Pensamento da semana


Teresa Ribeiro,

Não fique em casa… se não quer ficar sem emprego – este é o dilema que se coloca hoje a milhares de pessoas. Uma realidade escondida que a comunicação social não está a revelar, nem é aflorada pelo governo.

No país das pequenas e micro empresas as ruas podem estar desertas, pode já não existir concentração de gente nos espaços públicos, mas há locais de trabalho onde as regras do estado de emergência não estão a ser aplicadas. Ao contrário dos estabelecimentos comerciais, fáceis de fiscalizar, esses espaços funcionam entre quatro paredes, escondidos em edifícios de escritórios ou até em prédios de habitação. 

Soube pela DECO que nos últimos dias têm chovido no seu departamento júridico pedidos de aconselhamento de profissionais que estão a ser coagidos a continuar a trabalhar em espaços exíguos, onde o distanciamento de segurança é impraticável.

Entendo que é o desespero que conduz a esta insensatez, mas a verdade é que enquanto estas situações persistirem, as medidas de mitigação são um saco roto, por onde a pandemia continuará a expandir, prolongando ainda por mais tempo esta agonia em que todos vivemos.

A propósito deste assunto, aproveito para dar um recado ao PAN: foi importante indicar os serviços veterinários como uma das actividades  essenciais que o governo deve autorizar durante a pandemia, mas entre estes existem milhares de clínicas e consultórios sem o mínimo de condições de segurança sanitária. Porque funcionam em espaços tão reduzidos que é impossível manter distanciação mínima e sem equipamentos adequados (máscaras e luvas eficazes contra o vírus). Só esta área de  negócio bastará para infectar boa parte da população, pois faz atendimento público, nas piores condições, por todo o país – foi divulgado num congresso veterinário que em Portugal há mais clínicas veterinárias do que em Espanha!!

Só os hospitais veterinários deviam manter a porta aberta nestas circunstâncias, caros senhores, por isso, por favor, façam serviço público e em vez de proteger os vosso amigos veterinários, cuidem, primeiro que tudo, da população. Obrigada!

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

25 comentários em “Pensamento da semana”

  1. profissionais que estão a ser coagidos a continuar a trabalhar em espaços exíguos

    Profissionais de que profissões?

    E os espaços exíguos são as residências desses profissionais, ou pertencem aos seus patrões?

  2. No outro dia entrei num supermercado Minipreço. O espaço, que estava aberto ao público e à vista de todos, era exíguo. Junto à fila para a caixa, na qual os clientes não tinham espaço para estarem a um metro uns dos outros, muito menos do rapaz da caixa, havia uma máquina automática de servir café (em copinhos de plástico) junto à qual algumas pessoas bebiam café, quase encostadas a quem fazia fila. No resto do supermercado o panorama era pouco melhor.
    O supermercado fica a meio da avenida Fontes Pereira de Melo, em Lisboa. Convido a autoridade policial a ir lá verificar o distanciamento social entre clientes e trabalhadores.

  3. Ha-de haver mais clínicas veterinárias que centros de saúde, como há mais cães que filhos.

    Essa é outra tara lemming que vai ter de acabar.
    Jovens que deixaram de ter instinto vital e não procriam, não conseguem ter mais responsabilidades nem noção de família que ter um cão.

  4. Tempos difíceis, os que estamos a passar. E mais difíceis os que ainda temos pela frente.
    Não quero ser arauto da desgraça, mas não contem com menos de um ano.

  5. A Zazie tem razão. Os cães são uma mais valia à inteligência dos seus donos.
    Ver sobretudo jovens atrás de cães até arrepia. Coisas tão boas que podiam fazer!
    Ontem atravessei um jardim e só via m..d.!
    Os cães também são transmissores do COVID 19. Eles também conversam à sua maneira com os seus donos.

      1. Tem a menor noção do disparate que escreveu?

        O vírus sobrevive em qualquer superfície, menos nas patas e narizes dos cães que tocam em tudo, mais que os nossos sapatos?

  6. Concordo Teresa. Em teoria e segundo directrizes da OMV os CAMV só devem prestar cuidados médicos de emergência ou urgência. Caso se dê conta do contrário as Autoridades deverão ser notificadas, embora não acredite na sua viabilidade.

    Contudo entendo que quem trabalha por conta própria, tenha investimentos e/ou tenha encargos com empregados, rendas, etc, seja posto perante uma Quadratura do Círculo

    1. Pois, entendo o dilema. Mas pelo menos nesta fase, mais crítica, não seria mais avisado fecharem em vez de continuarem a trabalhar sabendo que é uma questão de tempo: mais tarde ou mais cedo infectam-se e à sua equipa. Nessas circunstâncias terão de fechar a porta na mesma e com a agravante de que poderão levar gente nessa enxurrada: clientes, familiares, etc.

        1. Fez o que em consciência, uma pessoa de bem deve fazer agora.

          Quem, pelo contrário, finge que “só faz urgências” (sei que é isso mesmo que se está a passar) revela uma inqualificável falta de civismo e está a contribuir activamente para prolongar esta tragédia.

    1. Esses espaços não permitem manter as pessoas à distância de segurança, por isso, mesmo que recebam clientes à vez, a possibilidade de contágio está sempre em aberto. Mas ainda existe um outro problema: como em muitas clínicas o pessoal também é escasso, acresce que muitos clientes têm de fazer de auxiliar de enfermagem e segurar os bichos que levam à consulta. Ficam, basicamente, a dois palmos do veterinário. Juntinhos, juntinhos, até que o coronavírus os separe.

  7. Segundo a OMV, os CAMV estão a fazer urgências, situações não urgentes mas que se esperarem um ou dois meses não vai correr bem, e primeiras vacinas (que também não podem esperar um ou dois meses).

    1. Situações que podem e devem ser tratadas em estabelecimentos que tenham condições para atender clientes durante o estado de emergência: com dimensões que permitam manter distância de segurança e quadro de pessoal suficiente para não ser necessário pedir aos clientes para fazerem de auxiliares de enfermagem.
      À partida, são os hospitais que têm agora mais condições para fazer o atendimento ao público.

      1. Teresa, é verdade. Contudo existem Clínicas que conseguem assegurar as medidas de protecção preconizadas. A diferença entre Clínicas e Hospitais baseia-se essencialmente no tipo de serviços prestados e não nas dimensões, corpo clínico, etc. Julgo que o problema reportado é mais frequente nos consultórios veterinários.

        1. Segundo a WSAVA

          Para cães :
          Hepatie, Esgana, Parvovirose, Raiva (zoonose) – 3 anos
          Parainfluenza (quadro clínico ligeiro na maior parte dos casos) e leptospirose (zoonose, mas mais prevalente no Outono) – 1 ano

          Gatos :

          Não existem estudos imunológicos com tanto detalhe como nos cães. Mas de uma forma geral é aceite que para leucemia, herpes vírus e calicivirus, panleucopénia, a imunidade conferida é de 3 anos.

          O que sucede em “algumas” situações é uma sobrevacinação dos animais, associado a uma indiferença, na indústria, pela realização de estudos de imunidade em animais cronicamente vacinados (ex: existem alguns estudos que apontam imunidade para a vida após x número de vacinações para uma determinada patologia, etc).

          Aliás o excesso de vacinação surge como uma das possíveis causas do aumento de alergias/doenças auto imunes nos animais de companhia.

  8. Mais uma vez vê-se aqui que não estão preocupados com a proliferação do vírus mas com os vossos umbigos.
    Quanto ao Minipreço, a única pessoa que me preocupa é o desgraçado do Funcionário, mas o mesmo vi acontecer no Lidl em fevereiro, por exemplo, com um idiota a tossir para cima do Caixa e todos a fazer de conta que não era nada com eles. Tanto egoísmo e eu é que fui insolente porque reclamei com aquele “porco”. Os Clientes estão lá porque querem. Quem vai beber o café, vai porque quer! Podem ir fazer as compras ao Pingo Doce que fica bastante próximo. Há um Continente Bom Dia na Defensores de Chaves e por aí fora. Já o Funcionário perde o emprego, não tem escapatória. E não sei como está a situação agora mas o ano passado o Minipreço estava insolvente, pelo que o futuro de tantas dezenas de Funcionários não é muito risonho.
    Sempre a atacar os animais, sempre os mesmos. Que falta de amor nesses corações.
    Em vez de atacarem só os veterinários, lembrei-me de um exemplo que muitos talvez desconhecam ou não lhes interesse conhecer que é o negócio daa lavandarias clandestinas que continuam a laborar neste país, na Grande Lisboa. Sim existem, em regime de quase escravidão, a funcionarem 24 horas por dia. Trabalham 7 dias por semana, em caves sem condições, ilegais, sem documentação, sem contratos. Se um falta, outro faz turno duplo para compensar mas pelo menos recebem quase o ordenado mínimo. Poderia fazer queixa às autoridades e ao SEF, seria o politicamente correto. Mas o que aconteceria a estas pessoas? Seriam deportadas, deixariam de ter dinheiro para dar de comer aos seus filhos. Sei que estou errada e deveria acabar com isto, acabar com a escumalha que explora esta pobre gente, mas falando com uma destas pessoas, já com 51 anos, ela pede por amor de Deus para não fazer nada pois está bem assim. Tem que comer e é o que interessa. De onde veio, estava pior. E a pandemia?
    Mas estão todos preocupados com os cães, ah e os pombos, outro drama nacional.
    Já as beatas que continuam a ser deitadas para o chão e que, essas sim, podem também conter o vírus, ninguém fala. As luvas e máscaras que começaram a fazer parte do lixo das nossas ruas e que são outro perigo, também ninguém refere.
    Quanta gente neste país trabalha em caves, não faz parte das estatísticas e se as denunciarmos talvez acabem mortas no aeroporto de Lisboa.
    Claro que as pessoas têm que continuar a trabalhar, como um segurança de um hipermercado que à noite trabalha para a Uber.
    Tenham dó, olhem para o lado, abram os olhos!
    Se tivessem um cão para passear, talvez descobrissem um mundo que a Senhora da Fontes Pereira de Melo nem sonha que existe e deixava-se de Decos.

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