DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Adolfo Mesquita Nunes: «Consciente de que não é o candidato favorito de José Sócrates, mas na convicção de que José Sócrates tem pouco espaço para apoiar qualquer outro candidato, Manuel Alegre avançou quanto antes para o terreno, procurando condicionar o primeiro-ministro. Quer isto dizer que José Sócrates está impedido de tentar evitar a eleição de Alegre? Não me parece.»

 

João Campos: «Portugal tem um clima ameno, “invejado” por muitos países europeus; no entanto, cerca de 35 por cento da população não consegue manter a casa quente durante os meses de Inverno. Acrescento: tal como não a consegue manter fresca durante os meses de Verão. Parece ridículo e é ridículo, mas é uma verdade muito triste: não sabemos construir habitações. E não digo isto apenas por causa das marquises, ou pelos prédios horríveis que volta e meia aparecem por aí. A história do “clima ameno” serve apenas para que as nossas casas sejam apenas confortáveis na Primavera e no Outono, e isso quando nestas estações intermédias não ocorrem situações mais extremas.»

 

Luís M. Jorge: «O Pedro Lomba assina no Público uma bela análise das quatro dinastias do regime: os históricos (como Soares), os professores (como Cavaco), os discípulos (como Durão Barroso) e os chefes de partido (como o actual primeiro-ministro). Insatisfeito, ele propõe-nos uma nova dinastia, protagonizada por alguém que, depois dos manobristas partidários, seja representativo e reconhecido, não pelo partido, mas pela sociedade.»

 

Paulo Gorjão: «Ao contrário do que afirma Ana Gomes, não é por Manuel Alegre “estar no terreno” que o PS deve apoiar a candidatura presidencial de Manuel Alegre. Estar no terreno, enquanto critério de decisão, vale zero. O PS não é — nem deve ser — refém de uma estratégia de facto consumado.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Ao olharmos para a galeria de medalhados do regime, para o número verdadeiramente indecoroso de agraciados e para os progressos que o país registou à custa desses mesmos medalhados (e isto é que importa sublinhar), facilmente concluímos que se esses medalhados tivessem metade do mérito que as palavras que lhes foram ditas lhes atribuíram, e o alto nível das condecorações oferecidas deixa perceber, o País não estaria como está.»

 

Eu: «Em 1948, Truman Capote visitou o Haiti e escreveu um magnífico texto sobre o país, já então um dos mais pobres do mundo, a sua população e a capital, Porto Príncipe, dominada pela “catedral azul-celeste” e pelo cemitério, “grande jardim branco de pedra, uma cidade dentro da outra”. Hoje são diferentes as imagens que nos chegam do Haiti: a grande catedral está parcialmente destruída e o vasto cemitério é incapaz de acolher o número interminável de vítimas de um dos mais devastadores sismos de que há memória. Sinto um nó na garganta enquanto vejo as fotografias que vão chegando da Associated Press à minha mesa de trabalho: muitas reflectem um horror indescritível.»

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