Hmmm, acho que vamos ter de discordar – ou então estamos a pensar em situações diferentes. Na minha opinião, fingir interesse é com frequência mais uma necessidade, um acto de defesa, do que uma facilidade, ainda que possa destinar-se a evitar males maiores (pense-se em situações em que existem relações hierárquicas, por exemplo). A pitada de desprezo ajuda a fazer com que o interesse pareça real. Acrescenta um tom de cepticismo ao que de outro modo pareceria apenas aborrecimento.
Basta que ele esteja convencido de que o que diz é interessante. Sendo que não conseguir fazer a distinção o torna, de facto, num idiota. Mas – sejamos honestos – quase todos nós, num momento ou noutro, agimos assim. 🙂
André: não tenho bem a certeza de que o seu comentário seja um elogio mas vou tomá-lo como tal porque, independentemente da posição que tenhamos sobre a conveniência de uma moral e as ligações entre a obra dele e certas tendências políticas de má memória, acima de tudo (enfim, eu não devia ser tão categórico que o meu conhecimento do pensamento do homem é limitadíssimo), Nietzsche detestava máscaras, hipocrisias, os filtros com que enfrentamos a vida. Ao ponto de reconhecer coisas como esta, logo no início de Ecce Homo: À parte o facto de ser um decadente, sou também todo o contrário de um decadente. É prova disso, entre outras coisas, que escolhi sempre, nas piores situações, remédios adequados: o decadente, bem pelo contrário, escolhe sempre os remédios mais nocivos a si próprio. Por isso, obrigado.
O comentário é um elogio meu caro, tenho Nietzsche por um dos meus filósofos preferidos. O seu pensamento de final de dia exprime de forma magistral aquela ironia de Nietzsche que nem todos atingem. 😉
Não. Fingir interesse inclui mesmo uma pitada de desprezo – mas não é uma arte, apenas uma facilidade.
Hmmm, acho que vamos ter de discordar – ou então estamos a pensar em situações diferentes. Na minha opinião, fingir interesse é com frequência mais uma necessidade, um acto de defesa, do que uma facilidade, ainda que possa destinar-se a evitar males maiores (pense-se em situações em que existem relações hierárquicas, por exemplo). A pitada de desprezo ajuda a fazer com que o interesse pareça real. Acrescenta um tom de cepticismo ao que de outro modo pareceria apenas aborrecimento.
Pois resulta. Sobretudo se o objecto do fingido interesse for um idiota… 🙂
Basta que ele esteja convencido de que o que diz é interessante. Sendo que não conseguir fazer a distinção o torna, de facto, num idiota. Mas – sejamos honestos – quase todos nós, num momento ou noutro, agimos assim. 🙂
Nietzsche não diria melhor.
André: não tenho bem a certeza de que o seu comentário seja um elogio mas vou tomá-lo como tal porque, independentemente da posição que tenhamos sobre a conveniência de uma moral e as ligações entre a obra dele e certas tendências políticas de má memória, acima de tudo (enfim, eu não devia ser tão categórico que o meu conhecimento do pensamento do homem é limitadíssimo), Nietzsche detestava máscaras, hipocrisias, os filtros com que enfrentamos a vida. Ao ponto de reconhecer coisas como esta, logo no início de Ecce Homo:
À parte o facto de ser um decadente, sou também todo o contrário de um decadente. É prova disso, entre outras coisas, que escolhi sempre, nas piores situações, remédios adequados: o decadente, bem pelo contrário, escolhe sempre os remédios mais nocivos a si próprio.
Por isso, obrigado.
O comentário é um elogio meu caro, tenho Nietzsche por um dos meus filósofos preferidos.
O seu pensamento de final de dia exprime de forma magistral aquela ironia de Nietzsche que nem todos atingem. 😉
Ah, então muitíssimo obrigado.
(Devo andar muito susceptível por causa das discussões acerca do Acordo Ortográfico…)