A velha querela do sexo dos anjos, que a civilização bizantina celebrizou, encontra-se hoje resolvida, quase seis séculos volvidos, através da ideologia de género: cada anjo tem o sexo que entende, nenhum, mais do que um, ou alternado.
Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

“alternado” ou “alterado”?
há 80 anos, na aldeia alentejana onde frequentei a Escola:
para as mulheres era ‘entrada do corpo’
para os homens ‘carne de entreperna’
para garotos picha.
fazer ‘ginástica do género’ era ‘trabalhar’
Os cavalos-marinhos resolveram a questão sem grandes querelas: só se dão com sereias e são eles, os machos, que parem, para garantir que tudo se mantem como deve. Na civilização da água não há crises existenciais.
A questão complexa sobre o sexo dos anjos poderá ter origem no feminismo. Quiçá as alterações climáticas não venham proporcionar que os machos da terra, coadjuvados por algumas sereias, também passem a procriar.
Antigamente, quando havia só homens e mulheres, os anjos não tinham sexo para não ferir sensibilidades.
O mundo mudou.
Agora os homens são seres portadores de pénis, as mulheres são seres portadores de vaginas e também há seres portadores de porra nenhuma. Em conformidade, os anjos agora são seres portadores de arco e flecha.
Temos por aí Pancrácios na política.
Se uns conseguem ser como a Roberta Close, mas outros Not Even Close, e depois vem a frustração, a desilusão, e vêem preconceito em tudo.
O Estado, que não tem dinheiro para ajudar os doentes, comparicipa estas reviravoltas cirúrgicas a 100%.
Não só hoje, sempre foi assim. Apenas se calava. Seria melhor? Para quem era obrigado a calar, com certeza que não.
Por mim, cada um pode ter o sexo que quiser, desde que não me chateiem com isso a cada 5 minutos.
Este discurso constante e estridente dá-me a sensação de que toda a gente pensa que quero ter sexo com elas, ou quer ter sexo comigo. Duas evidentes falsidades.