“Um monte de pedras deixa de ser um monte de pedras no momento em que um único homem o contempla, nascendo dentro dele a imagem de uma catedral.” – Antoine de Saint-Exupéry
Provavelmente já tinha tomado alguns. Não sou de beber mas pelo-me por um bom Gin & Tonic e quando tomei por resolução um post por semana, estava seguramente alienada, demente, insana, ou simplesmente um nadinha alterada.
A inspiração não é algo que se tenha na mala ou na carteira ou haja lá por casa uma nova, sempre bem arrumada e ainda por estrear com as etiquetas da marca numa gaveta do camiseiro.
Ou se tem ou não se tem, tão simples como isto.
É como o cabelo, por exemplo. Se o tenho, posso cortá-lo, pintá-lo, enfeitá-lo, ondulá-lo… a infinitude de tratos que posso dar ao cabelo é imensa. Se não o tenho , sou careca, tento disfarçar com perucas, capachinhos, chapéus, mas como dizia o actor, desses, há muitos, os palermas,os falsos inspirados.
Saí da guerra e olhei perplexa os montes de granizo já negro que se amontoam nas bermas das estradas e pensei para comigo, que o mundo me passa ao lado e eu só reparo que faz um barulho ensurdecedor.
Fui pelo caminho a contar as pedrinhas e a adivinhar em qual cairia cada pingo da chuva que se abatia de mansinho. Podia ser inspirador, quem sabe. Li não sei onde que o Björn Ulvaeus escreveu o “Take a Chance on Me” quando chegou a casa depois de caminhar pela chuva e atentar na melodia que os seus passos tocavam nas pedras molhadas da calçada.
Quem sabe o mesmo não aconteceu a Beethoven quando cozinhava, ou a Bach quando polia com suavidade e perícia o seu orgão preferido , ou até mesmo a Wagner enquanto passava o espanador nos livros da biblioteca do tio Adolf.
Não, decididamente hoje não desceu em mim qualquer bafejo de Erato, Melpômene, Polínia ou Talia, portanto e sem mais delongas, vou fazer uma lasanha, uma deliciosa e fantástica lasanha e ai de quem se atravesse no meu caminho e me difame a arte !

” Não sou de beber mas pélo-me” Desculpe lá mas pelo (do verbo pelar) não leva acento (a não ser, talvez, pelo Acordo Ortográfico, coisa que desconheço e nem quero conhecer).
E depois, caro Zeca?
Reza a missa o sacristão?
Mete-se o cura na prisão?
Dá mais leite a ovelhinha?
Há mais pasto para a vaquinha?
Promove o queijo da serra?
Traz a virgindade à donzela?
E o bom nome à tia dela?
Pelo touro há mais compaixão?
Faz o Sporting campeão?
Santifica o Pilatos Pôncio?
Cura a amnésia do Constâncio?
Move a roda do moinho?
E a que amola o machadinho?
Como vê, não a tudo.
Portanto com acento ou sem acento lê-se na mesma, o planeta continua a girar e ninguém fica mais rico nem menos pobre por isso.
E que tal a lasanha, Maria Dulce? Vou fazer uma para mim, e para quem quiser apanhá-la.
Ah Corvo, gralhas são gralhas, ainda que da família Corvidae devem ser rectificadas.
A lasanha está fantástica ! Um dia destes trocamos receitas.
Alinho nessa, Maria Dulce.

Por acaso faço uns petiscos nada maus.
Está combinado, Corvo !!!
Tem razão . Não tinha reparado . Já corrigi. Obrigada !
O poder transfigurador dos poetas.
Pedras de Gedeão,Gomes Ferreira,e essa de Drummond que se me atravanca desde que a li.As do caminho lá as vamos ladeando.
As do meio do caminho são mais difíceis de contornar
E as mais “chatinhas” são aquelas minúsculas que, sem sabermos como, nos entram para os sapatos.
Mas a verdadeira artista nunca se atrapalha, não é, Dulce?
E até saíu um belo postal, que me abriu o apetite e tudo 🍽
⚘
Maria
Tanta pedra no sapato, Maria, incómodas e persistentes. Lidar comelas é que é a verdadeira arte de saber viver.
Bom Domingo e bons petiscos. Hoje tenho ensopado de cabrito.
Pode pôr mais um prato virtual, Dulce, estarei aí em pensamento 🥘
Beijinho e bom Domingo.
Ah e bom feriado!
⚘
Maria
Fica guardado para si !
Por natureza, sou uma inspiração. Inspiro, inspiro, inspiro, para que os meus expiros sejam menores.
Mas para tanto inspirar, e menos expirar, necessito sempre de um bom pitéu. E é com estes sabores, transformando este corpinho que tanto sufla e insufla, que me transformo em inspiração, pois desses momentos a patroa se contenta, e lá vai dizendo: “que alegria dispôr de tanto espaço para amar”.
Onde não há uma boa mão também não há inspiração.
Bem, agora vou para as sardinhas. Não posso inspirar sem ómega.
P.S. Fico a aguardar um Muito Bom +++. Tem de ser 3+, porque hoje é Pentecostes e o Espírito nunca dá pela metade.
Ena, Vento inspirado!
Espaço extra para amar tem nota 10, Muito Bom.
Bom Domingo! Hoje tenho ensopado de cabrito, pouco junino, mas um espectáculo.
Faça o favor, prepare o prato. Tou chegando!