Se há gadget próximo da perfeição, esse gadget é o papel: é barato; nunca fica sem bateria; é biodegradável e reciclável; não estala ou avaria com uma queda de dois palmos; não fica infectado com malware nem precisa de actualizações de segurança ou para correcção de falhas; não “pendura” a meio de um documento de seis páginas que nos esquecemos de gravar; não demora um minuto a ligar; não se transforma num tijolo quase inútil quando falha o sinal wifi ou 3g; e se dermos por nós sem espaço para gravar mais informação, basta entrarmos numa qualquer papelaria e resolvemos a questão com uma moeda de euro.
Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

O papel arde, os discos rígidos não…
WW
Se lhes atearem fogo por cima, ou por baixo; tanto arde um como o outro.
Até admito que sim (eu não disse que era perfeito – tal coisa não existe). Mas é melhor tirar rapidamente o disco rígido que deixou esquecido no forno de pizzas – também há limites para o que aquela caixa de metal pode aguentar.
O papel não desmagnetiza
(e os discos rígidos ardem)
Além disso, escrever em papel favorece a criatividade, dizem os neurocientistas 🙂
No meu uso, não é na criatividade que encontro efeito. Se eu desenhasse, aí acredito que sim, que a interacção mais imediata comparada com o computador me permitiria mais espontaneidade. Na escrita, mesmo de textos meramente funcionais como um rascunho de email, noto é uma melhor organização mental. No papel, sem as facilidades de edição proporcionadas pelos softwares, sou forçado a antecipar com mais atenção aquilo que pretendo escrever. É como se o cérebro, privado de todos os estímulos que estão à distância de um clique nos ecrãs e forçado a acompanhar a lentidão da mão, abafasse a algazarra de micropensamentos que habitualmente fervilham nele.
Também prefiro o papel, mas pode ir parar à maquina de lavar, cair lhe um copo de vinho em cima, ficar não apresentável com facilidade.
lucklucky
Tudo uma questão de cuidado. Um copo de vinho numa camisa e a apresentação não se torna melhor.
É verdade. Mas vejamos a coisa deste modo: se eu deixar cair um copo de vinho em cima de um livro, o seu conteúdo continua disponível, mesmo que visualmente pouco apelativo. Se eu deixar cair um copo de vinho em cima do meu smartphone, tenho que o desligar à pressa, abrir, usar (idealmente) um líquido apropriado para limpar os resíduos estranhos, e deixar secar bem antes de o voltar a ligar, estando todo este tempo sem poder aceder ao seu conteúdo. Isto, claro, na melhor das hipóteses: na pior, o vinho provoca a emissão de “fumo mágico” e tenho de comprar outro smartphone – esperando poder repor os backups que fiz sem grandes trabalheiras.
Sim é verdade.
lucklucky
apoiado.
🙂
Continuo a registar muita coisa em papel, até porque não tenho telemóvel com internet. Continuo a fazer as listas de compras em papel, tenho uma agenda convencional, tiro apontamentos em papel mesmo quando estou a escrever no computador e é em papel que assento coisas de que não me quero esquecer, usando ainda os ímans na porta do frigorífico para afixar esses recados.
Estou a ficar velha, decerto, mas não é coisa que me aflija muito.

Existem alguns estudos que apontam para uma memorização mais eficaz daquilo que se lê ou escreve em papel. Os resultados foram consistentes entre millenials e pré-millenials, o que dá a entender que o grau de familiaridade com as ferramentas informáticas não tem grande influência.
Outra vantagem do papel é que basta uma mão, é suficiente eficiente para escrever ou desenhar. Por exemplo tomar notas de uma chamada telefónica.
Para usar um teclado duas mãos são necessárias para se ser eficiente.
lucklucky
Depende um bocado do tamanho do papel. Se este não for suficientemente grande para ser controlado pela mão que escreve, escrever nele pode-se tornar um teste à paciência. Ou talvez seja apenas a minha habitual falta de jeito…
Para fazer uma folha de papel é preciso assassinar uma árvore.
E o respeito pelos seres vivos não conta?
E a quantidade de água, metais, plástico e electricidade que se gastam para fabricar computadores?
Para comer uma cenoura também é preciso assassinar a cenoura. E para temperar uma sopa com hortelã é necessário mutilar uma planta…
boa, fez-me rir! estou a assinar uma maçã neste preciso momento.
Mai nada. Vivó papel
🙂
A maravilha de um aparo deslizando ideias sobre o papel e de um lápis esboçando ao longo dele.
Infelizmente, muitos dos papéis mais vulgares (e acessíveis) ressentem-se até com uma esferográfica de gel com ponta média.
E viva o papel!!

Que saudades de receber bilhetinhos com letras…
Hoje em dia enviam-se sms com uns bonequitos a enfeitá-las. Perdeu-se um pouco a noção do objecto físico que esteve nas outras mãos antes de chegar às nossas.