O líder do partido Chega incluiu a expressão “gente de bem” no seu discurso político, passando aquela a ser sobejamente apreciada pelos seus apoiantes. Na noite eleitoral, depois de estar garantido não haver segunda volta, André Ventura especificou ainda mais e desejou ao Presidente reeleito um “segundo mandato, com dignidade, respeito por Portugal e pelos portugueses de bem”. Ou seja, um candidato à Presidência da República não teve pejo em dividir o povo que se propunha representar entre os mais e os menos merecedores, apelando à discriminação de certos portugueses, que, pelos vistos, não acha dignos do respeito da maior instância da nação. Só faltava dizer que, como Presidente, criaria dois tipos de Cartão de Cidadão, a fim de melhor distinguir quem pertence ao exclusivo “clube bem”.
Mas afinal, o que é “gente de bem”? O que são “portugueses de bem”?
Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda esta semana

1. O primeiro objectivo de quem pretende o poder é conquistar um dos pólos da «oscilação binária isomorficamente inversa» de que são feitos todos os Regimes.
2. Tentar substituir um dos dois que ocupam esse lugar.
3. É isso que pretende instituir o discurso, referido.
Instituir dois novos recipientes, ocupando desde logo um deles. E deixando que se encham de acordo com a nova polaridade binária.
4. O Regime Abrilista fez durante 47 anos o mesmo, entre esq/dir, fascistas/abrilistas, PS/PSD.
É a força da gravidade dessa oscilação binária que suga tudo o resto, criando a tal simetria reguladora do caos e instauradora da ordem, que a Natureza criou desde o início da Vida.
5. Bem/Mal, bons/maus, Caim/Abel, esquerda/direita, culpados/inocentes, certo/errado, nós/outro, sim/não, it/bit, tudo/nada, etc….
6. Essa Simetria criada pela Natureza não é uma das mais belas criações alguma vez imaginadas?
7. Não será por a acharmos Bela, Justa e Inultrapassável que dela somos (nós humanos) prisioneiros?
Desculpe, mas não acho que se possam comparar ideologias políticas com noções subjectivas. Dividir entre direita e esquerda não é bem a mesma coisa que dividir entre bons e maus, nós e os outros, na medida em que, à excepção do político referido no post, nunca ouvi um candidato de direita ou de esquerda derrotado a apelar ao vencedor que respeite apenas uma parte dos portugueses.
1. A diabolização irracional do Chega, não é um extremismo maior do que o dele?
2. Esse ataque fanático, não revela uma inadmissível atitude anti-democrática? Que revolta milhares de eleitores que não votam no Chega?
3. Uma ideologia não é uma “noção subjetiva”? Uma crença numa ideia, sabendo que se é ignorante do que é o mundo e o seu futuro, não é a maior subjetividade de todas?
4. Se não fosse por ser subjetiva, como se poderiam desculpar as atrocidades e crimes perpetrados pelas ideologias políticas?
5. A simetria e a oscilação binárias entre pólos opostos não são realidades materiais totalmente objetivas, comprovadas pelo método científico tanto na física, na química, na biologia, ou nos comportamentos sociais?
6. A oscilação entre PS e PSD, que dura há 47 anos, e todos vivenciámos, não é aquilo que sustenta e reproduz o Regime Abrilista? Isso é uma coisa subjetiva?
7. O actual erro político do Regime Abrilista, não é fazerem desaparecer essa oscilação binária que o sustentava? Ao juntarem-se todos (Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa, Rui Rio, mais o CDS) num lado, e abandonando o outro pólo que provoca a oscilação?
8. A diabolização do Chega, não concorre ainda mais para agravar isso?
A expressão “diabolização irracional do Chega” é sua. Limito-me a criticar o partido, argumentando, segundo o meu ponto de vista. Por isso, não sei porque fala de “ataque fanático” e “atitude anti-democrática”, chavões tão vazios como “gente de bem”. Se eu fizesse um post a criticar alguma expressão de António Costa, também me acusava de ser anti-democrática?
Mantenho que a oscilação de que fala nada tem a ver com a criação de grupos que se podem radicalizar, como vimos acontecer nos EUA. Porque se vamos ao ponto de considerar que só se é gente de bem se pertencermos a determinado partido, isso é radicalizar.
As ideologias justificam as suas escolhas, definindo modelos. Ora, qual é a ideologia do Chega? Seguir o modelo “gente de bem”? Mas como se define “gente de bem”? Era isso que eu queria saber
Gente de bem é toda aquela que apoia e alinha connosco na perpetração dos nossos esquemas.
Boa definição.
Ou seja, um conceito altamente subjectivo.
Cavaco Silva: 1986-1995. “Os milhões da Europa roubados com autorização do Estado – Portugal”. O ciclo de maior impunidade em Portugal (in Sábado, 7/03/2021)
“Mas afinal, o que é “gente de bem”?”
Esclarecedora dúvida…
Gente de bem! Se um dia à saída dum Concerto na Gulbenkian alguém lhe encostar um canivete à barriga e diga, carteira.Muitos viram e ála de frosques!
Se um dia tiver num jardim e lhe encostarem uma pistola nas costas, cale-se e siga-me.
Se um dia for a Marselha entrar por um bairro onde só vê Marroquinos e outros que tais a drogarem-se em cima dos carros.
Se um dia for ao Rio de Janeiro e entrar à noite numa favela.
Verá o que é gente de bem.
E quem cometer crimes às escondidas?
Por exemplo: um pai de família, exemplar no seu trabalho, que paga os seus impostos, mas que chega a casa e bate na mulher e/ou abusa sexualmente da filha?
Portanto, pelo que disse, afinal há um critério objectivo para separar “gente de bem” de “gente de mal”.
É que parecia, ser um terrorista ou um criminoso como aqueles que o «Anónimo a 01.03.2021 às 18:32» referiu.
Logo, o Ventura pelos actos que pratica, e usando esse critério, é “gente de bem”, ou não?
Aparentemente, sim (também não afirmei o contrário). Mas tenho dificuldade com este conceito, porque não sei o que as pessoas fazem dentro de portas (homem ou mulher). Pode-se ser um cidadão, ou uma cidadã, aparentemente exemplar e cometer crimes escondidos (manipulação, chantagem, abusos, violência, etc.). Por isso mesmo, desdenho da expressão “gente de bem”, que tudo e nada diz. Acho-a muito hipócrita, por isso, considero André Ventura hipócrita e demagógico (que não é crime, mas rejeito, não levo a sério).
1. O mais paradoxal, é, no exemplo que deu, se uma mulher ou rapariga de etnia cigana ou muitas africanas a estivesse a ouvir… provavelmente estar mais do lado do Chega, do que do seu.
2. É necessário ouvi-las, quando não estão por perto os seus maridos e namorados, nem os funcionários públicos da assistência social, nem a comunicação social.
3. A posição do Chega defende-as mais, e permite-lhes mais acesso ao ensino e aos direitos humanos e democráticos, do que a sua.
4. Não é por as Pessoas serem fascistas ou estúpidas que já são mais de 400 mil a votarem no Chega.
«Portanto, pelo que disse, afinal há um critério objectivo para separar “gente de bem” de “gente de mal”.»
Não há nem poderá haver: é que etimologicamente “de bem” nada tem a ver com “boas” ou “más”, já para até nem lhe exigir o que significa concretamente “gente de mal”. A expressão “de bem” tem a ver, na sua origem etimológica, com a posição social de alguém e, especificamente, referia-se a burgueses relevantes durante a monarquia. A partir do golpe militar que instalou o “Estado Novo”, essa definição monárquica, gradualmente, adquiriu um novo sentido semântico até bem patente na tentativa de silenciar, por exemplo, a divulgação do chamado escândalo “Ballet Rose” que, desafio-o a provar o contrário, envolvia apenas “pessoas de bem” (então elevadas ao estatuto de pessoas boas, sãs, moral e éticamente irrepreensíveis)!
Quanto ao Ventura ser “gente de bem”: na verdade, nem na monarquia o seria quanto mais Hoje! E não acredito que tenha a ousadia de me pedir para elaborar uma lista de todas as “contravenções” do que ele se diz sinónimo de ser, ou defender, enquanto natural “pessoa de bem”…
1. Essa contextualização histórica do conceito, é pertinente e válida.
2. É a opção de definir o critério por uma «verdade relativa» e não por uma «verdade absoluta» (imutável, fixa e independente do contexto histórico e social).
3. Agora quanto a A.Ventura parece-me exagerada a sua crítica. Não vejo naquilo que diz ou faz mais extremismo do que os outros protagonistas dos outros partidos.
4. E constacto um outro aspecto.
5. A.Ventura quando afirma hoje, exactamente o mesmo que Barbosa de Melo (PPD) afirmou na votação na especialidade da Constituição na Assembleia Constituinte em 1975 (ver arquivo da Assembleia da República), é chamado de fascista e contra o regime.
6. O que torna algo ingénuas as críticas que lhe fazem, porque ele faz isso com conhecimento de causa e premeditação. Para mais tarde confrontar os que agora lhe fazem as críticas, vencendo o debate perante os «eleitores» que assistem de fora.
7. Naquele tempo (1975) os partidos de Esquerda não se ralaram, porque sabiam que detinham uma maioria confortável. Mas agora, já não têm tanta certeza de que a vão ter.
8. Logo, a histeria e exagero das críticas, sobre o mesmo que já foi dito em 1975, é uma armadilha em que caem. E ele sabe disso.
9. Razão pela qual comentei.
10. A IL e o CDS não têm a capacidade de Ventura. Tiveram menos votos do que o Tino de Rans.
11. Logo, qualquer solução à Direita passa inevitavelmente pelo Chega de André Ventura.
👋👋👋👋👋Excelente resposta!
Ó pá estás a confundir gente má versus gente boa.
Essa de gente de bem só pode ser versus de gente do mal.
E assim teremos uma concepção religiosa, que é o que o “orador bracejante” como de um pastor se tratasse, apregoa às pessoas.
Aquelas “pessoas de bem” são as evangélicas manãs da bíblia, e até arranjou um problema com ‘pessoas de bem’ ciganas também evangélicas manãs.
O “orador bracejante” está a copiar bolsoneros e outros que tais vindos das assembleias evangélicas, que agora está à la mode
«Essa de gente de bem só pode ser versus de gente do mal.»
Nem isso. Na verdade, considerando a sua etimologia, só pode ser versus “gente de mal”. Se alguém conseguir atribuir algum significado a esta expressão, fico-lhe eternamente agradecido.
Mas, afinal, o que é “gente de bem”?
O exemplo mais que perfeito de pergunta retórica.
JSP
Parece-me que um Presidente da República, ou um Primeiro Ministro, não deve dividir os cidadãos entre gente de bem e de mal. Deve providenciar para um tratamento igual para todos e para que se aplique a lei da mesma maneira a todos. Todos são cidadãos. Mas se um dia um certo cidadão (qualquer que ele seja) resolver cometer um assalto á mão armada deve aplicar-se-lhe o que a lei determina, muito provavelmente é julgado e vai para a cadeia não se perguntando se é cidadão de bem ou de mal. Se for encontrado numa auto estrada a mais de 120 Km/hora apanha uma multa sem se inquirir se é pessoa de bem ou de mal, se é importante ou se é um Zé Ninguém. Os mais velhos devem lembrar-se daquela frase, muito comum em discussões antigamente : “O Senhor sabe com quem está a falar?”
Para A. Ventura, e por declarações anteriores, dá-me a ideia que não são cidadãos de bem (ou pelo menos deve suspeitar-se que não são grande coisa) os Ciganos, os pobres que precisam do Rendimento Mínimo de Inserção, os que nasceram noutro continente, etc. etc.
Falar em gente de bem, é uma lição mal estudada, talvez uma noção com cola recente.
Perguntar o que é gente de bem, é desde logo afirmar que nunca se perceberá o conceito.
Há de facto pessoas de bem. Gente mata o conceito.
Só quem é gente de bem é que pode responder à pergunta, pois quem não é gente de bem não sabe o que é ser gente de bem.
E quem é gente de bem, não responde a este tipo de perguntas porque parece mal.
Oh! pá, em falando assim, de que tipo de gente será a tristina torrão?
Será que será daquele tipo que impõe democraticamente que os cidadãos que votam Chega não são gente de bem, e que ela é dos outros, portanto, …
Nada disso. Oh! pá, será que será?
Não, é ao contrário.
Vou explicar, que estou a ver que não entendeu:
Se eu acho que a expressão “gente de bem” nada diz, que é uma expressão demagógica que nada define, como me posso considerar dessa gente? Por isso, também não posso ser dos “outros”.
Quem diz isso é o líder do Chega: nós somos gente de bem e os outros são os outros. É precisamente isso que estou a criticar, isso que você me acusa de dizer e de ser. É o Ventura, não sou eu! Entende?
Já agora, devolvo a pergunta: também acha que só os votantes do Chega são “gente de bem”?
Segundo o Carlos Sousa, não sou gente de bem porque não sei responder à pergunta. «Pois quem não é gente de bem não sabe o que é ser gente de bem».
(isto não há nada como falar com gente inteligente e cheia de trocadilhos)
É verdade, também há gente inteligente, mas será que é gente de bem?
De uma coisa eu sei: a inteligência não concede necessariamente competência social.
Não, antes pelo contrário, quanto mais inteligente menos competência social tem.
O que está em causa na pergunta é a junção das palavras “gente ” e “bem ” na mesma frase. Não combinam, é como se dissesse uma quadrilha honesta.
Portugueses com bens
Será?

1. Lembram-se das primeiras declarações de António Costa em 6out2019, nessa noite eleitoral?
2. Declarou, todo empolgado: “Todos, menos o CHEGA!” (vejam o registo vídeo na RTP).
3. Eram 67.502 eleitores, 1,35%.
4. Quatro meses depois, em 24jan2021, nas eleições presidenciais, foram 496.768 eleitores.
5. Afirmar, «todos menos esses 67.502 eleitores»… não é fazer o mesmo que esse “gente de bem” de Ventura?
Claro que não porque Costa não é o Ventura.
Teilhard de Chardin (seria ele?) falava no homem e a sua circunstância. Hoje a realidade é mais as ideias e quem as proclama.
Ortega Y Gasset, dixit.
O quê, um telhado de sardinhas? Nunca vi nenhum.
1. Subestimam o CHEGA…
2. Acossam-no com adjectivos não-democráticos, e até, xenófobos.
3. Substituem a atitude crítica e os argumentos, por adjectivos fáceis e muita emoção.
4. Esquecem que muitas das pessoas que congrega, apesar de serem de uma facção oposta, são qualificadas a nível científico e académico. Com tantos ou mais prémios do que aqueles que as acusam.
5. A ideologia do “Relativismo Cultural” que o Regime Abrilismo impôs na Academia após o 25Abril74, desmorona-se a cada dia que passa. Logo, a sustentação ideológica do Abrilismo (47 anos de oscilação PS-PSD, e acólitos de esquerda e de direita que foram capturados pela força dessa gravidade) cai como um castelo-de-cartas.
6. Um exemplo recente, desta queda, é o recente artigo de Nuno Palma e Jaime Reis
6.1. “A ideologia do Estado Novo estava, sem dúvida, mais alinhada com a cultura da população do que tinha sido o caso da República. A nossa opinião é que isto conduziu a um aumento da procura de educação orientada pela cultura no âmbito do Estado Novo. A República tinha promovido fortemente a secularização e outros valores olhados com desconfiança pelas massas, enquanto o Estado Novo era visto como um regime pró-católico. Isto permitiu que os pais se preocupassem menos com os efeitos de doutrinação percebidos de enviar os seus filhos para a escola. O principal ideólogo por detrás das práticas educativas da República, J. de Barros, escreveu que “A República libertou a criança portuguesa, eliminando a influência jesuíta” (a nossa tradução, citada no Marquês 1991, p.527). Para as elites republicanas, a secularização não significava apenas a separação do Estado e da Igreja, mas também a tomada de posse da igreja pelo Estado; o Estado administraria a igreja enquanto destruindo a sua hierarquia interna (Ramos2001; Ramos et al.2009, pp.586-7). Por todo o país, o padre aproveitou a oportunidade para comunicar a sua raiva nas suas paróquias. A República proibiu crucifixos das paredes da escola, enquanto o Estado Novo os recaia, juntamente com o slogan “Deus, Pátria, Família: A Trilogia da Educação Nacional” (Rosas1992)” (“Can autocracy promote literacy? Evidence from a cultural alignment success story”, 2018, Nuno Palma and Jaime Reis, April 2018, Updated February 2021, Economics School of Social Sciences The University of Manchester, Manchester M13 9PL).
7. A História repete-se. Já o tinham feito na 1.ª República.
8. Voltaram-no a fazer no 25Abril contra o Estado Novo.
9. Muitos de nós assistiram, ao vivo e a cores, a essa luta pela supremacia da ideologia do Relativismo Cultural na academia. Num 1.º momento, após Abril74, entre Vitorino Magalhães Godinho e José Mattoso (ambos de Esquerda!). E depois, como Fernando Rosas e o Bloco de Esquerda a impuseram ditatorialmente nos curriculae da FCSH/NOVA.
10. Agora com a disciplina obrigatória “Cidadania e Desenvolvimento”, imposta por este Regime Abrilista no ensino público.
11. E aqui nos Comentários, o que vemos? Uma teimosa cegueira, de muitos, em desconsiderar o “Chega”.
12. Talvez não seja um bom augúrio.
13. O Regime Abrilista já não morreu?
Creio que foi o nosso vizinho Ortega y Gasset ( y olé, por supuesto…).
JSP
Estou indeciso entre guglar “portugueses do bem” ou “boas portuguesas”
Tente “bons portugueses”. O género masculino dá para tudo.
” O género masculino dá para tudo.” Não é bem assim. Há uma enorme diferença entre “um português bom” e “uma portuguesa boa”. Se substituir “bom” e “boa” por “bonzudo” e “boazuda” a diferença ainda é mais notória.
Uma língua não se substitui por uma novilíngua assim à toa. Foram muitos séculos até existir uma língua como a que falamos hoje. Acho que esta tentativa feminista não vai dar certo.
Qual tentativa feminista? O género masculino dar para tudo é feminista?
Dar para tudo? Para algumas coisas continuo a preferir o género feminino 🙁
“género masculino dá para tudo.”
Curiosidade: e em alemão como é uma vez que há 3 géneros? Tanto quanto sei (e sei pouco) o artigo no nominativo plural é die que coincide com o feminino. Como é que as feministas encaram isto? Devem, suponho, andar felicíssimas uma vez que o die é que dá para tudo. Será assim?
Mais ou menos.
Na idade média uma mulher que tinha opinião não era boa rês,os cobóis eram superiores aos Índios, os brancos de olhos azuis eram os preferidos dos nazis, etc, etc…
Loiro como Hitler; alto como Goebbels; esbelto como Goering.
Não se preocupem com o descernimento de, o que é que quis dizer o Ventura. A cabeça dele é muito complexa.
E não vale a pena terem tanta preocupação com o caso, pois em Portugal podem-se contar pelos dedos a “gente de bem” que cá temos…
“Discernimento”.
As dificuldades acerca de quem seja ‘gente de bem’ traduzem uma sociedade
que vem sendo despojada de referências morais, pela acção de uma multidão de idiotas que, descomprometidos de qualquer responsabilidade social, se afirmam em tudo descrer e nada construir, e nisso se creem em missão criativa.
Parece haver como que uma expectativa de que sempre, de um qualquer ruído a muitas vozes, emergirão valores a respeitar, sem que ninguém os traduza em palavras que os definam, ou que deles resultem regras que condicionem comportamentos.
Definir ‘gente de bem’ requer palavras, que traduzem valores, que condicionam comportamentos… que já ninguém se atreve a apresentar à manada desconstrutivista!
portugueses que trabalham, fazem descontos e cumprem a lei??
maria, em princípio, sim. O problema é que, nessa definição, cabe muita gente que comete atrocidades às escondidas, como já referi num dos comentários acima. Há muitas pessoas que são exemplares no trabalho, na vida social, até são prestáveis e pagam os seus impostos como deve ser. Mas pessoas dessas entram em casa, fecham a porta e são um pesadelo para a família: violência (física e psicológica), manipulação, abuso sexual (e não são só homens, também mulheres e mães cometem atrocidades).
Era precisamente aí que eu queria chegar: a demagogia de um líder partidário que apela à “gente de bem” e age como se no seu partido fosse tudo “gente de bem”, criando assim a ideia de que “nós é que somos de bem; do outro lado, estão os outros, os criminosos e os desordeiros” e “contra todos aqueles que não são por nós, a gente de bem”. Considero esta dualidade perigosa.
Pais, avós e trabalhadores exemplares? As aparências iludem muito.
“Gente de bem” é uma ideologia que só cabe em séries dos anos 1950 e 60, onde as famílias eram todas exemplares. Quem quiser, que acredite…
Cristina Torrão (CT), o jornalista/escritor António Assis Esperança, em 1938, publicou um livro (“Gente de Bem”) onde até abordava a condição da mulher, reduzida a mero objecto sem quaisquer direitos, na então burguesia que, em 1926, conseguiria (finalmente) tornar-se de facto na classe dirigente com o novo regime. A tal Gente de Bem, durante a monarquia, era apenas a gentinha mais relevante (persistente, chantagiosa, intriguitista) da então ralé chamada de povo, aquela que tinha “bens” mas não tinha estirpe. e/videos/386388802421500
A nossa chamada “melhor literatura clássica”, tem um prazer quase obsessivo em os descrever como então os piores seres acima da terra – claro, a maioria dos seus descendentes (naturais ou convictos militantes da sua causa), ainda hoje insistem que ela, essa literatura, está a falar de uma espécie de extraterrestres saloios, incultos mas cheios de dinheiro e da pedantice de quererem ser parisienses, algo que era inato aos heróis em que se reviam esses “clássicos”.
Era suposto que, com a instauração da república, até chegasse a sua oportunidade mas, como me dizia a minha bisavó, “os carbonaros (outras vezes, quando se descontrolava, até lhes chamava de algo então simplesmente proibido de sussurrar, os anarquistas) metiam bombas todos os dias e ninguém vivia em paz e sossego”. A “solução” veio com o 28 de Maio.
A minha bisavó não era “gente de bem” mas sabia, por ter lidado com eles, quem eles eram e continuaram a ser até à sua morte, em finais dos anos 60.
O Ventura apenas recuperou essa velha tradição nacional-“autoritária” mas CT se julga que é o único a recorrer a ela, desengane-se.
Alguns exemplos de outros venturas:
– «Não considero o desemprego como justificação pela simples razão que os desempregados em Portugal são gente de bem» – José Sócrates, 13/5/2009; referindo-se a acontecimentos de violência registados no bairro da Belavista; e
– «Uma coisa é certa: com a ajuda dos movimentos anti-racistas, a colaboração de esquerdistas, a covardia de tanta gente de bem e o metabolismo habitual dos reaccionários, o movimento de correcção da História veio para ficar.» – António Barreto, 14/6/2020; artigo no Público sobre a contestação à herança histórica luso-tropicalista.
Enquanto o Ventura não convocar a maioria silenciosa (apenas outra expressão ligada ao significado de Gente de Bem), a coisa até vai girando naturalmente e claro, o que isto quer dizer é que, um destes dias, ainda vamos acabar por descobrir que o Ventura só tem um par de sapatos (o que até já seria uma excentricidade post-modernista… botas serão sempre botas) e que apenas se senta num sofá rasteiro – cadeiras, cruzes, canhoto, não são com ele… lá a comum missão divina, essa é assumida: https://www.facebook.com/ObservadorOnTim
Conclusão: uma expressão demagógica, que dá para esticar para todos os lados e fica sempre bem.
Na minha opinião, o que distingue o Ventura dos outros é que ele clama que só os seus apoiantes são gente de bem, uma trupe de eleitos divinos. Assim como fez o Trump. Foi o que se viu.
Sim e não, Cristina Torrão.
Hoje, a expressão “gente de bem” só pode ser considerada apenas como demagógica se não quisermos considerar quem recorre a ela e com que intenção o faz. Se tivermos em atenção isso, ela não é apenas demagógica mas essencialmente protofascista.
O excerto que retirei do artigo de António Barreto (AB) e que reproduzi no meu anterior comentário, até é um perfeito exemplo disso: ele diz que «com (entre outros até mais evidentes e, que julgo que para ele, naturais “culpados” – basta seguir o seu alinhamento no meu excerto*) a covardia de tanta GENTE DE BEM (….), o movimento de correcção da História veio para ficar.»
Na verdade, a “gente de bem” do AB é apenas uma versão “intelligentsia” da outra, evidentemente mais “básica”, do Ventura, sobre a transformação semântica da expressão, a partir do seu significado original, o “monárquico”, para designar, de um modo segregacionista, os proeminentes burgueses de então, numa construção recheada de ética, moral e social ou seja, ideológica.
É que ambos (e todos os outros que) recorrem à dita expressão apenas com o intuito de convocar o papel das “gentes” reaccionárias (conservadoras em qualquer sentido) contra o tal suposto “movimento de correcção da História”, de acordo com o que, uma vez mais, eles entendem o que é a nossa História.
* No alinhamento de “culpados” do AB, quanto ao «movimento de correcção da História (que) veio para ficar», constam (“com”) 1. «a ajuda dos movimentos anti-racistas»; 2. «a colaboração de esquerdistas» e depois, lá bem no fundo, fruto de um verdadeiro paradoxo inocente: «o metabolismo habitual dos reaccionários». Ele não explicou (e eu nem percebi) o que quis dizer com “metabolismo habitual”. Duma certeza absoluta me reclamo… não deve em nada ter a ver com a “ditadura das pessoas de bem” do outro embora, para mim, até coincidam.
1. Cristina Torrão disfere um ataque violento a A.Ventura e ao partido “Chega”. Afirma no seu Post que “não teve pejo em dividir o povo (….) apelando à discriminação…”.
2. E, hoje mesmo (6março2021, 11:57), António Costa escreve na sua página do Twitter:
— “Felicito o PCP no seu Centenário, saudando o seu Secretário-Geral Jerónimo de Sousa e nele todos os seus militantes. (….) Presto homenagem ao seu inestimável contributo na resistência anti-fascista e anti-colonialista e ao contributo militante para a vitalidade da Democracia no poder local democrático e na atividade sindical. (….) Congratulo-me com a forma franca como nos últimos anos temos conseguido encontrar respostas comuns para os problemas do país e dos portugueses, no respeito da identidade própria de uma esquerda plural”.
3. Ironia da História… Acusam agora A.Ventura de fascismo e extremismo, de ser contra a democracia, de querer alterar a actual Constituição.
4. Ora, vejamos o que estes arautos da liberdade e da democracia fizeram à Constituição.
Recuemos até às declarações de voto na aprovação na especialidade do articulado da Constituição:
BARBOSA DE MELO (PPD): – O Grupo Parlamentar votou contra o Artigo 1.º na parte em que proclama estar a República empenhada na sua transformação numa sociedade sem classes…. O debate no Plenário revelou clara e inequivocamente que os defensores desta fórmula visam amarrar o Artigo 1.º da Constituição à mundividência marxista, imprimindo à «sociedade sem classes» o sentido de «sociedade comunista» correspondente à fase superior do chamado «socialismo científico» …. Neste contexto, a expressão torna-se inaceitável … É consciente e criticamente que repudiamos as concepções dogmáticas do socialismo marxista. (Diário da Assembleia Constituinte, 1975).
MEDEIROS FERREIRA (PS): – O Partido Socialista votou a favor deste Artigo 1.º no seguimento do parecer da Comissão, onde os seus elementos tudo fizeram para que esse Artigo 1.º tivesse a unanimidade dos partidos principais aqui representados nesta Assembleia. Surpreende-me, por isso, a votação do Partido Popular Democrático, que foi levado, aliás, por interpretações subjectivas e ideológicas do Artigo 1.º, o que está evidentemente em contradição com qualquer leitura de direito, com qualquer leitura constitucional, atenta e positiva.
Dentro desse ponto de visa, o Partido Socialista lamenta profundamente que a unanimidade que esse Artigo 1.º recolheu na Comissão não tenha sido transplantada para o Plenário desta Assembleia. (Diário da Assembleia Constituinte, 1975).
AMÉRICO DUARTE (UDP): (….) “O povo tem de saber que ficar escrito na Constituição o PLURALISMO da expressão e da organização política é o mesmo que ficar escrito que os fascistas têm direito à expressão. Por exemplo, é à sombra desse pluralismo que hoje os fascistas do CDS estão nesta Assembleia. Eu queria perguntar ao fascista do Freitas do Amaral, e aos Srs. Deputados que votaram a favor desse pluralismo, se o Campo Pequeno … Vocês caberão todos no Campo Pequeno… Fascistas!”. (Diário da Assembleia Constituinte, 1975).
5. Estes democratas e pseudo anti-fascistas, antes de ficarem todos urdidos com palavras de A.Ventura, deviam lembrar-se disto. Do que disseram e fizeram durante o Abrilismo (47 anos).
6. Diz a sabedoria popular: “Quem as faz, paga-as”.
7. Ventura ou desventura? … As teias que a Memória tece.