“Foi brilhante”, disse Mário Soares. “É o regresso da política a cores”, elogiou Marcelo Rebelo de Sousa. Voltou com a “ferocidade e eficácia que é bem conhecida e justamente temida”, afirmou Miguel Sousa Tavares. Das omissões e manipulações de Sócrates durante a entrevista que deu há dias na RTP os comentadores também falaram, mas como salientou ontem M.R.S. no seu comentário dominical, isso é “o que todos os políticos fazem”, logo há que relativizar.
Resumindo, o ex-PM deu show e foi de imediato premiado com aplausos pela sua brilhante performance e alguma condescendência face ao conteúdo da sua comunicação. Beneficiando da expectativa criada em torno do seu regresso, o animal feroz conseguiu também polarizar audiências. Caso para dizer que a sua reentrada em cena não lhe podia ter corrido melhor.
Para um ego sedento de protagonismo estes dois anos de carência devem ter-lhe custado horrores. A aparição semanal na televisão logo tratará de repor os níveis de adrenalina a que se habituou durante o período de governação. Será uma autêntica terapia. Enquanto cuida da sua saúde mental, o nosso ex vai também tratar da sua vidinha. Diz que não, que não quer nada, mas é blague. O que ele espera é que a sua caminhada triunfal desemboque numa sinecura à medida da sua ambição e vaidade. E a verdade é que tem tudo para conseguir os seus intentos. A desorientação e desesperança dos portugueses, a ambivalência dos opinion makers, que tanto criticam o que fez, como lhe elogiam o estilo, a cacofonia dos media, que seguem sempre o cherne que mais brilha na pantalha e o desgaste do poder.
Quem imaginou que a vinda de Sócrates iria catalisar os ódios dos portugueses e dar folga ao governo não viu bem o filme. Quem domina os media tem mais vidas que os gatos e muitas mais do que os coelhos.


Em português corrente : a merda sempre atraiu as moscas.
Sócrates, reaparecimento e reacções, tudo muito digno de 3º mundo. É a cafrelização.
A estupidez governamental, a condizer.
Totalmente de acordo, Teresinha: acabaremos sempre por nos vergar à pirotecnia, em detrimento do conteúdo que está escondido por baixo dela? Assusta-me a resposta.
Mas, por amor de Deus, não me mistures este ilusionista de pacotilha com a maravilhosa declaração de Sebastião da Gama…
Adoro esse poema do Sebastião da Gama, Ana. Não misturo, contraponho. Angustiada com as perspectivas.
Bem sei, bem sei.
Eu acho que o Sócrates tem que contratar, rapidamente, dois ou três seguranças. Se assim não fizer, corre o risco de apanhar, sem perceber, um arraial de porrada, dos seus inimigos de estimação.
É que este país está a ficar muito perigoso…
O Soares, o Sousa e o Tavares!?. Ele há gostos para tudo!.
Muito bom .
Os dois últimos parágrafos merecem atenta reflexão , muito para além das leituras rápidas que se fazem com demasiada frequência …
Obrigada, rmg.
O meloso Coelho mais o acintoso Sócrates são a cacofonia que nos está destinada ver amplificada por uns tantos adiantados mentais à mistura com senadores de pacotilha.
A realidade, essa madrasta, vai permanecer imersa por períodos sucessivamente mais longos até que uma qualquer paranóia eleitoral a transforme em mera ficção.
A seguir mais choro e ranger de dentes até que a sorte nos bafeje com a prevalência de gente séria, se alguma subsistir para lá de um tal lamaçal.
Nada surpreendente. MRS, MST, MS é tudo gente do regime. Do regime que foi parar à bancarrota 3 vezes em 40 anos.
Na essencia populista.
Sócrates é uma produção dos media.
Sócrates é mais um sintoma, que uma causa.
Nunca chegaria onde chegou sem as perguntas inanes dos jornalistas , da ignorância geral, da adoração pelo circo dos gladiadores televisivos.
Pois o caminho, lógica, ADN do regime socialista é sempre caminhar para a bancarrota.
Outro que não Sócrates poderia ter sido mais lento a levar o país para a bancarrota mas o caminho inexorável é esse. Sempre.
Os Media e a Escola Publica são os sustentáculos da lógica do Regime Socialista-Populista. Um construindo um castelo de cartas, um jogo de espelhos, o outro destruindo as crianças.
Populismo que fica bem demonstrado no elogio do combate pelo combate.
Note-se ainda como a palavra “ferocidade” é empregue como elogio. Se fosse alguém de direita seria ao invés cowboyismo, intolerância, brutalidade, insensibilidade… etc…
Quanto ao último parágrafo, sobrestima os media. Não param de perder leitores e espectadores. Tal como o regime socialista a abstenção e votos brancos e nulos não para de crescer.
Sem dúvida. ***** para os dois, TR e LL.
O poder está sistematicamente a ficar “desinstitucionalizado”, na rua.
Continuamos de acordo.
Isso é um termómetro, Laura?
Doente, Teresa! Febril! É como fico com estas fénixes que teimamos em ir buscar ao rescaldo do incêndio. O que devastou essa espécie de mansão tipo Dallas em que Portugal se tornou pela mão deste homenzinho… Pindérico como ela.