Pensamento da semana


Pedro Correia,

Sinto cada vez mais dificuldade em optar entre o cinismo da direita e a hipocrisia da esquerda. Entre uma e outra, venha o diabo e escolha.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

56 comentários em “Pensamento da semana”

    1. Rejeitar o discurso cínico dos que proclamam que sempre assim foi e sempre assim será, e o discurso hipócrita dos que enaltecem nos “nossos” tudo quanto contestam no “inimigo” ajuda bastante.

      1. Chamar cínico ou hipócrita a quem não tem a mesma opinião que nós é o primeiro passo para ter sempre razão.
        Chama-se ter razão por definição. Primeiro diz-se que a nossa atitude é a única correcta, a partir daí é simples.
        O problema é que se toda a gente adotar esta posição o diálogo fica um pouco pobre..

        1. Parecem palavras de eremita num convento, sem cínicos nem hipócritas perturbando a paz da sua cela de clausura.
          O mundo real é bem diferente dessa imagem idílica que procura transmitir. Sonsa e cínica.

          1. No mundo real por vezes ninguém tem razão, por vezes todos têm razão, geralmente anda-se algures pelo meio termo. É muito complicado, se não impossível, descobrir a verdade.
            Claro que se reduzirmos tudo a um Benfica-Sporting ou a um direito-esquerdo, fica mais simples saber qual a nossa capelinha. Mas não ficamos mais perto da verdade.
            E discutir a chamar sonso e cínico ao opositor não é conversar, é desconversa quando não se sabe o que dizer.

          2. Só um profeta religioso ou um filósofo de excepção é suficientemente iluminado para descobrir a “verdade” e perorar sobre ela.

            No mundo real, contentemo-nos com tentar saber o que está certo e o que está errado.
            Por exemplo, chamar democracia a uma ditadura está errado.
            Chamar ditadura a uma democracia também.

            Um cínico (geralmente de direita) diz que as ditaduras são inevitáveis e sempre existiram.
            Um hipócrita (geralmente de esquerda) diz que só há ditaduras de direita enquanto chama “democracia” às ditaduras de esquerda.

          3. Um tonto declara que sabe o que está certo e o que está errado e aproveita para matar a discussão.
            Está-se sempre mais confortável na trincheira.

          4. Um anónimo está duplamente entrincheirado. Na tribo identitária e na bolha do anonimato.
            Alguns pretendem dar lições de ética a terceiros. Sem repararem que só seriam credíveis e consequentes se proclamassem de cara descoberta as teses que sustentam.

          5. Falta assunto ataca-se o interlocutor.
            Confere.
            Ainda me há-de explicar o que faria com a minha identificação.

  1. Por acaso é difícil optar, e até há quem diga que no meio é que está a virtude, mas cá para mim o centro é um bocado reaccionário.

          1. Lá está você com esse mau feitio.
            Por acaso a frase é do historiador britânico Orlando Figes autor de “A tragédia de um povo – A Revolução Russa 1821 – 1924 ” editado pela Dom Quixote

          2. Essa frase já foi repetida por 17.587 “pensadores de esquerda”.
            Ignoram que Estaline é discípulo directo e filho espiritual de Lenine, o mestre que exprimia sempre pensamentos por linguagem bélica e proclamava ser virtuoso “esmagar os inimigos”.
            Todo o adversário ideológico era “inimigo”, toda a contenda política equivalia a guerra.
            Ele assim o fez, ao esmagar a revolução russa de Fevereiro de 1917, ao suprimir a assembleia constituinte e ao instaurar uma ditadura que durou mais de 70 anos.
            A mais longa ditadura do século XX, título que a esquerda mais hipócrita costuma reservar ao Portugal de Salazar.

          3. “Essa frase já foi repetida por 17.587 “pensadores de esquerda”.”
            E então? O Montenegro foi eleito por 17.145 “pensadores de direita”.
            Eu não vejo as coisas tão terra a terra, gosto de separar a ideologia da prática.
            Não é a aplicação da teoria que dá o resultado que o Orwell muito bem satiriza no “Triunfo dos porcos”.
            A ambição dos homens é que impede a aplicação da teoria.
            Infelizmente a política é dominada por pato-bravos. Salvo raras excepções, são pessoas que não olham a meios para atingir fins e o resultado só pode ser o que temos.
            De que é que nos queixamos?

          4. Você salta do Lenine para o Montenegro como uma borboleta a esvoaçar de nenúfar em nenúfar.
            Contorcionismo retórico típico de alguns comentadores de esquerda. Depois queixam-se de não serem levados a sério.

          5. Tanta conversa para dizer que eu sou um comentador hipócrita.
            Já percebi que você não é de esquerda nem de direita só ainda não percebi é qual é a ideologia. É que entre o materialismo e o idealismo não há grande escolha.

          6. Nada disso, as suas palavras são balas que resvalam na couraça da minha indiferença.

          7. Isso é só em Agosto, já vi que não prestou atenção à senhora doutora.

        1. Lenine matava quem lhe aparecesse à frente, bolchevique ou não bolchevique. É a natureza do poder na cultura Marxista.

  2. Entre a perversão do pensamento e a perversão do carácter, vejo toda a distância entre a esperança e o irremediável.

  3. Nada vejo de cínico na direita. Cinismo, no seu sentido corrente, é desprezo pelas normas sociais, pela moral vigente, pelos pudores individuais. No sentido filosófico será opção pela vida simples, sendo os caninos o exemplo grego. Diria que a direita, geralmente, é o contrário disso. O que vejo mais vulgarmente opor à hipocrisia da esquerda é o egoísmo da direita, em particular a insensibilidade social.
    Sem negar que na direita há uma minoria – pequena mas relevante – materialista e abusadora, repudio essa acusação. Quando olho para caridade – não evito a palavra – desde o Banco Alimentar contra a Fome, as Cáritas diocesanas ou o apoio dos jesuítas aos imigrantes não vejo gente de esquerda. Esses só os vejo em escândalos, prevaricações – Raríssimas, O Século – e, sempre, em agências de empregos remunerados e ligadas a financiamento público..
    Por outro lado, vi Cupertino de Miranda, a construir um aldeamento em Vilamoura, a disponibilizar uma estalagem e a fazer festas de Natal para as famílias dos funcionários do BPA, vi António Champalimaud a construir bairros para os operários da Secil e a fazer um legado milionário à Fundação, vi os Mellos a fazerem uma relevante obra social no Barreiro, e hoje, com o fosso entre pobres e ricos maior do que nunca, não vejo nada disso. A excepção(*) que me ocorre é perversa: o apoio da família Azevedo ao jornal Público. Diria que este regime, maioritariamente de esquerda e socialista – com curtos e envergonhados intervalos sociais-democratas, uma esquerda “soft” – até conseguiu corromper e silenciar as consciências dos ricos.
    (*) Houve uma doação recente de 50 milhões de euros mas a família é estrangeira e de origem judaica. Vejo-os como carta fora do baralho, no bom sentido, claro.

    1. Eu vejo todos os dias.
      Quando apregoa a meritocracia e faz tábua rasa do mérito, quando diz querer nivelar por cima enquanto nivela por baixo, quando enaltece o “elevador social” e mantém o elevador parado entre o r/c e o primeiro andar.

      1. Quando se tem a certeza que toda a acção social de um rico será interpretada como modo insuficiente de compensar todo o mal que sempre é justificação única da sua riqueza, admirem-se de voltar a tempos correspondentes aos que tinham muros altos como modo prudente de manifestação de riqueza.

        1. Ninguém faz tão má publicidade aos “ricos”, em Portugal, do que alguns que são apontados como tal.
          E nem preciso de mencionar Ricardo Salgado – talvez o caso mais extremo. Não faltam, infelizmente, muitos outros exemplos.

          1. É seguramente um mau exemplo que, se tivesse sucesso, teria loas por audácia e visão, como por algum tempo teve em abundância.
            Entre rico e gestor do dinheiro dos outros, vai toda uma diferença de atitude e de modo de ser.
            No caso dos gestores, saiba que a lei penal só aos gestores de empresas publicas penaliza com cadeia por irracionalidade na gestão, embora nunca tal se tenha visto, o que tendo em conta a origem e qualidade de algumas das escolhas, só espanta quem não souber onde pairam os brandos costumes!

        1. e mais lhe digo , esquerda e direita já nem existem na realidade , são categorias a fingir para manter o esquema do presente poder a funcionar.
          o que a democracia representativa montou , falsificando a vontade do povo , foi uma coisa que poderemos descrever como estando a sociedade dividida em “os de cima ” ( as corporações , grandes empresas e politicos e juizes que compram e manobram) e os “de baixo” ( nós , os construtores das pirâmides de dinheiro dos de cima -nem sei para que o querem , devem ser tipo tio patinhas) .
          não havendo esquerda e direita é normal que o teatro que montam os que ainda vivem dessa fantasia o enoje.

  4. Comentários insultuosos para colegas de blogue, comigo, vão parar ao lixo. Mesmo que venham assinados “Joaquim Silva” ou outra treta qualquer para fingirem que não são anónimos.

  5. Direita, centro e esquerda é tudo a mesma porcaria… A esquerda agora quer mais emigração… A direita fica contente pois valorizam ainda mais os preços das casas… O Zé povinho tuga é que paga!!!

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