«Porque tendemos a acreditar que a nossa felicidade e a solução dos nossos problemas dependem unicamente de factores exteriores a nós?»
In “Tu És A Única Pessoa”, Cristina Torrão (Oxalá Editora 2016)
Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

Não é só a felicidade mas sobretudo a infelicidade. A felicidade, o sucesso, regra geral, consideramos consequentes ao nosso mérito, a factores positivos, intrínsecos, da nossa pessoa. O contrário sucede quando falhamos. Aí, culpamos a sociedade, o “azar”, pelos nossos incumprimentos, pelos nossos falhanços.
Fazendo depender o insucesso, a factores independentes da nossa vontade, podemos arranjar, fora de nós, uma culpa que é, afinal, só nossa. A vantagem desta filosofia é que permite um sono tranquilo. A desvantagem é que não permite uma aprendizagem serena.
Porque é verdade.
Posso gostar de uma mulher mas se ela não quiser nada feito. Posso querer ser rico mas se o euro-milhões teimar em não sair continuo pobre. Posso querer a Cristina presidente mas se o povo não votar nela lá continuo a ver uma figura sem estilo na presidência.
Sou dono da minha vontade mas não vivo sozinho.
E, sobretudo, muito me admira tal pensamento de uma sportinguista porque tudo se confina a uma infelicidade atroz. Quer a verde nação a felicidade de ver o Sporting campeão, mas esse não colabora.
Ainda podia, vá lá, ser parcialmente feliz ver o Benfica perder, mas esse ainda colabora menos. 🙂
Tudo se resume, portanto, como acho que aqui deixei provado, o nosso bem-estar e felicidade a factores externos, ou dependendo da vontade dos outros.
Claro que muitos momentos felizes dependem de factores externos, mas não considero ganhar o euro-milhões essencial para a minha felicidade. Dificilmente se pode ser feliz sem dinheiro, mas, uma vez satisfeitas as necessidades básicas e depois da euforia inicial de ter ganho o euro-milhões, depressa se cai no rame-rame da insatisfação. Conheço um caso na família (não baseado num ganho ao jogo, mas numa herança). E mesmo que a pessoa amada não nos ligue, algum dia a conseguiremos esquecer e partir para outra.
Ninguém é feliz todo o tempo (talvez até nem tivesse grande piada). Mas quem baseia a sua felicidade apenas em factores externos, ou nas reacções dos outros, tem menos momentos felizes.
O Benfica não colaborou, o Braga também ganhou e o povo festejou… Isto sim é felicidade, quanto ao resto, fica para segunda feira.
Crenças: animismos e/ou sociologismos.
Se a felicidade é um conjunto de circunstâncias que causam ventura, chega para lá.
45 anos de doutrina esquerdalha obliteradora da responsabilidade individual, fizeram o seu caminho.