A causa animal alimenta-se, em boa parte, do desapontamento face à raça humana.
Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana
A causa animal alimenta-se, em boa parte, do desapontamento face à raça humana.
Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana
Daí quem pouco compreendesse passa a ficar esclarecido quando ele se lamenta para os amigos:
– Mas que raios aquela gaja vê no gatinho que lhe dá mais atenção do que a mim?
Votos de uma excelente semana.
Um bom pensamento.
Mas eu diria que não é somente isso. A causa animal deve-se a uma evolução da sociedade, em que os animais (domésticos) deixam de ser algo de utilitário (a vaca puxa o carro de bois, o cão guarda a casa, o gato caça ratos, o porco engorda para o Natal) para passarem a ser companhias, amigos. Numa sociedade rural, um animal inútil abate-se; por exemplo, se uma gata tem uma ninhada de gatinhos e nós não precisamos deles, pegamos nos gatinhos e atiramo-los a um poço para eles se afogarem. O sofrimento dos animais não conta, o que conta é a sua utilidade para nós.
Na sociedade urbana moderna, as pessoas não têm filhos, porque os filhos são muito caros, ao contrário daquilo que acontecia na sociedade rural tradicional. Para substituir os filhos que não tiveram, as pessoas arranjam cães para lhes fazer companhia. E tratam bem dos cães, tal como teriam tratado dos filhos. Não os querem fazer sofrer.
“Numa sociedade rural, um animal inútil abate-se”
Numa sociedade moderna, uma pessoa inútil abate-se.
Numa sociedade animal um animal inútil abate-se.
Bem dito
Lavoura, eu não disse que era somente isso. E sim, a causa animal deve-se a uma evolução da sociedade.
Os animais dão-nos tudo aquilo que precisamos. Total fidelidade, devoção e ausência de crítica. O que não conseguimos obter dos humanos, a não ser claro, que paguemos.
Não acham curioso que a massa adepta do pan em particular e ecologistas em geral se concentrem nas zonas urbanas? Tanto campo para explorar, tanta ruralidade para presenciar, e limitam-se a defender os animais agitando bandeiras na selva de cimento.
“Total fidelidade, devoção e ausência de crítica.” Esta afirmação é totalmente gratuita e falsa. Os animais não têm o conceito de fidelidade nem de devoção. Os animais não filosofam. Por isso neles a ausência de crítica é total. Mas isso não é uma qualidade, é um defeito grave.
Os apreciadores dos animais adoptam, em geral, uma posição antropocêntrica sem a qual o que dizem nem teria sentido.
“Não acham curioso que a massa adepta do pan em particular e ecologistas em geral se concentrem nas zonas urbanas?” Não acho curioso, acho que outra coisa não seria de esperar. Não sabem o que é a agricultura nem a pecuária nem o que é o campo. Por isso dizem as barbaridades que dizem.
Quem não tem o conceito de fidelidade nem de devoção, e até, de amor, somos nós, os humanos e não eles.
Eles levam a fidelidade e o amor para lá da morte, como eu conheci e vivi.
Eu amava muito a minha mulher, e o gatinho dela também. Embora por vezes a arranhasse.
Ela morreu e eu continuo vivo, mas desde a primeira hora que ela saiu de casa para não mais voltar, nunca mais, o gatinho, durante o mês que ainda viveu, se separou da porta por onde ela saíra.
Morreu aninhado numa saia dela, saia essa de que ele nunca se separou enquanto viveu.
Mas conheço muitos mais exemplos de fidelidade e amor desses seres, os tais ditos não inteligentes.
E só para que fique claro, não sei quem é o PAN, quem é, quem são, o que faz, o que diz, as linhas que segue ou preconiza. Não sei e é seguramente a última das minhas preocupações saber quem seja.
Zeca: “Os apreciadores dos animais adoptam, em geral, uma posição antropocêntrica sem a qual o que dizem nem teria sentido.”
E pronto, pomos os animais a sentir o que nós sentimos.
Ora aí está uma certeza que julgo não ser só minha. Somos animais. Aliás, para que não restem dúvidas:
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Sub-reino: Eumetazoa
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Classe: Mammalia
Subclasse: Theria
Infraclasse: Eutheria
Ordem: Primates
Subordem: Haplorrhini
Infraordem: Simiiformes
Superfamília: Hominoidea
Família: Hominidae
Subfamília: Homininae
Tribo: Hominini
Subtribo: Hominina
Género: Homo
Espécie: H. sapiens
Subespécie: H. s. sapiens
Estado de conservação – LC.
E claro que quanto mais da familia Hominidae são , mais sentem o que sentimos. A diferença substancial entre nós e eles não está tanto no sentir mas na forma como expressamos, manipulamos/usamos o sentido. Aliás, prova disso é que até no não sentido arranjamos um qualquer sentido.
A Consciência é a nossa maior armadilha que nos faz acreditar serem os instintos, motivações pessoais, quando não sublimações angelicais.
Houvesse uma definição e diria ser o Homem o animal que mais habilmente se esconde dele mesmo. Homo occultatum.
Talvez. Para uns.
E talvez não. Sentimentos são reconhecimento de fraqueza, para outros.
Insiro-me na classe dos primeiros. Ingenuamente, talvez, mas não importa.
Preferiria nunca ter nascido do que ter passado pela vida sem conhecer a essência que dá sentido e torna a vida numa intensa aventura; por vezes amarga, por vezes doce, a filigrana que dá cor à existência, isto é: sentimentos.
Os depreciadores dos animais adoptam, em geral, uma posição antropocêntrica sem a qual o que dizem nem teria sentido.
Anonimus: O PAN não se limita à selva de cimento. Tem tido voz activa em matérias que dizem respeito a zonas rurais como a tourada, a caça, usos e costumes que envolvem a exploração animal no campo, etc. Mas tem, de facto, maior penetração em meio urbano.
O «desapontamento face à raça humana» é da exclusiva responsabilidade dos humanos.
A falta de empatia é um grande problema. Quantas pessoas nos olham sem nos verem, sem se aperceberem da nossa presença, sem nos considerarem como seu igual? Com um cão, ou um gato, isso não é possível. É por isso que os animais fazem tão bem às pessoas com deficiência: olham-nas com a mesma empatia com que encaram todos os outros. Não há pena, não há curiosidade mórbida, não há desconforto. Há empatia pura e simples.
Cristina: Apesar de apoiante convicta da causa animal, pela qual ainda há muito que fazer, já concluí há muito que na oposição amor animal /amor pelo próximo, a balança desequilibra-se muitas vezes a favor do amor animal também porque é mais fácil amar um animal do que amar uma pessoa.
There’s a high-speed bus barreling toward you with no signs of slowing down. Your pet dog and a foreign tourist stand in its path, deer-in-the-headlights style. You can only save one. Which do you choose?
https://www.google.com/amp/s/m.huff post.com/us/entry/3781329/amp
Teresa, tudo depende do modelo. Deveria conhecer o Sr. Júlio, ou o Sr. Rocha e saberia do que falo
Hum…
Excelentes pessoas…das melhores
(eu é que queria ter escrito isto!)
:\
Obrigada, Alexandra 🙂
O homem tem fome de afectos. A unidade familiar dispersa-se demasiado pelo digital, perdendo-se muito da tradição que culturalmente define um ambiente familiar. Esta enorme lacuna é preenchida pelos animais de estimação. Tornam-se nos amigos que queremos e precisamos, e retribuem afectos sem impor condições.
E é por não imporem condições que os bichos são mais fáceis de amar…
Os animais também vão para o Céu!
Os animais vivem para se alimentar e para se reproduzir.
Conseguimos interagir com eles por via da recompensa, mas é um grande erro a tentativa da sua humanização porque isso é que é crueldade para com eles.
De resto são belíssimos companheiros e a minha cadela vale por trezentos mil humanos…
“Os animais vivem para se alimentar e para se reproduzir.
Conseguimos interagir com eles por via da recompensa”
Não o fazemos todos, D? Não há almoços grátis.
“mas é um grande erro a tentativa da sua humanização ” Muita gente só com segue ver do seu ponto de vista. Daí atribuirem aos animais os conceitos que eles próprios têm.
E os conceitos, quer sejam sobre animais, ou sobre a vida e as coisas, não são sempre formados segundo o ponto de vista de cada um?
“não são sempre formados segundo o ponto de vista de cada um?”
Sim. Eu dizer “o meu cão faz-me feliz” tem sentido. Eu dizer “o meu cão sente-se feliz comigo” não tem sentido. O cão terá o conceito de feliz? E uma mosca, terá? Ou sofrerá com os insecticidas? Os ratos não morrem com grandes dores devido ao uso de raticidas?
Dizer “o meu cão sente-se feliz comigo” é transpor para o bicho o que eu sinto. Poderei dizer “estas plantas sentem-se felizes comigo”? Há quem diga que sim. E se forem pedras?
Se disser que o seu cão se sente feliz consigo; acreditando que lhe proporciona uma vida boa, se ele abana a cauda quando o vê ou explicita satisfação ao seu lado ou na sua companhia, faz todo o sentido que se sinta feliz consigo. Se não se sentisse feliz fugia de si quando o pressentisse.
Como animal irracional que é, não compreende o significado do conceito de amor, dedicação, fidelidade e todos os demais sentimentos que embora não os sabendo pelo pensamento defini-los na sua essência, sente-os contudo.
Logo é feliz, só que o não sabe exprimir pela retórica, mas abanar a cauda com frenesim secundado de um ão ão bem expressivo, traduzindo dá:
Ó dono, pá! sou o cachorro mais feliz do mundo e redondezas circundantes.
O que as moscas e ratos vieram para o contexto da discussão fazer, confesso que não estou a ver muito bem.
Plantas, há quem diga que sim,
Pedras sentirem-se bem connosco, não sei, mas se o “nosco” for assim para os lados do “nosco” feminino, podem as pedras não se sentirem na mesma bem, mas sentem-se elas na plenitude do Nirvana, se as ditas forem diamantes.
“embora não os sabendo pelo pensamento defini-los na sua essência, sente-os contudo.” Se foi o que cão que lhe disse que os sente, eu acredito. Se é só imaginação sua, ponho a dúvida metódica
Obviamente! Se nem nós as mais das vezes sabemos definir as coisas como elas são, ou definimo-las à nossa maneira, isto é; da maneira que nos dá mais jeito, que é assim a modos de como quem diz, segundo as nossas conveniências, ou e ainda; do propósito conducente ao interesse próprio, – como vê, uma epopeia interminável sobre o conceito de definição, dependendo do interesse de cada um, – se calhar queria que eles completamente arredados da mesquinhice do mundo, para lá de a parca inteligência concedida não lhes permitir um discernimento objectivo, fossem definir os sentimentos que lhes vão no procedimento.
A única diferença entre nós e quaisquer animais está na capacidade de raciocínio que nós temos e eles não, porque, e se calhar vai-se admirar, são muito mais espertos do que nós.
” são muito mais espertos do que nós.” Não me inclua, tire lá o plural.
Inteligência emocional

Portanto: milhares de anos de esclavagismo animal (eufemisticamente chamado de domesticação), a par de práticas eugénicas intensivas, até conseguirmos em linha utilitarista produzir seres capazes de colmatar as nossas carências de afectos: e nem um assomo de revolta ou indignação por parte dos ditos “amigos dos animais”? É esta a hipocrisia a que chegamos?
“por parte dos ditos “amigos dos animais”? ” Dos amigos dos animais? É claro que são falsos amigos. A revolta deveria vir dos próprios animais.
Pode ser verdadeiro, mas uma coisa não leva necessariamente à outra.
Face à raça a que você pertence, Teresa…
As pessoas não podem por trela e ançaime a sogra, nem no conjuge, nem nos filhos. Nem podem obrigá-los a ir de férias quando eles não querem, nem a ver os programas de televisão de que mais gostam.
Por isso gostam mais do seu cãozinho. Pela trela ele vai a todo o lado sem refilar, no dia e na hora que eu quero, sem refilar, que bom!
“As pessoas não podem por trela e ançaime a sogra, nem no conjuge, nem nos filhos…” Mas se calhar gostariam para os poder amar como amam os cãezinhos.
“Por isso gostam mais do seu cãozinho” Claro e fazem de conta que o cão é gente.
Não há fidelidade como a canina.
“Oh, homem! frágil, breve inquilino
Rebaixado pela escravidão, ou corrompido pelo poder,
Quem te conhece bem, deve rejeitar-te com desgosto,
Massa degradada de poeira viva!
Teu amor é luxúria, tua amizade inteira ilusão
Tua língua hipocrisia, teu coração decepção.
Por natureza mau, dignificado apenas pelo nome,
Cada irmão selvagem pode fazer-te corar de vergonha.”