Pensamento da Semana


Paulo Sousa,

Há uns anos li num quadro informativo de um refúgio de montanha asturiano que a força de um grupo era exactamente igual à força do elemento mais fraco do grupo.

Será que se pode aplicar a mesma lógica para a riqueza de um país?

O que podemos aprender com o exemplo da Irlanda, que como nós é um país periférico, sem recursos naturais, com uma matriz cultural católica e que mesmo após uma recente falência das finanças públicas conseguiu criar riqueza ao ponto de o seu Salário Mínimo Nacional para 2020 ser de 1706,90€?

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

34 comentários em “Pensamento da Semana”

  1. Compare o IRC dos dois países e perceberá. O adorado, pelos eleitores, socialismo português explica o valor dos dois SMN.
    Ps- A Alemanha bem que tem tentado mas os Irlandêses não são parvos nem socialistas simplórios.

  2. Onde grassa a corrupção não pode haver desenvolvimento, ponto final, parágrafo.
    No dia em que for feita e forem criados meios para aplicar com rigor legislação eficaz que condene a corrupção, o regime acaba. Com a operação «  mani pulite » em Itália nos inícios da década de 90 acabaram os partidos todos que existiam e muitos empresários foram condenados. Segundo os autores dessa operação, hoje é impossível repetir o feito porque os políticos aprenderam a lição e a maior parte das trafulhices que eram consideradas crimes deixaram de o ser, segundo as leis em vigor actualmente. E, agora, com as leis liberticidas que vão sendo apuradas, à socapa, uma a uma, pelos países da Europa ( amanhã é discutida en França a dita Lei da Segurança Global que também cá há-de chegar) ….convém recordar o Aldous Huxley.

    1. Deixar a justiça funcionar sem interferências políticas é determinante, assim como não deixar que se judicialize a política. O exemplo italiano não é exemplar.

      1. Também não se pode deixar que se politicize a justiça.
        E “deixar a justiça funcionar” não é nada boa solução quando a justiça não funciona como deveria, como é o caso em Portugal. Quando a justiça não tem padrões, isto é, uma jurisprudência respeitada, e cada juiz faz como lhe apetece. Vale a pena ler os recentes posts de Pedro Arroja no “Portugal Contemporâneo” sobre o assunto.

  3. MEDIDAS SEM MEDIDA PELO NOSSO ELEMENTO MAIS FRACO
    Decretam-se regras avulsas para não sair de casa, recolher obrigatório, papeis escritos para justificação de exceções, eliminar contactos com mais de cinco à esquina, não manipular ou repartir com outros qualquer tipo de objetos, e por aí fora até dizer chega.
    Alguém credenciado saberá classificar e estimar o numero de infetados que podem resultar das ações contraditórias das autoridades fiscalizadoras quando trocam papeis com condutores de mãos nuas, uns e outros, sem desinfetante à vista, das televisões que invadem com os seus repórteres tudo que é sitio para ouvir declarações de mascarados ou não.
    Considerar ainda ajuntamentos provocados por ações de Marcelo e ensinamentos da cartilha de Costa, ou infindáveis pregações das autoridades da saúde, antes, durante e depois das alocuções, juntando uma data de gente como conselheiros, ajudantes e assistentes.
    Se não sabem mandem saber, antes que ao contrário do que se deseja andem a contribuir para disseminar a maleita.
    Nem ao menos percebem que atividades politicas em democracia, não podem, nem devem ser praticadas, e não é admissível que se sobreponham a emergências de saúde publica.
    É o virus irremovível da constituição seu estupido!

      1. Peço desculpa por precipitadamente ter encaixado aqui um comentário que nada tem a ver com a questão suscitada.

          1. O elo mais fraco de aplicação única que a Gertrudes das cebolas não entende.

  4. Pensem comigo: os empresários não pagariam mais se não houvesse salário mínimo nacional, e não existisse IRS e apenas IVA?

    É a própria ideia de escalão e o desequilíbrio introduzido pelo peso morto dos funcionários públicos (que não são afectados por essa praga do SMN) que impede a justa distribuição do valor do trabalho — ou é apenas a maldade natural dos empresários (como é sabido têm todos almas de bandoleiros mexicanos) que precisa de ser domesticada com uma arquitectura de punição sobre o sector privado?

    1. Nem os empresários são bandoleiros nem o FP são um peso morto.
      Precisamos de arranjar um ponto de equilíbrio entre essas duas visões de forma que no fim das contas o estado consuma menos recursos e os indivíduos possam decidir por si próprios, que é algo que assusta muita gente.

    2. Os empresários pagam IVA? Então o IVA não é um imposto sobre o consumo? Nesse caso quem paga o IVA é o consumidor, certo?

  5. O seu Pensamento, que agradeço, suscita-me dois comentários.
    Esse conceito de grupo é expressão de uma verdade mais geral que, em contexto militar, já aqui exprimi em
    https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/o-caso-de-famalicao-11744255?thread=95551231#t95551231
    No caso da Irlanda, temos de ter presente duas coisas: falam inglês e têm uma das comunidades maiores, mais tradicionais e com franjas nas mais ricas dos Estados Unidos.
    Excluindo esses dois factores que Portugal nunca poderá igualar, a diferença é toda ela responsabilidade portuguesa, designadamente da governação económica de esquerda que nos limita há 94 anos.

    1. Pode parecer curioso mas acho que o paternalismo salazarista ficou bem enraizado na relação dos portugueses com o Estado e que isso explica também o sucesso da lógica que sustenta a situação.
      Isso também explica também que quando queremos aumentar o nosso rendimento em vez de olharmos para o espelho olhemos para o Estado.

      1. Não parece curioso mas apenas incompleto. A apetência pelo emprego público é muito anterior e já no séc. XIX um grande escritor a registou. Antes ainda, no séc. XVIII, a nobreza portuguesa tinha 12 ou 15 Casas ditas “puristas” que casavam exclusivamente entre si e constituíam a nobreza mais exclusiva da Europa; em compensação tinha uma nobreza de serviços (como o nome indica, serviam o Estado ou seja, tinham empregos públicos) num número sem comparação com qualquer outro país europeu.
        Esta situação era tão expressiva que mereceu de um conde (não recordo quem) o desabafo que o aumento do números de nobres era tal que em pouco tempo a única distinção possível era não ser nobre e para isso era necessário não servir o Rei (o Estado) em circunstância alguma.

  6. O Paulo Sousa já pensou em quantos países gostariam de emular o exemplo da Irlanda?
    Todos os países gostariam de o imitar. O problema é que ele é inimitável, porque cada país tem um conjunto de circunstâncias único.
    Se o exemplo da Irlanda fosse fácil e imediato de imitar, ele já teria sido imitado por uma dezena de outros países.

  7. Os corruptos políticos, banqueiros, CEOs, etc, na Irlanda ou não existem ou estão presos. A estarem em liberdade o Estado foi-lhes sacar o que roubaram. O que não acontece nesta espécie de País. É para mim a única razão lógica do seu sucesso.
    Que vontade tem um trabalhador para render alguma coisa, para ganhar o mísero ordenado mínimo nacional, quando vê os corruptos serem intocáveis, e vê ao seu lado parasitas, RSI, que nada fazem e pouco menos que ele ganham?

    1. O objectivo de um governo deveria passar por não existirem pessoas a necessitarem de subsídios. Quantas mais necessitam, quantos mais pobres existam maior é o falhanço dia governantes.

  8. Há 10 anos:
    https://sol.sapo.pt/artigo/5286/irlanda-sobe-iva-para-24-e-reduz-salario-minimo
    “Irlanda sobe IVA para 24% e reduz salário mínimo
    O Governo irlandês apresentou hoje o Plano Nacional de Recuperação para os próximos quatro anos, que prevê o despedimento de 25 mil funcionários públicos, cortes de três mil milhões de euros nos benefícios sociais e um aumento generalizado de impostos.”
    Ainda assim tiveram que chamar a Troika.
    Se Sócrates tivesse sugerido o mesmo em 2010, contaria com o apoio do BE e PCP?
    A Irlanda conseguiu no acordo com a Troika manter um estatuto especial que lhe dá vantagens significativas para captar empresas fora da UE, mais, desde o Brexit que muitas empresa Inglesas mudaram a sede para lá.

  9. Dados PORDATA
    2007, SMN Portugal 470,17€, Irlanda 1461,9€
    2010, SMN Portugal 740,83€, Irlanda 1681,6€
    Aumento em Portugal 57,56%, Irlanda 15,02%
    Concluam…

    1. Entre 2007 e 2019 a economia irlandesa subiu mais de 90% enquanto a portuguesa subiu menos de 37% e a produtividade pouco mais de 26% (a 7ª mais baixa produtividade de Europa enquanto a Irlanda. Luxemburgo e Dinamarca ocupam os primeiros lugares).
      Conclui-se que o SMN em Portugal não é fixado apenas por critérios económicos mas também por critérios sociais (ou talvez eleitorais) e assim não é directamente comparável com outros países.
      Dito de outra forma, os governos de Portugal têm integrado uma prestação social disfarçada no SMN ou, se preferirem, vem cobrando a algumas empresas um imposto não identificado nem aprovado como tal.

    2. Em que PORDATA está isto?
      Actualmente o nosso SMN é 630 € vá que seja x 14/12 dá 735 o que é inferior ao de 2010.

  10. Na Irlanda estabeleceram-se muitas multinacionais do sector tecnológico, por:
    – vantagens de instalação e de impostos;
    – facilidade de comunicação, de logística e de relacionamento com a UE; a UK e outros países europeus não pertencentes a estes organismos;
    – a grande emigração irlandesa e seus laços com a USA, o Canadá, a Austrália;
    – o nível cultural do povo.
    João Moreira

    1. Vantagens de instalação e impostos.
      A língua portuguesa tem uma menor PIB que a inglesa mas não deixa de ter um potencial desaproveitado de criação de riqueza.

  11. Não me parece o melhor exemplo. A Irlanda não é, de todo, actualmente, um “país periférico”. Pelo contrário, constitui uma extensão cultural e física do Reino Unido (desculpem-me os irlandeses), na qual, há 20/30 anos, os salários, o metro quadrado e os restantes custos (e não incluo os fiscais) eram uma mísera fracção daqueles pagos do outro lado do “Irish Sea”, isso apesar de dispor de uma população altamente qualificada e fluente em inglês e de estar a hora e meia de voo de Londres. Devido a essas condições de partida, o crescimento irlandês, num cenário de globalização, mercado único e integração no Euro, era uma inevitabilidade (que, em teoria, poderia ser minorada por excessos regulatórios ou fiscais, e, de facto, não foi), tal como foi uma inevitabilidade o colapso especulativo que ocorreu em 2008, e tal como foi uma inevitabilidade o crescimento que se lhe seguiu (,as não a curta duração do “slump”, que teve a ver, essa sim, com políticas agressivas de redução da despesa pública, sem Tribunais Constitucionais a decidir em causa própria). O que não falta são exemplos para comprovar a miséria que tem sido a gestão política deste país, mas a Irlanda é um termo de comparação injusto, pois, com as condições de partida que tinha nos anos 90, fizesse o que fizesse, o crescimento exponencial da sua (raquítica) economia era inevitável.

  12. Não há dúvida que “a força de uma corrente, está no seu elo mais fraco”, mas esse princípio não se aplica aos países da UE, que não constituem uma “corrente” (conjunto de elos interligados), mas um conjunto de povos onde os nacionalismos se sobrepõem ao interesse geral.
    Portanto, não nos resta outro caminho que não seja imitar o que os outros países fazem melhor, com melhores resultados.

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