Pensamento da Semana


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Entre os avessos ao pluralismo democrático – e nisso confluem direitistas e esquerdistas, sempre nostálgicos do virtuoso controlo das expressões públicas – é constante o lugar-comum da invectiva a uma omnipresente e omnipotente “narrativa oficial” que dizem reinar nas democracias. Sempre anunciada como pérfido fruto das campanhas mediáticas promovidas por mais ou menos esconsa “mão invisível”, lesta e atenta no adormecimento dos povos, sua “alienação”. Pouco lhes importa ser nessas mesmas sociedades que existe maior diversidade publicada e maior debate aberto. Aliás, muito lhes importa, muito lhes incomoda, crentes na superioridade ética das suas elocubrações, que nos seus delírios factuais papagueiam como racional e analiticamentes superiores. Tanto que, de facto, a “luz ao fundo do túnel” a que aspiram é o silenciamento dos alheios. 

 

Este pensamento acompanhou o Delito de Opinião durante toda a semana.

14 comentários em “Pensamento da Semana”

  1. Creio que a “diversidade publicada” e o “debate aberto” já viram melhores dias. Ou melhor, com o acesso facilitado a meios de divulgação pública – na Internet – é verdade que a opinião divergente será “publicada” (leia-se: divulgada universalmente, sem ser nas paredes das retretes), mas se em todos os noticiários televisivos, todos os artigos de jornal, todos os “polígrafos”, todas as piadas dos cómicos mediáticos, e todos os respectivos papagaios das redes sociais, essas opiniões forem qualificadas de “fake news” e os respectivos autores de “chalupas” (cito), o resultado final (à luz da lei dos grandes números) não há-de andar longe do que antes se conseguia internando os dissidentes em instituição psiquiátricas.

    1. maiúsculo, e lucklucky, sobre o assunto já botei em tempos isto – que me parece óbvio: https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/o-pacto-2022-14076667

      Quanto ao resto, que aqui querem salientar, como sois leitores assíduos do DO é provável que me vejam, volta e meia, reagir, resmungar, clamar, etc., contra os constrangimentos à informação por parte dos poderes (a minha besta negra é aquilo da “Super-Marta”, em tempos que botava sobre futebol isso dá para o jornal “A Bola”, oficioso do Benfica, etc.). Mas só por vontade própria, e ciosa, é que se pode confundir isso com os constrangimentos impostos em regimes antidemocráticos. Os exemplos que os fascistas (neo, pós, quase, etc.) e os comunistas (idem) vêm erguendo para referir a “versão única” dominante são particularmente explícitos dessa mania persecutória (que é em alguns só demencial, noutros mesmo falsária), e que abunda entre vários “opinadores” (da carta dos 30 intelectuais que se reclamavam “perseguidos” e até “criminalizados” por apoiarem a Rússia ao frenesim vitimizado dos opinadores anónimos na internet). Pois no advento do Covid-19 houve um enorme debate entre especialistas – e também entre “especialistas” – sobre políticas a assumir, quando aconteceram as vacinas também surgiram os paladinos das anti-vacinas (normalmente, mas não só, fascizantes anti-grandes grupos capitalistas, um meme dos anos 30s) – e bem me lembro de Maria José Morgado em directo na tv a começar essa campanha antivacinas. E sobre a guerra na Ucrânia foi constante a presença de russófilos na imprensa. Acontece é que as opiniões são minoritárias – em parte pelo efeito constrangedor da imprensa e os grandes locutores, políticos ou intelectuais, em parte porque se sustentam nas tais “conspirações”. Pa-té-ti-cas. E que em assim sendo mais dificilmente vão colhendo o reconhecimento global. Como é que os imbecis que clamam que vamos morrer por causa das vacinas anti-covid resistem ao facto de não morrermos? como é que os mariolas que acham que os russos têm todo o direito ao seu “espaço vital” e que isto é tudo uma cabala do “ocidente” resistem a alguma calma argumentativa. Invocando a diabólica mão (in)visível que nos aliena a nós. Excepto aos clarividentes anónimos da internet e aos prestigiados extremistas pouco dados a este malevolente ocidente.

      1. Parece-me que nada é mais eficaz para desacreditar os críticos da “verdade a que temos direito” do que dar destaque aos maluquinhos, em detrimento das pessoas que colocam dúvidas racionais, que, no caso da Covid, foi precisamente o que foi feito pelos media e associados (por exemplo, revejo-me em tudo o que o Arq.º Henrique Pereira dos Santos escreveu no Corta-Fitas, mas não era ele que aparecia nas notícias, mas sim o “juiz negacionista”, a “senhora do megafone” e os vigaristas da “auto-ajuda”). Quanto à outra questão, estamos de acordo, até porque nada há de mais objectivo de que o facto de que o país A invadiu o país B, que, manifestamente, não o ia invadir (como, aliás, já tinha invadido outros, igualmente inofensivos, e praticado iguais ou piores barbaridades no seu próprio território e contra os seus próprios cidadãos), pelo que, se este texto é uma resposta subtil a outro que anda por aqui, e aos comentários alienados que o ornamentam, a subtileza do minúsculo ultrapassa em muito a do maiúsculo, ao qual só ocorre a expressão que consta da música do lado B do inesquecível single de estreia do “Grupo de Baile”.

        1. Maiúsculo, se há qualidade que eu não tenho (entre tantas outras que me faltam) é a da subtileza. Como decerto – leitor assíduo que é – saberá. Agora se me perguntar se eu encontro uma similitude entre as aparentemente muitas (sonoras mas não tantas assim) vozes que clamaram “ai jesus” com a contenção diante do Covid e os russófilos (versão soberanistas ou versão internacionalistas “proletários”) então direi que sim. Julgo que é evidente – já o era então – que o advento do Covid-19, até pelo desconforto generalizado, promoveu posições disparatadas, histriónicas. O que quero recordar é que não houve uma “voz única”. Houve, evidentemente discursos oficiais – mal seria se não tivessem existido. E o que muito se criticou em Portugal (falando por cá, e também lembrando o conteúdo do DO), foi o ziguezaguear, até titubeante, de discursos e acções correlacionadas por parte do Estado. Lembro por exemplo que se gerou uma onda adversa ao dito “Liberalismo epidemiológico” – num texto mais longo sobre o assunto que os países que assumiram essa política (de imunização do “rebanho”) eram governados por governos não liberais (o mercantilista Trump, o guevarista Somoza, o brejnevista bielorrusso, o fascista brasileiro, o social-democrata sueco), coisa que não afectava os da sanha anti-“neoliberal”. Os disparates não são monopólio de determinada corrente de pensamento… O que insisto é que as correntes extremistas – ou seja, antidemocráticas em várias matizes – insistem que as suas opiniões não são maioritárias (e executadas) devido a uma alienação generalizada promovida por uma qualquer conjugação de interesses que a nós outros aliena. E isso dá uma grande satisfação. E que passa também por alisar quaisquer diferenças entre as pessoas que deles discordam – já que alude ao recente texto sobre a guerra e aos comentários ali recebidos, clamando contra o DO por ter posições “lisas”. Eu lembro-me que há 13 meses aqui deixei uma recomendação de leitura para se perceber a posição americana. Não foi uma esconsa página informática fascista francesa, nem uma filial da propaganda russa (como vi vários comunistas meus conhecidos fazer – nisso propagando a “conspiração” norte-americana). Para se perceber os norte-americanos agora, disse eu, vão ler um livro – não o Kissinger (que foi recuperado na altura pelos mesmos comunistas), mas sim o Graham Greene no “Americano Tranquilo” – aqui mesmo de um qualquer anónimo russófilo me veio a invectiva de que “nada tinha a ver com esta guerra”. Pois não é só a “senhora do megafone” (uma velha esquerdista, já agora) que é obtusa desvairada. Etc.

          De facto a única problemática é esta: as pessoas querem ter razão. Apenas isso. Eu ao menos vou melhor, o que quero mesmo é que o Sporting ganhe. E é muito mais fácil que o Sporting ganhe, malgré tout, do que quem pensa assim tenha razão…

          1. Também quero que o Sporting ganhe, mas o facto é que um sismo na democracia portuguesa aconteceu hoje (ou deveria ter acontecido) em plena AR e dois dos 4 noticiários televisivos portugueses abriram com o avião do Sr. Trump parado numa pista. Outro foi com o Sr. Boaventura, o corruptor benemérito.

          2. tem toda a razão. Eu não vi telejornais mas se se refere à galambice é evidente que pelo menos (pelo menos) um ministro devia já ter sido exonerado (escrevo à meia-noite). E quanto ao outro caso presumo que seja o da omnipresente bola… Mas claro – a imprensa, em particular a televisiva, está controlada pelo PS (a TVI foi para “o dos cruzeiros ribeirinhos”, a rtp sob alguém “controlável”, a sic sob uma enorme dívida).. Mas vamos ver, pois é essa a nossa conversa, se há mesmo um “discurso único”.

  2. Se o autor quer convencer que existe pluralismo tem de explicar:
    TVI, RTP, SIC, Expresso, Publico, LUSA … No que é que discordam?

    Como a narrativa é única, própria de um regime de partido único. não é de admirar que tenhamos na prática um regime de partido único: O PS.
    Há formalmente democracia mas ninguém pode ir contra esta força mesmo que ganhe a maioria dos votos.
    E aí começa a segunda grande função deste jornalismo.Justificar a violência politica de esquerda quando esta perder o poder para que seja impossível existir qualquer politica diferente. Temos tido um aperitivo nestes dias.

    Olhemos agora para o exemplar caso do COVID… qual o jornal, TV que escrutinou o Governo? Tirando uma obscura página na net, nenhum.
    Quem o faz agora? a mesma resposta…

    1. lucklucky sabe o que são as agências internacionais de notícias?
      Sabe? Se não sabe, são agências que vendem notícias/imagens para as TVs de vários países, e o mesmo acontece com a rádio e a publicidade.
      Saia de Lisboa acabando de ver um programa de TV com anúncios e tudo, siga de carro com a telefonia ligada até ao aeroporto, apanhe um avião até Bruxelas. Em Bruxelas vá de carro até uma cidade do país vizinho p.ex. Breda nos Países Baixos e sentar-se a jantar passado 4 horas a ver a TV local. Pois a música que ouviu na rádio do automóvel no IC19, de lá, foi a mesma que no nosso IC19, as notícias, anúncios e gênero de programa na TV de lá é tudo igual ao que deixou de ver cá umas horas antes, a diferença foi por ser falado em neerlandês.

      1. Qual neerlandês, foda-se. Estas modas da merda que vêm pelo facebook…

        A língua chama-se Holandês ou Flamengo, em Português.

    2. Por isso é que os “muito sábios” Marques Mendes e Paulo Portas são comentadores de domingo à noite? Lucklucky, tu mentes e sabes que mentes.

  3. Já visto.
    Não se esqueça das brigadas panzero.
    À medida que engordam pelos votinhos inocentes tendem a eliminar-se mutuamente.Não há partilha de poder entre purificadores(da nova raça ou do homem novo).Havendo, é táctica.
    Vem no marques.
    Sempre haverá retretes para versejar.Sinalética,estalidos.
    Mas tem razão,só valorizam a frágil democracia depois de a perderem.

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