
“Não é só por via da violência que o terrorismo condiciona a sociedade. É também através da cultura. O terrorismo, em particular o de cariz nacionalista, actua em nome de uma comunidade alegadamente forjada por laços históricos, por vezes até genéticos, uma coletividade feita de valores e de traços culturais tidos como singulares. Por isso, a literatura especializada em violência política, apesar dos inúmeros debates que alimenta, é consensual sobre a necessidade que as organizações terroristas têm de apoio popular, pelo menos de um sector da sociedade que dizem representar. Esta adesão social não tem de se materializar em participação activa em acções violentas; basta que se resuma à aceitação do quadro de valores e ideias que a organização defende. Se assim não for, todo o ideário do terror é insustentável e, consequentemente, a vida da organização curta. Logo, parte importante da estratégia de um grupo terrorista – e de estruturas associativas que porventura tenha como satélites – é dedicada à criação e difusão de símbolos maniqueístas de vitimização, de memórias históricas e de preceitos culturais com o objectivo de tornar a sua identidade mais saliente e distinta. (…)
Por tudo isto, combater as subculturas do terrorismo, as que o fomentam e as que dele resultam, é tão importante para a reposição da liberdade e para a recuperação da convivência em sociedade como o combate à violência nos planos jurídico e policial. Esta conclusão levou o escritor Fernando Aramburo, em entrevista ao El País em Setembro de 2016, a alertar para o facto de que a derrota literária da ETA continua pendente. A entrevista teve como mote a publicação de Patria, o seu mais recente romance, o terceiro livro que o autor dedica aos efeitos da violência etarra no País Basco. (…)
Sem relativizar ou equiparar atitudes que exigem apreciações morais e políticas diferenciadas, Fernando Aramburo reúne as duas faces da sociedade para demonstrar como o terrorismo e o ideário que o sustenta a dilaceraram.”
Excertos do ensaio que escrevi sobre o papel da cultura no combate ao terrorismo, tendo como base a ETA e o romance “Pátria”, de Fernando Aramburu. Na revista LER, edição Primavera 2018.

A Violência é um acto de Paixão. Da paixão pela Justiça provinda do ressentimento da injúria.
Advogado de arguidos em processos por violência doméstica?
Diogo, não seja tão literal. Leia com as asas postas…
Nem às postas se digere o seu argumento.
Entendo. Prefere a Praça, à Pesca Fundo
“Todas as ideias falsas terminam em banho de sangue, mas é sempre o sangue dos outros.Por isso é que alguns dos nossos filósofos se sentem à vontade para dizer seja o que for.” A.Camus
“Facílimo, a uma distância segura , encorajar a violência sobre os outros”.
Tony Judt
O Bom, e o Mau, o Acertado e o Errado, que não a verdade de laboratório, não tem sempre um acento ideológico?
Facílimo é perante a infâmia, permanecer quieto, mascarando a cobardia, a falta de vontade, e o niilismo, com a Iluminação…onde estaríamos nós se não fossem os violentos? Esses violentos que celebramos como os Nossos Heróis. Os Albuquerques desta Vida.
Derrota literária talvez. Mas o programa espacial da ETA teve bastante sucesso a 20 de Dezembro de 1973.
Excelente texto Diogo. Fiquei bastante interessado em ler o ensaio na LER.
Abraço,
Alexandre
Muito obrigado, Alexandre. Abraço grande e amigo