Pensamento da semana


Cristina Torrão,

Corajoso não é aquele que ignora as suas fraquezas, escondendo-as sob uma capa de agressividade ou arrogância. Corajoso é aquele que não se envergonha das suas fraquezas e aprende a viver com elas.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante esta semana

51 comentários em “Pensamento da semana”

  1. Corajoso é aquele que compreende e com o mesmo ânimo aceita que o que Deus no-lo dá, Deus no-lo tira … com elevados juros.
    Chorando por vezes, mas nunca fazendo da depressão um escape.

      1. Tenho as minhas dúvidas que a depressão seja realmente uma doença. Inclino-me mais para um estado de espírito muito conveniente como álibi para justificar as nossas debilidades, ou a força para intentarmos modificar aquilo que assumimos como irrealizável.

        1. Que comentário…. A Depressão Major, a Reactiva, e a Depressão/Transtorno Bipolar são patologias psiquiátricas bem definidas.

          Um doente bipolar, depressivo, para além de um sofrimento atroz (não há opiácio que o valha), inexistente em outras patologias, impeditivo da apreciação de toda beleza (anedonia), ou de ver uma réstia de esperança na sua cura, ainda tem de acarretar com o estigma de ser ele o culpado da sua própria doença. O cérebro de um doente depressivo é diferente, numa fMRI, de um cérebro “normal”.

          https://www.robertsapolskyrocks.com/depression.html

          1. Está bem, Vorph, seja.
            Mostre-me um Berardo depressivo, um Sócrates, um Salgado, um Costa, enfim; um único dessa fauna privilegiada que viaja em executiva e conheça os requintes culinários dos restaurantes renomeados do mundo, e eu passo a acreditar no que diz.
            Em contrapartida e para não ir muito longe, mostre-me um sem-abrigo ou um pedinte a rir.

          2. Corvo, pode ter a certeza que um Berardo, um Sócrates, ou um Salgado sofre muito mais do que aquilo que imaginamos (não refiro o Costa, porque, ainda assim, não me parece tão desonesto como os outros). Não estou a desculpá-los, é claro que merecem ser castigados. Apenas digo que, no fundo, são uns pobres diabos, de tão baixa auto-estima, que precisam da ilusão de que ludibriam o mundo para sentirem terem algum valor. São criaturas insatisfeitas e tristes, precisam de uma droga. A droga deles, infelizmente, é o poder de enganar e prejudicar os outros, só isso lhes dá a euforia necessária para aguentarem o seu vazio interior.

        2. Tem uma certa razão nisto que diz, Corvo, mas, nesse caso, as pessoas apenas fingem que sofrem de depressão. O problema é que é muito difícil distingui-las de que está realmente depressivo. E, em caso de dúvida, nunca dizer, ou dar a entender, que a pessoa está apenas a fingir. Pode ter consequências fatais.

          1. Não digo que a pessoa está a fingir, acredito que sente e alguma coisa se passa com ela, mas acredito que com força de vontade pode superar a doença, uma vez que todos me dizem que é doença.
            Mas acreditando, também creio que ao contrário de uma infecção, por exemplo que só é debelada pela medicação, acredito, dizia, que é muito provocada pelo nosso estado de espírito que ao contrário de se rebelar contra a adversidade se acomoda naquilo que julga irreversível. Em suma. Acho que mais do que uma doença, é um estado de espírito acomodado. Ou temeroso de enfrentar a realidade.
            E se, hipoteticamente for mesmo uma doença, não dizem que a mente tem o poder curativo?
            Ora se não há perna partida, pulmão colmatado, hérnia exposta, coração a dar o piripaque, gripe galopante e quaisquer outras enfermidades a requererem tratamento e até hospitalização, então sirvam-se da mente e curem-se.
            O que eu tenho a certeza pelo que me é dado ver, é que muito acomodados nos limites do provável, a grande maioria da humanidade não têm a audácia da vontade.
            Se está feito ou pode ser adquirido, tudo bem e tudo se abalança. Se riscos inerentes ou probabilidades duvidosas são equacionadas, retrai-se e emerge a depressão.
            O que de uma certa maneira nos leva ao seu postal, que poderia intitular-se ser corajoso é lutar contra a depressão.
            Quando eu tinha doze anos, a minha mãe disse-me duas coisas a propósito de uma birra minha sobre direitos de propriedade, sem que eu tivesse alguma razão.
            – Meu filho, Deus disse: bota mão que eu te ajudarei.
            Fiquei sem compreender muito bem, e ela explicou-me melhor.
            – Meu filho, quem quer bolota trepa.
            – Ó mãe! aqui não há bolotas.
            – Pois não! Mas há muita coisa que tu queres.
            Compreendi e nunca mais esqueci.

          2. Não conheço nenhuma doença que se cure pelo poder da mente. Recorro à seguinte analogia. A depressão é como uma alergia da mente, ou seja uma reacção anormal a estimulos que nos noutros provoca, apenas, uma tristeza temporária.

            Depois fala no estado de espirito como se fosse uma entidade imaterial, que pairasse eteriamente, à parte, no cérebro ( um tipo de alma). Talvez na religião, ou noutra ciência oculta essa visão prevaleça, mas em neurologia não. A mente tem origem fisica no cérebro fisico. Por esse motivo um AVC no Córtex Pré-Frontal (parte do cérebro por detrás da sua testa) lhe muda permanentemente a “maneira de ser”, a “mente”, a personalidade ( já viu, decerto, um adulto, após uma trombose comportar-se como um miudo).

            O cérebro de uma pessoa com depressão crónica tem alterações estruturais inexistentes numa pessoa normal, além de um genótipo facilitador de estados depressivos (ex: Hipocampo, Genes Receptores de Seretonina do tipo
            5-HT 1A e 5-HT 1B.)

          3. Ok, Vorph.
            Fala-me em ciência, “Córtex Pré-Frontal (parte do cérebro por detrás da sua testa)” “Receptores de Seretonina do tipo 5-HT 1A e 5-HT 1B.)” e se o diz é porque sabe, eu conheço as minhas limitações e portanto calo-me; se bem que no caso do Córtex pensei que estivesse por detrás da testa de todos e não detivesse eu a exclusividade, mas, enfim, adiante: é ciência.
            Assim e como lhe disse, remeto-me à minha ignorância advogando em minha defesa, humildemente, que há a ciência de todos e há a minha ciência, que por singular acaso, certamente, me norteou sem grandes contratempos até à data.
            Ora não tendo eu nada até agora a criticar à minha ciência, não vejo motivos para lhe retirar de supetão a confiança que sempre me mereceu.

          4. Corvo, não ponho as minhas mãos no fogo pela ciência. Mas tendo vários casos de transtorno bipolar na família (hereditariedade), e todos eles com os mesmos sinais clínicos (cumes de confiança/egocentrismo alternados com estados depressivos) acredito que seja uma patologia/síndrome genético. Associando esta experiência pessoal às leituras que vou fazendo sobre neurobiologia acredito que se trate de uma doença que não depende de vontades.

          5. Uma boa lição, essa da sua mãe 🙂

            Mas olhe que uma depressão pode mesmo ser um caso muito sério e nem sempre se pode resumir à falta de “audácia de vontade”. Pelo contrário: as pessoas que sofrem de depressão normalmente foram para lá dos limites.

            Mas olhe que isto de psicologia é muito complicado, mesmo para os profissionais do ramo. Por isso, é tão difícil a sua cura, nalguns casos, mesmo impossível.

  2. Corajoso é aquele que não se envergonha das suas fraquezas

    Eu acho que as pessoas devem envergonhar-se das suas fraquezas.

    1. Então deve andar constantemente envergonhado (porque toda a gente tem fraquezas). E andar envergonhado é um grande fardo, desgasta muito.

      Ao contrário do que se pensa, aceitar as fraquezas é um grande passo para as diminuir.

      Aceitar ou não se envergonhar das fraquezas não significa expô-las. Trata-se de uma aceitação e uma paz que selamos connosco próprios.

      1. deve andar constantemente envergonhado (porque toda a gente tem fraquezas)

        Sim, mas as fraquezas nem sempre se manifestam.

        Se, por exemplo, eu sou guloso, tenho que me envergonhar quando como muito (ou mal). Mas isso não acontece sempre, não acontece “constantemente”. Só tenho que me envergonhar quando a minha fraqueza se manifesta – o que não é “constantemente” nem permanentemente.

        aceitar as fraquezas é um grande passo para as diminuir

        Não vejo bem como. Para diminuir as fraquezas é preciso rejeitá-las, evitar a sua manifestação. Se, por exemplo, eu tenho a fraqueza de ser guloso, tenho que, não aceitar essa fraqueza, mas sim decidir combatê-la – por exemplo, tomando a decisão de nunca mais comer coisas açucaradas.

        1. «Se, por exemplo, eu sou guloso, tenho que me envergonhar quando como muito (ou mal)».

          Não concordo. Primeiro, acho que ser guloso não é uma fraqueza. Todos nós somos gulosos, todos gostamos de comer coisas que nos sabem bem. Por isso, ninguém tem de se envergonhar de o ser. Tendo consciência de que posso prejudicar a minha saúde, ao ser gulosa, é realmente conveniente evitar comer demais. Mas não por vergonha! Porque haveria de ter vergonha? É uma questão de pesar prós e contras.
          Além disso, são permitidas excepções. De vez em quando, porque não comer aquilo que nos apetece? Também faz bem à psique.

          Combater uma fraqueza, não a aceitando, não costuma dar bom resultado. Todos sabemos que os alcoólicos, por exemplo, só têm hipóteses de curar o seu vício se o aceitarem, sem vergonha.

  3. Cristina, peço desculpa, mas dito pensamento tem pouca ponta.

    Se o individuo tem consciência da sua fraqueza, então a coragem está no assumir daquela e no esforço posto na mudança.

    Se dita fraqueza for moral, e nela, tal individuo se espojar, pelo hábito de nela viver, não vejo coragem, mas sim cretinice.

    Como digo, este pensamento está mal esgalhado.

    1. Sim, assumi-las (aceitá-las) é o primeiro passo para a mudança. Porque se as recalcamos sob a capa da violência ou da arrogância só pioramos a situação.

      No caso da fraqueza moral, é preciso primeiro encontrar a sua origem. Dê-me um exemplo de uma fraqueza moral para podermos dialogar melhor.

        1. Não penso que o egoísmo seja uma fraqueza, é mais um escape a uma fraqueza. Qual? Falta de auto-estima, a crença de que valemos menos do que os outros, mas que temos de esconder. A cobardia tem uma origem semelhante: falta de confiança nas nossas capacidades, mas também pode ser a crença de que os outros são responsáveis pela minha felicidade. A arrogância pode estar ligada à timidez (tenta-se compensá-la), mas pode ter outros motivos, por exemplo, esconder o nosso verdadeiro ser, ao acreditarmos que que há algo de errado connosco.

          Isto é muito simplificado, mas para tentar mostrar o seguinte: as verdadeiras fraquezas, neste exemplo, são: falta de auto-estima, falta de confiança nas nossas capacidades, timidez, crença de que há algo de errado connosco. Assumir estas nossas fraquezas é o primeiro passo para nos tornarmos menos egoístas, cobardes e arrogantes.

          É assim que eu vejo as coisas. Não nego que haja pessoas que nascem mais propensas ao egoísmo, ou à arrogância, mas também aí ajuda assumir as fraquezas, porque só trabalhando nelas, podemos corrigir os defeitos.

          1. Agora é que disse tudo: «capacidade para a auto-reflexão, e auto-critica».

            Tomemos o Trump, por exemplo, como alguém que esconde as suas deficiências por trás da capa da arrogância. É uma pessoa que tem tanto medo de ser controlada, que vê como único meio controlar tudo e todos, indiferente aos sentimentos dos outros. Infelizmente, um tipo como o Trump NUNCA faz auto-reflexão, nem auto-crítica.

  4. Todos temos os nossos pontos fortes e os nossos pontos fracos. Fazem parte da nossa maneira de ser, da personalidade que nos define como o eu de cada um.Aprender a moderar excessos em ambas dicotomias para melhorar a interacção social é importante desde que não nos descaracterize como indivíduos.

  5. Sobretudo quando as ´fraquezas’ são o inevitável contraponto às qualidades. Um campeão dos 100 metros não o pode ser também na maratona e, se o conseguisse, deixava de o ser na primeira. Um leopardo não consegue rivalizar com um homem bem treinado na corrida de fundo. Um ser universal não existe.

  6. Depende. Aceitar viver com as fraquezas não se é necessariamente corajoso, depende das fraquezas.

    lucklucky

    1. Quando tentamos esconder as fraquezas atrás de violência ou arrogância, vamos prejudicar outros. Acho que, nesse caso, é mais corajoso aceitá-las, porque o aceitar pode diminuir a necessidade desses escapes.

        1. A minha ideia de “aceitar” vem contrariar a ideia de “ignorar”, ou “recalcar”. Ignorar pontos fracos, fazendo de conta que não existem, exige muita energia e uma atenção permanente. Para aliviarmos essa pressão, procuramos um escape noutro lado. Pode ser perigoso, ou não, depende do escape.

  7. Dos comentários concluo apenas que as senhoras estão bastante mais habituadas a reconhecer os seus defeitos do que os homens. Essa é que é essa. 😉 Eles são sempre uns heróis.

    Isabel

      1. Quando li a sua sensata frase, e um dos comentários, lembrei-me de um exemplo.

        Suponha a existência de criatura que, sobretudo, por preguiça e indisciplina não estudou o suficiente, nem se empenhou como devia na profissão.
        Caso não reconheça naqueles dois defeitos a razão da falta de êxito na vida, vai vivê-la em ódios de estimação (que se traduzem na tal agressividade e arrogância). E mais do que tudo, vai viver da inveja ao que trepando à bolota (na expressão de outro comentador) se esqueceu do ombro em que assentou a pata para lá chegar. Ou até mesmo ao que não se esqueceu.

        Transportar isto para a dimensão do País até teria a sua graça, sendo nós tão preguiçosos e indisciplinados.

        Já se aceitar os seus defeitos, pode até vir a perceber que foram a causa de sucessos talvez menores, mas nem por isso menos saborosos. Passar muito tempo a fazer o mínimo para subsistir e ter pequenas alegrias ajuda a ver coisas que escapam a quem está focado e atarefadíssimo. E o preguiçoso indisciplinado a partir do momento em que aceita os tais defeitos como razão dos falhanços, mas também das pequenas glórias, tende a fazer as pazes consigo próprio, corrigindo-os. Quando dá por ela, está a trabalhar e estudar empenhado.

        Quanto aos homens, sim. Sem dúvida, acham que ficam vulneráveis. Tem pavor de ficar numa situação de fragilidade. Isso não condiz com a imagem de masculinidade em que foram educados. Para ser franca, não sei se quero que mudem. 🙂

        Isabel

        1. Obrigada pelo seu comentário tão interessante, Isabel (e o elogio à minha frase).

          Eu gostava que os homens mudassem, pelo menos, alguma coisa. Porque quem é compreensivo consigo próprio, costuma ser também com os outros. Estou a falar de uma maneira geral, é claro que há homens empáticos e compreensivos.

          Já agora, aqui vão excertos de uma troca de impressões com um amigo do facebook (um homem, portanto). Achei interessante (não só o que ele disse, mas também a sua capacidade de se auto-analisar):

          «Os homens também são sujeitos à opressão machista. Há pressões sociais fortíssimas para que um rapaz se conforme com o molde da masculinidade aceite. Começa na infância, nas expectativas parentais (é notável como as mães impõem muitas vezes esse conformismo) e continua nos grupos infantis e juvenis de laços masculinos (male bonded groups) (…) Todos os pensamentos e atitudes de maior empatia, ou até mesmo de autoconsciência são reprimidos, marginalizados e considerados mariquice (…) Escapes aceitáveis para a incapacidade de perceber os seus próprios sentimentos são os comportamentos violentos e o álcool».

          Nos “escapes aceitáveis”, ele referia-se à aceitação no mundo masculino.

          1. A Agustina dizia (a propósito da sua educação, da distinção entre rapazes e raparigas e as tais ‘expectativas parentais’) que elas seriam deixadas mais à vontade, pelo que teriam tendência a ser mais espontâneas e espirituosas. Não seriam criadas com o mesmo ‘sentido de destino’. Talvez este ‘sentido de destino’ se impusesse aos rapazes como um fardo pesado.

            Eram outros tempos. Dizer isto hoje, deve ser quase heresia, sabido que mulher que se preze tem a obrigação de testemunhar o quão penalizada foi/é pela sociedade.

            Isabel

          2. Cada um sabe de si, Isabel. Fui criada com um irmão. Não foi fácil. Se tivesse tido uma irmã (não em vez, mas além dele) acho que teria sido bem mais fácil.

          3. Eu cresci com três irmãos rapazes mais velhos. E uma mãe com uma política: não quero queixinhas, defenda-se, responda, ponha-os na ordem. Uma vítima às mãos deles, ainda hoje. 😉 Não os trocava por uma irmã, mas vá, uma maninha sempre teria dado para passar uma hora ao telefone, coisa que os rapazes não sabem fazer.
            Isabel

          4. Pois, eu sou a mais velha. E, apesar de a diferença ser de apenas um ano, a política da minha mãe era: tu não és filha, és minha ajudante, e tens de tratar do menino; e ai de ti que lhe aconteça alguma coisa! A do meu pai é (ainda hoje): só um rapaz é um filho a sério, tu estás aqui por acrescento, vê lá se não chateias.

            Disse desejar ter tido uma irmã, porque, se há algo que recordo, na minha infância, é: solidão.

          5. Depois do seu comentário fiquei um tanto presa de palavras, mas do que me é dado ver (e é muito pouco), parece que superou bem a incompreensão. Ou solidão. Percebo perfeitamente o que diz em relação à irmã, também senti falta de uma irmã para falar/desabafar.
            Mas do que vejo, isso vai mais de nós próprias do que dos outros. Há as que não tendo irmãs, se agrupam com outras raparigas e as que gostam de sossego e reserva. Tendi quase sempre para a segunda hipótese. Possivelmente a Cristina também, ao menos na infância.
            Isabel

          6. Também gosto de sossego e reserva, mas ainda não descobri se é da minha natureza, se me habituei a gostar. Enfim, nada de trágico e talvez até nem seja tão importante como isso. Mas talvez seja essa tentativa de me entender a mim própria que me faz interessar tanto por psicologia. Não quero acusar ninguém, os meus pais, como todos os pais, fizeram o que acharam melhor. Não é fácil criar filhos, nunca foi. Mas que tenho tendências feministas, isso tenho 😉

    1. Senhora Isabel.
      Reconhecerem as senhoras melhor os próprios defeitos do que os homens conhecem os deles, não é uma questão de habituação, mas um predicado sabedor trazido com elas à nascença. Aliás, dois! dois predicados conferidores de exponenciais vantagens.
      Ver sem ser vista a ver e saber abrir a porta sem a fazer ranger.
      Já os homens…pois.
      🙂

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