Pensamento da semana


outroblogue,

“Pensar que há árvores que morrem para isto” é um pensamento que me ocorre com demasiada frequência, quase sempre acompanhado por um longo e desalentado suspiro. 

A escrita (literatura é outra coisa) de má qualidade é uma dupla ameaça ao planeta: pelos recursos que consome e pela estupidificação que promove.

(Voltarei a este assunto no final desta semana  de reflexão.)

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

11 comentários em “Pensamento da semana”

  1. Gostos não se discutem. A Zélia considera muitas coisas impróprias para imprimir. Eu também – incluindo muitas coisas da autoria de escritores bem reputados.

    1. Como verá quando der continuidade ao tema, não é uma questão de gosto. Também eu tenho autores que não consigo ler e que são best sellers, admiradíssimos. A escritora que escreve com o nome de Elena Ferrante, por exemplo. Fiz várias tentativas e acabei por desistir. Mas é um fenómeno global, teve listas de espera durante meses (e temos mais do que 1 exemplar de cada volume).

  2. Se as árvores soubessem que morriam por uma causa inglória, não iriam permitir as mortes madeiramente assistidas, suicidavam-se mesmo.

  3. Tirando a questão ecológica, disso isso da pasta de papel, ou lá o como se chama, julgo que a questão deve ser vista de modo mais alargada, mesmo como de saúde pública: o acto de publicar em formato mono activa o bem-estar psicológico de muita gente. E isso é estimável.

  4. Felizmente que (para o bem e para o mal) inventaram o papel.
    Hoje -em dia como muita gente diz- não seria prático ter que ir a uma caverna para “ler” uma história. É certo que ler na escrita cuneiforme (da direita para a esquerda) seria uma questão de hábito mas não seria fácil carregarmos umas pedras de roseta para estudarmos a história dos faraós. Os chineses perceberam que “escrever” em tecido era o ideal; de certo modo são os precursores dos chamados “livros de bolso” mais duráveis no tempo do que os papiros egípcios, mais próximos antepassados do papel. Para encurtar caminho chegamos a Gutemberg, a quem todos os actuais editores e livreiros devem a sua própria existência. Evidentemente que as árvores, em especial os eucaliptos, estão danados com Gutemberg e só o não penduram dum dos seus ramos mais altos porque ele já nem matéria é. As árvores que só não fazem manifestações nem desfiles contra a situação porque continuam enraizadas às suas origens. E optam por se imolarem pelo fogo em vez de se abaterem sobre todos os que as não respeitam. Voltando ao início, à questão do papel que é usado para receber e transmitir ideias, imaginações e teorias, muitas com valor e aproveitamento e (talvez muitas) outras nem por isso; às vezes até parece que não valem o papel que as suportam. Pois bem, neste sentido não é descabido lembrar aquele livro (depois filme) das pessoas-livro (o fahrenheit 451). Poupavam-se as árvores e, calmamente, ouvir um livro com todas a nuances e inflexões que um contador humano pode transmitir seria uma valorização da obra literária. Hoje, embora não sendo a mesma coisa, há a possibilidade de lermos um livro nas várias plataformas da WWW. Não será a melhor forma de ler/sentir/perceber um livro mas sempre são poupadas uns milhares de árvores.
    Épa, estiquei-me! Peço desculpa pelo extenso comentário. Cumprimentos!

  5. Bom, há gente que faz gosto em publicar algo seu em edição de autor; suponho que, nesse caso, haja poucos exemplares e a pessoa fique satisfeita. Não sei se será coisa que valha a pena, mas se for sonho da vida de alguém, porquê impedi-lo.
    Depois, há os muitos livros que se publicam e não têm o público esperado e lá vão uma data de árvores para o galheiro. Enganos da editora? Talvez, elas não gostam de perder.
    Depois, vêm os livros que não são literatura e talvez se intersectem com os que não têm público ou, pelo contrário, sejam muito lidos, vendam bem. Sou de opinião que, se passam uma mensagem sobre a vida e não são apenas vazio e mexerico, se ajudam alguém a evadir-se do seu quotidiano e entregar-se ao que lê, se nos tornam por qualquer razão melhores pessoas, valem a pena; e para isso basta que esteja presente uma das razões que citei ou outras que existem e não estão aqui. O gosto pela leitura pode levar à literatura, à exigência da escrita depurada, a uma outra percepção que não podemos exigir a todos os homens. O que podemos é desejar que leiam e se ampliem.
    Bom Dia.

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