos pobres e vice versa, só um branco em nomes dos pretos e vice versa… etc etc.
Olhe que não, olhe que não.
O que vale é que existe o camarada François Hollande. Assim como o camarada Sigmar Gabriel e ambos, amparando-se um ao ao outro, têm feito a vida negra a Angela Merkel.
Tsipras já merece um convite para integrar a Internacional Socialista.