Pensamento da Semana


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( Belenenses-Sporting, estádios das Salésias, 12 de Abril de 1936)

 

 

Sigo na minha ideia fixa: o futebol é um microcosmos do país, tamanhas são as ligações entre poderes clubísticos e político-económicos, tantas são as semelhanças entre as reacções do povo da bola e as do povo do voto. E sinto como patéticos todos esses veementes – no bate-papo e no teclado – contra as malevolências d’”eles”, aqueles entre os políticos que lhes são “outros”, mas enquanto defendem até ao fim os mariolas dos seus clubes, a troco das benesses ocas, esses golos e títulos futeboleiros que sentem como se por eles mesmos sejam conquistados.

 

Como toda esta clubite pantomineira suporta o “estado da arte” nacional bem se demonstra na involução daquele poema de Gedeão, tornado “canção de intervenção” no final do Estado Novo e início deste regime – a qual se queria elogio da imaginação democrática. Mas que agora, décadas passadas, se entoa e trauteia como “Eles não sabem, nem sonham, / que o sonho comanda a vida. / Que sempre que um homem sonha / o mundo pula e avança / como bola corrompida / entre as mãos de uma criança.”

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

15 comentários em “Pensamento da Semana”

  1. Um pensamento que me transporta para a minha infância, jpt. Vestida “à rapaz”, sentada na relva junto à linha com o meu avô, ou a ver o meu avô arbitrar um jogo, quando o futebol se jogava pelo amor à camisola e à prática desportiva. Um pensamento feliz!😊

    1. Na fase inicial, estes clubes futebol e os seus jogadores eram formados por extratos sociais muito concretos. Na Inglaterra p.ex. os de Manchester, o City foi formado por gente popular de uma zona da cidade e o United por operários duma empresa.
      Por cá, p. ex., o Sporting foi formado por gente da nobreza/burguesia e o Benfica formado por casa-pianos e classes populares, e o que começou com uma rivalidade de classe, tanto dos jogadores como dos apoiantes, continuou ao longo dos anos com a mesma “camisola” mesmo sem haver uma vincada diferença social.
      Neste jogo de 1936, jogavam no Sporting o Mourão e o Soeiro, o Mourão mais tarde substituído pelo Jesus Correia e o Soeiro pelo Peyroteo. Ainda conheci o Soeiro que trabalhava nos registos de automóveis e o Mourão tinha uma tipografia, na altura homens com mais de 50 anos.

      1. Indo a memórias mais antigas, que conheço de tradição oral, os primeiros jogos de futebol em Portugal foram entre ingleses do Cabo Submarino, em Carcavelos, hoje o St. Julian’s.School, que formaram o Carcavelos Club e que em 1888 defrontou na Parada de Cascais uma equipa nacional de voluntários, todos da classe elevada incluindo mais de um titular.
        No início do séc. XX formou-se uma equipa “ad hoc” os Carcavelinhos que inicialmente levavam abadas dos ingleses todos os Sábados. A primeira vez que os Carcavelinhos ganharam aos ingleses, o entusiasmo foi tal que, no regresso, os adeptos partiram os bancos das carruagens do comboio de regresso a Lisboa.
        Assim inaugurámos as vitórias internacionais e produzimos os primeiros “hooligans” portugueses e, porventura, mundiais, tudo no mesmo dia.

    2. Que bela memória… (o meu pai era avesso a futebol. Só foi duas vezes a um estádio – para me levar, a meu pedido, nos meus 10 anos na sequência da conquista do título – e “dobradinha” – do Sporting)

    3. Então quer dizer que é uma jovem, a não ser que a deixassem estar dentro do campo.
      Digo isto, por no tempo da foto e durante muitos anos e campos eram em terra batida, só nos anos 50 apareceram os campos relvados do Sporting, Benfica, Porto, o Estádio Nacional e do Braga por ser de publicidade ao regime.

  2. O Carcavelinhos foi um clube de futebol da zona de Alcântara, conhecido pelos “carroceiros” por serem violentos, que mais tarde fundiram-se com outro clube e deram a origem ao Atlético.
    Inicialmente, fins do século XIX, o futebol era jogado por gente fina por ser um jogo dos ingleses.
    Os calabotes, de origem do arbitro Calabote do ano 1959 que beneficiou o Benfica, mas houve mais calabotes a beneficiar os outros clubes grandes e pequenos.

    1. Sempre houve preferências, privilégios e favoritismos. Mas não é tudo igual, nem sempre o controlo se institucionalizou desmesuradamente. E, mais do que tudo, nem sempre o futebol – por via da comunicação social – teve esta influência socializadora que agora tem.

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