
Fernando Sousa: «Naqueles dias não havia muitas formas de evasão, primeiro da guerra, depois daquela espécie de paz. Voar das duas era um desejo comum, urgente, que se realizava tomando um avião – nas circunstâncias difícil! – ou fumando suruma, a canábis moçambicana, vendida nas esquinas ao lado do caju e das hortaliças.»
José Moura Pereira: «De um teatrinho que se fazia aqui na aldeia há mais de quarenta anos, sobre uma princesa que acaba por morrer, conta o meu amigo Zé Neto que ao fanhoso foi dado um papel com uma única fala. Também não se lhe tinha dado grandes explicações sobre o enredo, apenas que no momento oportuno seria mandado para cima do palco e diria:
– Cheguei para te salvar.
Fanhoso em pulgas, peça no seu decurso, momento chegado, é dada ordem ao fanhoso para subir ao palco e ele sobe e diz:
– Cheguei para te salvar.
Faz-se silêncio por momentos. É uma cena de consternação, o único personagem em pé no palco para além do fanhoso, põe-lhe uma mão no ombro e diz pesaroso:
– Vens tarde, a princesa morreu.»
Paulo Gorjão: «Hoje já nem nos lembramos que em meados de Janeiro não havia dia em que a comunicação social não nos oferecesse umas supostas migalhas de escândalo. Tal como chegaram, porém, dias depois desapareceram todas as notícias sobre a casa de Cavaco Silva, ou sobre as suas acções no BPN. Esgotou-se a informação? Deixaram de ter valor jornalístico? Muito simplesmente, terminou a campanha eleitoral?»
Eu: «Gostei de ver, faz hoje uma semana, dois sobreviventes dos anos de ouro do cinema americano no palco do teatro Kodak, em Hollywood: Kirk Douglas, de 94 anos, entregou o Óscar de melhor actriz secundária (bem merecido) a Melissa Leo, pelo seu magnífico desempenho na película O Último Round; Eli Wallach, de 95 anos, recebeu um prémio honorário, destinado a homenagear a sua longa carreira que parece não ter fim – ainda há pouco o vimos em Wall Street 2.»
